Pensata da Palô #33: nem tão fast, mas ao menos forward
A moda nesta semana no Brasil falou de Oskar Metsavaht na Riachuelo. Uma ação lançada há algumas semanas, que foi supostamente “esquentando”, até chegar ao lançamento supostamente esperadíssimo neste 16 de novembro.
Se houve correria até as lojas? A internet registrou interesse de consumidoras, da mídia e dos formadores de opinião, mas nada como Kate Moss na Topshop. Ainda estamos chegando lá. De toda forma, houve algum movimento, o que já é bem saudável. Nem tão fast assim, mas mais rápido.
Os envolvidos saíram, defendendo a marca-mãe Osklen, que não se tratava do tal Osklen por menos, mas de uma criação de Oskar Metsavaht (fashion mogul e fundador da grife) para a marca. As consumidoras corroboraram: é bem Osklen. E é mesmo. O que também é bom.
Não fui às lojas da Riachuelo ontem nem hoje pra conferir. Fui checar pela web mesmo e vi várias vezes o sedutor comercial de TV bem veiculado em horário nobre nos últimos dias. A elegância do filme se destaca do que temos visto recentemente em termos de fast-fashion na mídia, que vem usando ou o formato de merchand e de engessados desfiles em novelas ou uma comunicação mais popularesca. Na Riachuelo, Oskar Metsavaht conseguiu preservar seu caminho estético _talvez por isso incorrendo numa percepção de que o projeto, batizado de coleção “Rio de Janeiro”, tenha imprimido um pouco (ainda que superficialmente) como uma “segunda linha da Osklen”. E não é.
Tenho de admitir que, neste bombardeio noticioso que sofremos diariamente, eu quase achei que a coleção dele era pra Renner. Mas logo fui corrigida por coleguinhas (jornalistas) fashionistas mais atentos. Então agora já sei.
O que eu não sabia também era onde é que afinal tinha uma loja Riachuelo “mais perto de mim”. Fui até o site da marca (depois de ontem ter já, devidamente, me colocado pra segui-la no twitter). Taí duas coisas então para as quais já funcionou a parceria com o estilista. Ponto pra Riachuelo. Independente se vou conseguir efetivamente ir e/ou comprar alguma coisa, despertar meu interesse _ou de qualquer consumidora_ já é bastante coisa. A compra, se não vem nessa coleção, pode vir numa próxima. E se caso quando eu for até a loja tudo desta coleção já estiver se esgotado (já que ela deve ser mais reduzida), quem sabe eu aproveite a viagem e compre uma coisinha qualquer que eu garimpe nas araras. Oxalá, deve suspirar minuto a minuto o marketing da Riachuelo, que afirmou ter disputado a assinatura do estilista com outros gigantes do fast-fashion brasileiro. Faz sentido, já que é verdadeiro case o status da Osklen dentro da moda brasileira [mereceria uma pensata, mas não é esse o gancho aqui.].
Ouso dizer que as marcas que temos à disposição aqui no Brasil estão ainda fazendo a transição de “lojas de departamento populares” para o fast-fashion, talvez aceleradas recentemente pelo próprio fenômeno do FF e pela recorrência do anúncio da entrada de nomes como H&M e Topshop no país. Ah, nada como a competitividade, não?? Da mesma forma como todo mundo teve que se ajeitar rapidinho (sem ter muito se ajeitado, é verdade), quando da entrada da Zara. Silenciosa, mas sempre tsunâmica, a Zara atingiu mais as canelas dos designers participantes das semanas de moda brasileiras do que o então povão que comprava nas cadeias de lojas que em outros tempos ninguém ousava dizer o nome.
Voltando à Renner, não consegui entender no site deles onde ficam as lojas. E no da Riachuelo um problema de navegação me fez tentar umas quatro vezes entrar nos endereços de SP (sempre voltava pros de Belo Horizonte), até eu dar um outro Google com pesquisa mais específica. Mas uma ferramenta de “provador” me prometia experimentar daqui de casa as peças. Fiquei com preguiça. Mas parecia legal.
Garotas na internet reclamavam que as roupas ficavam bem apenas em “gente magra”. Na TV, Luana Teifke, esguia e maravilhosa como sempre, transforma de fato qualquer maiozinho retrô em obra-prima.
E Renata Sozzi numa blusa de decote canoa de listras: uma blusa listrada é uma blusa listrada é uma blusa listrada. Ou não? Não neste mundo de grifes, de moda, do tal “valor agregado”, essa expressão banalizada em reuniões com marketeiros xaropes mas que aqui faz sentido. Chama-se construção de marca quando você usa uma blusinha ou uma pólo comum e fala de boca cheia onde comprou. Mesmo que seja a H&M. Ou a Topshop. Pros fashionistas que não têm grana pra consumir a regata da Maria Bonita mas que ficam felizes por admitir que gastaram apenas algumas doletas numa viagem “lá pra fora” e compraram uma coisinha ou outra.
Garotas eshpertas da moda do Rio descobriram que “não tem Riachuelo na Zona Sul”. Mas parece que planos de novas lojas, de expansão etc. Então a coisa deverá andar mais.
Em interessante texto assinado de próprio punho na revista Vizoo deste mês, reproduzido pelo blog de Lilian Pacce, Oskar Metsavaht reclama que os brasileiros ainda compram muito pela marca. E diz que tem viajado muito e que tem achado tudo muito parecido na moda, e que a moda em si está muito chata (vale ler a matéria toda pra essas declarações não ficarem fora de contexto). Não chego a discordar de todo, não. E nem precisa ir longe como ele pode ir: passeie pelos shoppings de São Paulo e a sensação será a mesmíssima.
Como fazer a nossa parte para sair disso? Bem, a próxima temporada de desfiles começa em menos de dois meses.
Beijos rapidinhos,
Palô.








