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Resumo #SPFW inverno 2011: do real ao virtual nos desfiles do dia #2

colagem© Romeu Silveira

O que vale mais: forma ou conteúdo? É essa a pergunta que ficou  num dia que trouxe desfiles que prezavam pelos dois extremos. É fato que a internet, com toda sua abrangência e aparente democracia, proporciona infinitas possibilidades para o modo como se apresenta comunica moda. Mas depois de um dia cheio daquela a emoção do ao vivo, aquela que se sente aos suspiros e mini-aplausos, as maravilhas tecnológicas de repente parecem à anos luz da paixão _humana_ que faz com que um simples terno todo desconstruído e recortado ganhe proporções jamais imaginadas.

Embarcando na onda digital, a Ellus trocou sua passarela tradicional por uma tecnológica . Para o inverno 2011 os convidados da marca sentaram-se em uma pequena sala de cinema, com direto a pipoca e óculos 3-D. A coleção ao invés de ser apresentada em diversas modelos, vem com uma só, Aline Weber, estrela do vídeo assinado pelo fotógrafo Jaques Dequeker e Marcos Mello. Caminhando por uma passarela cercada por arcos de luzes neon, mostrou looks de silhueta próxima ao corpo, jeans resinados e aquela pesquisa têxtil que vem pautando as coleções. Para dar conta da ausência de toque, os convidados puderam olhar peça a peça em araras num camarim, após a projeção.

Valeu a pena por abrir caminho para esse tipo de apresentação aqui no Brasil. Algo até então inédito nas fashion week tupiniquins, os filmes de moda mostram-se como boas alternativas e ainda com muito potencial a ser explorado. Agora, se chegam substituir a passarela, aí já é outra história.

É difícil imaginar se alguma câmera seria capaz de captar de forma completa toda maestria técnica de Lucas Nascimento e seus tricôs para Ghetz _confecção de socorro que resolveu investir no estilista, em troca de uma coleção. Ou então, se algum fillmmaker seria capaz de levar para as imagens a emoção lúdica que a Dudu Bertholini e Rita Comparato colocaram em cena com suas poses e looks que misturavam surrealismo _uma coisa Elsa Schiaparelli encontra Neon_ com conceitos de elegância e feminilidade. Mais ainda, chega parecer impossível que vídeo algum dê conta de expressar tão intensamente toda emoção que tomou conta da platéia a cada entrada _única, dupla ou tripla_ do inverno 2011 da Amapô.

Numa verdadeira efusão _ou seria explosão?_ criativa, Carol Gold e Pitty Taliani mostraram uma verdadeira cacofonia de estilo. Inspirações e referências mil se encontravam num caos delicioso, em que a alfaiataria é desconstruída de maneira esperta e divertia _golas da camisa deslocadas para a barriga ou ombro, as lapelas dos ternos e fazendo cintos de gravatas ou recortadas e trançadas, várias camisas em uma_ e o tricô surge numa loucura de vários pontos e fios numa mesma peça.

Tudojuntoaomesmotempo.E como dá certo! Mais afiadas do que nunca, conseguem ainda dar certo apelo comercial as suas peças, principalmente no poderoso masculino que domina a coleção. Calças justas _os jeans em modelagem torcida são maravilhosos_, blazeres com recortes de tecidos, camisas e camisetas com ótimas estampas, dão conta dessa ala.

Verdadeira materialização de um processo criativo que flui de forma orgânica _ou cósmica, como prefere Carô. Ideias, desejos e sentimentos acumulados ao longo do tempo, encontrando-se numa quebra-cabeça-loucura, onde tudo (ou quase) é possível _até paetê tridimensional. Daí aquela sensação de síntese de todos os trabalhos já apresentados. Uma maturidade de estilo implícita, sem se levar muito a sério que cheda de forma quase que natural e despercebida.

Alexandre Herchcovitch foi outro que fez valer o formato convencional de desfile. E ainda olocou seus convidados para ver tudo de bem perto, numa estreita passarela. Proximidade que também aumentou a tensão, quase um desconforto proposital, sobre suas roupas embaladas num clima denso, reforçado pela trilha de Max Blum.

Para o inverno 2011 Alexandre quis falar de rochas vulcânicas, magma, vulcões, sedimentos de rocha; a força violenta da natureza. Retomando as imagens góticas que tanto já permearam seu inverso, fala de um romantismo pesado, repleto de emoções, porém agora contidas. Aprisionadas à alta-pressão, prontas para explodirem como um vulcão prestes a entrar em erupção. Aprisionadas como os braços que se prendem ao corpo por alças laterais ou então costurados aos lindos e sóbrios vestidos e capas que encerram a coleção. Quando extravasam, vem em formas de rendas, alguns poucos pedaços de pele à mostram, ou então na aplicação de pérolas sobre o tricô.

Sua excelente alfaiataria vem trabalhada em peças de silhueta longas, barras que se arrastam pelo chão, calças desconstruídas, saias assimétricas, mangas amplas e um constante uso de capaz que só reforça todo o clima. Tecidos pesados, capuzes e rendas também vem com o mesmo fim tendo num amarelo fluo, pontos de luz que contrastam com a dominância do preto, sempre muito texturizado ganhando ainda mais força.

O dia teve ainda o lindo desfile de Reinaldo Lourenço, que para esta temporada deixou suas formas arrojadas de lado, dando preferência por uma certa sofisticação e glamour retrô, dignas de festas prives dos anos 1930. Vem daí as formas alongadas, os decotes nas costas e elegância onipresente da coleção. Calma, simples e chique ao estremo. O melhor, contudo, vem na excelente desconstrução da alfaiataria. Blazeres de smoking vem reinterpretados de modo que se transformam em coletes, estolas ou simples maxi gola. O couro aparece como contraponto, dando um pouco de força sensual quando usada em finas tiras nas costas, ou então dando pesos a algumas peças.

Resumo #SPFW inverno 2011: do real ao virtual nos desfiles do dia #2

Resumo #SPFW inverno 2011: filas, texturas e Escandinávia no dia #1

via @luigi_torre

resumao©Romeuuu

E a fila, hein? Já passou lá? Tá tranquilo? Pegou tudo?

Tudo bem que o primeiro desfile estava marcado só para às 17h30, mas bem antes disso o movimento fashionista na Bienal  já era intenso. Tudo porque para esta edição o esquema de distribuição de convites sofreu algumas alterações. Ao invés de receber os convites em casa ou na redação como antes, agora toda imprensa que cobre o evento precisa retirá-los pessoal e diariamente num “check-in” localizado na sala de imprensa.

E as mudanças não param por aí. As disposições das salas também foram alteradas, o que deixou os transeuntes _principalmente aqueles acostumados com a planta antiga_ desorientados nas primeiras horas do evento. Mas passou.

Ah, e tem a entrada nova. Em nova localização e com uma mega passarela sobre um grande espelho d’água. É bonito, mas tem gente já sentido o drama de caminhar todo o percurso durante os seis dias de evento _ainda mais quando se chega atrasado.

Mas vamos aos desfiles. O 1º dia de SPFW começou com Raquel Zimmermann (mais uma vez) para a Animale. Mas se o casting com a top se mostra repetitivo, a coleção foi bem o oposto. Embarcando na atual onda minimalista, Priscilla Darolt eliminou os excessos de sua imagem, mostrando experimentos têxteis muito mais focados _e eficientes.  Quem sai ganhando com isso é a consumidora final, que agora passa a enxergar na sede de inovação da estilista algo possível para seu guarda-roupa. E isso sem desagradar a ala fashionista ávida por poderosas imagens de moda.

O melhor fica por conta do excelente trabalho com tricô _agora em lã de alpaca. Texturas diferentes numa mesma peça aparecem ora geométricas, ora quase como um degradê texturizado. A alfaiataria continua em lugar privilegiado, agora numa série de peças híbridas como no macacão com recortes na cintura para dar a ilusão de 2 peças separadas, ou então nos coletes que se fundem aos vestidos até se tornarem abas.

Na Tufi Duek foi o design escandinavo que serviu de inspiração para Eduardo Pombal. Saem da decoração e desenhos das casas de Estocolmo os traços puros que definem as formas de seu inverno 2011. O constante uso de madeira e os ótimos acessórios em cobres também encontram ali suas raízes. As formas seguem estruturadas, mas com volumes calmos, geralmente nas saias, ora com cintura bem baixa ou marcada no lugar. Texturas por toda parte dão vida a moda minimalista que Pombal tanto gosta e que agora parece mais adequada do que nunca. Destaque para os couros e os paetês bordados aos montes conseguindo visual de pele animal.

Se há 3 temporadas Pombal deu início a uma nova fase na Tufi Duek, agora é como se essa nova etapa ganhasse literalmente sua assinatura. Sem “assombrações” do passado, ou imposições de um certo estilo minimal-sofisticado de ser, o estilista apresenta-se bem à vontade e completamente seguro sobre os rumos que pretende tomar.

E como filho de peixe, peixinho é, situação bem similar acontece na Triton. Da alfaiataria vem o clima colegial, aqui trabalhado com uma vontade ser descolada. Do overload de informações das grandes cidades _principalmente Nova York_ vêm as estampas exclusivas, os brilhos e o grande mix de referências traduzidos em ótimas sobreposições do afiado styling de Daniel Ueda.

Com cartela de cores inteligente _misturando neutros com rendas flúo ou peças de brilho furta-cor_, proporções acertadas, bons básicos _ calças secas, camisas de corte clássico e paletós e casacos de diversos tamanhos; saias assimétricas; vestidos e paletós com a cintura marcada_ Karen Fuke e equipe atingem um clímax que há tempos vinham buscando: um status cool descolado na medida certa. O que isso significa? Bem, que com peças capazes de agradar os consumidores de massa, conseguiram criar imagens bem interessantes, até para os editores mais exigentes.

E para dar um pouco de drama neste primeiro dia teve ainda o desfile de Samuel Cirnansck. A apresentação abre com vídeo assinado pelo diretor Dácio Pinheiro, em que uma menina perdida e assustada corre por uma floresta à noite. O curta serve de pano de fundo para coleção inspirada nas esculturas de galhos de Patrick Dougherty e nas imagens macabras do artista Mark Ryden.

Resumo #SPFW inverno 2011: filas, texturas e Escandinávia no dia #1

Alta-costura verão 2011: estilistas da Valentino dão início a nova fase na maison

valentino-couture-ss2011-runway-020_172454814926Leveza _e uma aparente ausência de ornamentação excessiva_ foi o que Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli quiseram trabalhar no verão 2011 de alta-costura da Valentino. E como deu certo. Para embalar todo esse clima delicado e feminino a dupla apostou numa leve pegada 70s, de onde vêm os vestidos longos, os bordados de borboleta e estampas florias lavadas e as várias rendas. Golas altas, babados pontuais e um constante romantismo nada forçado apontam para aquele mesmo caminho jovem que a dupla vem apostando nas últimas coleções.

A diferença agora é que os estilistas se mostram mais livres, sem o fantasma dos arquivos que os pressionavam em seus primeiros trabalhos para a grife. Assim, seguem seguro no caminho que já se mostra certeiro e lucrativo entre garotas como Alexa Chung, Astrid Muñoz e Giovanna Battaglia. Eliminam ainda mais laços e babados desnecessários que antes se faziam obrigatórios, adotam uma constante transparência sensual, ao mesmo tempo que ingênua, dando assim, início a uma nova fase para maison Valentino.

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Alta-costura verão 2011: estilistas da Valentino dão início a nova fase na maison

Alta-costura verão 2011: Chanel mostra coleção delicada e feminina de olho na “vida real”

Chanel-Spring2011Couture-37_101735705845Delicadeza e feminilidade são as duas palavras de ordem nesta temporada de alta-costura. Na Givenchy, por exemplo, elas vieram trabalhadas com tamanha preciosidade que deixaram os vestidos mais apropriados para galerias e museus do que para guarda-roupas reais. Já para Karl Lagerfeld na Chanel, serviram como pré-requisito para o desafio de fazer de toda grandiosidade dos ateliês de couture, algo adequado para o closet _e a vida_ da mulher contemporânea.

Simplicidade não é um adjetivo que se associa a criações de alta-costura com facilidade. Ainda assim, é o que melhor se adequa a mais recente coleção apresentada por Lagerfeld. Nela, o kaiser aplica toda expertise dos ateliês da Chanel em formas das mais básicas, como a de uma simples camiseta. Estas vêm sobre jeans justos, em cores lavadas ou todo paetizados, encobertos por faixas de tecidos amarradas na cintura ou saias evasês ou vestidos retos onde tweeds levemente coloridos e ricos bordados se fazem mais presentes.

Pé no chão literal e metaforicamente. Em parte pelas sapatilhas com tiras elásticas transparentes, em parte pela forma pela qual Lagerfeld transporta um universo antes restrito aos salões mais exclusivos para um, em tese, possível. Se geralmente alta-costura imprimia saias de volumes dos mais absurdos e ornamentos dos mais brilhantes, aqui o caminho é o inverso. A exuberância fica por conta dos ricos bordados, que se adequam perfeitamente às roupas práticas para mulheres reais _ainda que realmente ricas.

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Alta-costura verão 2011: Chanel mostra coleção delicada e feminina de olho na “vida real”

Alta-costura verão 2011: Jean Paul Gaultier e suas dançarinas de cancan punk

gaultier-couture-ss2011-runway-009_124036251644Talvez porque ele tenha deixado a direção criativa da Hermès, podendo concentrar-se totalmente em sua própria marca. Talvez pela pesquisa que fez para exposição de seus 30 anos de carreira que abrirá este ano em Montreal, no Canadá. Ou foi simplesmente um daqueles momentos em que uma chama de paixão antiga, misteriosamente é reacesa, trazendo toda energia e emoção à tona novamente.

Quando Jean Paul Gaultier uniu para seu verão 2011 de alta-costura o punk ao cancan. Metaforicamente o tema sugeria outra união ainda mais forte: a irreverência que marcou o início da carreira do estilista, com seu amor pelo melhor do estilo francês _aquele leve excesso e a sensualidade onipresente. Assim, vinham seus looks. Quase como personificações únicas trazendo reinterpretações de trenchcoats, agora com camadas de tule tipo fru-fru das dançarinas do Moulin Rouge. Uma alfaiataria tão perfeita que só mesmo o mais habilidoso couturier conseguiria transformar em um macacão como o do segunda entrada. E depois veio todo o resto: a lingerie, a corseteria e até as listras navy em um absurdo vestido usado pela new top model Lindsey Wixson, todo em alto relevo. Ah, tudo decorado com espinhos e taxas no melhor estilo punk.

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Alta-costura verão 2011: Jean Paul Gaultier e suas dançarinas de cancan punk

Alta-costura verão 2011: Armani viaja ao espaço em sua linha Privé

ArmaniPrive-Spring2011Couture-32_095135236875Desde que Giorgio Armani incluiu a musa do pop Lady Gaga em sua lista de clientes, o estilista italiano acabou sendo engolido pelo seu mundo de imagens futuristas. Se não foi devorado, viu ali todo um caldeirão de referências fascinantes que, desde então, ele tem trabalhado fervorosamente. Só isso já dá conta de explicar os tecidos tecnológicos _uma mistura de seda com náilons_ que deram brilho cibernético ao verão 2011 de sua linha Privé.

Brilho e forma, aliás, já que além desse tonalidade furta-cor-reluzente, o estilista aproveitou o material para modelar as mais esquisitas formas tanto em seu daywear como nos looks de festa, que muitas vezes pareciam divididos em 2, ou flutuando sobre o corpo plastificado. E aí até podem apontar uma certa nostalgia do experimentalismo space age dos anos 1960. Ou então falar que foi uma reedição especial de suas formas marcantes lá dos 1980. Seja como for, pelo menos foi diferente.

Ainda que focado no universo Gaga, Armani deixou um pouco os tons neutros de lado, assim como aquela alfaiataria super elegante do verão passado, para abraçar novas possibilidades, novas formas e tecidos. Um risco, de fato. Um risco que talvez não agrade tanto suas fiéis clientes que garantem a onipresença da marca nos principais tapetes vermelhos do mundo pop. Mas também, com uma clientela tão fiel, por que não aproveitar a passarela para uma pequena experimentação?

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Alta-costura verão 2011: Armani viaja ao espaço em sua linha Privé

Alta-costura verão 2011: Givenchy faz apresentação intimista e repleta de detalhes

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Ainda é possível identificar os traços góticos, a silhueta alongada e aquele romantismo dramático que vem marcando as coleções de Riccardo Tisci para a Givenchy. Porém, há algo de novo nessa mais recente coleção de alta-cosutra verão 2011 que o estilista apresentou para apenas alguns membros da imprensa e clientes mais do que especiais. Algo extremamente delicado e precioso.

Seguindo o formato intimista de apresentação que iniciou na temporada passada _pelo menos para as coleções de alta-costura_ Riccardo Tisci novamente deixou a passarela de lado, optando por um formato que permitia uma inspeção minuciosa de cada de look, com direito até ao toque. Formato que permitiu aos presentes conferirem todos os microdetalhes, como as pérolas envoltas em georgette de seda, os paetês opacos que formam falsas estampas e mais uma infinidade de delicadezas que transformam esta coleção numa das melhores já apresentadas por Tisci.

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O ponto de partida foi Kazuo Ohno, ícone da dança Butoh japonesa que morreu ano passado aos 103 anos. Vêm daí, então, todas as referências,  como os ombros marcados tipo delicadas armaduras, os motivos de aves que parecem ganhar vida nas costas e as transformações em cima do clássico obi oriental (faixa de tecido usada para amarrar quimonos e vestidos). Quase todos em tonalidades neutras, os vestidos ganham força com pontos fluorescentes nos ombros e, principalmente, nas costas.

Mas se a dança em si tem algo de sombrio, girando em torno da dor, a coleção vem quase na direção oposta. Talvez com um pouco da dramaticidade nas transparências e formas alongadas, ou nas ornamentações que chegam a acumular um total de 4.000 horas de trabalho manual. Justamente por isso, por toda essa preciosidade que só a couture pode proporcionar, os apenas 10 looks apresentados ganham exclusividade máxima.

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Alta-costura verão 2011: Givenchy faz apresentação intimista e repleta de detalhes

Alta-costura verão 2011: Galliano dá vida às ilustrações de René Gruau

Dior-CoutureSpring2011-19_162711700127Começou nesta segunda-feira (24/01) a temporada de alta-costura para o verão 2011.

Os traços poéticos do ilustrador de moda René Gruau abriram a temporada e serviram de inspiração para John Galliano, na Christian Dior. Foi ele, René, que no pós-guerra ajudou a dar vida as criações de Monsieur Dior, numa das primeiras campanhas da grife.

Não surpreende então que, para sua mais recente coleção, Galliano continue focado naquela silhueta típica dos anso 50. O New Look vem aqui reinterpretado em inúmeras variações de modelos com cintura marcada, saia geralmente ampla e volumosa e tops quase sempre revelando ombros e colo. Para o dia, algumas saias se ajustam ao corpo, assim como algumas jaquetas de golas e lapelas levemente estruturadas. Porém, no geral, são os volumes _aqueles quase orgânicos e sempre reforçando valores femininos_ que dominam a coleção. Principalmente na parte “festa”, onde Galliano não mede esforços nas ornamentações que vão desde penas de avestruz até os mais intricados bordados.

Mas assim como só uma mão habilidosa poderia dar vida a uma representação de modelo couture nos anos 50, só o minucioso trabalho manual de costureiras e bordadeiras seria capaz de traduzir o maravilhoso jogo de claro e escuro de Gruau para vida real. É justamente nesse ponto que a coleção ganha força. Num degradê preciso de cores _quase como evolução ou continuação dos tingimentos do inverno 2010_ Galliano transporta para looks de cintura marcada toda uma preocupação com a feminilidade, ora misteriosa, ora romanticamente sensual.

Some-se a isso o desenho das roupas + os chapéus parecendo traços ou pinceladas. Se não inovou, pelo menos cumpriu o papel de enaltecer o rico histórico da maison.

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Alta-costura verão 2011: Galliano dá vida às ilustrações de René Gruau

O masculino de Paris e a busca por uma nova forma de elegância

RICKRAFDRIESLANDIOR© Romeuuu

Se os desfiles masculinos de Milão pareceram algo sem sentido, os de Paris foram bem o oposto. A alfaiataria pode continuar no centro das atenções, mas ao invés de tentar re-inventá-la, estilistas estavam mais preocupados em usá-la como meio para um outro fim: a busca por um novo conceito de elegância.

Conceito que independe de qualquer associação com idade, como Yohji Yamamoto deixou bem claro em seu casting de diferentes tipos físicos e faixas etárias. Como denominador comum nessa ode à variedade/individualidade vinha sua mais que perfeita alfaiataria, agora em formas amplas, como nas ótimas calças e blazeres oversized. Em tecidos pesados, como tweed, traziam um certo rigor, porém suavizados e até sensualizados pelo caimento das formas que se afastam do corpo, quase que num misto de proteção com conforto.

Na Lanvin, Lucas Ossendrijver e Alber Elbaz tiveram questionamento similar: como falar de uma elegância atrelada ao conceito e universo jovem? A resposta veio num hibridismo perfeito entre as formas e tecidos da alfaiataria pensados e usados como se fossem do sportswear. Sem qualquer ornamentação aparente e silhueta alongada, a imagem trazia uma completa pureza visual, onde nem mesmo botões tem espaço _casacos e camisas são fechados por imãs escondidos no interior das peças.

Calças de modelagem ampla, blazeres de corte perfeito, levemente ajustados ao corpo e chapéus falavam _com toda sensibilidade peculiar dos estilistas_ de um dandismo contemporâneo, onde passado, presente, novo, velho, causal e formal sem encontram como algo totalmente novo, sem quaisquer amarras com algum desses conceitos.

Essa mesma silhueta alongada ganha fluidez na Dior Homme, onde Kris Van Assche parece cada vez mais em sintonia com o universo da maison. Dando continuidade a coleção de peças esvoaçantes do verão passado, para o inverno 2011 o estilista buscou trabalhar o mesmo efeito, porém com tecidos ditos mais invernais. O efeito fluído vem com as sobreposições de casacos e capas de pegada minimalista, sobre os famosos ternos, agora combinados com ótimas calças de pernas largas, estendendo-se até o chão. Toda monocromática, com pitadas de vermelho, Van Assche trouxe um certo drama para coleção, que junto com os chapéus de abas largas exalava as referências da cultura Amish _onipresente na temporada.

Definir a elegância pela decadência, por mais complexo e paradoxal que possa parecer, foi exatamente o que fez Rei Kawakubo em sua Comme des Garçons. Combinou blazeres e casacos de corte preciso com maxi calças _ou até saias_ de seda estampada que se alongavam até o chão.

Dries Van Noten foi pelo caminho inverso, buscando falar de um glamour masculino, sem que para isso precisasse de quaisquer elementos femininos. Vem daí sua alfaiataria rigorosa, em tecidos texturizados com extremo foco nas golas _rígidas ou volumosas em pele. Blazeres de ombros marcados, sobre calças amplas traziam quase que um duelo de oposto, melhor caracterizado no look de jaqueta de smoking creme + calça cargo. Ah, e tudo isso com uma ótima beleza à la David Bowie deixando todo conceito de glamour ainda mais latente nessa excepcional coleção.

Porém, quem talvez tenha se aproximado melhor de uma resposta _plausível e coerente_ sobre o que define a elegância no século 21 seja o belga Raf Simons. O conceito por trás de sua coleção falava da necessidade de abandonar a nobreza para abraçar a geração Facebook, porém sem deixar o hype do nome ofuscar o artesanato. Pode parecer complexo, mas na prática faz perfeito sentido.

Assim como no verão 2011 que apresentou para Jil Sander, Simons concentrou-se aqui no estudo sobre as formas. Casacos de ombros arredondados, fechamento traseiro (tipo vestes de hospital) e calças amplas combinadas com suéteres ajustados ao corpo, falavam de uma elegância nada óbvia, jovem e 100% voltada para o presente. A essência da moda masculina mergulhada nas formas da alta-costura de maneira totalmente possível.

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O masculino de Paris e a busca por uma nova forma de elegância

Perdeu o masculino de Milão? Contamos quais foram nossas coleções favoritas

A semana de moda masculina de Milão terminou na última terça-feira (18/01)  sem deixar grandes marcas. Confusas com o turbilhão de informações que assola a mente do consumidor nesse pós-recessão, grifes focaram-se em peças simples com modelagens descomplicadas. De olho no consumidor de fato e não em arquétipos masculinos que dificilmente encontrariam seu modelo real, deixaram as inovações de lado e debrussando-se sobre questões como qualidade e herança.

Elementos comuns foram um certo senso de conforto, com peças em modelagens amplas e tecidos com qualidade no toque; um flerte constante com um mundo dos esportes, tendo as “track suits” (calças com ajuste elástico no tornozelo) como item favorita; e novamente uma enorme atenção as cores vibrantes em contraposição aos eternos neutros. Mas qualquer conexão maior entre as grifes nesse sentido poderia parecer forçoso e sem qualquer fundamento de fato. Sendo assim, listamos abaixo nossas coleções favoritas.

MILANO© Romeu Silveira

Umit Benan

O estilista turco vem se mostrando um dos hot tickets da temporada masculina. Dessa vez fez a apresentação mais bem comentada da fase milanesa do circutio fashion, mostrando uma visão bem peculiar sobre o universo e uniforme dos banqueiros de Wall Street _tema recorrente nesta estação. Com Patrick Bateman (o Psicopata Americano) em mente pensou num homem obsecado por si mesmo, e daí criou ternos que traziam blazeres de ombros marcado à la anos 1980, calças com um ótimo gancho mais baixo e camisas com caudas ou mangas amplas. Alterações pontuais e discretas sobre clássicos, porém feitas com inteligência e originalidade, são pontos que só somam em sua promissora carreira.

Marni

Sem dúvida uma das melhores coleções masculinas que a Marni já apresentou. Inspirada nas roupas de operários, trouxe tecidos de aparência pesada, imprimindo uma proporção super desejável _calças mais curtas, com cintura super alta + blazeres e casacos curtos. As estampas são o meio pelo qual as cores se fazem presentes, quebrando a neutralidade que domina a coleção. Interessante o modo como a estilista Consuelo Castiglioni conseguiu dar leveza e contornos atuais à referências e imagens tão pesadas.

Prada

Sem aquele efeito de choque e sem toda a perversão e sexualidade de coleções passadas, Miuccia Prada apresentou um inverno que brincava com proporções um tanto esquisitinhas bem ao gosto da marca. Casacos e blazers de proporções aumentadas ao extremo, com maxi ombros e mangas que só deixavam as pontinhas dos dedos de fora, sobrepunham-se a pulls de lurex, as vezes com padrões art decó e calças estranhamentes curtas, terminando logo abaixo do joelho com meia 3/4 logo em seguida. É esse híbrido de alfaiataria com esporte que fica como principal destaque na coleção.

Alexander McQueen

O primeiro masculino inteiramente com a mão de Sarah Burton não decepcionou. Bem pelo contrário, falou de traços essenciais da grife como a paixão pelo estilo inglês, aqui traduzido desde veste militares da Era Napoleônica, até um certo dandismo meio Oscar Wilde. Mostrou uma grande sensibilidade ao trabalhar todo repertório histórico tão importante para McQueen, sem perder o foco na atualidade. No meio disso tudo conseguiu ainda imprimir seu estilo mais suave e menos agressivo _daí a ausência daquele estranhamento e as vezes repulsa que acompanhavam as apresentações do estilista falecido ano passado. Uma das melhores sacadas são as aberturas nos ombros dos blazeres _cheio de significados escondidos_, a alfaiataria impecável, bem nos moldes tradicionais, e os bons flertes com o sportswear, como nas boas calças com ajustes no tornozelo.

Neil Barret

O estilista vem ganhando bastante destaque nas últimas estações e para o inverno 2011 apresentou uma das melhores coleções da temporada. Sua apresentação começa com um contraponto entre casacos afastados do corpo e leggings quase futurista, mas logo caminha por um caminho responsável por dar fresco a seu repertório. Olhando para o passado militar de seu pai e avô, aumenta o volume de suas peças, dando força a golas revestidas por pela de ovelha e prendendo as calças _agora numa vibe meio utilitária_ por dentro de botas tipo coturno.

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Perdeu o masculino de Milão? Contamos quais foram nossas coleções favoritas