Raf Simons / Hedi Slimane

27/09/2012

por | MODA

Hedi Slimane e Raf Simons esquentam (mais ainda) a temporada de Paris ©Reprodução

Todos comentam, mas nem precisa. Qualquer pessoa que acompanha a moda mais de perto sabe que esta é uma temporada especial. O motivo é a estreia de dois grandes diretores criativos à frente das casas mais tradicionais da moda francesa, Dior e Saint Laurent Paris.

Mais de um ano após a demissão de John Galliano, Raf Simons entra em cena para revitalizar a marca e reconstruir a relação de confiança com as consumidoras que ficou um tanto perdida após a entrada de Bill Gayten, ex-assistente de Galliano, na direção criativa . Já o fotógrafo e ex-Dior Homme Hedi Slimane ficou com o lugar de Stefano Pilati, que parecia estar na berlinda fazia algum tempo (e que assumiu a Zegna recentemente).

Delicadeza, minimalismo e corte impecável: a última coleção de Raf Simons para a Jil Sander ©ImaxTREE

O masculino skinny proposto por Slimane na Dior ©Reprodução

Raf é belga; Hedi é francês. Ambos têm 44 anos e encaram o mesmo desafio no mesmo momento: revitalizar e rejuvenescer as marcas, trazer ar fresco e criar uma conexão com seus consumidores.

Outros pontos em comum: ambos começaram com marcas masculinas, têm apelo entre os jovens, são idolatrados pelo mainstream e pelo indie, e ainda dividem um gosto por uma estética minimalista, com rigor nas formas e na construção das roupas.

Raf é mais delicado, Hedi mais frio. Suas coleções para a Dior Homme, de certa forma, revolucionaram o guarda-roupa masculino com roupas skinny para homens e estética influenciada por artistas e bandas de rock. Os homens usaram gravatas fininhas e calças justas bem antes de Slimane aparecer, mas o fato é que ele trouxe um frescor na hora certa, com o approach certo.

Agora o desafio ao entrar no universo feminino é unir sua bagagem estética com a história da YSL, que também não é muito estranha aos conceitos da androginia. Uma olhada em suas fotos, sempre em preto e branco, pode dar algumas dicas de como ele enxerga a mulher. Sua ligação com a música também deve permanecer em sua trajetória pela Saint Laurent. A primeira foto da campanha masculina traz o músico Christopher Owens em vez de um modelo, seguindo a mesma linha de seu amigo Nicola Formichetti na Mugler, que tem Lady Gaga como uma embaixadora informal.

A coleção de alta-costura da Dior, a primeira sob direção criativa de Raf Simons: mergulho na herança da marca ©ImaxTREE

Espera-se que ambos estilistas olhem para o legado das marcas, respeitando seus códigos e tradições, porém sem se prender somente a eles. Na última temporada de alta-costura, Raf Simons mergulhou na história de Christian Dior e apresentou uma coleção-homenagem, que flertava também com seu último desfile para a Jil Sander. Agora que já mostrou um respeito pela história da Dior, Raf fica mais livre para o prêt-à-pôrter, e para poder ser ele mesmo, mais Raf do que Christian. Galliano então, nem pensar.

Em tempo: o desfile da Dior acontece nesta sexta, às 9h30, com transmissão ao vivo pelo site live.dior.com; Saint Laurent desfila na segunda, às 15h, ambos horários de Brasília.

+ Acompanhe aqui a temporada de Paris Verão 2013

+ Saiba mais sobre a história de Raf Simons

+ Veja a primeira coleção de Simons para a Dior, na temporada de Alta Costura Inverno 2012

+ Relembre o caso Galliano e seus desdobramentos

Andrej Pejic + Fumi Nagasaka pelo Japão

23/08/2011

por | MODA

Em março deste ano, a fotógrafa e videomaker Fumi Nagasaka estava no Japão quando os terretomos abalaram as estruturas daquele país. De volta a NY, ela resolveu chamar uns amigos e criou esse vídeo, que ela dedica a todo o povo nipônico. No vídeo, Andrej Pejic – que acabou de ser eleito pela New York Magazine o modelo do ano – usa Raf Simons e aparece  com seu cabelo pintado de rosa, com styling  de Christian Stroble. Clique aqui para assistir ao vídeo e ler o depoimento de Fumi.

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Hyeres 2011

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© Daniel Sannwald

A edição 2011 do Festival Hyeres, que descobre novos talentos da fotografia e da moda, vai acontecer entre os dias 29/04 e 02/05 e parece que a disputa desse ano esta acirrada entre os estilistas que concorrem ao prêmio. Eles serão julgados por um juri composto por Cathy Horyn junto com a dupla Jack McCollough e Lazaro Hernandez (da Proenza Schouler), Tim Blanks, o estilista Raf Simons, o sound stylist Michel Gaubert, Floriane de Saint Pierre, Christopher Kane e Carla Sozzani.

Além da competição, o festival nesse ano terá exposições de nomes como o do fotógrafo Daniel Sannwald, Sandra Backlund, Yann Gross, Bless e outros.

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Imagem de arquivo da carreira de Raf Simons ©  Reprodução

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Carol Trentini e uma das peças criadas por Sandra Backlund © Reprodução

Abaixo, os estilistas que concorrem ao prêmio na categoria de moda:

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Léa Peckre, da França, se inspirou em cemitérios. Céline Méteil, da França, criou vestidos origamis.

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Emilie Meldem, da Suiça, buscou na história do seu país a inspiração para a coleção. Oda Pausuma, da Finlândia, lembra muito Pedro Lourenço.
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A dupla Juliette Alleaume &  Marie Vial, da França, são minhas preferidas ao prêmio. Michael Kampe, da Alemanha, se inspirou na internet, na juventude atual e estamparia digital. Wearable art, segundo o release.

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Maryam Kordbacheh, da Finlândia, se inspirou em formas orgânicas e em coisas naturais. Mads Dinesen, da Dinamarca, também é outro que foi buscar na cultura de seu país as formas e referências para a coleção.

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Janosch Mallwitz, da Alemanha, resolveu olhar para a América do Norte e se inspirar nos colégios americanos, no começo da juventude e da busca por uma identidade. Segundo o release, é uma coleção que navega entre “o conceito e o instinto“. A minha outra aposta pra levar o prêmio é Oriane Leclercq, da Bélgica, com uma coleção que se desenvolve em cima do trabalho com latex e materiais sintéticos. Queria ver os outros looks, dizem que tem muito trompe-l’oeil.

Agora fica a pergunta: temos ótimos estilistas no Brasil (bons ou até melhores que esses acima) e por que não temos nenhum representante no Hyeres?

Os extremos da adolescência

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Jacob Sewell no filme Gummo, de 1997, dirigido por Harmony Corine

Enquanto muita gente discute por que os jovens querem parecer mais velhos ao se vestir e os mais velhos querem continuar jovens, pego carona no vitrine com dicas de livros pra falar sobre o The Fourth Sex: Adolescent Extremes, lançado em 2003, pela editora Charta.

Com edição de Francesco Bonami, do estilista Raf Simons e de Maria Luisa Frisa, o livro faz uma linha do tempo, dos anos 60 até o começo dos anos 2000 ilustrando diversos tipos e movimentos adolescentes. A pesquisa de imagens do livro é incrível com trabalhos de fotógrafos e artistas como Richard Prince, passando por David Sims, Vanessa Beecroft, Raymond Pettibon, Mike Kelley, Elizabeth Peyton, Karen Kilimnik, Charles Ray, Takashi Murakami, Larry Clark, Rineke Dijkstra, Paul McCarthy, Richard Prince, Gilbert & George, Gavin Turk e outros. E os textos não ficam atrás, são assinados por David Foster Wallace, Arata Isozaki, Philip Roth, William Golding, J.G. Ballard, Beavis & Butthead, Jim Carroll, Stephen King, Vladimir Nabokov, Douglas Coupland, Dick Hebdige, Bret Easton Ellis e Dave Eggers. Marcas como Commes des Garçon, Paco Rabanne, Benetton, Veronique Branquinho, Comme des Garçons, Stüssy, Coca-Cola, PlayStation e Diesel também marcam presença nas 470 páginas do livro, que tem autoria assinada pelo quarteto Jake Chapman, Dinos Chapman, Gillian Wearing e Tracey Emin. Para os interessados, dá pra comprar no Amazon. Abaixo, algumas imagens do livro.

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Performance de Vanessa Beecroft

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Campanha da Comme des Garçons nos anos 90, com duas adolescentes rindo de aparelho nos dentes.

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Junto com imagens de moda, o livro também traz fatos e tragédias da “vida real adolescente”. Acima, cenas da tragédia em Columbine e abaixo, jovem integrante do IRA, em 1972.

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Damir Doma

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Look criado por Damir Doma em ilustração de Richard Kilroy para a Husk © Reprodução

Damir Doma nasceu na Croácia, morou na Alemanha, mas atualmente tem sua marca baseada em Paris. Já trabalhou com Raf Simons e Ann Demeulemester e agora desponta como um dos designers mais interessantes dessa nova geração, principalmente em se tratando de moda masculina.

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Abaixo, vídeo do desfile de inverno 2011, apresentado em Paris semanas atrás. Acima, Ethan James @ Ford com um dos looks do desfile. Em um especial para a última edição da Husk, Damir respondeu que decidiu aos 14 anos ser estilista e que desde então começou a trabalhar para fazer isso acontecer. De lá pra cá, ele estudou na Esmod em Munique e Berlim. E segundo ele, em se tratando de high-fashion a capital alemã deixa muito a desejar, mesmo abrigando eventos de streetwear como a feira Bread&Butter.

Particularmente, eu prefiro ele criando coleções masculinas do que femininas e por isso resolvi escrever esse post só agora, depois dos desfiles masculinos lá fora. Mas além dessas duas linhas, Damir Doma também possui a Silent, linha desenvolvida com materiais orgânicos e com preços mais assesíveis. Abaixo, algumas imagens do atêlier, que foram publicadas no especial da Husk. Falando nisso, essa e outras revistas independentes estão disponíveis na íntegra no NoLayout, que é uma biblioteca online incrível, cheia de raridades – como um fanzine com Pablo Picasso entre os colaboradores. E tudo grátis.

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Teoria das Cores

27/10/2010

por | MODA

O que seriam dos filmes de Pedro Almodóvar sem as fortes cores com as quais o diretor compõem suas cenas? Seriam suas personagens tão emocionalmente intensas sem aqueles vermelhos dramáticos em seus figurinos? E suas narrativas _e imagens cinematográficas_ seriam tão passionais e carregadas de sentimento sem todo aquele colorismo kitsch?

Se no cinema, assim como na arte e na publicidade, as cores exercem extrema importância na comunicação visual de qualquer elemento que seja, assim é também na moda. Então, quando para o verão 2011 estilistas quiseram falar de um certo otimismo, nada mais natural do que usar as cores para comunicar toda essa vibe “feel good”.

2011/10/4732_alexandreAlexandre Herchcovitch verão 2011 © Agência Fotosite

O movimento começou cedo e ainda em solo nacional. Alexandre Herchcovitch, ao olhar para o expressionismo abstrato se fez colorista. Trabalhou forma, corte, modelagem, proporção e materiais sempre a serviço das cores. São essas, em variadas tonalidade que mandam e desmandam na coleção. São para elas que estruturas se armam e desarmam. Concebida para e a partir das cores. Abstrata e expressionistas, tendo como acessórios toda emoção e sentimento que emanam de cada cominação cromática.

Depois na temporada masculina foi a fez de Raf Simons na Jil Sander, onde combinações das mais inusitadas dava toque quase que elétrico às roupas de modelagem simples e imagem limpa. A partir de então, as cores se mostraram como antídoto perfeito a monotonia minimalista que vinha dominando as duas últimas temporadas.

Ainda que dominadas por uma certa limpeza visual, estilistas dos mais variados estilo fizeram amplo uso de tonalidades vibrantes para dar mais vida as suas coleções. Talvez Miuccia Prada seja o melhor exemplo com seu barroco tropicalista. São elas _as cores_ que dão emoção às formas e modelagens simples. São elas que estabelecem conexões (das mais diversas) no imaginário de cada um. São elas que dão vida às roupas dessa coleção. São elas que enchem de bom-humor o verão 2011 da Prada. E assim também acontece com as coleções da Jil Sander, Marni, Gucci e tantas outras.

2011/10/4733_pradaPrada verão 2011 © firstVIEW

As cores têm vida em si mesma. Sempre atraíram e causaram predileção no ser humano de acordo com fatores de civilização, evolução do gosto e especialmente pelas influências e diretrizes sócio-culturais. Na artes-plásticas, na arquitetura, na moda, no cinema, na fotografia, no design e na publicidade, é geradora de emoções e sensações.

Quando, no início da década de 30, Herber Kalmus criou o tecnicolor, tornando a cor em mais um elemento artístico de um filme, alguns produtores revelaram-se pouco receptivos à técnica. Temiam que a nova paleta cromática atrapalhasse a atenção dos espectadores quanto à interpretação dos atores e ao desenrolar da história.

Porém, a partir deste momento, os filmes passaram a transmitir novos sentimentos, permitindo o desenvolvimento de ambientes visualmente mais ricos e tornando a composição de cena tão importante quanto a atuação. Em 1964, Michelangelo Antonioni, com seu “O Deserto Vermelho”, pintou áreas inteiras para que a fotografia de Carlo Di Palma pudesse expressar um ambiente industrial desolado, uma natureza morta de onde as cores naturais foram expulsas.

No expressionismo abstrato foi essencial para transmissão de sentimentos. Em Jackson Pollock, Mark Rothko e Barnet Newman, formas e explosão cromáticas falam mais alto do que qualquer imagem concreta.

Na publicidade, as cores são item indispensável para uma real conexão e comunicação visual. O logo amarelo do Mcdonalds dispensa qualquer outra explicação.

Na moda, as cores sempre foram fundamentais para construção da imagem. Personalidades, sentimentos, memórias e emoções construídas a partir de composições cromáticas. Christian Dior e o clássico cinza. Valentino e o intenso vermelho. Chanel e sofisticado preto.

Significados distintos em culturas diferentes, as cores enquanto elementos perceptivos e não algo material, têm diversas e profundas implicações psicológicas. Sua percepção pode desencadear uma série de sensações. enxurradas de emoções que variam de acordo com a cultura e memória de cada um.

Raf Simons, 1995

Aproveitando a ótima coleção que Raf Simons desenvolveu para a Jil Sander, não custa assistir, sem música, esse vídeo que mostra a primeira coleção apresentada por ele, na temporada de inverno 1995, em Milão. A inspiração dele na época tomou como ponto de partida os uniformes escolares. Aqui, dá pra ver uma retrospectiva detalhada da carreira dele, que é íncrivel.

Milão Verão 2011: Jil Sander

27/09/2010

por | MODA

Jil SanderPense na definição de maximalismo. Pensou? Então agora, aplique tudo isso ao minimalismo. Mas cuidado! Aplique de maneira que não altere sua essência. A tarefa pode parece complexa, mas foi exatamente o que o estilista Raf Simons fez no memorável verão 2011 da Jil Sander. Rompendo com a lógica de reciclagem na moda, esta mais recente coleção é uma daquelas poucas na qual a palavra “novo” pode ser usada sem qualquer tipo de receio ou exagero.

Buscando dar sentido ao conceito de minimalismo e aos próprios princípios da Jil Sander para os dias de hoje, Simons se lançou ao desafio de buscar simplicidade em seu mais puro estado. Encontrou a resposta, então, numa das mais básicas combinações: numa saia volumosa como uma camiseta branca.

Ok, não estamos falando de qualquer saia. Algo como versões do futuro dos modelos que Cristobal Balenciaga e Yves Saint Laurent apresentavam nos desfiles de alta-costura dos anos 60. Longas com volumes inflados no quadril afunilando até encontrarem o chão, ou então mais secas na cintura e amplas rumo as extremidade, são verdadeiro statements para as atuais discussões sobre barras alongadas.

As calças são um assunto a parte. Na mais pura perfeição de corte vem amplas, com um pequeno volume na cintura ou espécie de saiotes coloridos. Tudo sempre combinado com regatas e camisetas, vez ou outra escondidas sobre blazeres atemporais, agora com proporção levemente ampliada.

Assim como em sua coleção masculina, aqui as cores também são extremamente importantes. Em listras, estampas florais, ou em seu estado puro, Simons as utiliza quase como um colorista, em função da forma e ao mesmo tempo para ressaltá-las.

A imagem final é simplesmente incrível. Um misto completamente fresco da perfeição da forma da alta-costura com a simplicidade prática do sportswear para o dia-a-dia, projetando a moda para o futuro, ainda que olhando para o passado, porém sem qualquer vestígio de nostalgia.

Um inverno para as mulheres

15/03/2010

por | MODA

2011/10/1176_celine-inverno-2010Céline inverno 2010 © firtVIEW

Voltando de Paris fiquei pensando um pouco sobre as principais mensagens da temporada. Sobre a onda minimalista que tomou de assalto às coleções internacionais para o próximo inverno. Em como linhas limpas, ausência de decorações e design em seu estado puro conseguiram dar status cool à austeridade. Em como a manipulação tecidos e exploração de formas de maneiras quase modernista transformaram o básico em inusitado.

Mas talvez, para além de um visual que grite “direto aos negócios”, haja algo maior por trás desse novo minimalismo impulsionado pelo sportswear clean do verão 2010 da Céline de Phoebe Philo. Por um lado, como que se aquelas formas simples fossem versões atualizadas do “power dressing” que deu força ao visual feminino lá nos anos 80 quando as mulheres começavam tomar seus postos no mercado trabalho.

Pensando por aí, tudo isso até faz certo sentido. Hoje, conforme indicam uma série de pesquisas publicadas no começo do ano, o sexo feminino já supera o masculino na força de trabalho de diversos países. As mulheres há tempos já são donas de seus próprios narizes e contas bancárias. Não precisam mais do apoio e sequer a aprovação do sexo oposto para qualquer decisão. E se antes, ela precisava subir em vertiginosos saltos, ousar na sensualidade ou então roubar do guarda-roupa masculino elementos de poder, hoje já não é mais bem assim.

2011/10/1174_stella-mccartney-inverno-20Stella McCartney inverno 2010 © fisrtVIEW

Talvez, sentindo a iminência de grandes mudanças sócio-culturais, estilistas estejam de fatos preocupados em como acompanhar tudo isso e encontrar seu papel no meio dessa silenciosa revolução. Para alguns a solução foi olhar para trás, para outro foi limpar a casa para dar novo “start” em seus negócios. Mas poucos, porém, parecem ter conseguido olhara além e percebido que nessa nova fase, seu trabalho não será apenas embelezar o guarda-roupa feminino.

Quando falamos que tecidos e roupas foram trabalhadas de maneira modernista, talvez não seja nem naquele modo de solução de problemas ou rompimento com o passado. Mas, sim, para levantar questões de realidade física ou até mesmo comportamental. Quem de fato foi moderno nesta temporada, foi quem conseguiu olhar para o futuro de maneira real, oferecendo roupas para realidade de fato (por mais que ainda distante ou reduzida) muito mais que para um futuro imaginado.

Exatamente como aconteceu com Yves Saint Laurent e Coco Chanel. Ambos, grandes gênios da moda do século XX, conseguiram entender as reais necessidades das mulheres, quando a grande maioria delas sequer sabiam que de fato desejariam tais elementos.

2011/10/1175_balenciaga-inverno-2010Balenciaga inverno 2010 © firstVIEW

Hoje, quem mais se aproximou de tal qualidade foi Nicolas Ghesquière, na Balenciaga, Raf Simons, na Jil Sander, Riccardo Tisci, na Givenchy, Alber Elbaz, na Lanvin, Marc Jacobs, Miuccia Prada e as meninas de ouro da temporada: Hannah MacGibbon, na Chloé, Stella McCartney e Phoebe Philo, na Céline (por mais que essa última coleção tenha carecido da energia da passada).

Essas últimas, além de oferecerem algumas das melhores coleções de semana de Paris, são exemplos vivos dessa nova mulher. Todas na faixa dos 30, mães, trabalhadoras e com reais necessidades que pedem por um guarda-roupa que não grite apenas: fashion! E muito menos só “business”.

Pensando bem, talvez a mensagem principal do inverno 2010 seja mesmo sobre feminilidade. Sobre feminilidade em suas mais variadas formas. Sexy, trabalhadora, voluptuosa, jovem, adulta, para noite, para o dia, mas sempre possível. Sempre real e sempre com as rédeas de suas vidas. Não foi à tona que os anos 60 e 90 foram as duas décadas mais referenciadas nas coleções internacionais. Ambas, trazem importantes significados para a vida do sexo feminino. Primeiro por toda aquelas questões de liberação sexual e autonomia feminina, depois por uma postura mais business bem equiparada com os homens.

2011/10/1173_louis-vuitton-inverno-2010Louis Vuitton inverno 2010 © firstVIEW

Sem contar que, pela primeira vez em muito tempo (acredito que desde os anos 60), o adjetivo “maduro” parece ter perdido qualquer conotação negativa. Supostamente, depois de anos em busca de juventude eterna, estilistas parecem ter percebido que suas consumidoras não são apenas garotas magrinhas de 20 e poucos anos. Não foi à toa que Miuccia Prada e Marc Jacobs para Louis Vuitton trocaram as modelos skinny de 16 anos, por mulheres mais velhas (ou menos novas) e curvas mais próximas da realidade da mulher comum. Formas voluptuosas, bustos em evidência, quadris acentuados.

Tudo bem, o conceito pode ter se mostrado mais interessante do que a roupa de fato – e principalmente na Vuitton onde as saias godês mega volumosas parecem retros demais para as atuais necessidades das mulheres. Mas, parece que a próxima temporada vem para legitimar (mais uma vez) a autonomia do sexo feminino.

Legitimação, talvez, até mesmo sobre o poder de estilistas e editoras de moda. Afinal, o mar de roupas simples, cores neutras e peças básicas pode ser entendido como uma tela em branco, onde cada mulher pode criar seu próprio estilo ou visual. Uma temporada, então, onde o estilo fala mais alto do que a moda em si.

Raf Simons & Pierre Debusschere: GIFs, adolescentes e vídeos

Dia desses eu fui visitar o site do Raf Simons pra procurar umas coisas de arquivo e me deparei com uma viagem pra dentro do universo dele, cheio de sons e uma navegação bem arcaica, cheia de gifs e etc. Nada de animações em flash e coisas do tipo. Depois desse dia, fiquei sabendo que Raf, muito esperto, chamou o fotógrafo Pierre Debusschere pra ser o novo diretor de arte online do seu site.

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Em 2010, como parte dessa parceria e continuando com os vídeos, Raf e Pierre resolveram mostrar o casting do próximo desfile de um jeito mais criativo. O novo vídeo é uma experiência visual, com camadas de cores típicas de televisão desregulada, uma leve sensação de que foi gravado em VHS (alguém ainda tem vídeo cassete?) e depois digitalizado. De acordo com o site de Pierre, esses são apenas amostras dos vídeos que estão por vir. Para os interessados, no site de Raf também dá pra saber quais bandas ele anda ouvido (nem sempre ele posta, mas tem duas listas lá!). Abaixo, o vídeo com o casting do seu próximo desfile.