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Bonecos gigantes de Olinda desfilam looks de estilistas do SPFW

Desfile de bonecos gigantes de Olinda com look de Walério Araújo

Na quinta-feira (02.02), em frente à Prefeitura de Olinda, aconteceu um desfile de moda bem inusitado. Havia passarela, plateia, fotógrafos e roupas assinadas por estilistas famosos, mas, no lugar das modelos, estavam os conhecidos bonecos gigantes de Olinda. Eles vestiam criações de João Pimenta, Amapô, Neon, Totem, Ronaldo Fraga, Cavalera e Melk Z-Da, integrantes do line-up do SPFW, e de Walério Araújo, da Casa de Criadores, com acessórios Elisa Stecca.

Os looks maximizados foram criados inicialmente para um editoral da “ffwMAG” #29, lançada durante o SPFW (com venda no Nordeste a partir de 08.02, na Dona Santa), e que teve como tema “Pernambuco: Beleza em um Estado Bruto”. Sílvio Botelho, “pai” dos bonecos gigantes de Olinda, topou a ideia de colocar seus bonecos para ser os modelos, em parceria com a Secretaria de Patrimônio e Cultura de Olinda e apoio da Kalimo. O desfile, aberto ao público, foi organizado pela Prefeitura de Olinda.

Confira na galeria abaixo as imagens do desfile dos bonecos gigantes:

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Look da Amapô

Bonecos gigantes de Olinda desfilam looks de estilistas do SPFW

Estilista Jonathan Saunders vence prêmio do British Fashion Council

Jonathan Saunders ©Reprodução

Há três anos, o British Fashion Council e a revista “Vogue” se uniram para criar o “Designer Fashion Fund”, premiação que visa ajudar jovens talentos residentes em Londres. O vencedor da edição deste ano, anunciado na última quarta-feira (01.02), foi o estilista escocês Jonathan Saunders, que foi laureado com a quantia de £ 200 mil (aproximadamente R$ 545 mil) e um plano de 12 meses de consultoria financeira desenvolvido especificamente para que sua marca converta-se em um negócio de moda global.

Jonathan Saunders, que concorria ao “Designer Fashion Fund” com nomes expoentes como Marios Schwab, Mary Katrantzou, Meadham Kirchhoff, Nicholas Kirkwood, Peter Pilotto, Richard Nicoll, Roksanda Ilincic e Zoe Jordan, nasceu em 1977 na Escócia em uma família extremamente religiosa. Contrariamente à vontade de seus pais, que planejam para o jovem Jonathan um futuro ligado à carpintaria e desaprovavam materialismos e frivolidades, ele optou por se graduar em Estamparia na Glasglow School of Art, em 1999. Logo depois, o estilista se mudou para Londres, onde concluiu em 2002 um mestrado (também em Estamparia) na famosa Central Saint Martins. Pouco mais de um ano e meio depois, no Outono/Inverno 2003/2004, Jonathan Saunders debutou nas passarelas da London Fashion Week com uma coleção que foi elogiada por veículos importantes como o Style.com e a “Vogue” britânica, que em janeiro de 2004 trouxe na capa Natalia Vodianova em um vestido bicolor do designer.

Capa da “Vogue” britânica de janeiro de 2004 ©Reprodução

O “Designer Fashion Fund”, no entanto, não foi o único prêmio na carreira já vitoriosa de Jonathan Saunders: em 2002, o escocês ganhou o “Lancôme Fashion Awards” por sua habilidade com as cores e, em 2006, ganhou o “Fashion Enterprise Awards” do British Fashion Council. Em 2009, foi eleito o “Designer do ano” pela Elle e, no ano seguinte, pelo “Scottish Fashion Awards”. Além dos títulos, Jonathan Saunders conquistou mulheres como Michelle Obama, Sienna Miller, Thandie Newton e a própria diretora da “Vogue” britânica, Alexandra Shulman, que se disse encantada com a vitória do escocês no “DFF”.

Jonathan Saunders Primavera/Verão 2012 ©Reprodução

Jonathan Saunders Outono/Inverno 2011 ©Reprodução

Após nove coleções apresentadas em Londres, Saunders desfilou por três temporadas na Semana de Moda de Nova York até retornar na Primavera/Verão de 2010 para a cidade que o acolheu desde o seu início como estudante. Além da direção criativa de sua marca homônima, o “colorista” escocês já prestou consultoria criativa para a Pucci, Chloé, Alexander McQueen e Pollini. Comentando o novo prêmio, Jonathan Saunders afirmou: “Estou muito feliz. Os últimos 12 meses foram muito emocionantes para mim e para a minha equipe e estou muito orgulhoso do trabalho duro que realizamos. Nós temos planos empolgantes para o futuro próximo e este apoio fornecido pelo BFC nos possibilitará alcançar nossas metas”.

Estilista Jonathan Saunders vence prêmio do British Fashion Council

Filmes clássicos ganham versão retrô em brincadeiras da internet

Pôster da série “E se…”, com filmes deslocados de seu tempo e elenco original ©Peter Stults/Reprodução

Não. Não são refilmagens ou reedições de cenas perdidas. São obras do novaiorquino Peter Stults, que criou uma série de cartazes de filmes contemporâneos como se tivessem sido lançados nas décadas de 50, 60 e 70. Inspirado pelo trabalho semelhante de Sean Hartter, que faz cartazes de filmes como se fossem de outra época e, às vezes, de outro gênero, Peter resolveu focar na mudança temporal e no elenco. A brincadeira despretensiosa poderia facilmente ter ficado na gaveta, mas na era da internet, com uma ideia envolvendo filmes cultuados e uma execução impecável, suas imagens rapidamente ficaram conhecidas e sua arte divulgada em diversos blogs e sites de cultura.

Obra de Sean Hartter, que inspirou Peter Stults ©Sean Hartter/Reprodução

É claro que a ideia de repensar filmes antigos, seja com cartazes, roteiros, novas produções e mudanças de gênero, não é nova. No entanto, o retrô nunca deixará de agradar aos fãs e inspirar novos artistas, como Aaron Wood, que saiu do anonimato ao criar pôsteres das redes sociais em um clima de guerra fria. Quanto ao vídeo, já mostramos no FFW a releitura sobre a vilania, feita pela “NYT Magazine”, contando com atuações de Brad Pitt, Gary Oldman, Viola Davis, entre outros.  Uma diferente e interessante abordagem surgiu em 2005, quando uma reedição humorística do trailer de “O Iluminado” (1977) virou hit no youtube.

“O Iluminado” (1977) Recut:

O vídeo foi criado para um concurso da AICE (Association of Independent Creative Editors), e acabou gerando uma febre entre os editores profissionais e amadores. Trailers apresentando diferentes temáticas para filmes clássicos, como a trilogia de “De Volta para o Futuro” (1985, 1989 e 1990), “Exterminador do Futuro” (1984) e “Mary Poppins” (1964), foram feitos. Para encontrá-los basta procurar por trailer+recut no youtube.

Veja abaixo os cartazes de Peter Stults e alguns de Sean Hartter:

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Pôster retrô de Peter Stults

Filmes clássicos ganham versão retrô em brincadeiras da internet

Lucas Barros: talento alagoano além das barreiras geográficas

Coleção “Baile!”, da AP401 ©Reprodução

O talento não tem endereço, idade ou sexo. É notório que no Brasil, assim como no restante do mundo, é quase que requisito essencial realocar-se nos grandes centros comerciais para chamar a atenção do mercado de moda, mas, aqueles dotados de verdadeira criatividade e habilidade, acabam por ascender e conquistar espaço, seja com a ajuda de pessoas que enxerguem além, ou através dos novos recursos de comunicação trazidos pela internet. Lucas Barros, criador e designer da marca alagoana AP401, é um desses talentos que transcendem as barreiras geográficas para desenvolver um trabalho carregado de beleza e nostalgia.

O estilista Lucas Barros, criador da AP401, em sua casa ©Carla Valois/FFW

Lucas Barros mostrou como estampa imagens a partir da técnica de serigrafia ©Carla Valois/FFW

Natural de Paulo Jacinto, município de Alagoas, Lucas Barros começou a dar vida às peças que hoje fazem parte da história da AP401 durante a faculdade de Arquitetura. O designer, que recebeu o FFW em sua casa durante uma tarde ensolarada de janeiro, contou que desde a infância era ligado ao desenho e à pintura, mas foi em consequência de um projeto da disciplina de Urbanismo que encontrou sua verdadeira vocação: o contato com a estética disforme, improvisada e quase kitsch do bairro da Levada, periferia de Maceió, deu a Lucas o fundamento visual para que ele fizesse o que mais ansiava: criar.

Diante das paisagens fragilizadas e consideradas desprovidas de beleza, Lucas percebeu que a necessidade desta população carente dava vazão a uma criatividade sem limites: “Queria transformar o “não belo”, o não desejado, em desejo, em algo sensível aos olhos de mais pessoas”. Utilizando-se de elementos dessa estética “imperfeita”, como texturas de fachadas, cerâmicas unidas heterogeneamente, paredes improvisadas e varais de roupas expostos, o alagoano montou um ateliê em seu apartamento e passou a confeccionar camisetas, sob o nome de “Orion Cstm”. Após duas coleções, no entanto, a marca de t-shirts passou a não suprir mais a inquietação criativa de Lucas.

Do fim da “Orion Cstm” nasceu a “AP401”: os princípios do improviso, espontaneidade e fragmentação continuavam dominando a criação de Lucas Barros, mas agora o designer estava pronto para desenvolver um variado número de peças, de vestidos a blazers, de calças às “velhas” camisetas. A primeira coleção sob o novo nome foi a de Verão 2010, lançada em outubro de 2009 e batizada de “A Minha Casa é um Apartamento”. As peças produzidas para essa temporada já revelavam o potencial de Lucas – com o auxílio da técnica da serigrafia, que o designer aprendeu a usar sozinho, as estampas lúdicas converteram-se desde o início em símbolo do trabalho artesanal da AP401.

Campanha da coleção “Santo”, de Inverno 2010 ©Reprodução

Logo se seguiu “Santo”. O Inverno 2010 da AP401 foi inspirado nas memórias afetivas e na infância de Lucas, ao lado dos pais e dos avós em Paulo Jacinto. Os dias de festa religiosa, as flores e as frutas que coloriam o jardim da avó e, sobretudo, o oratório da família, com imagens de santos no altar, deram vida à coleção que, nas palavras do criador: “Foi para mim, até hoje, a mais cuidada, minuciosa e especial. Talvez pelas memórias tão fortes que tomei para construí-la, talvez pelo tempo que levei para conceber as peças”. Na estação seguinte, para comemorar o aniversário de um ano da marca, Lucas tomou um caminho completamente diferente em seu processo criativo: o momento era de alegria, por isso a proposta do Verão 2011 da AP401 foi uma festa na floresta; árvores, folhagens, cavalos, pássaros, insetos, escamas e outros elementos lúdicos viraram estampas.

As coleções mais recentes, “Corpo” (Inverno 2011) e “A Ilha” (Verão 2012), foram desenvolvidas em cima de outras paixões de Lucas. A primeira, na biologia e no corpo humano; já a segunda resgatou velhas lembranças: “Lembrei-me dos passeios a cavalo que fazia com meus pais nos finais de semana para visitar duas tias e meus avós. Eles moravam em uma zona rural pertencente ao município de Mar Vermelho. A viagem a cavalo durava cerca de duas horas e a chegada era motivo de muita alegria, passávamos as tardes conversando à sombra dos cajueiros e a paisagem do agreste alagoano era tão linda, com muita vegetação verde e as trilhas em barro alaranjado”. A partir dessas memórias, das imagens valiosas trazidas por elas e da associação ao trabalho de outro artista local, Pedro Lucena, Lucas fez uma viagem ao povoado da Ilha do Ferro, no município de Pão de Açúcar, no sertão alagoano. Com a vivência empreendida no local, o designer montou sua cartela de cores e texturas.

Campanha da coleção “A Ilha”, mostrada em primeira mão pelo FFW ©Lucas Barros

Ao conversar também sobre questões mais práticas com o FFW, o alagoano disse que seus maiores objetivos no momento são o lançamento de sua loja online e conquistar pontos de venda em Recife e São Paulo, além de começar a criar acessórios e itens de decoração. Especificamente sobre o mercado de moda em Alagoas, Lucas afirmou sentir a ascensão que o segmento sofreu desde a época de sua marca de camisetas e que sua proposta, mesmo carregada de referências regionalistas e afetivas, conquistou o respeito e a atenção de veículos de nacionais: “O trabalho artesanal foi valorizado sem ser rotulado como apenas produto regional, gerando orgulho para o estado”. A história de Lucas Barros ainda é muito recente, mas seu talento é visível e incontestável.

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©Lucas Barros

Campanha da coleção ''Corpo'', exibida em primeira mão pelo FFW

Lucas Barros: talento alagoano além das barreiras geográficas

Embaixador de gigante francesa dos cosméticos fala sobre beleza e tendências

Viktor I, embaixador da L’Oréal Paris, no SPFW Inverno 2012 ©Felipe Abe

Viktor I, embaixador da L’Oréal Paris para o mundo desde 1999 e referência internacional em beleza, já trabalhou com nomes como as atrizes Charlize Theron e Liv Tyler. Nasceu em Angola e foi criado entre a África do Sul e Portugal, o que contribuiu bastante para enriquecer as suas referências culturais. Desde cedo Viktor I percebeu que seria um artista: vivendo em Portugal, observava um salão de cabeleireiro e repetia o que via nas amigas e familiares, que hoje podem se dar ao luxo de falar que já foram penteadas por um dos nomes referência no cenário de beleza atual.

Durante o SPFW Inverno 2012, o FFW conversou com Viktor I para saber como ele vê a beleza brasileira e qual a tendência para a próxima temporada.

Conte-nos um pouco sobre a sua carreira…

Comecei em Barcelona no instituto Llongueras, onde estudei e me formei e logo fui reconhecido por um diretor artístico da L’Oréal. Estagiei em Paris, na L’Oréal na Rue Royal, e depois fui para Londres. Lá fiz Vidal Sassoon e, como sou apaixonado por história da arte, fiz também um curso na Central Saint Martin sobre arte, beleza e costume, e a história que envolve o look de época até aos dias de hoje. Voltei a Portugal, entrei num concurso de novos talentos, ganhei, fui para os Estados Unidos e também ganhei, o que  foi uma realização muito grande. Voltei para Portugal e vim de férias ao Brasil. Cheguei, me apaixonei e cá estou há 20 anos muito feliz. (risos) Abri o Vimax Art Hair Beauty em Curitiba e em São Paulo há dois anos. Mesmo sendo embaixador da L’Oréal, não tinha a projeção que precisava pela imprensa, para a minha marca. Mas agora chego a São Paulo com o meu próprio esforço, o esforço que eu investi na minha marca. Em Curitiba ficou o meu sócio, o Ricardo, que cuida das coisas lá.

Como é o seu trabalho hoje e o que quer fazer no futuro?

Hoje sou embaixador da L’Oréal para o mundo, trabalho nas campanhas, feiras e congressos. Em 2009 fiz a campanha da L’Oréal Jardin Précieux que foi uma altura em que a L’Oréal começou a introduzir cores pasteis, e mais recentemente fiz a campanha da Majirel com a modelo brasileira Brenda Costa. Fui eu que escolhi a Brenda, porque ela representa muito bem a mulher brasileira. Já trabalhei com Liv Tyler, Charlize Theron, trabalhamos em vários desfiles, nas semanas de moda de Paris e Londres e agora estou chegando a São Paulo e espero que as portas se abram, o céu não é o limite. (risos) No futuro, quero investir na minha marca e ainda quero fazer muitos trabalhos incríveis.

Uma das imagens da campanha Jardin Precieux da L’Oréal, com beleza assinada por Viktor I ©Reprodução

Como vê a “beleza brasileira”?

A democracia dominou a moda. Hoje, o conceito é ter várias óticas para olhar para a moda e para a beleza. A beleza deixou de ser padronizada. E a beleza brasileira se encaixa nisso, por causa de toda a sua influência cultural. No sul as mulheres são mais loiras, no norte a influência africana é muito marcada e no centro tem mais influência oriental. Então essa mistura de belezas e estilos fizeram com que a mulher brasileira, depois do fenômeno Gisele, emplacasse e hoje nove das dez mulheres mais bonitas do mundo são brasileiras. Elas trazem um allure, uma beleza que vira tendência mundial. Os cabelos, as cores, tudo.

E como isso se reflete na L’Oréal?

Hoje por exemplo, a L’Oréal fala de “balneário Copacabana”, enquanto que antes na Europa, falavam da Riviera, Saint Tropez, e todos os outros balneários da Europa. Hoje, a mecha que reflete a personalidade da mulher que gosta de se cuidar, de highlights e de cor, é Copacabana. Em uma marca como a L’Oréal, que é das maiores marcas de beleza do mundo, o Brasil é o terceiro mercado mais importante, mas até o final do ano esperamos melhorar a nossa posição. O Brasil hoje dita moda e vende estilo e conceito para todo mundo usar.

Qual considera a tendência de beleza para 2012?

Tendência como lançamos na passarela é o comprimento até ao ombro, o shoulder length. Este é o look dominante porque permite à mulher versatilidade para poder criar vários estilos para ser a mulher camaleônica que ela precisa ser nos dias de hoje. A mulher hoje acorda de um jeito, almoça de outro, lancha de outro e à noite ela precisa estar incrível para uma festa sem precisar ir ao cabeleireiro. Com esse look de cabelo, pelos ombros e com camadas desconectadas, ela consegue ter um visual super contemporâneo e ao mesmo tempo estar dentro de um contexto de moda hypado.

A L’Oréal investe muito em sustentabilidade, com centros de investigação e fábricas sustentáveis. Isso é perceptível para quem trabalha na marca?

Claro. A L’Oréal não só investe em sustentabilidade, criando fábricas e embalagens amigas do ambiente, como se relaciona com causas, como a UNESCO-Cabeleireiros contra a AIDS. Esta foi das campanhas que mais surtiram efeito no mundo. Sentimos o quanto a nossa voz é forte para ajudar e para participar em todos os investimentos que a marca faz em sustentabilidade e em causas sociais. É uma empresa voltada para o futuro. Para que os nossos filhos e os nossos netos cresçam em harmonia com o meio ambiente e com o mundo. O objetivo da L’Oréal é sempre chegar muito próximo de todo o seu cliente. Kérastase, marca do grupo L’Oréal, é uma referência no grupo de tratamentos. Ela tem o índice de cosmeticidade numero um e é totalmente pesquisada por cientistas, que precisam ter mais de 10 ou 15 anos de marca para poderem assinar uma fórmula. E esta é uma profissão que passa de pai para filho, dentro da L’Oréal. Então, dentro do DNA da L’Oréal, já está este espírito de cuidar do próximo e de passar a herança adiante.

Embaixador de gigante francesa dos cosméticos fala sobre beleza e tendências

Feira de arte online acontece esta semana com galerias do mundo todo

“New Ads for São Paulo”, de Franz Ackermann representado pela Galeria Fortes Vilaça ©Reprodução

Começa nesta sexta (03.02) e vai até quarta-feira (08.02) a segunda edição da VIP Art Fair, feira de arte online que reúne galerias de todo o mundo em um único site. Lá, podemos encontrar representadas galerias de arte e  exposições internacionalmente reconhecidas como, por exemplo, a mostra do polêmico Damien Hirst, “The complete Spot Paintings 1986-2011”, presente na Galeria Gagosian.

“Lanatoside B”, de Damien Hirst, na Galeria Gagosian ©Reprodução

O Brasil está representado por oito galerias (Luisa Strina, Raquel Arnaud, Fortes Vilaça, Millan, Gentil Carioca, Nara Roesler, Casa Triângulo e Mendes Wood) e por nomes como Franz Ackerman, Tunga e Laura Lima, com a série de transformações de cadeiras de design renomado em cadeiras de rodas.

Adaptação da cadeira “Paulistano”, do  arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, por Laura Lima, representada pela Galeria Gentil Carioca ©Reprodução

A curadoria das várias galerias presentes ficou a cargo de James e Jane Cohan da galeria James Cohan Gallery, presente em Nova York e em Shangai. O site, depois do registo online, permite ver todos os quadros das exposições, com a opção de avaliar o tamanho da peça colocando-o ao lado do perfil de uma pessoa, conversar em um chat com a galeria responsável por cada peça e ainda assistir a performances livestream e previews.

Com a digitalização do mundo moderno, é natural que a internet se torne cada vez mais vitrine e instrumento de compra. Já tínhamos visto esta tendência na música e agora vemos também nas artes plásticas. Lembramos que Catrin Davies, editora sênior de Artes e Viagens do portal WGSN, em conversa com o FFW durante o Fashion Rio Inverno 2012, já se tinha referido ao fato de a internet ser uma plataforma importante como divulgação de um artista ou de uma galeria.

Exemplo de uma das páginas do site ©Reprodução

Feira de arte online acontece esta semana com galerias do mundo todo

40 anos de Ziggy Stardust: como David Bowie mudou o mundo

©Romeu Silveira

Em junho de 1972, com o lançamento do álbum conceitual “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, David Bowie conquistou o que poucos artistas conseguiram ao longo da história: criar canções e uma estética que revolucionaram o mundo e, 40 anos depois, continuam influenciando universos culturais tão abrangentes quanto a música e a moda.

Apesar de que até 1971 já tivesse lançado quatro discos bem-sucedidos, foi com o personagem “Ziggy Stardust” que David Bowie, nome artístico de David Robert Jones, atingiu o cerne da cultura jovem e desafiou as barreiras da sexualidade ao fabricar para si uma imagem cheia de androginia, que veio a se tornar símbolo da geração glam rock. “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” traz a história de um alienígena, encarnado pelo cantor inglês, que vem à Terra com o intuito de passar uma mensagem de esperança nos últimos cinco anos de existência do planeta, que iria acabar devido à falta de recursos naturais.

Ziggy Stardust ©Reprodução

Ziggy Stardust é a epítome da caricatura do rock star: promíscuo, egocêntrico, usuário de drogas e portador da paz. Acompanhado de Mick Ronson, Trevor Bolder e Mick Woodmansey, que constituíam as “Spiders from Mars”, David Bowie deu vida a verdadeiros espetáculos teatrais em seus concertos, tão impactantes e exaustivos que segundo o cantor converteu-se em uma necessidade íntima dissociar a persona de Ziggy de sua própria: em um curtíssimo período de tempo, o alter ego alcançou uma fama tão gigantesca que levou David Bowie a um vicioso ciclo de questionamentos.

A última performance de David Bowie como Ziggy Stardust aconteceu em três de julho de 1973 em Londres (e foi documentada em um filme de D.A. Pennebaker), no entanto, a figura do extraterrestre messiânico é até hoje referência: só nos últimos meses, as edições francesa e alemã da “Vogue” trouxeram em suas páginas (e, no caso da primeira, também na capa) Kate Moss e Daphne Guinness com perucas vermelhas e maquiagens poderosas em clara homenagem à personagem, isto sem contar as matérias em revistas especializadas em música, como a “Rolling Stone”, que estampou Bowie, ou melhor, Ziggy, em sua capa de fevereiro.

As onze canções presentes em “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” também se propagaram no tempo: a quantidade de covers de músicas como “Suffragette City”, “Starman” e “Moonage Daydream” é incontável. Nomes como Mr. Big, Alice In Chains, Boy George, Duran Duran, Red Hot Chilli Peppers e Guns n’ Roses já regravaram temas do álbum, além das versões nacionais na voz de Seu Jorge. No cinema, a herança do glam rock de David Bowie inspirou o filme britânico “Velvet Goldmine” (que, aliás, é o nome de uma música do cantor escrita na “era Ziggy Stardust”, mas só lançada em 1975).

Ziggy Stardust revisitado: Kate Moss e Daphne Guinness na pele do extraterrestre ©Reprodução

Capa da “Rolling Stone” de fevereiro de 2012 e Karolina Kurkova como Ziggy Stardust em editorial da “Viva! Moda” ©Reprodução

O “fim” de Ziggy Stardust em 1973 não é, porém, sinônimo do término de sua “carreira” como trendsetter: no mesmo ano, David Bowie lançou “Aladdin Sane” – o raio no rosto do cantor virou outro ícone da cultura ocidental, copiado por músicos e editores de moda – e, em 1976, “Station to Station”, onde Bowie deu vida ao Thin White Duke, nova persona inspirada no papel protagonizado pelo inglês no filme “The Man Who Fell to Earth”. Entre alter egos esquizofrênicos e 23 discos geniais, 40 anos são pouco para definir a extensão dessa obra e de como David Bowie mudou o mundo com glitter, e muita poesia.

40 anos de Ziggy Stardust: como David Bowie mudou o mundo

Direto de Madri: papo sério com a diretora da semana de moda

Leonor Pérez Pita, diretora da Mercedes-Benz Fashion Week Madrid ©Reprodução

Bastidores da semana de moda de Madri. Sala da diretoria. De repente entra uma senhora toda vestida de preto. Atrás dela, vem um segurança uniformizado segurando um casaco de pele e o entrega a um assistente. Essa é Leonor Pérez Pita, ou simplesmente Cuca, como é conhecida por aqui. Aos 72 anos, ela é o braço de ferro por trás da semana de moda de Madri, evento que fundou em 1985, com apenas sete estilistas no line-up.

Agora, Cuca vê seu evento dar mais um passo, e, desta vez, um dos grandes. Um mês antes de o evento acontecer, ela fechou um acordo de patrocínio com a Mercedes Benz, que também está por trás de semanas de moda em Nova York, Berlim e Moscou.

A personalidade de Cuca remete à imagem que guardamos da mulher espanhola: firme, forte, destemida. De poucas palavras e respostas curtas e objetivas, ela pouco sorri, mas é solícita e muito educada. Apesar de uma pessoa do evento reconhecer que Madri não está no mesmo patamar de Paris ou Milão, em termos de moda, Cuca não gosta nem de pensar no assunto. “A Espanha não é diferente do resto do mundo”, diz.

A Mercedes Benz Fashion Week Madrid está sob o guarda-chuva da Ifema (Institución Ferial de Madrid), que além da semana de moda, também cuida da organização e produção de mais 70 feiras por ano, incluindo joalheria, turismo e catering, e ainda com participação em eventos internacionais. Vai encarar?

A Espanha passa por uma crise muito séria. De que forma ela afetou o mercado da moda?

Outros setores foram seriamente mais atingidos do que a moda aqui na Espanha. Mas é claro que a indústria sente. As empresas tiveram que baixar seus preços e os estilistas agora têm que usar sua imaginação de uma maneira mais eficaz. Pensar em que materiais podem usar para substituir os mais caros e também em como se manter atraente trabalhando com uma matéria-prima inferior. Em tempos de crise, temos que ser criativos.

Com a entrada da Mercedes Benz como patrocinadora master, o evento cresceu e mudou o posicionamento. Muitos jornais espanhóis escreveram que vocês querem projeção internacional.

Sim, nós agora somos parte da colônia fashion, junto às outras cidades que têm o patrocínio da Mercedes Benz, como Nova York, Berlim, Moscou e muitas outras. E sim, o evento vai crescer por conta desse primeiro acordo, que tem a duração de quatro edições. O investimento no evento aumentou e isso se traduz em crescimento. Essa é a razão pela qual fizemos isso.

Qual é a ordem de valor para colocar de pé uma semana de moda como essa?

Três milhões de euros por edição.

Parte deste dinheiro paga os desfiles das marcas, certo?

Sim, nós pagamos tudo: modelos, maquiagem, cabelo, convites, passarela… O dinheiro deles é gasto com as coleções.

O evento está em sua 55ª edição. Que mudanças você viu acontecer ao longo desses 25 anos?

Houve muitas mudanças, mas elas ocorreram gradualmente. Esse tipo de coisa não acontece de repente. Nós começamos em 1985 com apenas sete estilistas participantes. Os desfiles aconteciam em uma arena de circo que a gente alugava na época. E então o evento passou a crescer e a mudar a cada estação, até ficar do tamanho que tem hoje.

Quais os diferenciais da moda espanhola?

Não acho que há algo específico sobre a moda espanhola. Muitos de nossos designers poderiam mostrar suas coleções em outros lugares do mundo. Há vinte anos, um estilista nosso fez coisas que vi há dois anos em um desfile do Jean Paul Gaultier. As coisas vão e voltam. Claro que existem os designers que têm um toque a mais, que de certa forma representam o país, mas a Espanha não é diferente do resto do mundo.

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Débora Müller em Madri, no backstage da Duyos ©FFW

E não é que no meio da correria aqui em Madri, encontramos com Débora Müller? Essa modelo brasileira de Pato Branco, no Paraná, está aqui pela primeira vez participando da semana de moda. Depois do desfile da marca Duyos, fui procura-la no backstage. Aos 20 anos (três como modelo), ela estava surpresa (e feliz) pelo fato de os desfiles não atrasarem. “As provas de roupa são aqui mesmo, um pouco antes dos shows. Diferentemente de Nova York e das outras capitais, a gente não precisa dormir nem acordar de madrugada, é tudo super rápido!”, comemora.

Débora Müller desfila para Elisa Palomino, Duyos e Roberto Torretta ©Reprodução

Ela fica por aqui até o final da semana e torce para ter um tempinho livre para conhecer a cidade. Em seguida vai para Nova York, onde mora, e faz a temporada completa: Londres, Milão e Paris. Em apenas dois anos morando fora do Brasil, ela já conquistou nomes grandes da moda internacional. 1) Marco Zanini, da Rochas: “Adorei conhece-lo, ele é um doce e sempre me chama para desfilar 2) Russell Marsh, diretor de casting: “É o meu paizão na moda. Ele cuidava do casting da Prada e sempre me colocava na Miu Miu. Foi ele quem deu o impulso para minha carreira 3) Christopher Bailey, diretor criativo da Burberry: “Conheci Chris no meu primeiro casting para a Burberry e em seguida fiquei sabendo que ele tinha me dado três looks no desfile. Fiquei muito feliz. A equipe inteira da marca é muito atenciosa, mas ele é o mais de todos. Em um desfile, o sapato era horrível para andar, super super alto. E ele vinha toda hora perguntar se eu estava bem, se eu achava que conseguiria andar direito, etc”.

Aqui em Madri, em Nova York, São Paulo ou Paris, é nas passarelas onde Débora se sente feliz. “Adoro desfilar, muito mais do que fotografar. É um momento todo seu, mas ao mesmo tempo você está fazendo isso para outra pessoa, o estilista, e você tem que dar o seu melhor para ele. São seis meses de trabalho duro e nada pode dar errado”, diz. Além de iluminar os eventos com um dos rostos mais doces do momento, ela mostra que sabe das coisas.

Direto de Madri: FFW encontra Débora Müller nos bastidores da semana de moda

Rick Owens, sua esposa Michele Lamy, e a arte de ver beleza nas imperfeições

Rick Owens ©Danielle Levitt/Reprodução

O site da “AnOther Magazine” lançou recentemente o vídeo abaixo, filmado pela fotógrafa californiana Danielle Levitt, que mostra como “funciona” a vida de Rick Owens e sua esposa Michele Lamy, “os monstros elegantes” (carinhosamente chamados assim pelo “The New Yorker”), onde se pode ver o cuidado e a parceria na construção do que é hoje um império milionário.


O designer californiano Rick Owens nasceu e cresceu em um ambiente rural e católico, mas a única coisa que ele se lembra dessa época é “de ser envolvido em histórias da Bíblia sobre pessoas arrastando seus longos robes em templos empoeirados”. Hoje, Rick vive e trabalha no centro de Paris, em uma mansão na Place du Palais-Bourbon, com a sua mulher, musa inspiradora e sócia, Michele Lamy.

A sua relação com Lamy começou há mais de 20 anos, desde a época em que ele trabalhava desenhando estampas na fábrica que ela tinha em Los Angeles. No final dos anos 90, depois que Rick largou as drogas e o álcool, foi Michele quem o salvou, relembra o próprio.

Michele, francesa e quase com o dobro da idade de Rick, é ex-frequentadora da noite underground de Los Angeles e antiga proprietária do Les Deux Café, um restaurante com inspiração nos antigos cabarets. Lamy é caracterizada pelos seus dedos tatuados e pintados de preto e pelo seu estilo glunge (como o define Rick) de glamour misturado com grunge. Em 2008, Owens descreveu para o “The New Yorker” a sua musa como uma “esfinge inspiradora que age de acordo com os seus instintos”. Até hoje, Michele e Rick têm uma vida em comum estável e unida e têm traçado juntos o seu caminho na moda . O seu e o de talentos como Gareth Pugh, que, no início da sua carreira, teve o casal como mecenas tendo inclusive produzido algumas de suas peças na fábrica que Owens e Lamy tinham em Milão.

Bancos de madeira de demolição da coleção de mobiliário de Rick Owens ©Reprodução

O casal Rick Owens e Michele Lamy construiu o seu império vendo beleza na imperfeição das coisas, aspecto que se percebe nas suas coleções desconstruídas e assimétricas e até na sua forma de ver a vida.

Rick desenha sob o seu nome desde 1994, vendendo diretamente em algumas lojas as suas elegantes peças assimétricas, mas foi só em 2002, quando foi premiado com o prémio “Novo Talento da CFDA” (Council of Fashion Designers of America – conselho dos designers americanos) que o nome Rick Owens passou de grife cultuada do cenário underground anti-fashion, como Rick a descrevia, usada por Madonna e Courtney Love, para marca de passarelas internacionais.

Michele Lamy fotografada por Steven Meisel para a “Vogue” francesa ©Steven Meisel/Reprodução

Hoje, com lojas espalhadas pelo mundo e uma linha de mobiliário que recheia a sua casa e que estará no museu Chesa Planta, na Suíça, em uma exposição intitulada “Magic Mountain” (“Montanha Mágica”), Rick Owens continua a desenvolver as suas peças inspirado em Michele Lamy e com a ajuda da mesma. Segundo o designer, é ela quem se responsabiliza por toda a produção, interagindo com os artesãos na procura de matérias primas originais e diferenciadas.

Michel Lamy e Rick Owens são hoje referências em estilo, moda e vida. A sua visível paixão um pelo outro e o seu estilo de vida parisiense underground levam-nos a crer que ainda podemos esperar muito do casal.

Rick Owens, sua esposa Michele Lamy, e a arte de ver beleza nas imperfeições