Orgânico é a palavra do momento, mas o que ela significa, nas entranhas, é que tem valor. É um termo que define processos ligados à vida. Pode dizer respeito a seres organizados que atuam e interagem entre si, também pode estar associado a grupo de pessoas, a órgãos de um ser vivo, ou a tudo o que é livre de substâncias sintéticas. Se é orgânico é inerente, profundamente arraigado, natural, pacífico, lógico, em resumo: de verdade.
Eu, inspirada e comprometida – até a alma – com/pelo mundo orgânico {que tem toda razão, em tudo}, através desta coluna Ecostyle, desejo que, em 2012: você tenha a força de buscar a simplicidade; que abra espaço para emoções, em várias versões; que sua busca por realizações profissionais seja baseada em ternura; que parta do seu íntimo uma gostosa invasão de liberdade; que suas pretensões sejam bem humoradas; que sua rotina tenha muitos momentos aventura.
E ainda, porque não há tempo a perder: que você aposte na mistura de conceitos; viva a praticidade; reverencie a inteligência; deseje os prazeres da ideologia; homenageie as coisas que fizeram parte do seu despertar; reverencie a sabedoria; invista no seu jeito. Permita-se muito e incomode-se quase nada. Vibre com novos tons, delicie-se com novos sons, queira novos dons.
A banda SALEM caiu nas graças do mundo da moda logo depois que teve duas de suas músicas executadas no desfile da Givenchy, que tem as trilhas assinadas por Frederic Sanchez. De lá pra cá, a banda já assinou um contrato com a Sony Music e se prepara para lançar seu novo EP, no dia 22/11. Essa semana eles divulgaram o vídeo da música “Better of Alone” e qual foi a surpresa? O clipe é basicamente composto por imagens de Gisele Bundchen saindo do prédio da Bienal logo depois do desfile de verão 2010 da Colcci no SPFW. Abaixo, o vídeo e a capa do novo EP. Vale a pena ouvir também “King Knight”, que foi trilha do desfile da Givenchy.
Temos a vida héroïque de Serge Gainsbourg, um monumento para a França, em cartaz nos cinemas, Woody Allen nos lembrando dos anos 20 com Carla Bruni, Gérard Depardieu em três filmes, no “do bem” “Minhas Tardes com Margueritte”, no divertido “Potiche”, ao lado de Catherine Deneuve, e no recém lançado aqui, “Mamute”. Ainda, Yves Saint Laurent em documentário, e só para citar mais um, o desenho com roteiro original de Jacques Tati, “O Mágico”. Daria pra se pensar em uma grande, e ótima, invasão francesa vinda pelos cinemas, mas a invasão francesa mesmo, hoje em dia, vem da música. Já percebeu?
Se as músicas fossem cantadas na língua de Molière, e não em inglês, talvez você percebesse o dedo francês que vem assolando as pistas, lançamentos descolados e principalmente, a nossa FM.
Descolândia via gravadora Ed Banger
SebastiAn – “Love in Motion”
Lá em meados dos anos 90, depois de uma crítica favorável do primeiro EP do Etiénne de Crecy, Super Discount EP de 1996, feita pelo jornalista Martin James no finado semanário inglês Melody Maker, fomos apresentados ao termo french touch, que representaria uma leva de artistas vindos da França como Alex Gopher, Cassius, Motorbass, St. Germain e claro, o próprio Etiénne de Crecy, que também assinava suas produções como Superdiscount.
Edição de 2011, à venda na Colette, do ‘Coke Club’, homenagem aos gigantes do french touch, Daft Punk.
Mas foi só em 1997 que veio o sucesso comercial e mundial via Daft Punk, Air e depois pelo projeto Stardust “Music Sounds Better with You”, em que Thomas Bangalder, uma das metades do Daft Punk assina ao lado de Alan Braxe.
Depois não se parou mais. Bob Sinclair, que se chamava oficialmente DJ Chris Le Friant, e que veio de uma época em que precisava prensar discos na Bélgica e depois correr pra Londres pra fazer a música chegar nas lojas especializadas, fez em 2005, depois de alguns hits, a segunda grande explosão da french house com “Love Generation”, música aliás que ainda está proibida de voltar a tocar nas pistas.
Breakbot – “Baby I’m Yours”
Depois do talentoso Stuart Price, que entre muitas produções fez dois discos para Madonna, “American Life” e “Confessions on a Dancefloor”, e outros nomes como Dmitri from Paris, Kid Loco, Llorca, Sebastien Tellier, DJ Gregory, I:Cube, Joakim, Fred Falke, Mr. Oizio, hoje estamos no reinado francês de David Guetta, Justice, SebastiAn e das gravadoras Ed Banger e Kitsuné.
Justice, aqui em versão Simpsons, prepara disco para fim do ano de olho em Led Zeppelin, “Houses of the Holy”
Na turma dos DJs, enquanto David Guetta explora até a última gota a sua parceria com a turma do hip-pop com seu novo disco “Nothing But The Beat”, que deve ter data de lançamento para o dia 29 de agosto, outro francês vem comendo pelas beiradas do FM, o hello Martin Solveig.
Martin Solveig em disputa nas quadras com direito a pólo Lacoste e tudo
Para não deixar o rei Francisco I, que por meio da “Ordonnance de Villers-Cotterêts”, de 1539, que impunha a língua francesa como idioma oficial da França e também o Cardeal Richelieu, que fundou a Academia Francesa no ano de 1635, enlouquecidos, um hit cantado em francês, mesmo vindo de um belga, Stromae, ainda toca sem parar nas rádios brasileiras.
Stromae do hit “Alors Dance”, tem “Cheese” como nome do seu CD de estréia
O francês é uma das línguas estrangeiras mais estudadas em todo mundo e, ainda que não esteja entre as cinco mais faladas, não perdeu a majestade. Ouvir o grupo de nome Brigitte, que é em homenagem a vários ícones dos anos 60 e 70 com o mesmo nome como Bardot, Fontaine, Lahaie, confirma. Bravo!
Dupla formada por Aurelie Maggiori e a vocalista Sylvie Hoarau, formam o Brigitte em “Batte-Vous”
Felipe Venancio é DJ e produtor musical e sócio da 12” Agência de Música. Ele escreve mensalmente neste espaço
Já não vou em quase nada que gostaria de ir. Não digo nem agora, na Era Glacial em que vivemos aqui em SP, mas já faz um tempo que estava meio com preguiça de sair. Fico achando que devia dar uma corrida atrás das coisas, acompanhar o surgimento de algo novo, sei lá, acelerar um pouco. Para minha surpresa, não é que a tendência “slow it down” é que está trazendo alguma novidade? Pensei, desaceleração, ué, mais ainda?
Pegando emprestado o objetivo da Slow Food, a associação do italiano Carlo Petrini, que promove uma melhor apreciação da comida, uma melhora da qualidade das refeições e uma produção que valorize o produto ou seja, tudo contra a Fast Food, fico pensando se toda essa baixada de BPM via “slow it down”, não seria uma boa forma também para melhorar a qualidade do que estamos ouvindo e vendo.
Já não é de agora que as pistas vem namorando baixas velocidades. Desde a repaginada da disco music, via “nu-disco”, que os beats vêm descendo. A tendência “Slow-Mo”, recém batizada e ainda em fase de aprovação global, traz novos nomes ao cenário musical como Soul Clap, Mark E, Jay Shepheard e The Revenge e eles estão fazendo uma revolução em marcha lenta.
A boa notícia é que a descida na velocidade possibilitou a entrada também de clássicos, em suas velocidades originais, e com isso subiu a qualidade não só musical como também provocou uma maior riqueza na pesquisa por parte do DJ. Ao procurar e encontrar houses originais bem no estilo “back in the days”, somadas a disco musics de outros tempos, melhorou a qualidade da noite no geral.
Diria que a idéia seria a busca por ritmos mais lentos, abafados, como se baixos andamentos estivessem circulado pelas cabeças pensantes.
Tudo soa como se estivéssemos olhando para trás em algum momento. E estamos. Essa é a graça inclusive.
Quando o duo de Boston, Soul Clap, remixa a clássica house do Robert Owens, “I’ll be your friend”, provoca uma confusão nos ouvidos, como se o ontem fosse o amanhã, agora. Babado.
Felipe Venancio é DJ e produtor musical e sócio do estúdio 12. Ele escreve mensalmente neste espaço.
Eu adoro ouvir rádio FM com a tecla “scan” acionada, você conhece? Ela é uma tecla que deixa tocar só cinco segundos da programação de cada estação do dial. Ou seja, ela corre todas as rádios deixando somente um pedacinho da música tocar. Se você quiser ouvir a música inteira, é só desapertar a tecla. Além da liberdade, ainda fica uma coisa meio tensa de conseguir apertar o botão a tempo pra poder ouvir sua música favorita. Em um “scan” desses, flagrei cinco rádios na sequência tocando “Time of My Life”, cover do Black Eyed Peas para a baba do filme “Dirty Dancing’’, de 87.
Juro, cinco rádios seguidas. Achei pressão demais. Me fez pensar se não estava acontecendo alguma coisa.
Baseado na informação da professora Bernadete Zagonel, doutora em música pela Universidade Sorbonne (Université de Paris IV), no livro “Pausa para ouvir música”, ela diz: “de tanto que as músicas tocam, a gente acaba aprendendo sua melodia, reconhecendo quando ela toca e, em algumas ocasiões, até sabendo repetir e cantarolar alguns pedaços”. Apesar do livro falar em Villa-Lobos, confirmou o Black Eyed Peas, no “scan”.
Soube que os DJs determinavam o que íamos ouvir nas rádios até os anos 70. Eram feitas reuniões com várias pessoas conhecedoras de música e com uma pilha de discos no centro da mesa — os supostos hits, que eram ouvidos um depois do outro. Independente das apostas das gravadoras, as melhores eram escolhidas e daí entravam na programação.
Fiquei pensando: quem vai determinar o que devemos ouvir hoje em dia? Se a fonte, forma e a maneira como a música chega mudaram. Podemos ficar otimistas ou ferrou de vez?
Ouvi comentários de pessoas que vieram do show do U2 dizendo que eles só tocaram “hits”. Na verdade nem todas as músicas tocadas no show foram “singles” ou trabalhadas pela gravadora para serem “hits”. No caso do U2 acredito que o motivo dessas músicas serem tão conhecidas pelo público, que lotou o Estádio do Morumbi, foi porque os discos eram ouvidos inteiros. Mesmo você podendo comprar via download o disco todo, sabendo que pode eliminar aquela ou outra da lista, talvez “Save a Prayer” do Duran Duran, do disco “Rio”, sendo uma balada lenta e a penúltima do lado B, não tivesse virado o hit que virou na época.
Esse tempo, do CD completo, está quase passando. Hoje, como se sabe, compra-se a música separada, e de acordo com Simon Gillham, vice-presidente da Vivendi, grupo francês de mídia que controla a Universal, o prazo estimado pelos analistas da gravadora para que os CDs sumam do mapa pode ser de dez anos.
De onde vem o “hit” que DEVE ser ouvido hoje? Da capa de um caderno de cultura? Do blog musical de quem sabe das últimas? De um Facebook ou Twitter de alguma celebridade da internet? De um vídeo babado? De revistas especializadas? Dos prêmios? (Souberam que o Grammy reduziu 31 das suas 109 categorias para 2012?) ou de novos (e velhos) DJs e suas favoritas via redes sociais?
Temos mais de 80 agências de DJs no Brasil, e como taxis, não faltam DJs em São Paulo. Pensando bem, isso pode ser bom, neste caso, assim, os DJs conseguem voltar a determinar o rumo das coisas. Não?
Felipe Venancio é DJ e produtor musical, sócio do estúdio 12. Ele escreve mensalmente neste espaço.
O stylist Nicola Formichetti – colaborador assíduo e fanzoca de Lady Gaga – editou todo o figurino do novo videoclipe “Telephone”, a versão Gagaesca da música que já havia sido lançada, sem grande sucesso, em janeiro deste ano pela Beyoncé com o nome “Videophone”.
O videoclipe sob a batuta do diretor Jonas Akerlund (ele já fez vários pra Madonna e adora “homenagear” grandes cineastas) é esperto e tem roteiro tipo “Paparazzi”, que inclusive também foi dirigido por ele. Desta vez, Akerlund olha sem dó nem piedade para Quentin Tarantino, colocando em cena até a “Pussy Wagon” usada nos filmes “Kill Bill”.
E eu tenho que falar que o finalzinho me lembrou muito “Thelma & Louise”, que foi dirigido pelo idolatrado-salve-salve Ridley Scott (o mesmo cara que abençoou o mundo com os clássicos sci-fi “Blade Runner” e “Alien”).
Mas depois desta pensata até dá pra relevar o ctrl+c/ctrl+v.
Assista:
E o Nicola Formichetti que é super dedicado postou todos os créditos das roupas no seu blog, alçando o videoclipe a categoria de editorial de moda. Trocamos algumas mensagens no Facebook e ele autorizou que o FFW reproduzisse o conteúdo. =D
Confira:
Vestido feito sob encomenda por Jean Charles de Castelbajac; óculos Mercura
Acima, croqui original da dupla Viktor&Rolf, que desenvolveu essa roupa com correntes gigantes exclusivamente para “Telephone”. Os óculos feitos com cigarros de verdade são da Haus of Gaga
Jaqueta com tachas Search and Destroy e óculos Chanel vintage
Todos os biquínis são da Haus of Gaga
Fita especial feita sob encomenda por Brian Lichtenberg
Look total Thierry Mugler vintage
Chapéu e body Thierry Mugler vintage
Vestido e chapéu de Atsuko Kudo; óculos Jeremy Scott
Chapéu de telefone Fred Butler
Vestido Rachel Barrett; adorno de cabeça em forma de telefone por Danilo
Lady Gaga usa Haus of Gaga e Christian Louboutin; Beyoncé veste Oscar Olima
Jaqueta e sapatos Jean Charles de Castelbajac; shorts Franc Fernandez e Oscar Olima
Vazou na noite de ontem (03/01) um pequeno videoclipe animado do dueto (até então) inédito entre Michael Jackson e Lenny Kravitz para a música “Another Day”:
Aproveitando o gancho de MJ, assisti no último fim de semana – com atraso, eu sei – ao filme “This Is It”. Muito melancólico, chegou a dar um nó na minha garganta. É inevitável desejar que Michael tivesse vivido o bastante para orquestrar o show que teria sido, provavelmente, o maior espetáculo da Terra.
Pra mim, Michael é o artista definitivo. E qualquer pessoa que entenda o mínimo (ou queira entender algo) sobre música, vai concordar.