O espírito do tempo através da ilustração

12/09/2012

por | ARTE

Ilustração que é capa do livro “Masters of Fashion Illustration”, de David Downton ©Reprodução

Até meados da década de 1930, a moda se valia da ilustração como plataforma para divulgar as novidades do mercado: observando-se as capas da edição americana da revista “Vogue”, por exemplo, é perceptível a primazia dessa forma de representação pictórica na publicação até 1935, quando a fotografia tornou-se “popular” e nomes como Bert Stern, Horst P. Horst e Richard Avedon substituíram, mesmo que gradualmente, Georges Lepape, René Gruau, Helen Dryden e Carl “Eric” Erickson nos créditos. Hoje, a ilustração passa por um momento de renovação e, através de coletâneas lançadas nos últimos anos, voltou a ser destaque além do circuito artístico.

Ilustrações que integram o livro “Masters of Fashion Illustration”, de David Downton ©Reprodução

O FFW sempre busca apresentar novos talentos da ilustração, como Pedro Lucena, Herbert Loureiro, Anny WongSteve Kim e Camila do Rosário; mesmo quando não ligados intrinsecamente à moda, o trabalho de artistas que, por meio da expressão visual, transpõem a materialidade de pincéis e tintas para criar algo de beleza incorpórea é, sem dúvidas, compatível à máxima de que “a moda não existe sem imagem”, como bem colocou Juliana Lopes, correspondente do site em Milão. De passagem pelas páginas virtuais do “The Wall Street Journal”, nos deparamos com uma resenha do livro “Masters of Fashion Illustration”, uma compilação de David Downton que, à parte à obra do próprio britânico, apresenta a história da ilustração de moda através da produção artística de seus grandes mestres (do final do século 19 até nomes contemporâneos).

Ilustrações que integram o livro “Masters of Fashion Illustration”, de David Downton. A da esquerda é de Tony Viramontes, já a da direita é de René Bouché ©Reprodução

Downton, que é parceiro da “Vogue” britânica e já trabalhou com marcas como Chanel, L’Oréal, Topshop e até com o Victoria & Albert Museum, em Londres, reuniu em “Masters of Fashion Illustration” obras de Erté [Romain de Tirtoff], Bernard Blossac, Giovanni Boldini, Tom Keogh e René Gruau, como também de artistas menos tradicionais: Andy Warhol, Tony Viramontes e Bob Peak, só para citar alguns. Divididos em quatro sessões, intituladas “The Age of Opulence”, “An Emerging Line”, “The New Graphisme” e “From the Salon to the Street”, o livro traça um panorama da evolução da representação pictórica de moda, que engloba pintura, ilustração e design gráfico, e abrange estéticas completamente diversas.

Capas da “Vogue” de janeiro de 1922 e de maio de 1934. A ilustração à esquerda é de Helen Dryden e a da direita é de Alix Zeilinger ©Reprodução

Em janeiro deste ano, foi lançado em São Paulo o quarto livro da série “Illustration Now!”, iniciativa em que Julius Wiedemann, da editora alemã Taschen, tomou para si a missão de divulgar a ilustração contemporânea. Em todos os volumes do projeto, desenvolvido aproximadamente a cada 18 meses, são selecionados cerca de 150 novos artistas, incluindo sempre representantes brasileiros, com o objetivo de promover não apenas o trabalho individual, mas também a importância da própria arte e de como ela espalha o espírito de cada época. Inclusive, nos sites da Condé Nast e da Art.com é possível comprar – ou apenas olhar, claro – capas muito antigas da “Vogue” e da “Harper’s Bazaar”, desde edições publicadas anteriormente à Primeira Guerra Mundial. É estupenda a beleza de algumas imagens e, ainda mais fascinante, é perceber o quão modernas parecem, mais inovadores que inúmeras fotografias produzidas na última década.

Ilustração de Tony Viramontes que integra o livro “Masters of Fashion Illustration”, de David Downton ©Reprodução

Ilustrações que integram o livro “Masters of Fashion Illustration”, de David Downton. A da direita é de Coby Whitmore ©Reprodução

Capa da “Vogue” americana de  março de 1947. A ilustração é de René Bouché ©Reprodução

Capas da “Vogue” de  outubro de 1929 e de setembro de 1939. A ilustração à direita é de Georges Lepape, a da esquerda é de Christian Berard ©Reprodução

Capas da “Harper’s Bazaar” de junho de 1932 e de abril de 1933 ©Reprodução

Capas da “Harper’s Bazaar” de setembro de 1929 e de julho de 1932 ©Reprodução