#FashionRioInverno2011: os 5 desfiles favoritos do FFW

18/01/2011

por | Moda

25 desfiles e 5 dias _alguns de chuva, outros de pouco sol e muito calor_ e o Fashion Rio chegou ao fim. Agora é aquele momento de parar e olhar tudo com calma para entender bem as propostas para o inverno 2011. Enquanto não vem o SPFW, listamos aqui quais foram nossas coleções favoritas _e porque!

Lucas Nascimento

064©Lucas Bori/FFW

Surpreendeu ainda mais com sua já apurada e avançada pesquisa e exploração têxtil. Mostrou-se maduro, com técnica ainda mais afiada e uma visão perfeitamente nítida sobre qual seu papel e onde quer chegar. Prova viva de como a emoção e paixão pelo que se faz, é essencial para um bom resultado.

Imagens dotadas de uma certa imponência e extrema força, mas ao mesmo tempo serenas e delicadas. É assim que, numa constante busca por inovação, Lucas uniu o tricô ao neoprene, material que o permitiu trabalhar formas trapézio amplas, quase como armaduras futuristas. Afastadas ou próximas ao corpo, deram cara nova a moda minimalista que já se mostra característica de seu trabalho. Com uma riqueza absurda de texturas, esses casacos-capas em forma de casulo com pescoço alongado vinham ora com superfícies felpudas, ora metalizadas, muitas vezes sobrepondo-se a lindos vestidos de malhas e tecidos mais leves, com comprimento até o chão. São nessas peças que aparecem também o lindo trabalho de intarsia _ técnica usada para criar “estampas” através de fios de cores diferente. É aí que surgem as transparências conseguidas por um delicadíssimo fio de náilon ultra-tecnológico, responsáveis por fazer algumas peças parecem flutuar sobre o corpo.

Andrea Marques

059©Lucas Bori/FFW

Outra estilista que vem mostrando uma evolução bem consistente nessa sua também terceira apresentação no Fashion Rio. O melhor de tudo é sua coerência de estilo que carrega junto desse amadurecimento. Inspirada nas texturas e cores das carapaças de besouros, trabalhou os anos 1970 de forma nada óbvia, falando de formas e silhueta clássicas, mas totalmente adaptadas à contemporaneidade _mérito que vem em boa parte da ótima cartela de cores e das modelagens acertadíssimas.

Juntou sua já tradicional estamparia com formas soltinhas e tecidos leves _alguns até esvoaçantes. Investiu pesado no comprimento midi _aquele no meio da perna_ e assim imprimiu uma elegância ainda maior sobre sua moda sempre muito sofisticada.

British Colony

021©Lucas Bori/FFW

É como uma revolução silenciosa o que Máxime Perelmuter vem fazendo com sua British Colony. Calcado naquele estilo carioca de ser _e vestir_ dá cara nova aos clássicos com pequenas alterações de modelagem e proporção. Assim, injeta frescor em sua moda que se posiciona exatamente naquele limiar entre o conceitual, com muito apelo de imagem e informação de moda, e o comercial, despertando desejos completamente possíveis.

Redley

033©Lucas Bori/FFW

Veio de cara nova _ou pelo menos diferente. E não é por menos. O inverno 2011 já tinha um pouco da mão de Sandy Dalal, novo diretor criativo da grife. Foi ele o responsável pela discreta limpeza no visual, apostando numa silhueta mais fluída, proporções alongadas com boas sobreposições de tecidos bem levinhos, com acabamento assimétrico, costura torcidas e alguns drapeados de aparência bem natural. Aliás, ainda que com uma boa gama de tecidos tecnológicos, são os naturais que dominam nesta coleção _algo bom para a marca que vinha há tempos focando em plastificados, emborrachados e afins.

Cantão

023©Lucas Bori/FFW

Ganhou força nesta temporada ao buscar aproximação com o mundo das artes. Mas não por buscar elevar seu capital cultural ou fazer de suas roupas obras artísticas, mas simplesmente por ganhar uma cara mais madura, diferente aquilo que vinha apresentando nas últimas temporadas. Assim, entram os grafismos, as estampas pixeladas os bordados de paetês em forma de estrelas e floras e aqueles geométricos. Com isso surgem proporções e modelagens mais atuais e interessante, nem tão menininha com antes, e com uma pegada mais descolada que parece beber um pouco da fonte do grunge dos anos 90, com pitadas 70s’ ao longo da coleção.

+ Veja aqui todos os desfile do Fashion Rio

2011: na indústria da moda, o ano será regido pelos consumidores

04/01/2011

por | Moda

euros e dollars©Romeuuu

Pode parecer redundante, mas é o que indica a maioria das pesquisas de mercado e comportamento de consumo para este ano que acaba de começar. Se 2010 foi o ano das mídias sociais, do crowdfunding e de mais uma infinidade de ferramentas sociais na internet, 2011 será o ano em que as sementes plantadas poderão brotar de forma mais consistente.

2010 foi o ano em que presenciamos alguns dos primeiros sinais de recuperação pós crise econômica de 2008. Ainda que com a ameaça de uma segunda queda, os bancos europeus em estado de alerta e o desemprego nos EUA atingindo número alarmantes, consumidores voltaram a colocar a mão no bolso e fazer a economia girar _porém, de maneira diferente.

Não seria um retorno ao clima pré-recessão (ainda bem), mas sim uma leve mudança no modo como empresas e marcas vinham se posicionando em relação a todo esse cenário e, principalmente, em relação ao consumidor. Foi uma mudança de postura em relação aos hábitos de compras que deu aval para que as empresas passassem a rever o modo como realizavam suas vendas, métodos de comunicação e os próprios negócios. Se não é uma revolução, pelo menos pode ser uma boa oportunidade.

Se já vínhamos acompanhando a exploração de assuntos como amor, família e comunidade, a tendência é que estes tópicos _emocionais e humanos_ ganhem ainda mais relevância. Como? Com as novas possibilidades de se promover um verdadeiro diálogo entre marca e consumidor, indivíduos não vão querer _nem aceitar_ ser vistos como meras ferramentas econômicas.

Consumidores não querem mais modelos e estratégias pré-fabricados, aqueles de um-tamanho-serve-a-todos. Marcas aos poucos estão percebendo que nem todas as mulheres, nem todos baby boomers e, principalmente, nem os ditos millennials podem ser trabalhados e vistos sob a mesma ótica.

Liberdade para o consumidor? Nem tanto. Mas as regras dos jogos com certeza estão mudando. Os consumidores passaram a perceber as marcas não mais como gurus de estilo, mas sim como facilitadores ou guias de consumo. 2011, então, será o ano em que todas essas novas possibilidades de comunicação irão de fato remodelar o modo como marca e consumidor se relacionam.

RT @portalFFW: os acontecimentos que marcaram a moda em 2010!

27/12/2010

por | Moda

retros

Sabe aquele história de conhecer o passado para entender o presente? Com 2010 chegando ao fim, preparamos uma retrospectiva de alguns dos acontecimentos mais marcantes para indústria da moda neste último ano.

R.I.P >> 2010 não começou muito bem para a moda. Logo no começo do ano, Alexander McQueen abriu um imenso vácuo criativo quando decidiu por fim em sua vida.

O ano das redes sociais >> Não tem como negar, afinal Mark Zuckerberg não foi capa da revista “Time” à toa. E na moda não foi diferente. 2010 foi marcado pela presença crescente das grifes no mundo digital, fazendo amplo uso de ferramentas como Facebook e Twitter.

Curvas >> O ano começou marcado por uma _breve_ volta das modelos, digamos, mais voluptuosas. Mesmo sendo magrinha, a brasileira Alessandra Ambrósio soube surfar nessa onda como poucas.

O novo sempre vem >> 2010 foi o ano também em que Pedro Lourenço marcou presença no calendário de desfiles internacionais.

Au revoir >> Enquanto uns chegam, outros se vão. Quer dizer, quase. O ano marcou também o fim da Era Gaultier na direção criativa da Hermès.

Sob nova direção >> O mercado editorial nacional sofreu algumas mudanças com a chegada da Condé Nast em solo brasileiro.

Fast Fashion #dasgrifis >> Não é bem novidade, mas fazia tempo que uma parceria entre uma marca de luxo e uma de varejo não causava tanta expectativa.

De portas fechadas >> Quando todo mundo está escancarando _virtualmente_ as portas de seus desfiles, é natural que uma apresentação fechada para algumas centenas de convidados cause algum reboliço no meio.

Menino ou menina >> Não é bem uma novidade, e Lea T. é só uma pontinha do iceberg, mas 2010 reacendeu o debate sobre os gêneros (ou sua ausência).

Cansei >> Não pode-se dizer que 2010 começou e terminou com perdas fashion, mas a saída de Carine Roitfeld da “Vogue Paris” foi um tanto inesperada.

Meia-estação: foco no consumidor, mas agora com tratamento de luxo

21/12/2010

por | Moda

“Não é mais só uma camiseta. Uma camiseta deve ter muito mais significado. Tem que ter um drapeado, um caimento natural, um diferencial. Uma calça não é só uma calça, deve haver o detalhe em camurça, a qualidade no toque, as lavagens no tecido”. As frases acima vêm da estilista Donna Karan sobre algumas peças de sua mais recente coleção: o pre-fall 2011.

Já falamos aqui sobre a crescente importância e relevância das coleções de meia-estação. São essas as peças que ficam mais tempo na loja e, por consequência, as que rendem mais lucros para as empresas. Contudo, conforme mídia e consumidores passam a se debruçar cada vez mais sobre esses produtos, surge a necessidade de um tratamento diferenciado.

“O nome continua, mas o tratamento é completamente diferente”, disse John Galliano em entrevista ao “WWD”. “A todos os jornalistas na sala: vocês precisam arrumar uma nova palavra. ‘Pre’, de ‘pre-fall’, é nojento”, disse Michael Kors momentos antes de apresentar sua coleção. Brincadeiras à parte, o fato é que o conceito ganhou proporções maiores que suas nomenclaturas. Some a isso uma nova postura do consumidor cada vez em busca de peças com algum significado, ou valor que se relacione com sua vida.

Não fica difícil entender, então, porque Karl Lagerfeld acionou os ateliês de alta-costura que a Chanel possui para a coleção Metier D’Art da maison. Ou porque Donna Karan abriu seu desfile com uma espécie de linha especial, com roupas para o dia-a-dia, com mais lifestyle. Muito menos porque Jason Wu, apenas em sua segunda coleção de pre-fall, dobrou o tamanho do acervo e atraiu um considerável número de celebridades para sua apresentação, ou porque Christopher Bailey deu acabamentos luxuosos para seus casacos e vestidos na Burberry.

burberry_02Pre-fall 2011 da Burberry por Christopher Bailey: foco no consumidor, mas desta vez com tratamento de luxo nas roupas ©Divulgação

Ainda focadas nas vontades do consumidor, as coleções de pre-fall e resort vêm, a cada temporada, ganhando requintes dignos das apresentações de prêt-à-porter. Ponto para quem vai comprar.

Perdeu alguma coisa dessa temporada de pre-fall? Então se liga na lista dos melhores desfiles que rolaram até agora:

Burberry

Calvin Klein

Chanel

Diane Von Furstenberg

Jason Wu

Pringle of Scotland

Rag & Bone

Reed Krakoff

Zac Posen

+ Veja mais desfiles de pre-fall 2011

A inovação está no fio: menswear avança com novas tecnologias

14/12/2010

por | Moda

rafkremerosklender©Romeuuu

Na moda masculina, existem os obcecados pela reinvenção do terno. E existem os que enxergam um futuro muito mais promissor e libertário.

Raf Simons, Italo Zucchelli para Calvin Klein e Nicolas Ghesquière para Balenciaga há muitas temporadas estão imersos no que há de mais avançado na tecnologia têxtil. Se como disse Suzy Menkes, crítica de moda do “International Herald Tribune”, “a inovação está no fio”, estes estilistas encontram-se na ponta mais vanguardista da moda.

Para o inverno 2010, contudo, suas mensagens acabaram se infiltrando mais profundamente no trabalho de diferentes estilistas da moda masculina. Na Emporio Armani com seu skiwear fluo e gráfico, na Versace com o trabalho de couro modelando o corpo, nas jaquetas esportivas da Bottega Veneta: o futurismo se vez presente das mais variadas formas, muitas vezes através de um sportswear extremamente sofisticado e 100% forward.

Para o verão 2011, a mensagem se propagou com mais força. Jil Sander deu o pontapé inicial com sua cartela de cores ácidas em ternos que parecem ligados no 220V. Ítalo Zucchelli para Calvin Klein ajustou suas camisetas, encurtou-as e falou de um activewear feito sob medida para uma academia do futuro. Rick Owens com seus alteltas monásticos engrossou o coro junto com a nomeação do sempre vanguardista Romain Kremer como estilista masculino da Thierry Mugler sob comando do super stylist Nicola Formichetti.

Em solo nacional, a Redley e a Osklen não ficam atrás com seu sportswear inteligente e a constante pesquisa de novos materiais. Mais recente, temos também a Der Metropol, de Mario Francisco, despontando com uma das grifes masculinas mais desejáveis do momento: sem renunciar a alfaiataria por completo, a grife a coloca a serviço do streetwear.

Com uma postura quase modernista, negando o passado em detrimento do futuro, esses estilistas trazem uma visão otimista sobre os tempos que estão por vir. Assim como André Courréges, Pierre Cardin e Paco Rabanne fizeram na onda Space Age dos anos 1960, essa atual geração usa também novos materiais para criar imagens impactantes, que bebem na fone do estilo de rua aliado ao mais eficiente e sofisticado sportswear.

Chanel pre-fall 2011: veja todas as fotos do desfile #riqueza!

08/12/2010

por | Moda

Pode não ser alta-costura de fato, mas só por ter bordados dos mais ricos feitos por ateliês legendários, essa coleção da Chanel já vem com um toque todo especial. E assim, Karl Lagerfeld deu ares de exclusividade para o seu pre-fall 2011.

Ao invés de um grande desfile como vinha fazendo desde 2002 com as coleções de meia estação, dessa vez o kaiser escolheu a intimidade do salão couture da maison, no famoso número 31 da Rue Cambon, em Paris, e transformou o espaço numa espécie de sala de chá toda dourada, colocando assim o foco 100% sobre as roupas.

A estratégia fez total sentido já que a coleção, construída praticamente em cima de bordados e mosaicos bizantinos, visava também homenagear o savoir faire os 7 ateliês de bordadeiras que a marca adquiriu no fim dos anos 1990: Lesage, Desrues, Lemarié, Michel, Massaro, Goossens e Guillet.

collage-chanel-pre-fall-2011

O ponto de partida foi a cultura bizantina, universo pelo qual Coco Chanel em si já havia se apaixonado décadas antes. Assim, a coleção traz uma aparente opulência de elementos decorativos, suavizada pela modelagem e proporção alongada, com certa “folga” _ principalmente nas calças de veludo cotelê ou em jeans desgastado. Karl fala de um luxo, ou riqueza, meio nonchalance, um “estar arrumado” ao mesmo tempo que desarrumado, bem como fez em seus 2 últimos desfiles de alta-cosutra (inverno 2010) e prêt-à-porter (verão 2011).

Agora, seu pre-fall 2011 vem com ares levemente hippie. Um hippie rico e luxuoso, em que as famosas jaquetas de tweed vêm com correntes douradas, os vestidos alongados com mosaicos percorrendo todo seu comprimento, casacos com maxi botões dourados, tricôs com bordados em motivos típicos bizantinos, maxi pulseiras marcando os punhos e mais uma série de motivos e aplicações responsáveis por fazer de todo esse arsenal bizantino, algo atual _e desejável.

>> Em tempo, este mesmo desfile que aconteceu de forma intimista na sede da grife em Paris, ganhará reprise em Istambul, na Turquia, na primavera do Hemisfério Norte. É nesta cidade _que anos atrás viu o império bizantino florescer às margens do Bósforo_ que a grife acaba de inaugura uma maxi loja de 350 m².

+ Veja todas as fotos do desfile aqui!

Corpo fechado: roupas “blindadas” estão na mira da moda

07/12/2010

por | Moda

protect me from what i want© Romeuuu / FFW

Para seu inverno 2011 apresentado na última edição da Casa de Criadores, Jadson Raniere construiu sua coleção em torno de noções de proteção. “Roupas-escudos feitas de náilon preto matelassado, onde os braços do modelo são aprisionados ao corpo por uma espécie de casaco tétrico _no tabuleiro de Jadson, o melhor ataque é uma boa defesa”, escreveu o editor André Rodrigues.

No mesmo evento, ainda que não totalmente focado no mesmo assunto, Arnaldo Ventura apresentou seu inverno inspirado na batalha de Tróia, tirando dali boa parte das referências militares de sua coleção. Como a proteção só nasce de uma ameaça iminente, o tema se fez presente.

Alguns meses antes, durante a semana de moda de Paris, a estilista belga Ann Demeulemeester anunciou que foram as noções de proteção que deram o pontapé inicial no seu verão 2011 abstrato e gráfico. Rebobine uma temporada (para o inverno 2010) e temos Jeremy Scott para a Adidas Originals esbarrando sobre a mesma temática ao olhar para as armaduras medievais, Stefano Pilati, na Yves Saint Laurent, aliando todos esse conceitos com uma boa dosa de religião e espiritualidade.

Proteção está na moda e não é muito difícil entender o motivo: basta ligar a televisão, abrir um jornal ou acessar um site de notícias. Agressões com lâmpadas, verdadeiras guerras civis e assaltos violentos, só para citar alguns dos exemplos mais recentes _e próximos de nossa realidade.

Segundo o dicionário Houaiss, proteção diz respeito “àquilo que protege de um agente exterior; defesa”. Desde os primórdios da humanidade as vestes desempenham justamente esse papel: proteger do frio, do sol, da chuva, e outras ameaças com camuflagens e demais recursos. Fast forward para o século 21. As roupas continuam desempenhando esse papel + alguns outros de cunho morais e sociais.

Acontece que moda também é linguagem em constante diálogo com a sociedade e seus indivíduos em determinado período da História. E em tempos onde ameaças dizem respeito não só a questões de violência física, nada mais natural que nossas roupas passem a refletir algumas noções de proteção. Seja pela simples assimilação de fatores religiosos, seja pela construção de verdadeiras armaduras modernas.

colagem-proteçãoLooks da Comme des Garçons, Lanvin (masc.), John Galliano (masc.), Jean Paul Gaultier (masc.), Raf Simons e Yves Saint Laurent, tudo inverno 2010 © firstVIEW

Proteção _em suas mais diferentes formas_ foi tema recorrente para o inverno 2010 masculino. Referências militares, cinturões tipo corsets, botas pesadas e uma atenção extrema ao outerwear de peso (literalmente) falavam mais sobre força e vigor do que  sobre romance e poesia, como havia acontecido em temporadas passadas.

No feminino não foi diferente. Camadas e mais camadas de sobreposições mil falavam não só da proteção contra o frio, mas também de um certo isolamento corporal. Rei Kawakubo em sua Comme des Garçons, ao criar volumes acolchoados _quase como continuação de sua famosa coleção “Lumps & Bumps” de 1997_ esbarrou nas noções de conforto para falar justamente dessa temática de maneira extremamente cerebral. Stefano Pilati, na Yves Saint Laurent, por outro lado, usou uma série imagens religiosas _com modelos freiras cobertas por capas de plástico_ para falar de outras formas de proteção.

Nem tanto pelo lado físico da coisa, mas mais pelo emocional e sensorial, as roupas do século 21 parecem estar cada vez mais oferecendo um refúgio seguro para o ser humano, quase como verdadeiras barreiras à prova de balas.

FFW fashion digest: Valentino, Amapô, Balenciaga e +!

06/12/2010

por | Moda

valentino-garden-party©Divulgação

Uma espécie de coleção dentro de uma outra coleção. Ou simplesmente um projeto especial derivado verão 2011 de Valentino, apresentado pelos estilistas Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli em outubro, durante a semana de moda de Paris. É assim que nasce a “Garden Party”, uma linha limitada que vai desde roupas para o dia, passando por looks cocktail e vestidos de noite + 4 modelos de camisetas exclusivíssimas e acessórios _bolsas em diferentes tamanhos, sapatos e botas.

Buscando retratar a essência romântica e misteriosa da mulher Valentino (agora sob nova direção) a mini coleção se desenrola em torno de motivos florais que aparecem ora em estamparia clássica, ora tridimensional em rendas feita à mão nos ateliês de alta-costura da grife, ora numa sobreposição de imagens gerando um efeito quase que impressionista.

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farm©Divulgação

Chegou neste último fim de semana, em todas as lojas Farm do pais, uma coleção especial de final de ano. São vestidos, regatas e shorts _quase todos em branco ou tons claros_ que ganham corte sofisticado em tecidos leves decorados com alguns brilhos.

+ farmrio.com.br

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sonja©Divulgação

Acontece na noite desta segunda-feira (06/12) na loja multimarcas Surface To Air, em São Paulo, o lançamento da linha de camisetas exclusivas, fruto de uma parceria entre a grife Amapô, de Carolina Gold e Pitty Taliani, e a cantora Cibelle. Com valor de R$ 171 as camisetas trazem estampas inspiradas no alter ego, Sonja Khalecallon _daí o nome “Sonja is a Feeling”_ aplicadas sobre aquela famosa modelagem super ampla da Amapô.

+ surfacetoair.com.br

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bolsas-viktor&rolf©Divulgação

Para seu verão 2011, Viktor & Rolf partiram de peças clássicas _principalmente a camisa_ para um exercício completamente surrealista de construção e modelagem responsável por transformar uma simples camisa branca num maxi vestido de noiva com manga formada por uma verdadeira cascata de punhos ampliados à proporções absurdas. Então, não é nenhuma surpresa que quando chegada a hora de pensar em seus acessórios para temporada, tenham partido do mesmo princípio.

Escolheram uma clássica mala de viagem para daí criar as bolsas de seu verão 2011. A única diferença é que aqui o caminho foi o inverso. Ao invés de ampliarem, reduziram as malas para bolsas de 3 diferentes tamanhos.

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Um hotel Maison Martin Margiela? Bem, quase. O Hotel Maison Champs Elysées anunciou na última semana que a grife fundada pelo estilista belga e hoje sob comando do grupo Diesel, será a responsável pela decoração de todo piso térreo + 7 suítes e 10 quartos do hotel que acaba de entrar em fase de renovação. Localizado no histórico prédio da Maison des Cantraliens, no coração de Paris, esse 5 estrelas to be é uma das construções que melhor resumo a essência de uma casa parisiense.

Quanto o que a equipe da MMM irá apresentar, ainda não se sabe muito além de que os ambientes terão um misto de realidade com ilusão, bem como as coleções repletas de efeitos trompe-l’oeil que são marca registrada da grife.

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relogio-balenciaga©Divulgação

O primeiro exemplar apareceu há alguns meses durante o desfile da marca na semana de moda de Paris. Porém, ninguém deu muita bola para o que seria o primeiro relógio desenhado por Nicolas Ghesquière para Balenciaga. Agora os modelos retangulares com visor nada típico acabam de ser lançados oficialmente no mercado, mas em edição limitada e custando US$ 1.400/cada.

Artista plástico e stylist, Marcio Banfi conta tudo sobre sua 2ª mostra individual

01/12/2010

por | Cultura Pop, Moda

Quem se interessa por moda já deve ter esbarrado em seu nome _e suas imagens_ em alguma publicação do meio. Se você se interessa por arte, também já deve ter ouvido falar, presenciado alguma de suas performances ou visto alguma de suas obras. Marcio Banfi, stylist, artista plástico e atual editor de moda da revista Gloss, abre neste sábado (04/11) sua segunda mostra individual, na galeria Emma Thomas, em São Paulo.

Por MSN, Marcio conversou com o FFW para contar um pouco mais sobre a exposição “Ninguém É Uma Ilha”.

marciobanfi_02Still do vídeo “Papila” ©Reprodução

marcio diz:
Luigi!

luigi diz:
Oi, oi! Então, vamos lá, me fala um pouco sobre do que se trata a mostra.

marcio diz:
Então, será minha segunda individual, a primeira na (galeria) Emma Thomas. São 16 trabalhos inéditos. Incluindo fotos, vídeos, objetos… A mostra se chama “Ninguém É Uma Ilha”. A pesquisa ainda é a mesma que eu venho fazendo sobre identidade e individualidade, existência, auto retrato e estética. Sob essa visão segui na pesquisa dos cabelos e também da auto imagem. Os fios e os cabelos, então, estão na expo de uma forma geral, assim como a passagem do tempo, as marcas, memória corporal, auto representações, dress code… Um corpo que é dependente da estética e da suposta beleza para ser reconhecida (é aí que aparece a moda) e aposta em suas características para ser percebida… Um corpo que se modifica, se constrói, se esconde, se veste e se despe, se ressignifica através de suas escolhas. O auto retrato aparece como prova de existência. Se não se fotografa ele morre.

luigi diz:
Mas o que o cabelo tem a ver com tudo isso?
marcio diz:
Nossa, o cabelo é uma obsessão tão antiga… Os cabelos, além de serem parte das características principais de reconhecimento de alguém ou de uma personalidade em determinada época, significa a força. A força de Sansão. Ele perde a identidade e a força quando cortam o seu cabelo. Além disso tem um sentido mórbido e também erótico _o erótico também aparece emquase todo o trabalho. Além de um certo bom humor e cinismo.

luigi diz:
Mas o que o cabelo tem a ver com tudo isso?

marcio diz:

Nossa, o cabelo é uma obsessão tão antiga… Os cabelos, além de serem parte das características principais de reconhecimento de alguém ou de uma personalidade em determinada época, significa a força. A força de Sansão. Ele perde a identidade e a força quando cortam o seu cabelo. Além disso tem um sentido mórbido e também erótico _o erótico também aparece emquase todo o trabalho. Além de um certo bom humor e cinismo.

marciobanfi_01“Fingindo Viver Nesse Mundo”

luigi diz:
Quando foi sua primeira individual?

marcio diz:
Minha primeira individual foi 2006. Tive um canyon criativo por um período.

luigi diz:
E esse canyon criativo foi meio que uma ruptura no que você vinha fazendo ou essa segunda individual é uma espécie de continuação seja de idéia, temática ou estética?

marcio diz:
Não, mudei bastante coisa sim… Na verdade eu não parei nunca, mas não produzi com uma continuidade para fazer grandes expos. Na verdade, depois dessa 1ª individual eu comecei a entrar forte na história do auto retrato… Fui pesquisar e estudar… Coloquei bastante meu corpo nos trabalhos. Aí fui ver outras coisas referentes à identidade. Foi qdo entrou o cabelo. Cabelo, pele, rugas, manchas… Até chegar na dúvida da presença em si… Da presença e da existência.

luigi diz:

E como você vê a moda envolvida nessa questão toda? O quão importante ela é para ressaltar ou esconder e confundir a identidade?

marcio diz:
A moda é super presente na minha vida, obviamente. Digo, sempre que a moda está no meu trabalho de arte assim como a arte está no meu trabalho de moda nesse caso a moda aparece totalmente pelo lado estático. Ops, estético. Tem um trabalho que se chama “anos dourados” que é um tríptico do meu rosto e no lugar das rugas de expressão aparecem correntinhas de ouro cortadas. Acho que na expressão, e obviamente no cabelo.

luigi diz:

Mas você acredita que a moda é essencial nessa questão de formar/criar uma identidade? Ou ela é só mais um elemento nesse processo?

marcio diz:
Claro, são códigos visuais p/ identificar alguma pessoa, grupo…

luigi diz:
Mas me conta, o que veio primeiro na sua vida, a moda ou a arte?

marcio diz:
A arte apareceu 1º, depois veio a moda.

luigi diz:
E como foi esse processo?

marcio diz:
Da passagem? Bom, sempre quis fazer arte. Meu pai achava que era hobby, então prestei desenho industrial e depois de 2 anos eu prestei artes plásticas e entrei. Foi quando o Alê Herchcovitch me viu e me chamou para desfilar para ele. E aí ele me chamou para ser seu assistente. Achei estranho mas topei. Tinha interesse em costura, meu trabalho de arte tinha isso… Gostava de modelagem… Aí trabalhei um ano com ele. Foi ele quem despertou super meus desejos de moda. Já gostava muito de moda. Conhecia, entendia, sabia quem eram os estilistas, comprava a The Face, mas não imaginei que ia trabalhar com isso. Aí logo que saí do Alê, eu fui chamado para trabalhar como editor de moda da Sportswear, que estava mega caída… Prestes a fechar… Acho que se não fosse assim eles não me chamariam. Não tinha experiência nenhuma! Mas segui com a moda nas artes também. Até hoje estou bordando uma camiseta inteira com fios de cabelo. Um por um.

luigi diz:
Meldels! E isso vai para a individual, né?

marcio diz:
Vai sim… Se eu não enlouquecer ou cegar até lá.

marciobanfi_03“Anos Dourados”

luigi diz:
E falando bem do seu trabalho, no que sua arte influencia a moda e vice-versa?

marcio diz:
A forma de eu pensar é exatamente a mesma… Parto das mesmas coisas. As minhas referências são as mesmas. E a arte vem na maneira de compor uma imagem. Pensar nos pesos, pensar até na proporção, e no conceito ser um pouco mais forte. Mas ao mesmo tempo, eu odeio quando uma pessoa fala para mim que eu sou “conceitual” demais! Gente, até na Capricho eu já trabalhei! Até na Venice, uma revista de surf!

luigi diz:
(posso publicar isso??? diz que sim!)

marcio diz:
Claro que pode! Não estou mentindo! Mas então… Já a moda a moda vem na estética, na luz das fotos…

luigi diz:
E já que seu trabalho fala muito desse conceito de identidade, como que você essa questão da formação da identidade em tempos de facebook, twitter e tudo mais?

marcio diz:
Nossa, você sabe que eu já estou começando a pensar nisso… Quem sabe numa próxima expo… Mas amo pensar que você pode inventar uma série de coisas… Amo pensar que você pode armar o maior barraco por internet. Você pode até inventar que você é alguém. Não é incrível? Juro, fico muito passado. É muito, muito perigoso… É absurdamente tenso. Mas tenho pensado muito nisso. Na identidade em tempos de internet…Você poder ter 20 identidades se quiser.

luigi diz:
E você acredita que essas 20/infinitas identidades que se pode ter na internet acaba migrando para vida real?

marcio diz:
Ah, claro… Começam a “existir”… Os personagens existem de verdade… É bem absurdo. É quase uma abdução ao contrário.

luigi diz:
Amo “abdução ao contrário”, mas vamos lá, última pergunta: Há quanto tempo você está trabalhando em cima dos trabalhos (desculpa a redundância) dessa individual?

marcio diz:
Hmmm… Um pouco mais de 1 ano e meio acho… Quer saber quanto eu gastei também? hahahahahaha! Porque olha, menino… vou te contar… Formas de enlouquecer.

luigi diz:
hahahahahaha! Mas não, imagino que não deve ter sido pouco, afinal para tanto cabelo, né? Sei que não é nada barato comprar cabelo por aí. Enfim, só queria ter uma idéia de quanto tempo mesmo…

marcio diz:
É… tipo 1 ano e meio…

Serviço:
Galeria Emma Thomas
Rua Barra Funda, 216
Abertura dia 4/12 a partir das 11h.
A mostra fica até dia 22/01/2011.

+ Twitter: @marciobanfi

+ Site Oficial: barogaleria.com

Conhecido por revolucionar o terno, Thom Browne lança coleção feminina

30/11/2010

por | Moda

Ele ficou conhecido por ter encolhido o terno masculino. Com suas calças de barras alguns centímetros mais curtas e seus blazeres de proporções reduzidas, Thom Browne se tornou um dos estilistas mais comentados _e reverenciados_ na ala masculina da atual indústria da moda.

Em fevereiro próximo (2011), Mr. Browne, que recentemente trocou as passarelas de Nova York pelas de Paris, promete voltar a Big Apple com seu primeiro desfile feminino. Há algumas semanas, o estilita lançou em Londres sua primeira coleção dedicada ao público feminino, assim sem muito alarde, apenas para alguns convidados, imprensa e compradores.

Em perfeita sintonia entre os 2 universos, o foco continua quase que 100% na alfaiataria, sempre com alterações de modelagem e proporção que são tão características de Browne. As referências à cultura americana _outro ponto recorrente_ também aparece aqui de forma bem marcante _com direito até a versões femininas dos óculos dourados que apareceram no desfile masculino.

Veja o lookbook na galeria:

Christopher Kane para eles: estilista anuncia linha 100% masculina

30/11/2010

por | Moda

Você provavelmente já viu _e desejou_ alguma peça com assinatura de Christopher Kane. O estilista britânico vem desde 2007 conquistando corações fashionsintas _inclusive o de Donatella Versace, que o convidou para assinar sua segunda linha, a Versus_ com suas criações subversivas e sexy. Agora, Kane se prepara para aumentar ainda mais a sua lista de fãs _e consumidores.

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Está previsto para o começo de dezembro deste ano a chegada de sua primeiríssima coleção masculina na hypada loja londrina Dover Street Market. O estilista já havia produzido algumas camisetas masculinas para a loja, além de suas peças para TopShop,  mas uma coleção completamente dedicada ao público masculino ainda era algo inédito.

Segundo entrevista ao site da “Vogue UK”, Kane disse que o ponto de partida foram imagens do espaço e explosões cósmicas. Então fica fácil entender as lindas estampas digitas que somam-se as excelentes peças de alfaiataria em couro _blazeres e bermudas com detalhes em zíper_, afinal, ainda estamos falando de Christopher Kane.

+ doverstreetmarket.com

Peek-a-Boogie: designer hypada lança edição de joias sobrenaturais

26/11/2010

por | Moda

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A inspiração? “Filmes clássicos de magia e elementos sobrenaturais como em ‘A Lenda’, de Ridley Scott e ‘Garotos Perdidos’ de Joel Schumacher”. As referências? “Vivências urbanas e uma emoção nostálgica do passado representadas nos filmes”. É assim, misturando magia com realidade, que Anna Boogie apresenta a mais nova coleção de sua marca de acessórios, a By Boogie.

Em clima místico, quase obscuro, os acessórios da coleção foram desenvolvidos a partir de viagens criativas únicas. O resultado são peças “selvagens, com força de estilo e significado próprio a fim de levar sua imaginação a um mundo paralelo da fantasia e misticismo”. Trabalhadas em materiais como correntes, penas, cristais Swarovski e outras pedras, ganham banho de ouro, prata e grafite para um ar levemente envelhecido e um pouco sombrio.

O lançamento da coleção Love & Legends acontece neste sábado (27/11) às 15 na Shoesseria, na Rua Fidalga 23, em São Paulo.

+ byboogie.tumblr.com

Pense Moda 2010: Susanne Tide-Frater fala sobre a anatomia das marcas

25/11/2010

por | Moda

Colaborou Stephanie Noelle

Susanne Tide Frater (4)Susanne Tide-Frater © Divulgação

A segunda palestra do 2º dia do Pense Moda foi com a consultora Susanne Tide-Frater. É ela a responsável por toda apresentação e branding da marca da Victora Beckham e da reformulação que fez da loja de departamentos Selfridges um verdadeiro case de sucesso no Reino Unido. Isso e mais um monte de coisa, na verdade. “Me considero uma médica de marcas”, conta ela sobre seu trabalho que consiste numa verdadeira imersão no universo e trabalho de marcas que desejam qualquer tipo de reformulação, sempre tendo a criatividade como fio condutor. “Só a verdadeira criatividade pode ser comercial”, afirmou ela.

Tide-Frater, num vestido creme-dourado de Victoria Beckham, com ankle-boots Alexander McQueen, falou sobre a “anatomia das marcas”, quase como pilares essenciais para que se atinja o sucesso: produto, história, apresentação, modos de vendas e on-line.

Produto porque não há como ter sucesso sem que este seja realmente bom em termos de qualidade e inovação. História não no sentido de tradição, mas de uma história para contar, uma narrativa ou uma mensagem consistente que seja de algum modo cativante e que valha a pena ser notada. Apresentação porque como ela mesmo disse, não há como se promover sem “se mostrar _de um jeito bom, é claro”. Como exemplo, citou Hussein Chalayan e suas apresentações que beiram performances de arte. O que as torna moda? “Um produto impecável”. Modos de venda porque o consumidor hoje não quer simplesmente ter um produto empurrado para si. E on-line, bem, por razões óbvias.

>> O que o FFW pensa:

O FFW concorda plenamente com a posição de Susanne de que sem um produto de qualidade nada é possível. Para ela o consumidor é sempre a maior e principal preocupação: “sem eles não há moda, é arte.” Retomando o exemplo de Hussein Chalayan, amigo e cliente de Tide-Frater, suas apresentações ultra-tecnológicas só podem ser entendidas sobre a ótica de moda graças ao produto de extrema qualidade e a consistência de sua narrativa/história, sempre em torno de uma mesma identidade.

Concordamos mais ainda sobre sua posição sobre criatividade a qualquer custo, independente dos recursos disponíveis. “Sem desafios não existe criatividade”, explicou quando Jussara Romão perguntou sobre ser possível fazer seu trabalho no Brasil, onde condições das mais adversas acabam formando barreiras assustadoras.

O foco no consumidor é outro ponto que merece atenção. Muitas marcas nacionais parecem não se preocupar com a experiência que este recebe, seja no atendimento de suas lojas, seja numa simples visita a seu site _quando esse existe. São poucas aquelas cujos profissionais estão realmente engajados em proporcionar uma experiência de consumo realmente única e cativante.

>> O que os convidados pensam:

Clo Orosco (3)Clô Orozco © Divulgação

Sobre o método de trabalho que Susanne apresentou, ele é viável no Brasil?

Clô Orozco: Deveria ser, seria genial e de grande valor para o desenvolvimento de moda. O que foi falado deveria ser ouvido pelas compradoras das multimarcas, seria maravilhoso, pois elas são as pessoas que realmente precisam ouvir esse tipo de coisa.

Como a Huis Clos e a Maria Garcia se encaixam no que foi falado por Susanne?

Clô Orozco: Nas marcas você identifica o DNA muito forte. Essa discussão (relacionada aos temas tratados pela palestrante) existe, e somos muito cerebrais, não fazemos nada gratuitamente. Não é porque algo é tendência, ou coisa parecida, que nós vamos incorporá-la. No entanto a parte de comunicação das marcas ainda não está à altura do trabalho criativo, mas está mudando. Exatamente por isso é que estive presente nessa palestra.

Além disso, pretendemos fazer um trabalho relacionado com internet, inclusive e-commerce, mas só têm nos procurado lojas virtuais interessadas em vender coleções passadas à preços mais baixos, e nós não queremos isso. Queremos vender coleções atuais, pois temos clientes no Brasil inteiro, e o e-commerce facilitaria muito.

Como você enxerga o consumidor “do futuro”?

Clô Orozco: Tenho uma visão pessimista, e acho que existirão dois extremos: O cliente bem informado, que possui autoconhecimento, formação de estilo, sabe o que quer e busca design e criatividade; e o cliente que é um simples consumista de moda, que gosta de marca, de ostentação, e procura uma marca de roupa baseado em seu posicionamento social. E é esse tipo de consumidor que mais vai crescer.

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Pense Moda 2010: os impactos das marcas de luxo no mercado nacional

25/11/2010

por | Moda

Colaborou Stephanie Noelle

O impacto da chegada de grandes grifes no mercado de luxo nacional foi tema da mesa de discussão que abriu o 2º dia do Pense Moda. Com medição da editora da revista Elle, Giuliana Cury, estavam ali presentes Natalie Klein, proprietária da NK Store e parceira da grife Marc Jacobs no Brasil; o empresário e designer Alexandre Birman, da marca que leva seu nome e integrante do Grupo Arezzo; Daniela Cecilio, diretora no Brasil do site de e-commerce Farfetch; Fernando Pimentel, diretor superintendente da ABIT (Associação Brasileira da Industria Têxtil); Richard Barczinski, diretor de Retail da JHSF, concessionária da Hermés no Brasil, e Rosangela Lyra, diretora da Dior no Brasil.

Falou-se sobre os altos impostos de importação _”que podem chegar à 108%”, segundo Klein_, sobre as vantagens de se comprar aqui (leia-se parcelamento e garantias), sobre como o e-commerce é um facilitador para entrada das marcas internacionais, e também de como a expansão desse setor tem sido mais cautelosa quando em comparação com outros países.

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>> O que o FFW pensa:

Sobre a entrada cautelosa:

O FFW já havia comentado algumas vezes sobre o potencial do mercado de luxo brasileiro para as grandes grifes deste setor. O favorável cenário econômico _resultado de um clima político e social razoavelmente estável_, o crescimento da classe média e o aumento da renda nacional são apenas alguns dos fatores que fizeram de nossas terras brasilis um grande atrativo para os gigantes do luxo internacional.

Assim, foi extremamente interessante ouvir de alguns dos principais players desse setor no país sobre a cautela das grifes internacionais em se firmar em solo nacional. “Não vamos ser como a Rússia”, afirmou Natalia Klein, para explicar que as marcas de luxo não irão abrir várias lojas em diferentes pontos, e sim, ir crescendo aos poucos.

Sobre o e-commerce:

O terreno ainda é pouco explorado quando se fala em e-commerce no Brasil, até mesmo por razões culturais. O FFW acredita que o consumidor brasileiro ainda não tem o hábito de comprar on-line por uma série de fatores. Da falta de proteção à compra on-line, aos problemas de numeração, passando pelo fato de não haver possibilidade de devolução de mercadoria em muitos dos casos, até questões tecnológicas como a conexão precária, sem contar a ausência da experiência sensorial.

Contudo, não há como negar que é um segmento extremamente importante e de imensa abrangência. Muito mais do que uma simples loja virtual, os sites de e-commerce podem proporcionar uma verdadeira experiência de consumo, podendo oferecer um envolvimento com o consumidor muito maior do que uma simples visita à loja.

Sobre a alta taxa de importação:

O FFW concorda que os impostos sobre as mercadorias importadas são de fatos excessivos e em alguns casos até mesmo indevidos _vide pagar IPI sobre um produto que sequer foi produzido pela indústria nacional. Porém, enxergamos aí uma certa forma de proteção ao mercado interno e as pequenas marcas nacionais, que poderiam se ver extremamente prejudicadas por uma repentina invasão estrangeira. O assunto é delicado e merece ser analisado com cautela e responsabilidade para que ambos os lados não sejam prejudicados.

Sobre a palestra em geral:

Sentimos falta de uma abordagem mais ampla sobre os impactos do mercado de luxo, não só nesse segmento como no mercado de moda como um todo. Só como exemplo, depois que a Diesel chegou no Brasil, o preço médio das calças jeans sofreu considerável elevação.

Por mais que não se possa falar em concorrência direta, é impossível negar que a chegada das grandes marcas internacionais como Chanel, Hermès e outras mais, não causem mudanças na indústria nacional. Como disse Alexandre Birman, “a chegada dessas marcas estimula o desejo de consumo”, mesmo por quem não irá consumir tais marcas.

>> O que os convidados pensam:

Doris Bicudo (editora da revista RG): Essa entrada só tem pontos positivos, especialmente porque alavancam as marcas de luxo brasileiras (que embora tenham dito na mesa que não existam, elas existem sim), como Reinaldo Lourenço, Gloria Coelho, Maria Bonita e a própria NK Store, que são “de luxo” porque possuem essa preocupação com o “especial” para o cliente. Mas é claro que afeta as marcas brasileiras, sempre.

Jussara Romão (jornalista e editora de moda): Evidentemente estimula o mercado brasileiro a repensar, pois quando sozinho você se acomoda. O mercado internacional ensina o consumidor a enxergar um produto bom, e incentiva o nosso mercado a criar, pois antes vivíamos praticamente de cópia. Portanto, estimula o design brasileiro, e especialmente marcas que tem identidade do Brasil, como Isabela Capeto, Adriana Barra e Martha Medeiros, que são marcas que representam o Brasil. Outras marcas também muito boas, como Osklen e Alexandre Herchcovitch, já possuem uma imagem internacionalizada, e não tanto com a identidade brasileira, que traz o artesanato e o trabalho manual, por exemplo. Acho que esse caminho é o grande futuro da moda do Brasil.

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Pense Moda 2010: a irrelevância do conteúdo e o fim da internet?

24/11/2010

por | Moda

Colaborou Stephanie Noelle

Os The Hiltons Brothers deram a deixa, falando sobre o bombardeio de informação e a ansiedade constante que assola a sociedade contemporânea. A mesa de discussão com Guga Ketzer (da agência VP Loducca), Mateus Santos (da produtora Lobo), Felipe Teobaldo (do blog Neonico) e Paulo Martinez (da revista “MAG!”) serviu para dar continuidade ao assunto.

Mesa Debate (1)Felipe Teobaldo, Paulo Martinez, Katia Lessa, Guga Ketzer, Mateus Santos © Luciana Prezia / Divulgação

O foco da discussão, mediada pela repórter da “Folha de S. Paulo”, Katia Lessa, era sobre como ferramentas de internet influenciam e modificam a comunicação de moda. Em outras palavras, como marcas estão se relacionando com seus clientes e quais os melhores formatos para se comunicarem com o mundo e apresentarem suas coleções. Debateu-se a necessidade das marcas entenderem o mundo digital antes de adentrá-lo com a mesma abordagem dos impressos: conhecer melhor seu cliente/consumidor, para não simplesmente impor informações, mas sim torna-lo parte de uma estratégia de criação e comunicação.

A discussão ainda abordou assuntos polêmicos sobre como a internet mudou não só a forma de como as pessoas _e o mundo_ se comunicam, mas a maneira como pensamos, a falta de linearidade do pensamento fragmentado em 140 caracteres, mais vídeos e imagens sem fim.

Até o “fim” da internet foi anunciado para daqui 20 anos.

>> O que o FFW pensa:

Seja pela negligência da mediação ou pela atualidade do tema discutido, o foco se desviou muito do proposto. Ao invés de discutirem os reais efeitos da internet na comunicação de moda, o debate girou mais em torno das formas diferentes _e pessoais_ de se usar a internet e suas ferramentas.

Em 2008, na 2ª edição do Pense Moda, aconteceu o debate “Nova Mídias: a explosão e a importância dos blogs na imprensa contemporânea”. Em 2009, na então 3ª edição do evento, aconteceu uma mesa em torno do futuro das mídias. O assunto, então, não é novidade para o evento, muito menos para seus convidados e participantes. Sendo assim, ficou no ar a pergunta: por que discutir o mesmo assunto de novo? E por que agora?

Talvez seja pela real complexidade, talvez pelo esvaziamento que todo esse imediatismo + sobrecarga de informações gera na sociedade, ou simplesmente porque “estamos discutindo a contemporaneidade, ainda dentro dela”, como disse Felipe Teobaldo. Sem distanciamento temporal, sem abstração, não há como avaliar nada com precisão. Daí a dificuldade de compreensão de tudo isso. Como disse Franca Sozzani em entrevista exclusiva aqui no FFW: “A moda precisa de tempo”. Tudo precisa de tempo.

O FFW concorda com Paulo Martinez, que falou com muita propriedade _e bom humor_ sobre a necessidade de acompanharmos a evolução: “Você precisa acompanhar essas mudanças, se não vira uma melancia podre na cabeça”. Mais ainda com as afirmações do fotógrafo Mario Daloia alertando para a constante e exagerada atenção ao formato, em comparação com o total descaso para o conteúdo.

Conteúdo é importante, sim. “Se você passa todo o seu tempo separando o lixo do que considera bom, como vai assimilar algo de fato?”, perguntou Paulo Martinez. A stylist Letícia Toniazzo falou sobre a atual superficialidade _e falta de inteligência_ que o excesso de informação pode trazer. Já Felipe Teobaldo, dos Neonicos, defendeu a tese de que o “conteúdo não importa” e decretou que em “cerca de 20 anos a internet vai acabar”.

Estar exposto a tudo que existe na internet não significa assimilar o conteúdo de fato. Ler centenas de feeds por dia não significa compreensão, entendimento ou digestão das informações.

De que adianta ser apenas um “vomitador” de dados pré-fabricados sem um ponto de vista elaborado ou uma opinião consistente?

No fim das contas, o meme E.T. Bilu é que está com a razão: terráqueos, apenas busquem conhecimento.

>> O que os convidados pensam:

Sobre a mesa de discussão com o tema: Ferramentas de internet renovam a comunicação de moda.

Jackson Araújo (consultor criativo): A discussão foi muito válida e me senti representado, pelo menos um pouco, em cada fala dos participantes. Mas no final a minha conclusão foi a mesma com que cheguei: a moda precisa entender as convergências (com as novas tecnologias). Como essa rapidez da internet a moda ficou velha, e o grande desafio dessa banalização toda é conseguir surpreender e ter “ineditismo”, porque sem ser inédita, a moda deixa de ser moda.

Jorge Wakabara (editor do blog Lilian Pacce): Talvez a discussão tenha se perdido, porque é diferente como a gente (pessoa física) usa a internet e como as marcas e mídias lidam com a internet. E na discussão acabamos presos nessa história do “eu”, e sinceramente, tanto faz como cada um usa a internet. Mas a questão é como as marcas e mídias podem ser atraentes e presentes nesses meios. E acho que tem marca que não precisa, porque não tem a ver com ela, e com o público-alvo dela. Então tem que haver um estudo, uma pesquisa, pra ver se vale a pena pra marca estar presente (e atraente) na web. A gente tem muito que caminhar e entender, porque podemos ter dois cases de sucesso, mas existem 20 mil de fracassos.

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