A nova edição da Pop acabou de sair (com Elton John e Naomi Campbell nas capas) e a revista viajou para vários lugares do mundo para fotografar os editoriais de moda. Um deles é fotografado por Jamie Morgan em Chefchaouen, a Cidade Azul. Ele também fez esse vídeo abaixo, onde mostra a modelo Alejandra Alonso (Women) pelas ruelas da cidade, com as roupas da coleção de verão 2011 da Armani. O clima do vídeo é bem 90, com styling assinado por Isabelle Kountoure e trilha de Tony Anderson da Lowtown Music.
Lembra quando falei que a Shirley Mallmann (Way) fazia parte de um dos editoriais da nova edição da POP? Então, eis que a imagem dela na revista foi divulgada hoje. Ela está linda como sempre e vestindo peças bem básicas de marcas como Topshop, Diesel Black Gold e Fendi. A supertop gaúcha foi fotografada por Jamie Morgan, com styling de Tamara Rothstein. Esse editorial só com modelos loiras ocupada mais de 30 páginas da revista.
Desde a primeira edição da Pop sob o comando de Dasha Zhukova, o mundo da moda já percebia que o direcionamento da revista iria ser bem diferente do antes assumido por Katie Grand. Pois bem, duas edições depois e chega a terceira edição desta nova fase, com uma capa kitsch, recriando um fanzine japonês, estrelando uma artista em decadência – no caso Britney Spears – pouco famosa hoje em dia por seu trabalho como cantora, dirigida por um dos artistas mais legais, o Takashi Murakami. A última edição da revista teve como diretor convidado Richard Prince e a primeira (sob o comando de Dasha) Damien Hirst. Com essa edição, já dá pra meio que entender o posicionamento da revista, que é de chamar artistas consagrados e customizar as capas, com isso as edições acabam se tornando obras… populares, de fácil acesso. Cada artista com suas particularidades e estilos.
Comparando com as outras publicações de moda, essa vai contra todas as revistas de moda lançadas em setembro (não tem a tendência da temporada na capa, nem atrizes de Hollywood), é fora do formato convencional e sem a sensualidade e diversidade das 8 capas da Love. Tem muita gente elogiando a decisão, caindo de amores pela capa e um tanto odiando. Faz parte. Além de Britney, o conteúdo da edição inclui uma entrevista com Barbara Kruger, mais Hillary Clinton, um editorial de modelos loiras com um casting gigante (incluindo a brasileira Shirley Mallmann) fotografado por Jamie Morgan e outros 7 editoriais, estrelando novo fotógrafos e modelos como Jacquelyn Jablonski, Eniko Mihalik, Alana Zimmer, Ann Kenny e um meninos em roupas de meninas.
Abaixo, algumas imagens do editorial com a Jacquelyn Jablonski, em fotos de Sean & Seng e styling de Isabelle Countoure.
Não é de hoje que a moda bate de frente com a religião e transforma o que é pregado dentro das quatro paredes das igrejas em imagens fortes, polêmicas (como a do jeans Jesus, quem lembra?) e inspiradoras.
Pra começar, o trabalho da estilista Sorcha O’ Raghallaigh, formanda da Central Saint Martins, que apresentou uma das melhores coleções da turma de 2010, inspirada no filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” e desfilada com modelos com pernas de pau. Mas a imagem que se tem da coleção é de uma santa, vestida de branco, lembrando muito todos os detalhes da nova coleção de alta-costura da Givenchy, que foi desfilada mês passado, em Paris. Inconsciente coletivo, sinal dos tempos que vivemos.
Abaixo, as freiras fashion fotografadas por Sebastian Faena para a Pop, em 2008, ainda com styling de Katie Grand. Se na campanha da Benneton (no auge do seu sucesso nos anos 90 com o comando de Oliviero Toscani), as freiras já demostravam interesse pelos padres, aqui elas vão além disso, junto com o modelo Andres Velencoso Segura. A moda se apropria de fatos da vida real para criar suas histórias. Afinal, essas imagens abaixo não iriam ser produzidas se a lei do celibato não começasse a ser discutida internacionalmente.
Se Madonna nos anos 90 foi a responsável por bater de frente com a igreja católica, hoje em dia esse lugar é ocupado por Lady Gaga, a cantora que diz “God bless the gays” para quem quiser ouvir e nem se importa com a repercussão que isso vai tomar. Afinal, falem bem, falem mal, mas falem dela. A última da moça foi no clipe de Alejandro, onde aparece engolindo um crucifixo, tudo com a direção de Steven Klein, que afirma “a personagem escolhe ser freira, e sua boca e seus olhos desaparecem porque ela transfere seus sentidos do mundo do mal para uma busca interior de orações e contemplação” e que o clipe mostra “a luta da personagem entre as forças obscuras desse mundo e a salvação espiritual da alma”. Talvez isso tudo não estivesse no roteiro do clipe se todo o agenda-setting estivesse conspirando para uma coisa só: religião.
Acima, Carine Roitfeld moderniza e quebra o clássico arquétipo da imagem de Jesus na cruz, usando um modelo oriental (Paolo Roldan é o nome dele), a coroa de espinhos no pescoço e nada de cabelos compridos, muito menos cruz pra segurar o corpo. A foto foi feita pela dupla Mert Alas & Marcus Piggot para uma matéria especial sobre a Givenchy na Vogue Paris.
A ffwMAG! entra nesse grupo também: em 2009, fez a edição Crença com o editorial especial fotografado pelo Fábio Bartelt e, recriou esse ano a santa ceia no editorial Ser/tão, Ser/Tudo, em fotos de Zee Nunes & André Katapodis, na edição Norte. Ambos com styling de Paulo Martinez. Nesse caso, a interpretação foi mais brasileira, a mesa vazia…
Mas Falando em Givenchy, a marca é uma das responsáveis por essa “onda religiosa” na moda. Esses elementos sempre estão presentes nas coleções da marca e no repertório de refêrencias da dupla Riccardo Tisci, estilista e diretor criativo, e Panos Yiapanis, stylist e consultor da grife.
E claro, não podia faltar Madonna, na capa da Interview. Fabien Baron, que não é bobo e nem nasceu hoje, sabe do histórico de polêmicas com a igreja e resolveu marcar ela, como a Biblía descreve no livro de Êxodo: todo aquele que estiver marcado com o sangue não sofrera nenhum mal. A cantora, que no final dos anos 80 causou o maior rebuliço por conta do clipe de Like a Prayer, meio que acerta as contas 21 anos depois.
E abaixo, na linha tênue entre o sagrado e o profano, Natasha Poly na capa da Muse.
A primeira edição da Industrie começou a ser vendida ontem com a Anna Wintour na capa e como é uma revista sobre cultura de moda, o site deles é praticamente um fotolog (quem lembra?) de fashionistas. Para quem admira alguém e nunca viu o rosto da pessoa (isso acontece muito com fotógrafos), vale a pena acompanhar pra ver os retratos do povo lá .
Shala Monroque, editora da Pop.
Natalie Massenet, fundadora do Net A Porter.
Josh Olins, fotógrafo.
Richard Bush, fotógrafo.
Alessia Glaviano, editora de moda da Vogue Itália.
Se no dia 8/2 será lançada a terceira edição daLOVE com 8 capas diferentes, no dia seguinte Dasha Zhukova lança a segunda edição da Pop sob o seu comando, desde que Katie Grand deixou a publicação para lançar a revista citada no começo do post. Quem saí ganhando? O público, afinal, a qualidade das duas revistas é inquestionável, mas o foco de cada uma é bem diferente: enquanto a Love é voltada para celebridades, top models e tem como slogan the fame, a Pop busca ser sempre mais criativa. Por conta disso, chamou o artista plástico Richard Prince para cuidar do ensaio de capa da edição, que tem Abbey Lee Kershaw na capa, pagando de motoqueira selvagem. O logo da edição também foi customizado por ele, que já fez parcerias com a Louis Vuitton e W. No recheio da revista, Haider Ackermann, Tavi e Rei Kawakubo em Tokyo, The xx, Sade e Louise Bourgois. Promete!