Pensata da Palô #26: que venha logo este verão 2011!

22/09/2010

por | MODA

via @ErikaPalomino

Em tempo de temporada, nem dá pra fixar o pensamento (ou o penchamento) numa coisa só. Daí essas mal-traçadas algo fragmentadas. Curtas como tweets. Fritas, rolinhos de Primavera.

Talvez os blogs, talvez a moda das ruas, talvez a falta de grana, talvez o tédio. Talvez a megadifusão da internet. Talvez o fast-fashion _veneno e vacina_: Alguma coisa volta a acontecer na moda das passarelas. Começou em Nova York, e não necessariamente com Marc Jacobs, mas senti, daqui (ainda bem), alguma centelha. Que continuei confirmando em Londres.

Talvez meu desinteresse pelas eleições aqui no Brasil tenha contribuído, não sei também. Mas confesso que me animei mais em acompanhar (sem ter apenas o drive da obrigação profissional) o que está rolando por aí.

Curti muito o minimalismo de Francisco Costa para Calvin Klein (que, incansavelmente criativo, reforça e renova os credos da marca com seu estilo); a elegância inequívoca de Narciso Rodriguez e o excentrismo artsy da Rodarte, enérgico mas cheio de poesia. Bom pra moda americana.

Em Londres, me empolguei super com o refresh na página de Christopher Kane, delicioso remix de passado e futuro, e com os novos nomes que vem ultracoloridos como em Mary Katrantzou; futuristas (e contemporâneos) como Peter Pilotto, com o retorno sempre loucurinhas e deliciosamente nada-a-ver de Giles Deacon.

Off-catwalk, olho no biker da Burberry, que chacoalha o alto luxo com seu explícito relacionamento com o online e o e-commerce (certamente vai influenciar um monte de marca boa por aí). E claro que emocionou a homenagem a Alexander McQueen (com a surpreendente parada de modelões dos convidados, tendência luto-chic total _o que era Daphne Guinness???). E a volta de Björk.

2011/10/3708_daphne-guinness-mcqueen-memorialA herdeira/fashionista Daphne Guinness com seu look épico no memorial em homenagem ao estilista Alexander McQueen ©Reprodução

Ah, que bom ter Björk entre nós, cantando Billie Holiday no memorial, e na festinha em sua homenagem do amigo Jefferson Hack (pra sua capa na “AnOther Magazine”). Sopram os ventos de suas novas canções. E, com tudo isso, quem sabe algum alento de beleza nesses estranhos dias de setembro parecendo agosto. Num ano que parece correr, sombria continuação de um 2009 que todos queremos esquecer. Xô 2010. Que venha logo este verão 2011.

Beijos primaveris,

Palô.

#NYFW Verão 2011: por uma moda menos Lady Gaga

17/09/2010

por | MODA

A semana de moda de Nova York, que terminou na última quinta-feira (16/09), não foi tanto de novidades, quanto foi de um certo sentimento de readequação. Estilistas pareciam menos preocupados em reinventar a roda do que em achar aquilo que parece adequado para as atuais vontades das mulheres.

A busca pela novidade pareceu substituída pelo desejo de fazer as pessoas voltarem a se sentir bem com as roupas. Em entrevista ao “NY Times”, Narciso Rodriguez disse que estava pensando em sua amiga Carolyn Bessete, e como ela e outras mulheres apenas jogavam um casaco sobre um longo vestido para sair à noite. Marc Jacobs, após seu desfile 1970s, perguntou a Diane Von Furstenberg: “Lembra quando as mulheres vestiam-se assim? Por que não se vestem mais desse jeito?”.

Nos últimos anos a moda se distanciou demais de seu público-alvo: os indivíduos. Por mais paradoxal que isso possa parecer em tempos de fast-fashion e uma dita democracia de moda, se analisarmos bem o cenários encontraremos imagens dotadas de extrema frieza. Distantes, intocáveis e inatingíveis por reles mortais. Quase como obras de uma ficção-científica pop. Um exército de clones da Lady Gaga.

No business front, marcas são criadas, gerenciadas, ressuscitadas como se tivessem vida própria, independente da realidade. Como se toda essa indústria não dependesse, exclusivamente, de quem a veste.

E como para toda ação existe uma reação, talvez seja essa uma das mais interessantes que vimos em Nova York. Bem mais do que o movimento das saias longas ou meia-perna em resposta as mini das últimas temporadas, da predominância do brancos _e as centenas de tons derivados_ e do statement das cores.

Talvez seja por isso que muitos estilistas preferiram olhar para o passado ao invés de mirar o futuro. Um olhar não de mera inspiração ou referência, mas sim um de busca de conexões. Conexões como aquelas que Marc Jacobs fez ao estilo Yves Saint Laurent dos anos 70, onde “se montar” era algo divertido, possível e não algo vindo de um frigorífico. Ou então como Jack McCollough e Lazaro Hernandez transformaram a eterna jaqueta Chanel em algo cool e contemporâneo na Proenza Schouler.

O minimalismo dos anos 90 _e a simplicidade creditada à Phoebe Philo_ continua como o Norte da bússola fashion. Calvin Klein e seus incríveis vestidos brancos, levemente estruturados, e Narciso Rodriguez com seus longos formais, resgatando a essência do movimento, porém adaptada à atualidade. Esse minimalismo agora vem pautado por ares descontraídos, traz um certo California way of life. Derek Lam talvez seja o melhor exemplo, ao lado de Diane Von Furstenberg, que também percebeu a necessidade de limpar o visual e conectar-se de forma mais direta e objetiva com suas consumidoras.

+ Veja todos os desfiles da #NYFW Verão 2011

+ Cobertura completa FFW

#NYFW Verão 2011: Proenza Schouler

16/09/2010

por | MODA

proenza-schouler-verão-2011Proenza Schouler verão 2011 © firstVIEW

Já havia escrito aqui no FFW Blog sobre como as texturas fazem a gente querer tocar nas roupas. E, meu Deus, que vontade que de sentir na mão cada superfície dos looks apresentados ontem à noite no desfile da Proenza Schouler.

Para o verão 2011, Jack McCollough e Lazaro Hernandez se superaram em todos os sentidos. Começando pela técnica onde uma incrível gama de texturas aparecia decorando primeiro versões meio ladylike modernas depois aquela garota californiana meio surfista meio punk que define tão bem o público da marca. Impressionante o trabalho “tie dye texturizado” em que estampas e superfícies se transformavam de cima a baixo no look. Do liso transparente ao opaco craquelado, do tricô de micropontos ao desgastado transparente.

Em termos de imagem de moda, foi mais impressionante ainda. Ficou muito além dos clichês nova-iorquinos, levou a garota uptown para o downtown _e vice-versa_ sem qualquer conflito. Misturou o estilo da costa Oeste americana com o cosmopolita da Leste. Fundiu referências, fez dos clássicos contemporâneos e autorais. Até mesmo as tendências forma _ainda bem_ todas digeridas pelo universo e pela vontade dos estilistas. Transparências, o comprimento midi (aquele no meio da perna), o California way o life, 1970s, 1990s _estava tudo lá. Mas ao mesmo tempo é como se não estivesse.

Sem obsessões malucas por tendências ou vontades momentâneas, Lazaro Hernandez e Jack McCollough nos lembraram que para além das “tendemências”, o que vale mesmo na moda é aquilo que lhe parece certo, aquilo que lhe faz bem. Afinal, do que adianta a moda se não nos divertimos com ela?

+ Veja o desfile completo

Pensata da Palô #25: Marc Jacobs e Tom Ford causam na NYFW

15/09/2010

por | MODA

via @ErikaPalomino

Começa a temporada de desfiles de verão 2011 em Nova York, o olhar volta às passarelas.

Como de hábito, todo o mundo prestando atenção em Marc Jacobs, que brinca de anos 70, era Disco, Jodie Foster em “Taxi Driver” (amo, amo, amo), mas também de zigue-zague tipo Missoni e com um perfume do glamour Diane Von Furstenberg.

Vi o desfile no vídeo do site do estilista. Quase me comoveu a mensagem “obrigado por assistir”, ele agradece. Me lembrei de tempos velhos, das coisas horríveis que já tivemos que fazer para conseguir entrar na sala de desfiles dele em Nova York, ainda naqueles idos em que ser crítico de moda brasileiro significava pertencer à escória do jornalismo fashion global. Tínhamos (eu tinha) verdadeiros pesadelos com a KCD, responsável pelo sitting e pelo PR da marca. Agora, corre por aí que a KCD vai abrir uma filial ou algo parecido no Brasil. Bem…

O que achei da coleção? Não é a mais brilhante nem mais inesperada ou surpreendente, mas parece adequada aos dias de hoje. É vendedora e tem cores que seduzem, que fazem as mulheres quererem consumir. E deverá ser, como sempre, copiada a torto, a direito e à esquerda. Ah, achei a música linda, o “verão” das Quatro Estações de Vivaldi. E o formato “arredondado” que já havia usado ficou bonito, apesar de deixar as modelos com aquela cara de desespero sem saber fazer a curva (o que no vídeo fica engraçado).

Lendo os jornais internacionais temos relatos do desfile da volta de Tom Ford ao prêt-à-porter, depois de seis anos distante das passarelas.

Foram convidadas somente cem pessoas, e consta que todos tiveram de se comprometer a não fotografar o evento. O único fotógrafo autorizado foi Terry Richardson, que como se sabe está longe de ser um fotógrafo de passarela. Segundo o NYT, fotos da coleção de 32 looks estarão no site de sua marca em dezembro, juntamente com um vídeo do desfile.

Ao mesmo jornal, TF disse que não permitiu fotos porque acha que a moda se tornou super exposta nos últimos tempos, em parte por causa da tecnologia da Internet e do foco nas celebridades. Agora vem as aspas dele: Quero que a moda se torne divertida de novo, como era nos anos 60, e as pessoas não viam a hora de ter as roupas e vesti-las. Acho que perdemos isso.”

Opa, opa, opa.

Parece que TF está é com medo da indústria da cópia ou do próprio processo de difusão da moda e da imagem de moda. Ele pretende cobrar um terninho entre US$ 3,5 mil e US$ 5 mil (de novo segundo o NYT), quando as peças chegarem às lojas, mas sabe que antes mesmo de ele conseguir pronunciar o nome Yves Saint Laurent esses desenhos já estariam sendo reproduzidos por aí, e talvez no dia seguinte já poderiam ser comprados não pelas ricas, mas pela massa que consome roupa mundo afora.

Será que Tom Ford vai conseguir conter o vazamento das imagens (a própria Cathy Horyn postou umas fotinhos das famosas no desfile)?

2011/10/3036_tom-ford-pensata-da-paloO casting estelar de TF: Beyoncé, Daphne Guinness, Julianne Moore e muitas _muitas!_ tops ©Reprodução via NYT

E será que esse é o caminho hoje? Será que a moda vai recuperar sua relevância no intenso mundo de hoje se fechando novamente? Elitizando-se novamente? Também me lembro quando precisávamos esperar por meses chegar a revista Collezzioni (e ter dinheiro para comprá-la) para ver as fotos dos desfiles?

Mais: será que as rycas que podem pagar por uma roupa dele vão deixar de comprar porque em janeiro ou fevereiro (quando as peças chegarem às lojas) esses looks já estariam batidos?

Pelo que se falou SOBRE a coleção, Tom Ford privilegiou o estilo e não a moda _modal, modinha. Colocou mulheres de diferentes personalidades, corpos, faixas etárias, vivências. E não um casting comum.

Trouxe buzz à modorrenta semana de desfiles de Nova York. Isso é bastante. Quer provocar frisson e conseguiu, como sempre. E pelo que DISSERAM, as roupas também são lindas.

Vamos acompanhar os desdobramentos de tudo isso, já que Tom Ford é um player cuja influência nunca se pode descartar.

Mas que eu não me iluda sobre o agradecimento de Marc Jacobs. Ele é pra sua crescente clientela online. Certo ele.

<3 <3 <3

lovelovelove

Palô

+ Clique aqui para ver TODAS as Pensatas que a Palô já publicou!