Lembra quando falamos aqui que a editora-chefe da Arena Homme + tinha se desligado da revista? Então, Ashley Heath, editora-chefe da revista POP, tomou de volta o que era seu, afinal, ela participou da criação da publicação e agora volta ao lado de Max Permain, que é diretor de moda masculina na Pop e agora, editor-chefe na Arena Homme +. A nova edição chega as bancas nos próximos dias e com várias capas diferentes, experimentais e assinadas por nomes como David Sims, do artista plástico Clunie Reid e por Steven Klein, que ganhou um suplemento especial de 45 páginas nessa primeira edição da nova fase. Em algumas bancas puritanas do mundo esse suplemento não será vendido, por conta do conteúdo altamente erótico. Para Heath, o mercado de revistas de moda masculina ficou muito monótono e previsível e afirma que era muito mais inspirador a 15 anos atrás quando existiam apenas a L’Uomo Vogue, Vogue Hommes e sua Arena Homme +. Além dos fotógrafos e artistas já citados, participam da edição também Wolfgang Tillmans, Collier Schorr e Ari Marcopoulo.
Eu não sei vocês, mas acho que dificilmente veremos alguma capa deste tipo em revistas masculinas aqui no Brasil. Se para ela, o mercado lá fora é monótono, é por que ela não conhece o nosso, não é mesmo? Ainda bem que existe a internet. Ah, internet…
Depois de desfilar e virar a cara da nova fase da Mugler, o tatuado Rick Genest ensaia novos passos. Sempre ao lado de Nicola Formichetti, o zombie boy está cotado para ser uma das estrelas do novo vídeo de Lady Gaga, que teve direção de Nick Knight e foi gravado em Los Angeles. Além disso, o moço também posou para as lentes de Steven Klein. Essas fotos devem sair em uma das próximas edições da Arenna Homme +, que deve vir sob nova direção, afinal, Jo-Ann Furnish deixou o cargo de editora-chefe da revista mês passado.
Não é de hoje que a moda bate de frente com a religião e transforma o que é pregado dentro das quatro paredes das igrejas em imagens fortes, polêmicas (como a do jeans Jesus, quem lembra?) e inspiradoras.
Pra começar, o trabalho da estilista Sorcha O’ Raghallaigh, formanda da Central Saint Martins, que apresentou uma das melhores coleções da turma de 2010, inspirada no filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” e desfilada com modelos com pernas de pau. Mas a imagem que se tem da coleção é de uma santa, vestida de branco, lembrando muito todos os detalhes da nova coleção de alta-costura da Givenchy, que foi desfilada mês passado, em Paris. Inconsciente coletivo, sinal dos tempos que vivemos.
Abaixo, as freiras fashion fotografadas por Sebastian Faena para a Pop, em 2008, ainda com styling de Katie Grand. Se na campanha da Benneton (no auge do seu sucesso nos anos 90 com o comando de Oliviero Toscani), as freiras já demostravam interesse pelos padres, aqui elas vão além disso, junto com o modelo Andres Velencoso Segura. A moda se apropria de fatos da vida real para criar suas histórias. Afinal, essas imagens abaixo não iriam ser produzidas se a lei do celibato não começasse a ser discutida internacionalmente.
Se Madonna nos anos 90 foi a responsável por bater de frente com a igreja católica, hoje em dia esse lugar é ocupado por Lady Gaga, a cantora que diz “God bless the gays” para quem quiser ouvir e nem se importa com a repercussão que isso vai tomar. Afinal, falem bem, falem mal, mas falem dela. A última da moça foi no clipe de Alejandro, onde aparece engolindo um crucifixo, tudo com a direção de Steven Klein, que afirma “a personagem escolhe ser freira, e sua boca e seus olhos desaparecem porque ela transfere seus sentidos do mundo do mal para uma busca interior de orações e contemplação” e que o clipe mostra “a luta da personagem entre as forças obscuras desse mundo e a salvação espiritual da alma”. Talvez isso tudo não estivesse no roteiro do clipe se todo o agenda-setting estivesse conspirando para uma coisa só: religião.
Acima, Carine Roitfeld moderniza e quebra o clássico arquétipo da imagem de Jesus na cruz, usando um modelo oriental (Paolo Roldan é o nome dele), a coroa de espinhos no pescoço e nada de cabelos compridos, muito menos cruz pra segurar o corpo. A foto foi feita pela dupla Mert Alas & Marcus Piggot para uma matéria especial sobre a Givenchy na Vogue Paris.
A ffwMAG! entra nesse grupo também: em 2009, fez a edição Crença com o editorial especial fotografado pelo Fábio Bartelt e, recriou esse ano a santa ceia no editorial Ser/tão, Ser/Tudo, em fotos de Zee Nunes & André Katapodis, na edição Norte. Ambos com styling de Paulo Martinez. Nesse caso, a interpretação foi mais brasileira, a mesa vazia…
Mas Falando em Givenchy, a marca é uma das responsáveis por essa “onda religiosa” na moda. Esses elementos sempre estão presentes nas coleções da marca e no repertório de refêrencias da dupla Riccardo Tisci, estilista e diretor criativo, e Panos Yiapanis, stylist e consultor da grife.
E claro, não podia faltar Madonna, na capa da Interview. Fabien Baron, que não é bobo e nem nasceu hoje, sabe do histórico de polêmicas com a igreja e resolveu marcar ela, como a Biblía descreve no livro de Êxodo: todo aquele que estiver marcado com o sangue não sofrera nenhum mal. A cantora, que no final dos anos 80 causou o maior rebuliço por conta do clipe de Like a Prayer, meio que acerta as contas 21 anos depois.
E abaixo, na linha tênue entre o sagrado e o profano, Natasha Poly na capa da Muse.
Panos Yiapanis é um dos stylists mais requisitados dessa nova geração, com um estilo marcante, sempre cheio de referências, e imagens fortes. Grego, começou trabalhando com Corinne Day (a fotógrafa que descobriu Kate Moss), depois engatou uma parceria de sucesso com Steven Klein com quem fez trabalhos épicos (como o ensaio One’s Real Life is Often The Life That One Does Not Lead, da Arena Homme +, publicado em 2008) , Inez vans Lansweerde & Vinoodh Matadin, entre outros.
Mas lendo a entrevista (muito honesta!) que ele deu pra primeira edição da revista Industrie, deu pra perceber que ele anda meio incomodado com o mundo da moda e com todo o circo que envolve o metier. Exemplo: ele crítica o fato dos seus amigos stylists e editores deixarem os looks que eles usam na primeira fila dos desfiles serem mais importantes do que seus trabalhos nas revistas e campanhas.
Em outra parte da entrevista, ele fala sobre a stylist Melanie Ward, que não recebe o reconhecimento devido por conta de sua trabalho junto com Helmut Lang.
Além de tudo isso, ele desabafa falando que o dinheiro engessou a criatividade do mundo da moda e que essa recessão lá fora, serviu como desculpa para algumas revistas deixarem de ousar. Nas campanhas, ele crítica a importância de ter que sempre aparecer o produto e os detalhes da peça e cita uma campanha antiga da Jil Sander com a Guinevere, metade do seu rosto cortado fora e nenhum produto. Ele anda muito desapontado.
A parte mais triste: o prazo de validade. Panos avisa que seu trabalho como stylist está perto do fim e tudo que ele tinha que comunicar através de imagens já foi feito. Ele conta que está se aventurando pela fotografia, clicando algumas coisas, “pra entender esse universo” depois de tanto tempo trabalhando com fotógrafos.
No tópico que eu encontrei essa entrevista completa dele, vi que rolava uma discussão sobre o Panos ter assumido o styling da Lady Gaga no clipe de Alejandro, com direção de Steven Klein. Nicola Formichetti continua cuidando da popstar, mas ele com certeza se inspirou na estética que Panos criou para Klein ao longo desses anos, para criar a imagem do clipe. Para quem tem alguma dúvida disso, clique aquie descubra de onde saiu a estética Alejandro.
Uma das coisas interessantes dessa entrevista, é quando ele desabafa dizendo que não consegue fazer uma imagem inspirada nos anos 70 ou 60, ele precisa buscar dentro do próprio universo as referências para seus trabalhos e que isso pode ser um problema as vezes. A entrevista tem várias páginas e muita coisa boa. Para os interessados, dá pra clicar aqui e ser feliz lendo os scans.
Umas das principais campanhas da temporada acabou de sair: a da Balenciaga por Steven Meisel com styling de Marie Amelie Sauvé, totalmente diferente das outras campanhas da marca e com uma modelo gigante ocupando duas páginas. O casting é formado por Mirte Maas, Iselin Steiro e Patricia van der Vliet. E parece que não é só a YSL (como a Ana bem lembrou nos comentários) que está olhando para as campanhas antigas, a Balenciaga com essa também faz lembrar bastante os anúncios antigos da marca.
Com Claudia Schiffer, Freja Beha Ericsen e Baptiste Giacobini a Chanel vem mais latina nessa temporada, tudo por que a campanha foi fotografada ali do lado, em Buenos Aires, na Argentina. Mas a pergunta que fica é: até quando vai durar essa obsessão de Karl por Baptiste?
Enquanto Jamie Bochert é garota propaganda da linha principal, Hannah Holman é o rosto da campanha da Marc by Marc Jacobs. A foto, claro, é de Juergen Teller.