Gareth Pugh vira Liza Minelli em série de curtas sobre as mulheres

15/03/2012

por | Moda

Cena de “Club Nouveau”, da grife Gareth Pugh ©Reprodução

Para celebrar – e divulgar – a abertura da Women’s Designer Galleries, seu novo espaço dedicado exclusivamente a coleções femininas, a loja de departamentos de luxo britânica Selfridges convidou algumas das maiores grifes da atualidade para participar do seu The Filme Project, uma série de curtas-metragens que mostra a interpretação de cada marca para a mulher moderna. “O briefing para os designers foi bem aberto – a única condição era a de que tinha que haver um personagem feminino forte no centro de cada filme. Nós queríamos que cada designer expressasse livremente a sua visão de uma mulher que eles consideram cativante e inspiradora”, afirmou à “Vogue” britânica Alannah Weston, diretora criativa da Selfridges.

O resultado é a coleção de seis curtas-metragens que você assiste abaixo, desenvolvidos pelas grifes Alexander McQueen, Dries Van Noten, Comme des Garçons, A.F. Vandevorst, Rick Owens e Gareth Pugh. No vídeo desta última, o próprio Pugh aparece transvestido de Liza Minelli, arriscando até alguns passinhos – o estilista era apaixonado por dança e fez ballet durante muito anos, como ele mesmo contou em entrevista exclusiva publicada aqui no FFW, lembra?

Assista a todos os curtas abaixo e depois conte pra gente qual é o seu preferido!

“Club Nouveau” – Gareth Pugh (direção de Ruth Hogben):

“D’Amore Sill’Ali Rosee” – Rick Owens (direção de Ruth Hogben):

“Delfine”, da A.F. Vandevorst (direção de Stef Viaene):

“Madeleine Malraux” – Comme des Garçons (direção de Katerina Jebb):

“Mornlight” – Dries Van Noten (direção de Christopher Doyle):

“Obscure Desires”, da Alexander McQueen (direção de Dustin Lynn):

#Consumo: as tribos do Tumblr e as novas possibilidades do marketing

14/03/2012

por | Techno

“Mapa” do Tumblr, com seus “países” de conteúdo ©Reprodução

A exploração comercial da blogosfera, com seus prós, contras, condições e consequências, já é discussão recorrente da Web 2.0 — o FFW já falou sobre isso aqui, lembra? Pois pelo que indica um artigo recente do bureau de pesquisa de tendências WGSN, a plataforma Tumblr pode estar seguindo esse mesmo caminho e se tornar a nova meca de publicitários espertos, de olho nas possibilidades de fortalecimento, exposição e promoção de suas marcas.

Levando-se em conta os impressionantes números da plataforma, a movimentação faz sentido. Fundado em Nova York em 2007, o Tumblr cresceu rapidamente e hoje contabiliza mais de 15 bilhões de page views por mês, vindos de seus cerca de 120 milhões de usuários, segundo dados fornecidos pelo CEO da empresa, David Karp, na conferência Design Life Digital. Ainda de acordo com Karp, existem mais de 16 bilhões de posts no Tumblr sendo publicados e republicados pela dedicada comunidade do site, que cria mais de 14 milhões de novos posts por dia – metade deles constituídos por imagens, com o potencial de comunicar mensagens de maneira mais clara e direta do que textos. “Uma imagem vale mais do que mil palavras” é o mantra aqui.

+ Visite o Tumblr do FFW: ffw-radar.tumblr.com

Muito além do escandaloso número de usuários, porém, o que tem feito o mercado abrir os olhos para as possibilidades do Tumblr é o seu modelo de funcionamento. Nele, usuários seguem outros usuários de acordo com seus interesses e referências (e não necessariamente por “quem conhece quem”), ou seja, o processo de compartilhamento é o que move o site. O próprio Karp já definiu o Tumblr como uma “rede social acidental”, e explicou o seu funcionamento como “10% de criação de conteúdo e 90% de curadoria – outras pessoas compartilhando e agrupando coisas que elas gostam”.

O que acontece é que isso criou uma nova linguagem visual dos jovens de hoje, em que os compartilhamentos, reblogs e “likes” podem ser aproveitados pelas marcas e analistas de tendências, que têm a possibilidade de navegar o cenário digital identificando “tribos” e aprendendo sobre seus gostos visuais e suas referências. Tais informações são valiosas, ainda mais porque o crescente uso das comunidades online só tem a fortalecer as “tribos digitais”, que se manifestam com poder global, livres de limitações geográficas. Agora imagine o potencial disso tudo para uma marca de percepção digital apurada!

Como exemplo dessa nova dinâmica social – e potencialmente comercial –, o WGSN identificou seis “tribos do Tumblr” por suas principais características, ícones, marcas e referências visuais:

“OBEY THE SWAG”

Print screen do tumblr thenewhype ©Reprodução

Os tumblrs dessa tribo são caracterizados pela estética urbana-esportiva-de-luxo; os rappers Tyler, the Creator (do grupo OFWGKTA) e A$AP Rocky são figurinhas constantes desses blogs. Outros ícones incluem as marcas Jeremy Scott, Adidas, Nike, Stussy, Obey e Supreme. Entre as referências visuais citadas pelo WGSN estão: cigarros, tênis caros, notas de dinheiro, grills (adornos para os dentes) de ouro, estampas de leopardo para os meninos, e nail art com referências a grifes.

Fontes do WGSN:

madfuture.com
thenewhype.tumblr.com
malditoskinny.tumblr.com
obey-that-swag.tumblr.com
caligirlkta.tumblr.com
makemefat.tumblr.com

“SUPER KAWAII”

Print screen do tumblr peach-kitten ©Reprodução

A tribo mais cor de rosa de todo o tumblr, com forte influência da cultura japonesa. Os personagens My Little Pony, Rilakkuma, Hello Kitty, Sailor Moon e Barbie são alguns dos ícones do estilo. O WGSN cita como referências visuais: sorvetes, estampas florais, coelhos e gatos fofos, macaroons e cupcakes, objetos inanimados com desenhos de sorrisos, nuvens, glitter e diamantes, além dos formatos coração, estrelas e laços.

Fontes do WGSN:

watashinochou.tumblr.com
kittyblush.tumblr.com
peach-kitten.tumblr.com
sugary-world.tumblr.com
sparkly-kawaii.tumblr.com
hina-lu.tumblr.com
ferbelle06.tumblr.com

“90S RENEGADES”

Print screen do tumblr unplannedplans ©Reprodução

O amor pela cultura dos anos 1990 é o fio condutor dessa tribo. A estética documental/realista da fotógrafa Corinne Day é marcante; outros ícones incluem a banda Nirvana, a cantora Gwen Stefani, as atrizes Winona Ryder e Drew Barrymore, a personagem de Angelina Jolie em “Garota Interrompida”, o desenho Beavis and Butthead e a marca Dr Martens. As referências visuais citadas pelo WGSN incluem: óculos psicodélicos, estética grunge, camisetas podres, jean com lavagem gasta, gargantilhas, garrafas vazias de bebidas alcoólicas, e hematomas.

Fontes do WGSN:

unplannedplans.tumblr.com
jadenlmaier.tumblr.com

“HERITAGE FANBOYS”

Print screen do tumblr lifeonsundays ©Reprodução

Uma tribo que preza por grifes clássicas e design de qualidade, e que tem como ícones Steve McQueen e Dustin Hoffman por volta dos anos 1970. A estética da natureza selvagem se reflete na escolha do vestuário, com o uso no dia a dia de marcas de roupas para a prática de esportes ao ar livre. O WGSN cita como referências visuais o Tour de France, canivetes de bolso, propagandas vintage, motocicletas clássicas, botas de escaladas, e camisas listradas, entre outras.

Fontes do WGSN:

lifeonsundays.com
monopolist.tumblr.com
ivancap.tumblr.com
fieldphotos.tumblr.com

“INDIE POSTER GIRLS”

Print screen do tumblr lusttforlifeblog ©Reprodução

Essa tribo é formada por blogueiras de auto-promoção, que registram imagens de seus próprios looks e as compartilham na rede, reblogando também outras garotas do mundo todo. Elas têm como ícones de estilo Brigitte Bardot, Marianne Faithfull, Chloë Sevigny e Alexa Chung, entre outras, gostam de Chanel vintage e da Topshop, e leem a “Teen Vogue” e a “Nylon”. As principais referências visuais, de acordo com o WGSN, são as fotografias desfocadas, o nascer e o pôr do sol, cristais e dream catchers (“filtro dos sonhos”), cultura nativo-americana, os anos 1970, penas, vestidos de renda e chapéus de aba larga.

Fontes do WGSN:

lusttforlifeblog.tumblr.com
misswallflower.tumblr.com
ethereal-rose.tumblr.com
simplicitemily.tumblr.com
jamiesantiago.tumblr.com

“RAINBOW RIOT GRRLS”

Print screen do tumblr in-dy ©Reprodução

Com um visual que pode ser definido como “gótico-pastel”, esta tribo tem um visual ao mesmo tempo ousado e fofo, com uma mistura do gótico, punk, dark e grunge com tons pastel, arco-íris e muito cor de rosa. Courtney Love, a personagem Tank Girl, a banda Bikini Kill e a marca britânica Meadham Kirchhoff são ícones de estilo. O WGSN cita como referências visuais os cabelos em tons pastel ou de arco-íris, o símbolo de yin-yang, coturnos coloridos, couro tingido, jeans de lavagem clara e malhas de trama aberta.

Fontes do WGSN:

mylittleponyhair.tumblr.com
iwantyourhair.tumblr.com
in-dy.tumblr.com
0800pink.tumblr.com
llykke.tumblr.com

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Drops de colaborações: NYC Ballet + Rodarte, Tod’s – Derek Lam, e mais!

12/03/2012

por | Moda

Natalie Portman com figurino da Rodarte no filme “Cisne Negro” ©Divulgação

Após trabalharem juntos no filme “Cisne Negro”, Natalie Portman, seu noivo Benjamin Millepied, e Laura e Kate Mulleavy, da Rodarte, se reuniram novamente nos preparativos para o espetáculo de gala beneficente 2012 do New York City Ballet. Portman é a presidente honorária do evento, enquanto Millepied é o responsável por uma das coreografias, e a Rodarte desenha os figurinos (cujas imagens ainda não foram divulgadas). A gala deste ano, marcada para o dia 10 de maio, homenageia a França e já está com ingressos à venda.

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O modelo Evoke X Herbert Baglione ©Divulgação

A Evoke acaba de trazer ao Brasil uma edição limitada de 150 peças em parceria com Herbert Baglione, nome de destaque do coletivo Famiglia Baglione. O modelo é pintado à mão, produzido com material nobre italiano e tem lentes Carl Zeiss com proteção total contra raios UVA, UVB e UVC e grande resistência a alto impacto. “É um óculos urbano, fiz em homenagem à cidade, desde a cor azulada à frase do brasão em latim. Que significa ‘Não sou conduzido, conduzo’. Simples e direto”, Herbert conclui. O Evoke Herbert Baglione Signature Series já está à venda por R$ 799,90 no e-commerce da Evoke e em lojas nos estados de SP, RJ, RS, PR, SC e GO.

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O estilista Derek Lam ©Reprodução

O “WWD” reportou na segunda-feira (12.03) que Derek Lam deixou seu posto de diretor criativo da Tod’s após seis anos no comando da grife. A informação, porém, ainda não foi confirmada nem pela marca, nem pelo estilista.

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Agyness Deyn na campanha Verão 2012 da Dr. Martens ©Divulgação

A modelo Agyness Deyn fechou uma parceria com a marca britânica Dr. Martens (cujas campanhas Inverno 2011 e Verão 2012 são estreladas pela própria) para uma coleção de roupas, acessórios e calçados com previsão de lançamento para o outono do hemisfério norte. Esta não é a primeira vez que Deyn investe na área de criação; em março de 2010, ela assinou uma linha para a loja de departamentos Barneys.

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Alguns modelos da linha Truth or Dare ©Thomas Iannaccone/Reprodução

Já saíram as primeiras imagem da linha de sapatos da Truth or Dare, nova marca de lifestyle lançada por Madonna, de olho no mercado adulto – sua já conhecida Material Girl, em parceria com a Macy’s, é mais focada em adolescentes. Os sapatos, produzidos pela marca canadense Aldo, vêm em mais de 60 opções de modelos com preços entre US$ 89 e US$ 349 e têm como consultora criativa Arianne Phillips, stylist de longa data da cantora (para quem não lembra, Phillips esteve no Brasil para o Pense Moda 2011.

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Alguns itens da nova linha de maquiagem da Simply Vera Vera Wang ©Thomas Iannaccone/Reprodução

A estilista Vera Wang agora tem uma linha de maquiagem, lançada com a Kohl’s, varejista com a qual ela tem parceria desde 2007 em uma longa lista de colaborações: a marca Simply Vera Vera Wang conta também com roupas femininas, bolsas, joias, óculos de sol, calçados e produtos para a casa. Os novos produtos custam entre US$ 16,50 e US$ 39,50 e devem arrecadar em seu primeiro ano de vendas nos Estados Unidos, de acordo com fontes da indústria consultadas pelo “WWD”, entre  US$ 15 milhões e US$ 20 milhões.

Marca-desejo de make lança sua 1ª linha de cosméticos; FFW foi conferir

09/03/2012

por | Beleza

Annie (à esquerda) e Maggie Ford Danielson, da Benefit ©Divulgação

O FFW já contou a história de como a marca de maquiagem Benefit foi criada nos anos 1970 pelas gêmeas Jean e Jane Ford do modo mais despretensioso possível. Na terça-feira (06.03), pudemos conhecer um pouco mais desse universo colorido com o lançamento em São Paulo da primeira linha de cosméticos da marca, que teve a presença das irmãs Maggie e Annie Ford Danielson, filhas da co-fundadora Jean Ford. Elas são as “global beauty authorities” da Benefit, cargo que, como elas mesmo explicaram, significa basicamente que elas viajam o mundo para descobrir o que as mulheres querem.

As irmãs durante apresentação da base líquida “Hello Flawless Oxygen Wow” ©Divulgação

A apresentação da linha de cosméticos “B.Right” e da nova base “Hello Flawless Oxygen Wow” aconteceu bem dentro do estilo irreverente da marca, e contou até com uma brincadeira em que Maggie e Annie se vestiram de cientistas espaciais que “descobriram” a fórmula para uma base perfeita. Muito animadas, elas explicaram o conceito das novidades:

A linha B.Right ©Divulgação

B.Right: a primeira linha de cosméticos da Benefit foca na “iluminação por meio da hidratação – um conceito simples com ingredientes de alta qualidade”, as irmãs explicam. Desenvolvida sob o comando de Eric Perrier, vice-presidente executivo de pesquisas da LVMH (que comprou 80% da Benefit em 1999), ela tem vários produtos de limpeza, hidratação e cuidados específicos, enriquecidos com o complexo “tri-radiance”, que promete dar hidratação imediata e ajudar a pele a desenvolver sua própria capacidade de armazenamento de água. Os produtos-chave para o mercado brasileiro, segundo Maggie e Annie, são: o exfoliante Refined Finish Facial Polish; o tônico Moisture Prep Toning Lotion; o hidratante Triple Performing Facial Emulsion SPF 15 PA++; e o spray ultra Radiance Facial Re-hydrating Mist. A linha B.Right começa a ser vendida no Brasil no dia 23 de abril, pelo site da Sephora / Sack’s.

A base líquida Hello Flawless Oxygen Wow ©Divulgação

Hello Flawless Oxygen Wow: a nova base líquida da Benefit começou a ser desenvolvida em 2009, e chega com a proposta de oferecer uma cobertura leve a média com efeito iluminador. Em nove tons equivalentes à paleta da base em pó “hello flawless”, ela é oil free e oferece proteção solar SPF 25 PA+++. A Hello Flawless Oxygen Wow começa a vendida no Brasil em junho, pelo site da Sephora / Sack’s.

A0 final da apresentação, o FFW conversou com Annie Ford Danielson a respeito do funcionamento na marca e, claro, sobre beleza:

Vocês eram muito jovens quando a Benefit foi criada; como foi crescer lado a lado com a companhia?

É interessante, porque a Maggie e eu éramos tomboys, e pra gente a Benefit era apenas algo com que a minha mãe e a minha tia trabalhavam, com uma atmosfera muito divertida. Só quando já éramos mais velhas é que nos demos conta do que nós fazíamos parte. Gostamos de pensar na Benefit como a nossa irmã mais velha, ela sempre fez parte da família, e é como uma extensão nossa.

Quais são as suas primeiras lembranças da Benefit?

Quando elas [Jean e Jane] começaram, e não havia dinheiro para babás, a minha mãe levava a Maggie, que é mais velha que eu, pra loja, e ela ficava sentada no cantinho observando todas aquelas mulheres brincando com maquiagem. Quanto a mim, eu lembro que quando eu tinha uns 4, 5 anos, a minha mãe me acordava às 4h da manhã, porque eu queria muito ir com ela pra loja, e eu ficava sentada na bancada, olhando enquanto ela fazia as vitrines, e ela jogava glitter pro alto, e usava tintas spray, e pistolas de cola quente. Foi um ambiente muito criativo e divertido para se crescer.

Você sente se de alguma maneira vocês foram “preparadas” para trabalhar na Benefit?

Nunca tínhamos pensado em trabalhar na Benefit, isso nunca tinha nem passado na minha cabeça. Eu me formei na faculdade, e a minha irmã é que trouxe o assunto à tona, dizendo: “Eu quero trabalhar na Benefit; e eu acho que se você tem vontade, a gente deveria entrar juntas”. E achei aquilo meio aleatório, mas eu não tinha emprego, precisava pagar o aluguel, então foi “Claro!”. Mas é interessante que eu não tinha noção do quanto eu sabia sobre beleza e mulheres e maquiagem e a indústria em geral. A maioria das pessoas precisa aprender, mas eu sinto que já nasci com isso, as coisas vieram muito naturalmente.

O que você estudou na faculdade?

Eu me formei em História da Arte, e a Maggie se formou em Francês e Economia. Eu achei que ia ser designer de interiores, e a Maggie falava que ia ser médica, e estamos no Brasil vendendo base! (risos). Não dá pra fazer planos de vida, eles nunca dão certo.

A Benefit foi comprada pela LVMH em 1999, mas ela ainda passa a sensação de ser uma empresa familiar. Como ela funciona na realidade?

A Jean e a Jane queriam se certificar de que se um dia a empresa fosse comprada, que fosse pelas pessoas certas. A LVMH é muita esperta, porque eles enxergam que temos essa criatividade única, e esse pequeno universo próprio da Benefit, então eles pensam “isso funciona, e só quando deixar de funcionar vamos intervir”. É uma parceria incrível, porque eles detêm 80% da companhia, enquanto nós da família detemos 20%, e é muito bom porque eles permitem que a gente use os laboratórios e os recursos deles para criar fórmulas incríveis, mas ainda podendo fazer as pessoas rirem, se divertirem, com nosso jeito louco e criativo.

Vocês também participam do processo de criação dos produtos da Benefit?

Sim! Na verdade, eu faço parte do time de desenvolvimento de produtos da marca quando não estou viajando. O meu objetivo é viajar, conhecer mulheres ao redor do mundo e trazer para o escritório as necessidades de cada mulher: o que as mulheres do Brasil precisam? As mulheres da Coreia, Singapura, Austrália, o que elas querem? É muito divertido criar um produto desde a ideia inicial até um evento para a imprensa, quando ele vem à vida.

E você percebe uma diferença entre o que querem as mulheres de cada região do mundo?

Isso é interessante, porque temos um total de 200 produtos em nosso portfólio, o que não é nada, e o nosso top 10 de produtos é o mesmo em qualquer lugar do mundo — há só um ou dois que surpreendem em um país ou outro. Mas isso nos diz que a garota Benefit é a mesma; ela pode não ter o mesmo tom de pele, estar no mesmo ambiente, mas o que pesa é a personalidade dela. Ela quer ser uma “Bad Gal”, ela quer usar “Hello Flawless”. Nossos produtos são tão universais que realmente é uma questão de como você se porta, não temos clientes sérios, pesados. As mulheres têm necessidades diferentes, claro, mas os produtos se encaixam nessas necessidades.

Qual o melhor conselho de beleza que você já ouviu da Jean e Jane?

Vou te dar dois, porque a Maggie não está aqui. Para mim, o melhor conselho que elas já deram é “menos é mais”. Você vê essas mulheres que não sabem se maquiar, ou garotas de 13 anos que usam tanto delineador preto; ou um batom vermelho escandaloso, porque elas são sabem como usá-lo. Eu sempre penso: se você acha que está usando demais, você está. Menos é mais – sempre comece com menos, porque você pode acrescentar, mas não pode tirar, a não ser que você lave o rosto de novo. Já a Maggie sempre fala de tirar a maquiagem à noite. Você tem que tirar a maquiagem e deixar a sua pele descansar e respirar – aliás, esse é o porquê de termos tido a vontade de criar o “Hello Flawless”, que deixa a pele respirar. Então é isso: tire a maquiagem, e menos é mais. Que é o contrário do que a maioria das pessoas das pessoas de maquiagem dizem; eles são sempre “Compre!, Use!” (risos).

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“Moda é amor e garra” e mais do nosso entrevistão com os estilistas da Neon

08/03/2012

por | Moda

Rita Comparato e Dudu Bertholini do atelier da Neon, no dia da entrevista ©Juliana Knobel/FFW

Dudu Bertholini e Rita Comparato gentilmente abriram as portas de seu atelier, em São Paulo, para receber o FFW para uma conversa sobre o tema “Identidade”. O resultado é o entrevistão abaixo, que vai do conceito da marca até a crítica de moda, passando por uma realidade alternativa de tupperwares estampados. Confira:

A origem da Neon

Dudu: A Rita e eu nos conhecemos na Santa Marcelina, os dois estudantes de moda, e a gente tem uma proximidade de nascimento muito grande, somos librianos de 79, com 15 dias de diferença, e ficamos muito amigos de cara. O primeiro trabalho que fizemos juntos foi o TCC da Rita, que ela me chamou pra fazer o styling. Era lindo o trabalho, todo calcado em modelagem, e já tinha características do estilo dela, uma mistura de algodão com lycra, silhuetas mais justas, com pregas. E eu fiz fivelas, cintos e acessórios que respeitavam as formas da modelagem. E ali a gente percebeu que existia uma sinergia.

Em 2002, o J.R. Duran me chamou pra um editorial pra revista independente de imagem “Freeze”, e era uma matéria de uma showgirl oriental super sexy. Eu quis fazer uns maiôs de vedete, ultra trabalhados, cavados, bordados, e chamei a Rita pra fazer comigo. E foi muito legal, foram duas peças, que consideramos as primeiras da história da Neon. Até 2003, fizemos uma marca de “maiôs urbanos” — eram collants pra cidade, muitos deles você nem podia nadar, porque a gente trabalhava com cottons, lycras antigas, com alças de cerâmica, madeira, contas. O muito legal é que já era uma mistura de praia com cidade, que é um conceito que nunca deixou de existir na Neon, que é a natureza do nosso trabalho, e muito a natureza do Brasil. E aí, em 2003, a Rita e eu estávamos lá na Casa Búlgara, comendo burekas, e ela sugeriu: “Por que a gente não chama a marca de Neon?”.

Um dos dois primeiros maiôs da Neon, criado para editoral da “Freeze” ©Reprodução

O começo da marca

Rita: Eu acho que é tudo sem querer querendo na vida. Eu sempre digo, cuidado com o que você pede, porque vem. Tudo que a gente tem, a gente que pediu; Deus dá o frio conforme o cobertor. E o nosso trabalho é muito calcado no instinto que cada um tem e preserva até hoje — não só nós dois, como as pessoas que trabalham pra gente. E uma equipe, porque a gente nunca teve a pretensão de ser estilista – aliás, era a última coisa que eu queria, e o Dudu também. Foi simplesmente amor, paixão, humildade e instinto: meu instinto pela modelagem, mais o instinto dele por ser stylist. A gente é trabalhador. A gente é bon vivant. E o resto foi isso, foi luta, não teve muito tempo. Deus é um cara gozador, uniu energia, acho que foi muito isso, um trabalho de equipe, de união, cada um sabendo o que quer… por amor.

Dudu: De fato, a princípio o nosso propósito não era sermos estilistas. A Rita tinha uma coisa forte com a modelagem e eu estava muito envolvido com styling; eu sempre digo que a minha história é construção de imagem. Nem quando a gente começou a Neon veio com esse formato de que seria um desfile, de que seria uma marca. O primeiro exercício era o exercício em cima das peças.

A virada foi em 2003, quando decidimos fazer a primeira estampa exclusiva, nossa. Por isso que todas as nossas estampas são assinadas — porque naquele momento tinha uma simbologia da gente provar que a estampa foi feita por nós. Chamamos o Fabio Burjão, que é um artista plástico que colabora muito com a gente até hoje, que fez estampas super clássicas da história da Neon, como é o caso da Pavão, e o Kleber Matheus, diretor de arte, juntou os desenhos e ali a gente criou a nossa primeira estampa. Quando chegamos na estamparia pra dizer que queríamos fazer uma estampa de oito cores na lycra com cores fluorescentes, as pessoas falavam: “Vocês são loucos!”. Porque isso tem um custo industrial inicial absurdo. Só grandes marcas com grandes quantidades fazem isso. E a gente comprou essa primeira briga. Isso também é uma diferença minha e da Rita, porque compramos as brigas que foram aparecendo. Cada dificuldade que se anunciou, seja no trabalho, seja entre nós, a gente encara elas de frente. Consegui um patrocínio e falei: “Bom, se a gente vai ter todos esses metros de tecido já não justifica termos peças únicas e artesanais; vamos ter peças que possam ser produzidas em série”. Ops, estamos fazendo uma marca.

Desfile e a dinâmica de trabalho da Neon

Dudu: Eu não acho que toda marca e todo estilista deva optar pelo desfile; a passarela ou a apresentação tem que ser pra quem tem o que dizer na passarela. Hoje em dia tem tantas maneiras de você divulgar o seu trabalho, mídias alternativas, as próprias mídias sociais… só que eu venho de uma linguagem de passarela, a construção de moda é o meu grande input. A Rita eu acho mais estilista nesse ponto, ela é mais envolvida na construção, com a roupa. Ao fazer o primeiro desfile, que foi na sala na minha casa, histórico, com nossas mães recebendo as pessoas, as modelos se trocando no quarto e na cozinha, automaticamente já veio uma mulher que era uma mistura da Rita e de mim, com o rigor, a elegância dela, com a minha exuberância, e junto com isso, o nosso desejo de feminilidade, de ser bon vivant.

Rita: Eu acho que existe esse contraponto, um sempre puxa o outro. Existe esse equilíbrio, o bem e o mal, como no “Star Wars” [ela aponta para uma foto do R2D2 e C3PO pendurada na parede], eu e o Dudu.

Dudu: Eu, com o jeito do homem de fazer moda, tenho uma coisa que é teatral, que pode ser mais afetada; e daí se você olha o resultado da Neon, a Rita sempre arremata isso com uma elegância, um charme.

Assista abaixo ao primeiro desfile da Neon:

O papel da moda

Rita: A gente gosta da vida, e gosta de mulher mesmo. Eu não faço concorrência, muito pelo contrário, amo vesti-las — mulher de verdade. Não a “sou feliz todo dia”. É uma mulher vivida. É a coisa mais linda saber levantar, rir, aprender e curtir a vida porque o dia de amanhã, não sabemos. E aqui é muito de dentro pra fora. Porque eu atendo 20 mulheres por dia, do pau de virar tripa até a “to gorda, to gorda, to gorda”. E quando elas usam Neon, o que é lindo pra mim, é que elas contam que foram ao restaurante e que a mulher foi atrás dela no banheiro pra saber a roupa que ela tá usando. E isso começa a dar uma segurança de que ela é linda, de que ela não é gorda, de que ela tem uma personalidade, seja ela qual for. E eu acho que a Neon dá essa força pra elas esteticamente, que na verdade vem de dentro pra fora.

Dudu: Poder participar da vida das nossas clientes dessa forma é gratificante, ainda mais fazendo uma coisa que é exercício nosso.

Rita: E a mulher de verdade, não adianta nada se você não assume; aí não tem Louis Vuitton, Chanel que te ajude, minha filha, se você não sabe quem você é! É uma conjunção dos dois.

Dudu: Eu insisto muito nisso também porque se você se apoia na moda pra se sentir bem, está justamente fazendo a experiência contrária do que a moda te sugere. Ela te dá possibilidades de se expressar, de ser quem você é, e de ter essa coerência entre o que você é, o que você tem e, portanto, o que você veste. Então se você se apoia na bolsa porque acha que aquilo é o que vai te garantir uma aceitação, isso é uma experiência inversa ao que a moda está pronta a te oferecer.

Dos kaftans aos tubinhos: o estilo passarela da Neon

Dudu: É sempre importante, ainda mais na passarela, a gente se desafiar a experimentar coisas que a gente tem vontade, aonde vai o nosso instinto, e pra nós, o exercício de cor é tão importante quanto o exercício de estamparia, por exemplo. E na verdade, se você vem na Neon, todo mundo sabe que vai encontrar as peças estampadas mais incríveis, o nosso trabalho continua sendo super focado na estamparia…

Rita: Katfan a gente tem em todas as coleções comerciais; agora, se eu por só kaftan na passarela toda vez você vai me falar o quê?

Dudu: Pra gente é um exercício. No primeiro desfile, só tinha uma estampa, isso e mais dois tecidos, então o desfile inteiro era estampado. Quando tivemos o boom da estampa que foi justamente com a de pavão, que tinha filas na porta do showroom pras pessoas comprarem Neon, falavam tanto das estampas, que a gente fez um desfile com os 15 primeiros looks totalmente lisos — e eu lembro até meu pai falava: “Começou o desfile, nem achei que era da Neon, Dudu!”. E no final a gente editou de uma maneira absolutamente caótica, aí vinha uma estampa que não tinha nada a ver com a outra, e aquilo criava uma combinação. Tinha uma mensagem naquilo, de “a gente não faz só estampa, o nosso trabalho também tem esse estilo, mas olha como a gente faz estampa de um jeito incrível”. Quando chegamos num ápice comercial, de ter um direcionamento de distribuição que atendia o Brasil todo, chegamos a ter 26 estampas exclusivas, e aí editamos o desfile cada look com uma estampa. Então sempre encontramos formas de fazer com que a estampa converse e seja coerente com o momento que a marca está, e traduza o nosso espírito.

Assista abaixo ao desfile Verão 2012 da Neon:

Rita: Eu sou suspeita pra falar porque eu sou a mãe, e não vou falar mal do meu filho (risos). Mas a gente começou não pra ser comercial, pra fazer essa imagem de moda, pra fazer o desfile. Então no começo, tudo o que tinha na passarela era vendido no comercial. Isso com o tempo foi mudando. Hoje em dia, o desfile é a parte que a gente pode exercitar.

Dudu: É muito difícil não criar essa distância entre a roupa comercial e a roupa da passarela. Mesmo porque no nosso processo de criação, primeiro vem a ideia, a imagem, o conceito do que a gente vai fazer nessa temporada, quais são os nossos desejos. A partir disso, a gente volta atrás e desenha o comercial. Mas é muito importante que o comercial tenha toda a “energia”, o máximo que a gente puder linkar isso dentro da história, da filosofia do desfile, melhor. Então a gente pensa primeiro, volta atrás pro comercial, aí vai fazer o desfile, e aí vai fazer a venda. É uma coisa de vai e vem, e é muito interessante; tenho certeza que a maioria dos estilistas com que você conversar enfrenta essa distância do que eles desfilam do que é comercial.

A estamparia da Neon

Rita: Acho importante falar que não são estampas que eu peguei na estamparia, são de artistas plásticos convidados, e a gente preserva os traços, as sutilezas, é quase um artesanato.

Dudu: Eu acho que é por isso que a gente teve essa relevância comercial, por ter resgatado um processo muito old school de como fazer a estampa, porque muito na história da estamparia no Brasil, principalmente nos anos 1960, existia essa colaboração de artistas mais relevantes da época com marcas e tecelagens. E hoje em dia os bureaus vendem estampas digitais a preço de banana, isso banalizou, e o digital é uma linguagem que se você não souber usar, te domina. As pessoas perderam muito desse traço manual e dessa sutileza, e a Neon realmente preserva isso e carrega isso com força, é um grande diferencial do nosso trabalho.

Moda vs. Arte

Dudu: Pra mim moda não é arte porque acho que ela tem uma funcionalidade, um propósito, ela tem que te vestir, tem que te cobrir do frio; mesmo se ela fosse arte, a gente teria que fazer quatro coleções por ano, e respeitar esse timing de mercado, a parte do consumo, da roupa. Eu teria que mostrar o meu produto de qualquer forma: nem que fosse com uma plaquinha de preço parada na frente da minha cliente, de alguma maneira eu teria que vendar aquela roupa. O que a moda faz de lindo é que ela consegue construir toda uma narrativa e uma dialética por trás daquele produto, e consegue criar emoção, desejo, narrativa, pra um produto que poderia simplesmente estar na arara vendido.

Rita: Pra mim é diferente. Eu acho que é arte, não só o que a gente faz, como o que cada um faz com amor.

Dudu: Que lindo isso! Também faz sentido pra mim, apesar de eu não achar — os dois fazem sentido.

Rita: Pra mim, artista é quem levanta da cama e continua. Seja advogado, escritor, músico, todos têm prazo, tudo é comercial no fim das contas. Mas tem que fazer com amor, que é o que te faz ter a garra pra enfrentar o dia a dia, porque nem tudo são flores.

Dudu Bertholini e Rita Comparato durante entrevista ao FFW ©Juliana Knobel/FFW

A crítica de moda

Dudu: Eu sou super aberto e receptivo, não tenho problemas em ler críticas negativas – não é fácil pra ninguém, só que eu jamais me chateio com jornalista, ou vou tirar satisfação. Eu acho que você tem que ter uma segurança do seu trabalho. Só você sabe o que pensou, o que fez, o que realizou. A realização é algo concreto, e ninguém a tira de você. Só que quando você coloca um look na passarela, você está dando ele pro mundo, é um parto. Se você não tem segurança do seu trabalho, você não está pronto nem pras críticas positivas nem pras negativas, e uma coisa é tão perigosa quanto a outra.

Eu acho que você fica a mercê de críticas que as vezes podem ser bem fundadas ou não, podem ter um toque pessoal ou não ter, e isso pode ter um reflexo dentro do seu trabalho, do seu comercial; não é fácil. Existe uma responsabilidade do crítico de moda, ele também faz parte dessa engrenagem, e eu acho que são poucos os que têm essa bagagem e o compromisso e a seriedade com o reflexo do que eles estão escrevendo. Porque realmente, assim como o nosso papel não é simplesmente fazer um exercício maravilhosamente autoral de design na passarela porque a gente tem todo um compromisso por trás, o dele também não é apenas dar o viés analítico dele da maneira que for. Eu acho que é entender o compromisso dele dentro do mercado; isso é muito sério.

Rita: Eu não sou contra que eu ache que não deva existir. Mas como é muita coisa que eu pus muito, eu acho um pouco cruel. Não que eu ache que não deva existir, mas eu não leio. Que nem escola de samba, essa coisa de primeiro, segundo, terceiro, quarto, é tão relativo. E é uma comunidade, por mais que você não goste, foi muito trabalho, pra acabar com “9.8″, “6.7″, acho que não se define nisso.

O melhor período comercial da Neon

Rita: Ainda vai chegar.

Dudu: Olha, depende. Esse momento varia, mas eu te digo: 2005 a 2007 foi uma época que a gente vendeu muito volume. Hoje em dia pensamos diferente sobre o nosso negócio, porque acreditamos que o nosso trabalho é mais autoral, mais atelier, e é um produto tão marcante, tão precioso, que a gente prefere ter poucos e bons – não necessariamente poucos, mas pontuados com butiques que fazem um trabalho fiel com a gente — do que uma venda predatória. Então hoje fazemos uma coleção que é metade do que fazíamos antes, e a produtividade da coleção é muito maior, com produtos muito mais assertivos.

Rita: Nem tudo que reluz é ouro, não é porque você vendeu mais que foi a coleção que mais teve lucro. E essa coisa de “qual foi a coleção que mais” eu acho que todas. Porque a gente tá sempre aprendendo, no erro mesmo, na raça, é uma maturidade de saber que “eu não estaria aqui se não tivesse passado por tudo isso”.

Dudu: Hoje sabemos que só vamos desenhar o que podemos produzir, e já pensando como que essa produção vai funcionar, no preço final do produto. Antes de começar cada coleção, analisamos um book de vendas pra ver quanto vendeu cada peça, em qual cor, pra poder entender e afunilar. É muito louco, porque a coleção que a gente mais vendeu em número foi uma coleção em que ficamos no vermelho. Porque a gente tinha uma administração predatória, que fez com que o nosso desenvolvimento fosse caríssimo.

Rita: E este ano foi quando, com menos pessoas, com menos produtos, conseguimos uma produtividade maior. Mas precisou daquilo pra chegar nisso, porque na verdade começamos muito jovens, não fizemos administração, aprendemos na raça mesmo.

Dudu: Hoje estamos com uma equipe mais enxuta, mudamos pra cá, que é um lugar onde a gente consegue otimizar o nosso trabalho de uma forma muito mais sensata e coerente do que quando a gente vendia milhões pra um monte de loja, às vezes colocando em praças conflitantes.

Rita: Eu acho que a gente aprendeu que ser proprietário significa ser diretor. Então você não precisa saber fazer, mas você escolhe quais os personagens. Quem é que vai fazer a gostosa, a má, a boazinha, e você está lá pra ver — se o diretor não estiver lá, não tem timing. É isso que a gente vem descobrindo, e é esse o grande ensinamento.

Looks do desfile mais recente da Neon, de Inverno 2012 ©ImaxTREE

Sabendo o que vocês sabem hoje, o que teriam feito de diferente?

Dudu e Rita: Nada.

Dudu: A gente fala que faria tupperware, três tamanhos de embalagens com cores diferentes, estampadinho (risos). Mas eu acho que realmente, a gente só poderia se arrepender do que não fez.

Rita: Acho que tudo na vida tem um porquê. O ruim é quando você tem um problema e não consegue olhar pra si mesmo e aprender.

A moda como profissão

Rita: Na moda você não para. O chef de cozinha é o primeiro a acordar porque ele tem que ir pra feira comprar fresco, e ele é o último a ir embora. Moda é a mesma coisa. É muito puxado, é amor e é garra.

Dudu: O diploma de moda é um dos mais plurais hoje em dia e isso é muito legal; você se forma em moda, e pode trabalhar em um milhão de campos de atuação diferentes. E realmente, ser estilista é o grande fetiche das pessoas, mas poucos diplomas te oferecem tantas possibilidades de campo de atuação quanto o de moda.

Rita: Acho que todas as faculdades são assim, medicina também oferece uma pluralidade. Faculdade em geral te ensina o básico que você precisa saber; o resto é na raça. Mas eu acho que isso é importante no jovem, porque se ele soubesse, ele não faria. Se ele já tivesse esse rancor, esse ranço que a gente já tem (risos), ele não iria. Então tá tudo certo.

A novas tecnologias e o futuro da Neon

Dudu: Isso se anunciou como um caminho muito legal pra nós. E estamos entre os sites de maior visibilidade do SPFW. Temos parceria com a Karina Kotake, da KOK Fashion Lab; vi que ela estava realmente propondo modelos de negócios e aumento de visibilidade de marca, e ela viu na Neon uma oportunidade incrível de conteúdo, de identidade, e de frescor. Estreamos a nossa fan page no desfile de Verão passado no MuBE, criamos a campanha We Like Neon, e tudo isso foi pensado pra gente chegar no e-commerce, inaugurado há menos de um mês, que está tendo um resultado legal, o que nos deixa muito felizes. O que a gente faz na Neon muito bem é que não temos uma verba de investimento pra marketing; o nosso marketing é o desfile. Não anunciamos em campanhas, não temos essa grana.

Rita: Esse tempo (risos).

Dudu: Mas a gente consegue, através das mídias sociais e do desfile, ampliar o nosso alcance com custos baixíssimos. Eu acredito muito nisso, acho que tem muito por vir ainda com as mídias sociais. E eu tenho um sonho, que acho que isso é um problema do Brasil, de no futuro poder retomar a exportação, que hoje em dia, com os impostos, meu produto chega mais caro que o da Missoni, da Pucci. Não consigo ter um preço competitivo no mercado externo. Mas eu enxergo isso: a gente cada vez mais enxuto, preciso e precioso, e as parcerias e licenciamentos e a nossa capacidade de branding explodindo cada vez mais.

Designer francês de adesivos artísticos e sustentáveis ganha mostra em SP

06/03/2012

por | Verde

Adesivo ecológico da Hu2 ©Divulgação

Na quinta-feira (08.03) começa na loja-conceito Choix, em São Paulo, uma exposição do designer francês Antoine Tesquier Tedeschi, criador da marca Hu2, especializada em adesivos de parede, com o diferencial do viés sustentável: além dos designs com mensagens ecológicas, a empresa utiliza vinil sem PVC, totalmente livre de cloro e plastificantes, biodegradável e 100% reciclável; até as embalagens são impressas em papel reciclado, com tinta vegetal.

Adesivo ecológico da Hu2 ©Divulgação

A Hu2 (de “Humanos, os dois tipos”, “um encontro de todas as inspirações, homens e mulheres”, segundo a explicação de Antoine) é atualmente distribuída em 16 países, mas teve uma origem bem despretensiosa: em uma banca de um mercado londrino, em 2007, quando seu criador tinha apenas 21 anos. “Para mim [a marca] é a oportunidade de expressar uma visão artística de ideias de design já existentes por meio de uma abordagem que mistura estética e funcionalidade”, ele explica.

Adesivo ecológico da Hu2 ©Divulgação

Para quem ficou curioso sobre a proposta da marca, a exposição fica em cartaz até o dia 31 de março.

Exposição do designer francês Antoine Tesquier Tedeschi @ Choix
De 8 a 31 de março de 2012
Abertura no dia 8, das 19h às 22h
Entrada Gratuita

Choix
Prof. Artur Ramos, 181
São Paulo – SP

Assista ao documentário que mostra os bastidores da “psycho opera” de Karen O

05/03/2012

por | Cultura Pop

Cena de “Stop the Virgins” ©James Medcraft/Reprodução

Durante o segundo semestre de 2011, muito se falou sobre os preparativos para “Stop the Virgins”, espetáculo musical encabeçado por Karen O, do Yeah Yeah Yeahs. Mas quem não pode assistir à apresentação, que aconteceu no festival Creators Project, em Nova York, ficou sem entender muito do projeto e da sua classificação – a própria Karen definiu a obra como uma “psycho opera”. Pois para quem estava curioso, a espera chegou ao fim: o Creators Project, em colaboração com a revista “Vice” e a Intel, divulgou um documentário de duas partes que explica toda a história por trás de “Stop the Virgins”.

Tudo começou em 2005, quando Karen O fez um álbum secreto, com músicas extremamente pessoais, e que durante anos ela hesitou em apresentar ao público. Em 2011, quando finalmente decidiu divulgar o trabalho, ela contou com a ajuda do colega de banda Nick Zinner, o produtor K.K. Barrett, o diretor Adam Rapp, o co-diretor musical Sam Spiegel, a figurinista Christian Joy e a coreógrafa Mariangela Lopez, entre outros, para resgatar a sonoridade original da gravação de 2005 e convertê-la ao formato performático e teatral de “Stop the Virgins”. O documentário em duas partes mostra todo esse processo, do conceito do cenário até os ensaios com as cerca de 40 atrizes/cantoras que fizeram parte da produção.

“A experiência de criar ‘Stop the Virgins’ me transformou completamente como artista”, Karen O afirma no documentário. “Foi a primeira vez que eu fiz algo que era tão eufórico e livre de sofrimento ou frustração ou dor”, ela acrescenta. Assista às duas partes da produção, com legendas em português, a seguir.

Parte 1:

Parte 2:

“O Brasil se encontra muito próximo ao nosso DNA”, diz diretor da Cartier

01/03/2012

por | Moda

À esq., o poster de “L’Odyssée de Cartier”; à direita, cenas do curta ©Divulgação

Na quarta-feira (29.02), a Cartier realizou a pré-estreia mundial do seu primeiro curta-metragem, “L’Odyssée de Cartier”, projeto de três minutos e meio que celebra os 165 anos de história da tradicional joalheria francesa. Resultado de dois anos de trabalho de um time de 50 pessoas, a produção acompanha a jornada de uma pantera – símbolo da marca — que atravessa continentes revelando as culturas que têm forte relação com o estilo e a história da marca. Ao lado de França, Rússia, Índia e China, está o Brasil, com uma representação de Santos Dumont — para quem não conhece a história, um dos primeiros relógios modernos de pulso foi criado especialmente pela Cartier para o aviador brasileiro, para que ele pudesse checar as horas com facilidade durante seus voos.

O FFW esteve na pré-estreia em São Paulo, uma das apenas 15 cidades do mundo selecionadas para essa exibição prévia. Além da relação histórica com o Brasil, a escolha da Cartier foi estratégica: a marca vai abrir uma loja de 280 m² no shopping Cidade Jardim em junho, além de um espaço no Village Mall, no Rio de Janeiro, em novembro.

Após assistir ao filme (que terá exibição exclusiva no dia 2 de março na página da Cartier no Facebook e no dia 4 de março no site odyssee.cartier.com), o FFW conversou com Juan-Carlos Delgado (foto abaixo), diretor da Cartier na América Latina, que falou sobre tradição, o porquê da inexistência de um e-commerce da marca nos países latinos, e os planos de expansão no Brasil.

Em seus 12 anos trabalhando na Cartier, qual a sua visão sobre as mudanças na marca e no mercado de joalheria?

Começando pela nossa equipe executiva, a grande mudança é que temos uma nova direção comercial para esta década, com o primeiro diretor inglês da história da Cartier, Gavin Haig, que traz ideias novas e frescas para o lado dos negócios da nossa indústria. Quanto às peças, estamos ativos há 165 anos; posso dizer que nos últimos 10 anos a nossa criação não mudou. A maison lança tendências, ela não segue ninguém; nossa criação é feita com calma, sempre muito relacionada à nossa tradição, feita ao nosso próprio ritmo.

Como funciona a equipe criativa da Cartier? Ela é baseada em Paris?

Temos uma grande fábrica em Genebra com mil funcionários que trabalham na fabricação de relógios, e nossos ateliers de joias ficam em Paris – mas não sei o número exato de quantas pessoas temos lá.

Nos 165 anos de existência da Cartier, quais foram os momentos mais representativos da empresa?

No filme que você assistiu, mostramos muitos desses momentos. No início dos anos 1900, os três irmãos Cartier – Jacques, Pierre e Louis — iniciaram a expansão de Paris para NY e Londres, e a partir daí começaram as diferentes conexões culturais que possibilitaram a inspiração para novas peças. Temos muitos momentos marcantes, mas para o Brasil, o mais representativo é o de 1904, com o relógio de Santos Dumont. Fiquei muito feliz de ver esse momento incorporado ao filme – que tem uma única versão, não é editado para cada país – porque é inegável a participação de Santos Dumont da criação do relógio de pulso.

Qual é a estratégia da marca para se manter relevante em um mercado tão dinâmico e sedento por novidades?

Acho que o consumidor percebe, de forma subconsciente ou consciente, que nossas criações não seguem ninguém. E elas são sempre funcionais, contemporâneas e normalmente discretas, quanto ao logo. Isso é uma coisa que nos diferencia muito: algumas companhias focam na exibição do logo, o que nunca fez parte da nossa identidade. A nossa elegância é sutil.

E quanto à estratégia da marca no que diz respeito às novas tecnologias? Qual a atividade nas redes sociais e no e-commerce?

Temos o nosso Facebook, Twitter, e e-commerce nos sites baseados no Japão e em Nova York. Nem tudo pode ser comprado online, apenas certas coisas; mas estamos com o e-commerce japonês há três, quatro anos, e com o de NY há dois. Eles representam uma quantidade impressionamente de vendas. Não posso passar a porcentagem, mas posso dizer que o site de NY iguala as vendas de uma boutique bem-sucedida.

Cenas de “L’Odyssée de Cartier” ©Divulgação

Há planos da implementação de um e-commerce na América Latina?

É muito complicado. É uma região muito complicada para o e-commerce. São muitos países, e há muitos impostos, taxas de importação… eu não vejo um e-commerce na América Latina. Talvez o Brasil, talvez o México, e só.

E quanto às lojas físicas no Brasil? Há planos de abertura de pontos além de São Paulo e Rio?

Bem, nós constantemente viajamos a outros lugares, como Curitiba e Brasília, onde temos joalherias parceiras que funcionam como pontos de venda, mas não temos nenhuma negociação séria em lugar algum além de São Paulo e Rio.

Estudando a história da Cartier, e mesmo assistindo ao curta-metragem, vemos que a marca tem uma relação muito forte com países como a Rússia, Índia e China, tanto no sentido comercial quanto criativo. Onde o Brasil se encaixa nessa história? Qual o apelo que a marca tem com o brasileiro?

É uma coincidência assistir ao filme e observar que os países a que se faz referência são Brasil, Rússia, Índia e China, que são os mercados emergentes de hoje, são os países do BRIC. O Brasil é parte da nossa história, do lado criador de relógios da companhia; ele é muito importante para nós, por consequência da amizade entre Santos Dumont e Louis Cartier ser inegavelmente o início da nossa história de criação de relógios. Em muitas partes do mundo, as nossas vendas de relógio são extremamente importantes. Na América Latina, essa é provavelmente a nossa linha mais importante. Então voltando a sua pergunta, de onde o Brasil se encaixa, ele se encontra muito próximo ao nosso DNA, especialmente no sentido da fabricação de relógios.

Cenas de “L’Odyssée de Cartier” ©Divulgação

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Pierre Bergé: “Yves Saint Laurent se aposentou e morreu na hora certa”

29/02/2012

por | Gente, Moda

Pierre Bergé fotografado pelo TheTalks.com ©Reprodução

A revista online The Talks publicou uma ótima entrevista com Pierre Bergé, em que o sócio e companheiro de longa data de Yves Saint Laurent (1936 – 2008) fala sobre a vida e o trabalho do estilista, que ele define como “artista” e como um dos designers de moda mais importantes do século 20 — “Chanel deu liberdade às mulheres; eu acho que Saint Laurent lhes deu poder”, ele afirma. A entrevista é extensa, mas vale a pena ler para ter um acesso muito particular a temas como a bem-sucedida dinâmica de trabalho Bergé-Laurent, a evolução da moda, e a genialidade e inquietude de Saint Laurent. Confira o texto traduzido na íntegra:

Sr. Bergé, é verdade que o senhor conheceu Yves Saint Laurent pela primeira vez no funeral de Christian Dior, em 1957?

Bem, você pode nos ver em uma foto que mostra os convidados de luto, mas na verdade eu o conheci no dia 3 de fevereiro de 1958, durante um jantar organizado por Marie-Louise Bousquet. Eu fui parabeniza-lo alguns dias depois que sua primeira coleção na Dior foi apresentada. Seis meses depois estávamos morando juntos.

E o que foi marcante para o senhor a respeito desse encontro?

Eu não sabia muito sobre moda na época. Eu era um amigo muito próximo de Christian e de alguns outros mestres da alta-costura como Balenciaga, mas para mim, moda não era arte. Aos meus olhos, era só algo para ganhar dinheiro. Mas na manhã desse primeiro desfile dele na Dior, entendi que uma coisa havia acontecido comigo. Percebi que eu era estúpido. Eu amei o que vi e simplesmente soube que Yves Saint Laurent seria um grande designer de moda.

Depois que Yves Saint Laurent foi demitido da Dior por causa do serviço militar na Argélia, o senhor fundou a grife homônima com ele e atuou como o CEO por mais de 40 anos, uma parceria muito longa e bem-sucedida.

Tínhamos um Muro de Berlim entre nós. Eu nunca interferi em seu design criativo por motivos comerciais, e ele nunca veio falar comigo sobre dinheiro. Nenhuma vez.

O dinheiro não era importante para Yves Saint Laurent?

Não. Porque ele confiava em mim e também, claro, porque ele sabia que tinha dinheiro. Mas ele nunca sabia quanto ele tinha. Nunca. Dinheiro para ele era uma coisa estranha.

Talvez esse tenha sido o motivo pelo qual vocês acabaram tendo uma incrível coleção de arte. Vocês podiam simplesmente comprar qualquer coisa que gostavam sem pensar duas vezes?

Bem, não era tão fácil, não no comecinho. Quando começamos nosso negócio, não tínhamos dinheiro, mas mais tarde o dinheiro não era tão valioso a ponto de não o gastarmos em arte. Tínhamos muito orgulho da coleção que criamos.

O senhor a vendeu no maior leilão privado da história por € 373.500.000 (pouco mais de 853 milhões de reais). Por que o senhor a vendeu se ela era tão importante para vocês dois?

Quando decidi vender a coleção depois que Yves morreu, não foi só uma decisão nostálgica, mas também uma decisão monetária. Mas o dinheiro não era para mim. Como você deve saber, nós temos uma fundação [a Fondation Pierre Bergé - Yves Saint Laurent] que precisa de dinheiro e uma grande parte dessa venda foi para a fundação. Eu sou envolvido com muitas, muitas empreitadas, como a luta contra a AIDS, o apoio a teatros, e muitas outras coisas. Decidi vender a coleção principalmente por essa razão – para ter dinheiro para esses fins.

[O "leilão do século", como o evento ficou conhecido, foi o ponto de partida para o documentário "L'Amour Fou" (2011), que durante o processo de produção acabou mudando o seu foco para um retrato intimista da relação entre Yves Saint Laurent e Pierre Bergé. Assista ao trailer]:

O senhor estava com ele no momento em que ele morreu?

Claro. Eu tinha decidido ir a Montreal por um fim de semana para visitar uma exibição quando recebi uma ligação do médico. Ele disse que era uma questão de talvez uma ou duas semanas. Antes e depois isso, fiquei sentado ao lado dele.

Ele tinha câncer no cérebro. Yves Saint Laurent sabia que a morte dele estava se aproximando?

De maneira alguma. Ele nunca soube. O médico me disse que não havia mais nada a ser feito e nós mutuamente decidimos que seria melhor para ele que ele não soubesse. Sabe, eu tenho a crença de que Yves não teria sido forte o suficiente para aceitar isso.

Como o senhor se sentiu quando ele não estava mais lá?

É tão difícil e quase impossível de descrever. Mas você também pode ter sentido isso em sua vida: é muito diferente se uma pessoa falece de repente, em um acidente ou AVC, ou após uma longa doença. Eu estava meio que esperando e isso me ajudou a estar preparado para essa grande perda.

O senhor se sente triste por não trabalhar mais com moda? Sente falta do aspecto do negócio desde que se aposentou com Yves Saint Laurent?

Não. Provavelmente porque a indústria da moda não é exatamente a mesma do passado. Eu não sou nostálgico – eu odeio nostalgia – mas estou feliz por não trabalhar nos negócios da moda hoje. Sinto muito te dizer isso, mas não é muito fácil trabalhar com revistas de moda agora.

Por quê?

Com Yves Saint Laurent, nós nunca falávamos de dinheiro, nunca relacionamos capas com publicidade, nunca conversávamos sobre isso. Nunca. Deixe-me dizer uma coisa: nós abrimos a Couture House em 1962, e em 1963 já estávamos em capas, com páginas internas inteiras. Você acha que isso é possível hoje? Mesmo com um novo Saint Laurent?

Será que Yves Saint Laurent odiaria a indústria da moda de hoje?

Claro! Yves se aposentou na hora certa e ele morreu na hora certa. Sinto muito te dizer isso, mas para mim é muito difícil entender o que aconteceu com os negócios da moda. É tudo uma questão de dinheiro e marketing. Nós nunca conversamos sobre talento – não é esse o ponto. Só falamos de vendas. Yves Saint Laurent teria odiado isso.

Qual o senhor diria que foi a maior conquista dele na moda? Especialmente nos anos 1960, Yves Saint Laurent e toda a empresa em torno dele realmente apontaram para uma nova direção.

Saint Laurent é, juntamente com Chanel, o designer de moda mais importante do século 20. Era uma época diferente de designers, uma época de grandes intelectuais. Eu já vi vestidos maravilhosos do Balenciaga e Christian Dior – mas a diferença entre aqueles designers de moda e Chanel e Saint Laurent é que eles permaneceram no campo estético. Saint Laurent e Chanel foram para o campo social – eles mudaram a vida de mulheres ao redor do mundo.

Por causa do que exatamente?

Chanel deu liberdade às mulheres; eu acho que Saint Laurent lhes deu poder. Podemos ver isso hoje, todos os dias.

Yves Saint Laurent e Pierre Bergé em dois momentos de sua longa parceria ©Reprodução

Todos o consideravam um gênio e ele se tornou cada vez mais intenso em sua maneira de trabalhar e viver. Por que o senhor acha que ele se viciou em drogas e álcool em meados dos anos 1970?

É muito difícil responder o que levou a esse vício. Mas tenho que admitir que Yves criou coleções maravilhosas usando drogas e álcool. Isso dificultou muito que ele parasse.

Ele estava sempre criando?

Sempre. Ele não prestava muita atenção em nada mais – ou ninguém mais. Marcel Proust explicou isso muito bem: ele disse que se você é um gênio, você está ocupado consigo mesmo – e é verdade. Voilà.

Yves Saint Laurent era frequentemente descrito como uma pessoa deprimida, e até em seu discurso de aposentadoria ele disse: “Eu passei por muitas angústias, muitos infernos; conheci o medo e uma solidão tremenda; os amigos enganadores que são os tranquilizantes e narcóticos; a prisão que pode ser a depressão e as clínicas de saúde mental”. Mas Yves Saint Laurent não foi uma pessoa que conquistou tudo? O que poderia faze-lo tão triste?

Acho que ele nasceu com depressão. E mais tarde ele sofreu com a fama porque percebeu que ela não lhe trouxe nada.

O senhor chamaria Yves Saint Laurent — aquele gênio admirado por tantos milhões — de uma pessoa trágica, no fim das contas?

Saint Laurent era um artista. E um artista sempre joga com sua realidade interna. Você tem que conhecer as regras do jogo — e eu conseguia lidar com isso muito bem. Tivemos muitos momentos felizes.

Quando ele era mais feliz?

Ele podia ser hilário entre amigos. Mas acho que ele ficava em seu estado mais feliz quando terminava uma coleção e recebia os aplausos e as ovações em pé. Depois disso a missão dele estava terminada. Era como um fogo de artifício — e então começava tudo de novo.

FFW está em Paris para a semana de moda; veja o line-up completo

28/02/2012

por | Moda

Entrada final do desfile da Chanel na semana de moda de Paris Verão 2012 ©Reprodução

Na etapa final de apresentações do Inverno 2012/2013 das maiores semanas de moda do mundo, finalmente chegamos a Paris, que mostra, de 28 de fevereiro a 7 de março, as propostas de grifes como Balenciaga, Balmain, Dior, Lanvin, Jean Paul Gaultier, Givenchy e Alexander McQueen.

E nesta temporada, a curiosidade está especialmente aguçada não só pelo que vai ser mostrado na passarela, como também pelo que acontece nos bastidores da indústria da moda. Como já falamos aqui, o desfile da Yves Saint Laurent no dia 5 de março marcará a despedida de Stefano Pilati do cargo de diretor criativo da grife, com crescentes especulações de que Hedi Slimane ocupe o lugar vago. Enquanto isso, as expectativas quanto ao anúncio do novo diretor criativo da Dior continuam aumentando, principalmente depois que foi divulgado que a estilista Jil Sander está voltando para a sua marca homônima, deixando em aberto o futuro de Raf Simons, apontado como possível sucessor de Galliano na Dior.

Animado para a semana de moda de Paris? Fique de olho no FFW para a cobertura in loco da nossa correspondente na cidade, Paula Rita Saady, além das nossas atualizações com as notícias quentinhas, das passarelas e das ruas, e as fotos em alta resolução dos principais desfiles da temporada!

Confira abaixo o line-up completo, já no horário de Brasilia:

Terça-feira, 28 de fevereiro
9h Fatima Lopes
10h Moon Young Hee
12h Corrado De Biase
13h Cédric Charlier
14h Anthony Vaccarello
15h Aganovich
16h Julien David
17h Argentine Designers
17h Steffie Christiaens

Quarta-feira, 29 de fevereiro
6h Devastée
6h30 Atsuro Tayama
7h Damir Doma
8h Guy Laroche
9h Nicolas Andreas Taralis
10h Limi Feu
11h Dries Van Noten
12h Felipe Oliveira Baptista
13h Rochas
14h Gareth Pugh
14h30 Zandra Rhodes
15h Peachoo + Krejberg
15h30 Luis Buchinho
16h Rue Du Mail
17h Mugler (transmissão ao vivo aqui)

Quinta-feira, 1º de março
6h Balenciaga
6h45 Carven
8h Manish Arora
9h Ann Demeulemeester
10h Sharon Wauchob
11h Balmain
12h Barbara Bui
13h Rick Owens
14h Lutz
15h Nina Ricci
16h A.F. Vandevorst
17h Bernhard Willhelm

Sexta-feira, 2 de março
6h Roland Mouret
7h Chalayan
8h30 Cunnington & Sanderson
9h Anne Valérie Hash
10h30 Christian Dior
11h30 Isabel Marant
12h30 Maison Martin Margiela
13h30 Sonia Rykiel
14h30 Amaya Arzuaga
15h Rundholz
15h30 Yohji Yamamoto
16h30 Lanvin

Sábado, 3 de março
5h30 Junya Watanabe
6h30 Haider Ackermann
7h30 Tsumori Chisato
8h Jean Paul L’Espagnard
8h30 Martin Grant
9h30 Viktor & Rolf
10h30 Cacharel
11h30 Véronique Leroy
12h30 Vivienne Westwood
13h30 Comme Des Garçons
15h Jean Paul Gaultier
16h Loewe
16h30 Andrea Crews

Domingo, 4 de março
6h Akris
7h Andrew GN
8h Costume National
10h Alexis Mabille
10h Mossi
10h30 Maiyet
11h Issey Miyake
12h Hermès
13h John Galliano
14h Kenzo
15h Hexa By Kuho
16h Givenchy

Segunda-feira, 5 de março
6h Stella Mccartney
7h Sacai
8h Léonard
9h30 Giambattista Valli
10h30 Odeeh
11h Valentin Yudashkin
12h Chloé
13h Pedro Lourenço
14h Vanessa Bruno
15h30 Yves Saint Laurent

Terça-feira, 6 de março
6h30 Chanel
7h30 Agnès B.
8h30 Jean-Charles De Castelbajac
9h30 Hakaan
10h30 Valentino
11h30 Junko Shimada
12h30 Paco Rabanne
13h Claudine Ivari
13h30 Shiatzy Chen
14h30 Paul & Joe
15h30 Alexander McQueen

Quarta-feira, 7 de março
6h Louis Vuitton
7h Talbot Runhof
8h Arzu Kaprol
9h Allude
10h Miu Miu
11h Masha Ma
12h30 Elie Saab
13h30 Maison Rabih Kayrouz
14h30 Collette Dinnigan
15h30 Lie Sang Bong

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Fashion Rio: de 10 a 14 de janeiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Milão (masculino): de 14 a 17 de janeiro (reveja os desfiles aqui)

Paris (masculino): de 18 a 22 de janeiro (reveja os desfiles aqui)

São Paulo Fashion Week: de 19 a 24 de janeiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Paris (alta-costura): de 23 a 26 de janeiro (reveja os desfiles aqui)

Madri: de 1° a 5 de fevereiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Nova York: de 8 a 16 de fevereiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Londres: de 17 a 22 de fevereiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Milão (feminino): de 22 a 28 de fevereiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Paris (feminino): de 28 de fevereiro a 7 de março

Estilista Jil Sander vai retornar ao comando de sua marca homônima

24/02/2012

por | Moda

A estilista Jil Sander vai retornar à direção criativa de sua marca  ©Reprodução

Confirmando as especulações fortalecidas com o anúncio, na quinta-feira (23.02), de que Raf Simons deixaria seu cargo na Jil Sander após o desfile da grife na semana de moda de Milão, foi divulgado na sexta-feira (24.02) que, sim, a própria Jil Sander vai retomar a direção criativa da marca que ela criou em 1968.

“Estou muito feliz e animada por estar de volta. A sensação é de voltar para casa depois de uma breve viagem”, ela afirmou em comunicado oficial. Para quem não se lembra, em 1999, Jil Sander vendeu 75% da empresa para o grupo Prada, e deixou a grife um ano depois, devido a desentendimentos com Patrizio Bertelli, CEO do grupo. Em 2003, ela retornou à marca, mas a deixou novamente ao fim de 2004.

No comunicado, ela disse ainda: “A marca Jil Sander está enraizada no meu próprio ser, naturalmente, minha visão de um design sofisticado e verdadeiramente moderno continuou comigo, tão vívido quanto no primeiro dia. Paradigmas mudam e evoluem de estação para estação, mas o coração da grife não muda. Será um grande desafio e um prazer maior ainda criar a identidade contemporânea da Jil Sander. O mundo da moda precisa de vozes originais e assinaturas genuínas. Eu vou fazer o meu melhor para, mais uma vez, me juntar ao coro”.

Enquanto isso, o destino de Raf Simons, que deixa a marca após sete bem-sucedidos anos, ainda é incerto. Há especulações de que ele estaria sendo sondado para ocupar o lugar vago por John Galliano na Dior há quase um ano, mas um porta-voz da maison francesa afirmou que não haveria nenhum anúncio sobre um novo designer pelo menos até o desfile da coleção prêt-à-porter, que acontece em Paris no dia 2 de março.

Confirmou: Raf Simons vai deixar a direção criativa da Jil Sander

23/02/2012

por | Moda

O estilista Raf Simons ao fim do desfile Verão 2012 da Jil Sander ©ImaxTREE

Lembra que o FFW falou sobre o boato de que Raf Simons poderia deixar o seu cargo de diretor criativo da Jil Sander para ocupar o lugar vago por John Galliano na Dior? Pois pelo menos a primeira parte dessa especulação foi confirmada na quinta-feira (23.02), com o anúncio feito pela Jil Sander de que o estilista belga deixará o grupo após a apresentação da marca na semana de moda de Milão Inverno 2012/2013, que acontece no sábado (25.02).

De acordo com o “WWD”, o anúncio intensifica as especulações de que a própria estilista Jil Sander retorne ao comando criativo da grife que ela criou em 1968; em uma entrevista recente a uma publicação-irmã do jornal no Japão, Sander afirmou que ela estava trabalhando em um novo projeto sobre o qual ela não podia falar ainda, mas que seria anunciado durante os desfiles de Milão.

Em 1999, Jil Sander vendeu 75% da empresa para o grupo Prada, e deixou a grife um ano depois. Em 2003, ela retornou à marca, mas a deixou novamente ao fim de 2004.

No anúncio oficial, a companhia agradece o trabalho de Raf Simons, na Jil Sander há sete bem-sucedidos anos, “por seu comprometimento dedicado à marca, por todos esses anos, e deseja a ele todo o melhor para o futuro”. Ainda de acordo com a grife, um novo diretor criativo deve ser anunciado “nos próximos dias”.

Confira os reviews e as fotos dos principais desfiles da #LFW

22/02/2012

por | Moda

Seguindo o calendário internacional, chegamos à semana de moda de Londres para o Inverno 2012/2013. Segunda na sequência que inclui Nova York, Milão e Paris, a capital britânica é palco de diversas marcas e estilistas conhecidos, como Burberry, Vivienne Westwood e Mark Fast, entre outros. Confira abaixo as fotos das coleções mais importantes, com os links para a nossa seção de desfiles, onde você poderá ver com detalhes todos os looks na nossa ferramenta de superzoom.

Roksanda Ilincic

Looks da coleção Roksanda Ilincic Inverno 2012/13 ©ImaxTREE

Partindo da ideia de “roupas de fim de semana ou de descanso, o tipo de coisa que você veste quando está confortável em casa”, a estilista Roksanda Ilincic apresentou um Inverno 2012/2013 bastante comercial e fácil de usar — embora seja difícil imaginar alguém que se contente em usar essas peças só para ficar em casa. Alguns momentos da apresentação surgiram mais pesados, com o uso de muita pele de raposa e de proporções exageradas. Os melhores looks, porém, foram os que seguiram a proposta inicial da estilista, de elegância clean.

McQ Alexander McQueen

Looks da coleção McQ Alexander McQueen Inverno 2012/13 ©ImaxTREE

Pela primeira vez apresentada em forma de desfile desde a sua criação, há seis anos, a McQ mostrou um Inverno 2012/2013 elogiado, que a “Vogue” britânica definiu como “sensacional”. A inspiração foi claramente militar, mas sob a batuta de Sarah Burton, a coleção teve um equilíbrio certeiro entre impacto visual, rigor técnico, usabilidade e feminilidade. Os looks começam com mais severidade, fechados, em cores escuras, mas rapidamente vão ganhado leveza — especialmente na parte feminina. Rendas, transparências, cores vivas, tules e adornos florais vão aparecendo look a look, até culminarem na entrada final, protagonizada por Kristen McMenamy, em um vestido branco acinturado de comprimento midi, com camadas e mais camadas de tule.

Burberry Prorsum

Looks da coleção Burberry Prorsum Inverno 2012/13 ©ImaxTREE

Com o tema “Cidade e Campo”, Christopher Bailey propôs a criação de uma ponte que unisse esses dois estilos divergentes; o resultado, como engraçadamente resumiu Suzy Menkes, do “International Herald Tribune”, pode ser “aproximadamente traduzido em luvas cravejadas de tachas segurando bolsas com enfeites de animais”. Piadas à parte, a Burberry apresentou um Inverno 2012/2013 prático, jovial e desejável, com ótimas opções de ternos com gravata skinny para eles, e muitos casacos e saias com babados diagonais para elas. Os enormes bolsos laterais e o peplum que veio em grande parte dos looks podem ser um desafio para a vida real, mas eles criaram um efeito bonito na passarela. Detalhe para as luvas com tachas citadas por Suzy Menkes, e para os guarda-chuvas com alças em formatos de cabeça de cachorro e pato, usados ao fim do desfile, que teve chuva artificial.

Christopher Kane

Looks da coleção Christopher Kane Inverno 2012/13 ©ImaxTREE

O ponto de partida de Christopher Kane para esta temporada foi uma imagem clicada pelo fotógrafo Joseph Szabo que mostra uma garota usando um vestido de moiré. E esse visual de tecido ondeado realmente veio forte na coleção, mas o estilista escolheu trabalhar com muitas outras texturas em combinações inusitadas, mas que, ainda assim, resultavam em looks sóbrios e usáveis. Como escreveu Suzy Menkes, do “International Herald Tribune”, Christopher Kane “cuidadosamente trabalhou para fazer tecidos inesperados, combinações estranhas e construções sutis parecerem enganosamente simples” — o grande trunfo do estilista.

Peter Pilotto

Looks da coleção Peter Pilotto Inverno 2012/13 ©ImaxTREE

Representante da frente de grifes da London Fashion Week que têm como principal atrativo o trabalho de estamparia, a Peter Pilotto não decepcionou os fãs nesta temporada e apresentou uma coleção vibrante inspirada em subculturas asiáticas. Azuis, amarelos e verdes foram as cores principais do Inverno 2012/2013 da marca, que aproveitou as estampas gráficas em praticamente todos os looks da coleção — e mesmo quando a peça não levava a estampa, ela vinha com o padrão de cores ácidas da temporada, como foi o caso das peles de raposa. A silhueta veio seca e ajustada ao corpo (mas sem restringir os movimentos), e com muitos detalhes de vazados e tiras transpassadas na parte do colo dos vestidos. Ponto para as jaquetas da coleção, volumosas e atraentes.

Matthew Williamson

Looks da coleção Matthew Williamson Inverno 2012/13 ©ImaxTREE

Em 2012 Matthew Williamson completa 15 anos de marca, e para este Inverno 2012/2013, ele apresenta uma coleção que mistura passado e futuro com referências setentistas e do look boêmio que o fez famoso, combinados a elementos com um quê de futurismo/tecnologia — como as estampas do início do desfile, que lembram circuitos elétricos. Apesar de este ser um desfile de inverno, há relativamente poucas propostas de casacos e jaquetas; o foco ficou com os vestidos de festa, especialidade de Williamson. Destaque para os vestidos curtos, sem mangas e de silhuetas básicas, próximas ao corpo, mas com o detalhe sensual do vazado na altura das costelas.

Vivienne Westwood Red Label

Looks da coleção Vivienne Westwood Inverno 2012/13 ©ImaxTREE

Vivienne Westwood decidiu baixar o tom da teatralidade do desfile para este Inverno 2012/2013 (vide a maquiagem e cabelos-statement de estações passadas, combinadas às caras e bocas que as modelos faziam para os fotógrafos), mas isso não quer dizer que a estilista estivesse fugindo de suas raízes. Muito pelo contrário: a proposta da marca para esta temporada foi justamente falar sobre o espírito britânico, usando como meio a combinação do domínio técnico da alfaiataria + a subversão e irreverência que caracterizam o trabalho da estilista. Na passarela, muitos casacos e jaquetinhas assimétricas, peças amplas cheias de movimento, estampas étnicas e o clássico xadrez, e o detalhe das tatuagens desenhadas nas pernas, mãos e pescoço das modelos.

Issa London

 Looks da coleção Issa London Inverno 2012/13 ©ImaxTREE

Inspirada na ideia de uma jornada de Moscou a Pequim, a estilista brasileira Daniella Issa Helayel apresentou uma coleção recheada de referências às roupas usadas na Rússia, Mongólia, Índia e China. Combinações estampadas de vestido + legging surgiram em várias estampas étnicas, seguidas por looks com chapéus e adornos de peles e peças bordadas com motivos chineses. No tudo-ao-mesmo-tempo-agora que foi o desfile, que incluiu por exemplo um look bordado com manguinhas de pele com legging de veludo, houve espaço também para vestidos com um quê de anos 1930, além, é claro, de peças prontas para virarem parte do guarda-roupa de Kate Middleton, cliente mais famosa da Issa.

Basso & Brooke

 Looks da coleção Basso & Brooke Inverno 2012/13 ©ImaxTREE

Pensando na possibilidade de que 2012 marque mesmo o fim do mundo — e aproveitando o lado libertador dessa ideia — a Basso & Brooke apresentou uma coleção desenvolvida sobre um sentimento de liberdade. Bruno Basso, metade da dupla responsável pelas estampas, após ler a biografia de Matisse, se inspirou pela maneira como o artista, ao fim de sua vida, passou a se permitir explorar novas possibilidades de criação com o trabalho de colagens. Assim, para o Inverno 2012/2013 da Basso & Brooke, as famosas estampas da grife vêm com cara nova, assimétricas e quase como colagens de várias estampas e texturas maximizadas. Por sua vez, livre da “obrigação” de ter que respeitar a simetria das estampas, Christopher Brooke teve mais liberdade para controlar o corte das peças. O resultado foi uma coleção cool e que trouxe, além da novidade das estampas assimétricas, o destaque para o knitwear e para as ótimas bolsas estampadas em parceria com a Cambridge Satchel Company.

17 de fevereiro (sexta-feira)
11h00 Bora Aksu
13h00 Felder Felder
15h00 PPQ
16h00 Basso & Brooke

18 de fevereiro (sábado)
11h00 Aquascutum
12h00 House of Holland
13h00 John Rocha
15h00 Todd Lynn
16h00 Temperley London
17h00 Issa London

19 de fevereiro (domingo)
08h00 Mulberry
09h00 Nicole Farhi
10h00 Marios Schwab
12h00 Vivienne Westwood Red Label
13h00 Unique
14h00 Paul Smith
15h00 Jonathan Saunders
17h00 Matthew Williamson
18h00 Acne

20 de fevereiro (segunda-feira)
07h00 Peter Pilotto
08h00 Antonio Berardi
09h00 Pringle of Scotland
10h00 Christopher Kane
12h00 Erdem
13h00 Mark Fast
14h00 Burberry
16h00 Giles
18h00 McQ Alexander McQueen

21 de fevereiro (terça-feira)
07h00 Mary Katrantzou
09h00 Roksanda Ilincic
12h00 Meadham Kirchhoff
14h00 Emilio de la Morena

22 de fevereiro (quarta)
10h15 Topman Design
16h00 RAKE

Veja o line-up e acompanhe os desfiles da semana de Milão

22/02/2012

por | Moda

Looks da semana de moda de Milão Inverno 2012/2013 ©Reprodução

A semana de moda de Londres nem terminou ainda (literalmente, porque as datas ficaram encavaladas) e Milão já começa a apresentar seu Inverno 2012/2013 na quarta-feira (22.02). Nesta página você tem acesso às fotos dos desfiles completos das principais grifes do calendário italiano, como Gucci, Fendi, Prada, Versace e Jil Sander, além de links para as nossas reportagens e entrevistas exclusivas produzidas in loco!

Confira abaixo o line-up da semana de moda de Milão Inverno 2012/2013 (já no horário de Brasília):

Quarta-feira, 22 de fevereiro

6h30 Simonetta Ravizza
7h30 Elena Mirò
8h Kristina T
8h30 Paola Frani
11h Gucci
13h John Richmond
14h Alberta Ferretti
15h Nº21
16h Francesco Scognamiglio
17h Sergio Zambon

Quinta-feira, 23 de fevereiro

6h30 Max Mara
7h30 Blugirl
8h30 Fendi
9h45 Luisa Beccaria
11h Ermanno Scervino
12h Roccobarocco
13h Krizia
14h Jo No Fui
15h Daniela Gregis
15h Prada
16h Maurizio Pecoraro
17h Anteprima

Sexta-feira, 24 de fevereiro

6h Moschino
7h 2012 Les Copains
8h Etro
9h Just Cavalli
11h30 C’N’C Costume Nacional
12h30 Iceberg
13h 30 Blumarine
14h30 Gabriele Colangelo
15h30 Marco de Vincenzo
16h30 Aigner
16h30 Versace

Sábado, 25 de fevereiro

6h30 Bottega Veneta
7h30 Emporio Armani
8h30 Mila Schon
9h30 Sportmax
11h Jil Sander
12h Silvio Betterelli
13h Genny
13h Massimo Rebecchi
14h Antonio Marris
15h Ter et Bantine
16h Emilio Pucci
17h Philipp Plein

Domingo, 26 de fevereiro

6h30 Marni
8h30 Trussardi
9h30 Laura Biagotti
11h Dolce & Gabbana
12h Byblos
13h Missoni
14h Frankie Morello
15h Salvatore Ferragamo
16h Aquilano.Rimondi
17h Roberto Musso
18h30 Versus

Segunda-feira, 27 de fevereiro

6h30 Dsquared²
7h30 Giorgio Armani
10h Roberto Cavalli
11h Gianfranco Ferre
12h .Normaluisa
13h Alviero Martini 1 Classe
14h Lorenzo Riva

Terça-feira, 28 de fevereiro

7h Chicca Lualdi Beequeen
7h45 Cristiano Burani
8h30 N.U.D.E.
8h30 Next Generation
9h30 Sergei Grinko
10h45 Basharatyan V

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Fashion Rio: de 10 a 14 de janeiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Milão (masculino): de 14 a 17 de janeiro (reveja os desfiles aqui)

Paris (masculino): de 18 a 22 de janeiro (reveja os desfiles aqui)

São Paulo Fashion Week: de 19 a 24 de janeiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Paris (alta-costura): de 23 a 26 de janeiro (reveja os desfiles aqui)

Madri: de 1° a 5 de fevereiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Nova York: de 8 a 16 de fevereiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Londres: de 17 a 22 de fevereiro (relembre a cobertura do FFW aqui)

Milão (feminino): de 22 a 28 de fevereiro

Paris (feminino): de 28 de fevereiro a 7 de março

Marc Jacobs esquenta discussão sobre modelos adolescentes em desfiles

15/02/2012

por | Moda

Marc Jacobs ao fim do seu desfile Inverno 2012/2013 ©ImaxTREE

Não falamos que o tema da vez na indústria da moda é a profissão das modelos? O estilista Marc Jacobs esquentou a discussão ao colocar na passarela de sua marca, na segunda-feira (13.02), pelo menos duas modelos menores de 16 anos, idade mínima recomendada (mas não obrigatória) pelo CFDA, Conselho de Designers de Moda da América, da qual, aliás, ele faz parte.

“Eu faço a apresentação do jeito que eu acho que ela tem que ser, e não do jeito que alguém me diz que ela tem que ser”, ele afirmou ao “The New York Times” a respeito da escolha do seu casting. “Se os pais delas estão dispostos a deixa-las participar de um desfile, eu não vejo motivos por que seja eu a pessoa a dizer que elas não podem”, ele continuou, antes de fazer um paralelo com a indústria do entretenimento: “Há atores mirins e modelos infantis para catálogos e coisas do tipo, então eu acho que se um pai acha que é O.K., e a criança quer fazer, não tem problema”.

Ondria Hardin (à esquerda) e Thairine Garcia na passarela de Marc Jacobs ©ImaxTREE

As duas modelos em questão são a norte-americana Ondria Hardin, estrela da campanha Inverno 2011 da Prada, e a brasileira Thairine Garcia, ambas de 14 anos. De acordo com o “The New York Times”, a Ford, agência que representa as duas jovens, divulgou um comunicado afirmando que “nós levamos a idade e a maturidade de nossas modelos muito a sério. Trabalhamos com cada caso individualmente, junto aos pais da candidata a modelo, para determinar se ela está ou não pronta para a passarela”.

Por aqui, nas duas semanas do calendário oficial da moda brasileira, o SPFW e o Fashion Rio, não é permitida a atuação de modelos menores de 16 anos. A Luminosidade, empresa por trás dos dois eventos, mesmo não sendo responsável pela contratação das modelos – o que é feito pelos estilistas diretamente com as agências — assinou em 2007 um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público se comprometendo a permitir a participação somente de modelos profissionais com idade igual ou superior a 16 anos.

Qual a sua opinião sobre o assunto? Apenas a permissão dos pais é suficiente para uma menina de 14 anos?