Rick Genest, o futuro e Arena Homme +

Depois de desfilar e virar a cara da nova fase da Mugler, o tatuado Rick Genest ensaia novos passos. Sempre ao lado de Nicola Formichetti, o zombie boy está cotado para ser uma das estrelas do novo vídeo de Lady Gaga, que teve direção de Nick Knight e foi gravado em Los Angeles. Além disso, o moço também posou para as lentes de Steven Klein. Essas fotos devem sair em uma das próximas edições da Arenna Homme +, que deve vir sob nova direção, afinal, Jo-Ann Furnish deixou o cargo de editora-chefe da revista mês passado.

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Sui Generis

04/11/2010

por | MODA

via @randreh

collage-generos-by-©RomeuuuColagem by @romeuuu

Essa coisa de “gêneros” _que foi pauta para o mais-que-querido-e-competente repórter Luigi Torre aqui no FFW_ sempre esteve muito acesa na minha cabeça. Do ponto de vista clínico, entendo pouco do assunto, quase nada: não sei se o “gênero” é uma condição biológica, uma filosofia, um estado de espírito, uma escolha. Mas sei que, pra mim, a “diferença” sempre foi algo absolutamente natural, parte da minha órbita.

Tudo isso via cultura pop.

A minha primeira lembrança do tema vem do Neil Gaiman _escritor norte-americano_ e de sua série de quadrinhos “Sandman”. Um dos personagens, Desejo, era representado por uma figura masculina/feminina. No roteiro, ela(e) é irmã(o) gêmea(o) de Desespero. Desejo vive num lugar chamado “O Limiar”, e é descrita(o) como sendo tudo aquilo que você já quis ter. Seja lá quem você for. Seja lá o que você for. Por isso Desejo não pode ter gênero. Tão simples, mas tão genial: uma entidade assexuada, mas que pode assumir o sexo que quiser, e que habita um local que fica na fronteira de tudo. Uau.

Também cresci soterrado em pilhas e mais pilhas de mangás e animes, sonhando com sushis, sashimis, bonsais, hideogramas, hentais, yaois. No Japão, a questão do gênero sempre foi abordada com um requinte extra de vanguardismo. O próprio teatro kabuki, em sua gênese no século 16, tinha homens no palco com vestimentas femininas. Tecnicamente, o estilo de desenhar japonês não existe sem a androginia, sem a transvestimenta, sem esse gender bender _para os mangakás, virar o sexo do avesso é via de regra. Até mesmo os mais conservadores, tipo o Osamu Tesuka, criador de “Astro Boy” e apelidado de “o deus do mangá”, escreveu uma história intitulada “A Princesa e o Cavaleiro”. Nela, a personagem feminina precisa fingir que é um homem para ter o direito de ocupar o trono. O desenho passava aqui no Brasil em meados dos anos 1980, e foi um grande sucesso.

Uma coisa que nunca chegou aqui no Brasil foram os astros do J-POP e do J-ROCK, movimentos musicais importantíssimos no Japão. Uma pena.  Eles dão uma aula de cross dressing, deixam nosso querido _e valente!_ Laerte no chinelo. Mana, guitarrista do grupo Malice Mizer, era macho de respeito que se transvestia de gothic lolita pra tocar. Ficava parecendo uma bonequinha, um bibelozinho possuído por Jimi Hendrix (em suas devidas proporções, claro).

Descendo a ladeira da memória, vieram Shun em “Cavaleiros do Zodíaco”, Leiga e Hyouga em “Shurato”, “Bronze & Zetsui”, Olho de Peixe em “Sailor Moon”. E a pergunta: Eram homens? Eram mulheres? Eu ainda era muito, muito novo quando vi o Boy George na televisão pela primeira vez. Foi um baque. Pow. E de novo: Era uma mulher? Era um homem? Era um gênio. Daí fui buscar gente que tinha feito isso antes mesmo de eu nascer, tipo Annie Lennox e David Bowie, e outras épocas _como os anos 1970_, onde “todo tipo de amor era válido”.

Veio também o Marilyn Manson, primeiro em sua fase horrenda, macabra _”Portrait of an American Family” era um pesadelo em forma de disco. E, de repente, ele e sua trupe (destaco aqui Twiggy Ramirez, sempre vestido de boneca assassina) se tornaram praticamente uma religião. “Mechanical Animals” foi lançado bem na época em que eu estava começando o colégio. Todos os colegas de sala tiravam o maior sarro, esbravejavam ódio contra o artista que aparecia na capa do disco nu, sem órgãos genitais, com peruquinha vermelha e seios brotando de uma fisionomia alienígena. A raiva da turma só era maior quando o vídeo de “Dope Show” ficava em #1 lugar no Disk MTV. E foram muitos dias de raiva: o clipe não saía do topo das paradas aqui no Brasil. Na MTV também ouvi sobre o Placebo, “uma banda que tinha um vocalista andrógino”. E o VJ abria um parêntesis pra explicar o que significava androginia: andros (homem) + gyne (mulher).

“Constantine”, HQ que foi adaptado para o cinema com casting estelar, se tornou uma referência máxima: no cinema, a über andrógina Tilda Swinton interpreta com louvores o arcanjo Gabriel. Porque um anjo, como todos sabem, não tem “gênero”.

Também é muito fresca a lembrança que eu tenho da Marcelona na porta dos primeiros clubs que frequentei em São Paulo, no comecinho dos anos 2000. Again: Era um homem? Era uma mulher? É uma das pessoas mais queridas que já conheci. O mesmo aconteceu com o Johnny Luxo. Ainda morava em Santo André (cidade que eu carinhosamente apelidei de San Andreas) quando Regina Casé apresentou Johnny no programa “Brasil Legal”. A pergunta que me fiz, você já sabe. Ele se tornou um ídolo, hoje um grande amigo. O mesmo vale para o performer Alisson Gothz, que se aproxima muito dos astros da montação J-POP.

E essa nova geração de gender benders? A revista “Candy”, Andrej Pejic, Lady Gaga, Lea T., Felipe Abe, Uni Corrêa, Renata Bastos, Caio Tavares, a trupe dos Underaged Heartbreakers (não poderia deixar o vampiro-mirim Adler David de fora dessa lista) até a Katylene, que faz uma transgressão apenas virtual de “gênero”. Não importa se são meninos, se são meninas, se são gays, se são heteros. Que tipo de pergunta é essa??

Oscar Wilde escreveu num dos seus livros mais legais, “O Retrato de Dorian Gray”, que quem se define, se limita. Isso sim é filosofia pra vida. É um mantra de tolerância que todos deveriam praticar. Essa conversa sobre “gêneros” na moda _no mundo_ não é novidade, mas muito me interessa. Se interesse também.

Aprendi em casa que as outras pessoas são “gente como a gente, filho”.

Essas palavras do meu pai ecoam até hoje.

Muitas vezes num som ensurdecedor.

Stella Tennant como Joe McKenna na Self Service

23/09/2010

por | MODA, REVISTAS

Já mostramos aqui Inez vans Lansweerde de barba na capa da The Gentlewoman, capa linda e absurda. Na Vogue Hommes Japan, Lady Gaga como Jo Calderone. E agora Stella Tennant vestida de Joe McKenna (e não é que ela é mesmo bem parecida com ele?), na capa da nova edição da Self Service, dedicada ao stylist. Isso me deixa mais tranquilo em relação a revista, afinal, em se tratando de Joe McKenna podemos esperar coisas bem íncriveis e não só um apanhado de polaroids sem graça como foi a última edição da revista.

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DO ask, DO tell

Tá vendo como gente assim é que movimenta o mundo?

Go, Gaga:

+ http://www.sldn.org/blog/archives/gaga

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E daí que você já viu isso antes?

via @randreh

Já disseram tudo _ou nunca se diz tudo?_ que havia pra ser dito sobre a Lady Gaga. Aqui mesmo no FFW, a primeira matéria que publicamos sobre ela foi no final de 2007 (via @gab_marchi, antena ligadíssima em cultura pop na brilhante equipe que eu comando).

Lembro que nem “Poker Face” havia sido lançada, Gaga afirmava ser uma extraterrestre em missão na Terra (tinha uma série de vídeos no You Tube sobre isso, mas já sumiram com tudo), não tinha perfil no Twitter, zero prêmios no currículo e, o mais bizarro, sua gravadora no Brasil dizia que “ela provavelmente não seria lançada por aqui porque era muito alternativa”.

Então.

Estamos em 2010 e Gaga é o maior fenômeno da cultura pop, da música e da moda _do mundo!_ desde, sei lá, Madonna ou Michael Jackson? Tem a coisa do figurino-apoteose, tem a coisa do videoclipe-filme, tem a coisa da internet-magia. Tem alguma coisa aí. O querido Marcelo Sebá explicou num texto que publicamos aqui esse magnetismo não-quantificável que a torna tão absolutamente qualificada para ocupar o trono.

2011/10/3052_lady-gaga-sunday-times-camille-pagliaLady Gaga no recheio da revista  dominical do jornal americano “Sunday Times”: alvo de chumbo-grosso ©Reprodução

Mas nem todo mundo tem motivos para celebrar. Camille Paglia, feminista americana e autora de best-sellers sobre o tema, publicou um texto DE-TO-NAN-DO até o último fio de cabelo de Stefani Joanne Angelina Germanotta, ou, como todo mundo a conhece, Lady Gaga, uma “menina que teve uma vida incrível, nunca passou por nenhuma dificuldade notável e ainda estudou no mesmo colégio particular onde estudaram as irmãs/herdeiras Paris e Nicky Hilton”.

Para a escritora, Gaga representa o fim da revolução sexual. Camille atira seu poderoso arsenal sem dó nem piedade: “Lady Gaga não é sexy, ela sofre de uma disfunção sexual”. No texto que foi publicado só parcialmente no site do “Sunday Times”, a cantora é dissecada viva e ganha um novo título: “Déjà vu diva”. A diva do “eu já vi isso antes”. A feminista cita Marlene Dietrich, Madonna, Janis Joplin, Tina Turner, Cher, Jane Fonda no papel de Barbarella, Gwen Stefani, Pink, Isabella Blow e Daphne Guinness como referências de mulheres que facilitaram a vida de Lady Gaga na hora de construir a sua imagem.

Dá pra engordar essa lista com David Bowie, Boy George, Jimi Hendrix, Prince, Grace Jones, Cyndi Lauper e ____________ (<– complete o espaço com praticamente qualquer artista pop). Além disso, depois que Lady Gaga conheceu Nicola Formichetti, não tem como não olhar para as bandas de J-POP, as goth-lolitas e todo aquele povo que vive numa realidade paralela no fantástico bairro de Harajuku, no Japão.

2011/10/3057_ladygagaandfriendsAs mil e uma fontes de inspiração de Lady Gaga numa colagem extraordinária do artista @romeuuu ©Romeuuu/FFW

O discurso de Camille Paglia pode ser apenas mais um desses rancores que jornalistas “antigos” alimentam contra tudo aquilo que é “novo”. Mágoa de caboclo. Mesmo assim, Camille é uma das críticas culturais mais respeitadas dos EUA _e uma das mulheres (públicas) indubitavelmente mais inteligentes do mundo.

Esse caldo já começou a engrossar, por exemplo, com Cathy Horyn, crítica de moda do “NYT” que na sequência de Camille publicou uma resenha com o título “Gaga-free” (livres de Gaga), onde argumenta que “a moda está ficando farta da frieza intergaláctica de Lady Gaga. Queremos algo mais próximo da nossa realidade terrestre”.

Eu, particularmente, gosto da figura da Lady Gaga. Essa coisa de mentir que venceu na vida against all odds, de estar sempre com uma puta cara de tédio, de fingir que foi excluída pelo mundo, de ser total produto e nada _ou quase nada_ verdade. É uma caricatura que só. E é também uma figura de linguagem, uma metonímia do mundo em que vivemos _do mundo em que eu vivo, o volátil mundo da moda. Ela é a parte que representa o todo. Lady Gaga é o que os cientistas chamam de “amostragem”.

Mas eu gosto mesmo é desses questionamentos que ela desperta, dessa discussão que ela causa. Todo mundo quer ter uma opinião quando o assunto é Lady Gaga. Todo mundo TEM uma opinião. Não importa se ela vai durar pouco ou muito, o importante é o que ela tem feito com o tempo que lhe resta. Isso continua valendo mesmo se ela estiver mais interessada nos cifrões do que nas cifras.

E daí que você já viu isso antes? Gente assim é que empurra o mundo pra frente.

Go, Gaga.

Sagrado & Profano

03/08/2010

por | FOTOGRAFIA, MODA

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Não é de hoje que a moda bate de frente com a religião e transforma o que é pregado dentro das quatro paredes das igrejas em imagens fortes, polêmicas (como a do jeans Jesus, quem lembra?) e inspiradoras.

Pra começar, o trabalho da estilista Sorcha O’ Raghallaigh, formanda da Central Saint Martins, que apresentou uma das melhores coleções da turma de 2010, inspirada no filme “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” e desfilada com modelos com pernas de pau. Mas a imagem que se tem da coleção é de uma santa, vestida de branco, lembrando muito todos os detalhes da nova coleção de alta-costura da Givenchy, que foi desfilada mês passado, em Paris. Inconsciente coletivo, sinal dos tempos que vivemos.

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Abaixo, as freiras fashion fotografadas por Sebastian Faena para a Pop, em 2008, ainda com styling de Katie Grand. Se na campanha da Benneton (no auge do seu sucesso nos anos 90 com o comando de Oliviero Toscani), as freiras já demostravam interesse pelos padres, aqui elas vão além disso, junto com o modelo Andres Velencoso Segura. A moda se apropria de fatos da vida real para criar suas histórias. Afinal, essas imagens abaixo não iriam ser produzidas se a lei do celibato não começasse a ser discutida internacionalmente.

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Se Madonna nos anos 90 foi a responsável por bater de frente com a igreja católica, hoje em dia esse lugar é ocupado por Lady Gaga, a cantora que diz “God bless the gays” para quem quiser ouvir e nem se importa com a repercussão que isso vai tomar. Afinal, falem bem, falem mal, mas falem dela. A última da moça foi no clipe de Alejandro, onde aparece engolindo um crucifixo, tudo com a direção de Steven Klein, que afirma “a personagem escolhe ser freira, e sua boca e seus olhos desaparecem porque ela transfere seus sentidos do mundo do mal para uma busca interior de orações e contemplação” e que o clipe mostra “a luta da personagem entre as forças obscuras desse mundo e a salvação espiritual da alma”. Talvez isso tudo não estivesse no roteiro do clipe se todo o agenda-setting estivesse conspirando para uma coisa só: religião.

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Lady Gaga, vestida de freira, engolindo o crucifixo no clipe de Alejandro © Reprodução

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Acima, Carine Roitfeld moderniza e quebra o clássico arquétipo da imagem de Jesus na cruz, usando um modelo oriental (Paolo Roldan é o nome dele), a coroa de espinhos no pescoço e nada de cabelos compridos, muito menos cruz pra segurar o corpo. A foto foi feita pela dupla Mert Alas & Marcus Piggot para uma matéria especial sobre a Givenchy na Vogue Paris.

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No começo dos 2000, David LaChapelle fotografou o brasileiro Rafael Argenta pelas ruas de L.A para a i-D. Um pouco literal, mas nem por isso menos íncrivel. © Reprodução

A ffwMAG! entra nesse grupo também: em 2009, fez a edição Crença com o editorial especial fotografado pelo Fábio Bartelt e, recriou esse ano a santa ceia no editorial Ser/tão, Ser/Tudo, em fotos de Zee Nunes & André Katapodis, na edição Norte. Ambos com styling de Paulo Martinez. Nesse caso, a interpretação foi mais brasileira, a mesa vazia…

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Mas Falando em Givenchy, a marca é uma das responsáveis por essa “onda religiosa” na moda. Esses elementos sempre estão presentes nas coleções da marca e no repertório de refêrencias da dupla Riccardo Tisci, estilista e diretor criativo, e Panos Yiapanis, stylist e consultor da grife.

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Acima, coleção masculina da Givenchy. “A religião está em boa parte do meu DNA e a coleção baseia-se no meu catolicismo e na religião em geral”, contou Riccardo Tisci em janeiro, logo depois de apresentar essa coleção. Ao lado, Mariacarla Boscono com look da coleção de alta-costura também da marca, mês passado, em Paris. © Reprodução

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Acima, Lara Stone encarnando a Nossa Senhora Aparecida na Vogue Paris, em foto de Steven Klein. Pura semiótica © Reprodução

E claro, não podia faltar Madonna, na capa da Interview. Fabien Baron, que não é bobo e nem nasceu hoje, sabe do histórico de polêmicas com a igreja  e resolveu marcar ela, como a Biblía descreve no livro de Êxodo: todo aquele que estiver marcado com o sangue não sofrera nenhum mal. A cantora, que no final dos anos 80 causou o maior rebuliço por conta do clipe de Like a Prayer, meio que acerta as contas 21 anos depois.

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E abaixo, na linha tênue entre o sagrado e o profano, Natasha Poly na capa da Muse.

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Marcelo Sebá: Lady Gaga é biscoito fino para as massas

12/07/2010

por | MODA

via @MarceloSeba

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As fotos do acervo pessoal de Marcelo Sebá: acima a Polaroid autografada em seu nome pela cantora e retratos de Marcelo ao lado de Lady Gaga, Nicola Formichetti e Terry Richardson ©Marcelo Sebá | Colagem: Romeuuu

A primeira vez que vi a Lady Gaga foi totalmente por acaso, browseando no You Tube dei de cara com um vídeo de um show moderninho, num clube de Nova York, onde uma loirinha levava a (pequena) plateia ao delírio com uma música chamada “Paparazzi”. Vi algumas vezes e depois esqueci. Comecei então a ouvir falar da tal da Lady Gaga, mas não dei muita atenção, até o dia em que a Flávia Lafer postou o clipe de Paparazzi no seu Facebook e eu finalmente juntei os pontos: a loirinha era a tal da Lady Gaga, que a essa altura já tinha crescido e aparecido – bastante, inclusive. Passei – como metade do planeta – a me interessar e acompanhar seus passos e me divertir com as músicas novas, com os clipes novos, com as loucuras fashion, com os factóides e com todo o universo que foi se construindo em torno dela.

Em janeiro, vim a Nova York fotografar a campanha de inverno do Sergio K e comemorar o meu aniversário. Vi que ela se apresentaria no Radio City Music Hall e me dei um super ingresso de US$ 600 na décima fila central para assistir à estreia. Choque, babado e confusão. O show era incrível, uma movimento de carreira preciso. Fazer o show no Radio City não só impunha prestígio como possibilitava explorar efeitos cênicos que um mega show não permitiria. O roteiro era enxuto e o cenário não tinha muito mais do que três paredes de LEDs que fechavam a cena atrás e nas laterais, escondendo os músicos na maior parte do show e colocando ela e os bailarinos em primeiro plano. Um piano de cauda impecavelmente cenografado entra em determinado momento para que ela cante “Speechless” e uma versão romântica de “Poker Face”, abrindo caminho para que ela mostrasse que não estava ali a passeio. É música, toca de verdade, compõe de verdade e canta de verdade. Profundamente emocionada por estar pisando pela primeira vez naquele palco, contava histórias engraçadas sobre a nova condição de celebridade e da felicidade que sentiu quando percebeu que havia criado uma conexão com seus “little monsters”. Nessa época eu disse ao Terry Richardson: “Você TEM que fotografar essa garota! Ouça a música dela e fotografe-a, pois ela é o que há de mais bacana no POP hoje”.

Voltei pro Brasil mais fã do que nunca e com a letra de “Alejandro” na ponta da língua. A coisa virou piada, muitos amigos passaram a me chamar de Alejandro. O mais divertido hoje é ver a quantidade de gente que tirou sarro da minha cara e hoje canta a música de ponta a ponta. Sim, porque tirando o Jackson Araújo, que sempre tocou Alejandro, e o meu companheiro de pista Serginho Amaral, eu perdi a conta de quanta gente xoxou essa música.

Tornando menos longo um texto enorme, vamos pular para o presente! Alguns meses, muitos hits e dois clipes depois, estou me preparando para ir para um evento quando recebo um telefonema do Seth, manager do Terry. Atendo e ao invés de ouvir a sua voz, ouço um: “Hi Marcelo, it’s Lady Gaga”.  Pânico, paralisia facial e um grito: “What???? How????”, e só então a gargalhada do Seth. Eles a estavam fotografando para a “Rolling Stone” (recorde de vendas da história da revista, tá? muah!) e acabavam de pegar uma Polaroid autografada para mim. Dias depois, mais uma surpresa: Lady Gaga faria uma série de shows no Madison Square Garden e convidou o Terry para a estreia. Como americano não é como brasileiro, que não reconhece as coisas que você faz, ele elegantemente me convidou para ser seu “plus one”, afinal eu sempre havia falado dela e sou fã declarado.

06 de julho de 2010, 19:00. Encontro o Terry na sua casa no SoHo, onde um motorista espera para nos levar para o show. Convites, ok. Credenciais para backstage, ok. Terry terá que sair no meio do show para ir para o aeroporto, pois vai para Paris nessa mesma noite. Tentou mudar a data do trabalho para ver o show, mas não conseguiu. Posto isso, acho que não é dessa vez que vou conhecer a Gaga.

20:00, Madison Square Garden. Ficamos na porta fotografando o público. Ali, encontro alguns amigos. Entre eles, Diogo Kühner (subsecretário de esportes do Rio de Janeiro), Fernando Altério, o arquiteto André Meloni e o galerista português André Viana. Na plateia, ao nosso lado está Stephen Gan, diretor criativo da “V Magazine”. Terry faz a encomenda: “Steve, terei que sair mais cedo para ir para Paris, mas o Marcelo é um grande fã. Você o levaria até o camarim e o apresentaria à Gaga. Não deixe de tirar uma foto dos dois”. Stephen diz que “claro, com o maior prazer” e eu penso “f…, vou conhecer a mulher!”. Antes de começar ainda recebemos a ilustre visita do Nicola Formichetti, stylist responsável por absolutamente TODOS os looks dela, seja nos shows, aparições, capas, clipes e editoriais. Uma cabeça extremamente criativa, um apaixonado por moda que encontrou em Lady Gaga o seu melhor e maior meio de expressão. Gaga por sua vez encontrou nele o cara capaz de atender aos seus desejos fashion. Dois anos atrás eu vi o Nicola falar no Pense Moda. Ao ser questionado sobre como as questões sociais, políticas e /ou econômicas interferiam no seu trabalho, ele respondeu simplesmente: “De forma nenhuma. Meu trabalho é criar belas imagens e difundir o conceito de moda. Essas questões não me interessam quando estou criando”. Pá!

21:00, começa o show. Mais uma vez, Gaga surpreende. Aquele show do Radio City não existe mais. Agora temos uma superprodução, com vários cenários, muito mais músicas (novas, antigas e até inéditas) e seus delírios fashion elevados à potência máxima. Não há roupa que a detenha. Não há salto que a intimide. Ela encara todos os figurinos e com eles canta, dança, se joga no chão, se diverte e nos diverte. Toca piano com a bota Louboutin, diz que, assim como a Fada Sininho, precisa de aplausos para não morrer e faz um discurso emocionado: “Há apenas dois anos eu estava aí, nessa plateia, de onde assisti Cher, Madonna, Elton John, Kiss, Rolling Stones… E pensava ‘um dia eu vou subir nesse palco’. Eu estou aqui e espero servir de inspiração para cada um de vocês. Não acreditem se alguém disser que você não é bonita o suficiente, talentoso o suficiente, se não dança ou não canta o suficiente, pois eu estou aqui e um dia vocês também podem estar. Eu amo Nova York, sou daqui e não existiria sem Nova York. Hoje os freaks estão todos trancados… do lado de fora do Madison Square Garden”. Logo em seguida, pega uma espécie de cajado com um refletor na ponta e aponta para a plateia. Comenta looks, faz um e outro comentário, aponta… para nós (me borrei todo) e diz: “Oh, there are my friends Terry and Stephen. Hi friends!”

22:00. Logo após Speechless, Terry se despede e sai em direção ao aeroporto. Alguns minutos depois, um BBM: “Como ela é boa! fiquei tão triste por ter que sair que estou chorando!”.

23:00. Termina o show, Nicola vem nos pegar e nos leva ao camarim. São cerca de dez convidados lá dentro. E lá estou eu, de frente para a tal Lady Gaga. Como ela é? Bom, é uma menina. Tem 24 anos. Conversa animadamente, pergunta se gostamos do show, ouve o que a gente fala, fala coisas interessantes, apresenta o namorado (gaaaaaato), pergunta pelo Terry e diz para quem quiser ouvir: “Esse cara (Stephen Gan) foi quem me deu a minha primeira capa importante, foi o primeiro a apostar em mim!”. De novo, americano sabe dar crédito… Digo que sou fã dela, mas também grande admirador do Nicola, ao que ela responde: “Se você o admira, imagina eu!”. O papo corre solto e eu, que tenho simancol, me despeço para que os amigos fiquem à vontade. Antes de sair, Stephen cumpre a promessa e faz fotos nossas com o meu BlackBerry.

Fui de novo ao show e fiz uma última constatação: sua performance é verdadeira e apesar de falar coisas similares, seus textos são espontâneos. Na segunda vez, por exemplo, ela já não falava da emoção de pisar no palco do Madison Square Garden, mas descreveu a alegria que sentiu ao reunir uma multidão de 20.000 pessoas para uma aparição que fez de manhã no Rockefeller Center.

Mas afinal de contas, por que essa admiração desenfreada por essa menina? Aqui vão meia dúzia de motivos:

01_ Fora a música (que já seria suficiente), eu acho que Lady Gaga já deixou sua marca para sempre na história do POP mundial por ene motivos. Ela é a artista que sabe do que está falando e só fala sobre o que conhece. Usa sua formação musical (estudou na Juliard) para criar músicas simples, que conseguem retratam com precisão siuações e conflitos da sua geração. Conversa com o público (às vezes até demais), levanta a bandeira dos esquisitos e gasta tempo e acordes para descrever situações prosaicas, como na divertida “Just Dance”, que fala daquela sensação que todos um dia sentimos, quando “bebemos vinho demais” (se fosse só vinho tava bom) e já não sabemos mais  nome do clube, quem é o DJ, vemos tudo embaçado, perdemos o celular, mas quer saber, continue dançando que vai ficar tudo bem!

02_ Ela reaqueceu a indústria fonográfica e conseguiu VENDER milhões.Veja bem, vender!

03_ Reinventou e fez renascer o videoclipe. Soube fazer bom uso do merchandising (nos clipes e nos shows) e com isso viabilizar superproduções, que a essa altura já duvidávamos que voltariam a existir, já que a indústria andava desacelerada e a internet aparentemente não justificava grandes investimentos em clipes.

04_ Na Era da internet, ela sabe se mover na velocidade da luz. Não perde tempo. Se reinventa todos os dias, explora todas as possibilidades. Logo, se acabar amanhã, já terá feito muito.

05_ Ela encoraja seus fãs a se aceitarem e se imporem como são. Recentemente, o patinador Johnny Weir (outro de quem sou fã), deu um baile em dois jornalistas canadenses que fizeram uma piada sobre o fato dele se apresentar montado ao som de “Poker Face”. Disse na entrevista coletiva em Vancouver: “Se querem falar sobre o meu desempenho como atleta, estou aqui, mas não admito que falem da minha vida pessoal. Tenho a sorte de viver na mesma época que Lady Gaga e faço parte de uma geração que não quer ser julgada por ir para a cama com essa ou aquela pessoa. Esse conceito de masculinidade e femininidade é cafona.”

06_ Madonna influenciou a moda, ok. Gaga fez o caminho oposto. Mostrou o quanto a moda é importante como forma de expressão do indivíduo. Valorizou a moda e não pensou duas vezes antes de dar de ombros para a crise mundial e colocar a moda lá em cima, voltando o foco para os criadores. Mistura o novíssimo com os clássicos, com criações próprias e bota tudo na mesma panela. Dá a cara pra bater, mas segura o look. Endossa os delírios criativos dos estilistas, usando um Armani de tubos plásticos, os lindos (e imagino que desconfortabilíssimos) sapatos McQueen e com isso joga por terra a resignação com a ideia de que “o que se mostra na passarela não é para ser usado”. Para Gaga é. Quanto mias esquisito, quando mais ousado, quanto mais delirante, mais chances a roupa tem de sair do seu armário. E com isso ela valoriza a moda e estimula o interesse pelo novo, pelo individual. Seus fãs ousam, inventam, improvisam, se montam. Quem tem grana, investe. Quem não tem, se vira como dá, faz em casa, garimpa peças usadas, mas seus little monsters gastam tempo elaborando looks. O resultado é uma plateia divertida, montada e, o mais importante, repleta de jovens que pensaram no que vestir e consomem moda.

Lady Gaga é, no bom sentido, biscoito fino para as massas. POP da melhor qualidade. E no sentido mais amplo da palavra. “POP” quer dizer POPULAR.  Cult é outra coisa.

*Marcelo Sebá é diretor criativo, já colaborou com marcas brasileiras como Ellus, Forum e Triton e foi diretor de marketing da Diesel no Brasil. Atualmente é responsável pela imagem das grifes Sergio K e Vide Bula.

Pensata da Palô #7: a moda agora pode se mover

16/04/2010

por | MODA

A crise da imagem de moda levou à corrente onda de editoriais em 3D. E até ao i-Pad como eventual tábua de salvação para o declínio das revistas impressas; leia-se declínio da publicidade das revistas impressas.

Vem da imagem de moda em movimento, entretanto, o sopro de renovação de que tanto precisamos. E de inspiração.

Por sua natureza, a roupa é tridimensional. Daí a diferença (que abordamos de leve e recentemente aqui nesta seção) entre assistir a um desfile e ver as fotos dele. Daí o crescimento das coberturas de desfiles com recursos de vídeo, que aos poucos foram se estendendo para outros segmentos do mercado de moda – a beleza, dentre as áreas com que essa mídia mais combina.

Já podíamos sentir esses ventos nas publicidades de perfume (“Egoïste”, de Jean Paul Gaultier por Jean Paul Gaude) e nos videoclipes com pegada fashion (George Michael com o elenco de supermodels do histórico “Freedom”), sentidos hoje com a força de tufões nos filmes de fragrâncias como Chanel e Dior e no filme para “Telephone”, de você sabe quem, dirigido por James Akerlund.


George Michael – Freedom ’90
Enviado por jpdc11. – Videos de musica, clipes, entrevista das artistas, shows e muito mais.

Que a justiça seja feita: foi Nick Knight em seu site Showstudio quem desbravou esse território, tendo no projeto Political Fashion o turning point. Foi quando ele chamou profissionais da moda não afeitos à linguagem do vídeo e da Internet para fazerem ouvir suas vozes. Até a voz do coletivo carioca Gema foi escutada globalmente, e de modelos e de maquiadores, e de stylists cujo talento, generosamente, Knight compartilhou conosco. E a Prada, mais uma vez, serviu de antena com suas lindas animações e filmes, abrindo espaço para outro leque de associados, de diretores de cinema a artistas plásticos.

E como um mundo pode conversar com o outro! O clipe engraçadão de Raquel Zimmermann dançando “Poker Face”, de você sabe quem, com o vestido de Gareth Pugh, ficou ainda mais interessante depois que você assiste ao vídeo praticamente em tempo real do estilista desenhando e cortando a peça sobre o molde, no chão de seu ateliê. Eu acho.

Com as facilidades de formato e edição de câmeras, iphones e softwares que até adolescentes de 12 anos podem dominar, a moda agora pode se mover.

Beijos em crossmedia,

Palô.

+ Leia todas as Pensatas da Palô que já foram publicadas

Vamo Batê Lata!

Nesta semana a gente publicou aqui na seção de Notícias do portal FFW uma matéria sobre as latas de refri que a Lady Gaga apareceu usando na cabeça. Entre as referências citadas por nós: Isabela Capeto, Alexander McQueen e Ashley Olsen num ensaio da “Marie Claire”.

Mas várias pessoas comentaram (na própria notícia) que a primeira imagem que elas tinham dessa estética era do club kid DJ performer Johnny Luxo. Fui investigar, conversei com o Johnny e depois de alguns e-mails trocados com ele, voilà:

2011/10/1238_johnny-luxo-coca-cola

Tipo incrível.

E descobri que essa foto foi feita no set de um filme chamado “Serial Clubber Killer”, vencedor do prêmio de Melhor Curta no Mix Brasil em 1994. No elenco, Marcão Morcerf vive um assassino que quer se tornar “a rainha dos clubes”, dividindo as cenas com Johnny Luxo, Katia Miranda, Cecí Mundinho, Danilo Make Up, Sonia Ushyama, Disk Putas, Mariquita e Fifi, a poodle.

Antológico! =D

Viktor&Rolf, Castelbajac e Chanel vintage: os looks de ‘Telephone’

O stylist Nicola Formichetti – colaborador assíduo e fanzoca de Lady Gaga – editou todo o figurino do novo videoclipe “Telephone”, a versão Gagaesca da música que já havia sido lançada, sem grande sucesso, em janeiro deste ano pela Beyoncé com o nome “Videophone”.

O videoclipe sob a batuta do diretor Jonas Akerlund (ele já fez vários pra Madonna e adora “homenagear” grandes cineastas) é esperto e tem roteiro tipo “Paparazzi”, que inclusive também foi dirigido por ele. Desta vez, Akerlund olha sem dó nem piedade para Quentin Tarantino, colocando em cena até a “Pussy Wagon” usada nos filmes “Kill Bill”.

E eu tenho que falar que o finalzinho me lembrou muito “Thelma & Louise”, que foi dirigido pelo idolatrado-salve-salve Ridley Scott (o mesmo cara que abençoou o mundo com os clássicos sci-fi “Blade Runner” e “Alien”).

Mas depois desta pensata até dá pra relevar o ctrl+c/ctrl+v.

Assista:

E o Nicola Formichetti que é super dedicado postou todos os créditos das roupas no seu blog, alçando o videoclipe a categoria de editorial de moda. Trocamos algumas mensagens no Facebook e ele autorizou que o FFW reproduzisse o conteúdo. =D

Confira:

2011/10/1132_Picture-8Vestido feito sob encomenda por Jean Charles de Castelbajac; óculos Mercura

croqui-viktor-and-rolf-lady-gaga-2011/10/1146_telephone-chain-look

2011/10/1133_Picture-9-2Acima, croqui original da dupla Viktor&Rolf, que desenvolveu essa roupa com correntes gigantes exclusivamente para “Telephone”. Os óculos feitos com cigarros de verdade são da Haus of Gaga

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2011/10/1135_Picture-19Jaqueta com tachas Search and Destroy e óculos Chanel vintage

2011/10/1136_Picture-23Todos os biquínis são da Haus of Gaga

2011/10/1146_telephoneFita especial feita sob encomenda por Brian Lichtenberg

2011/10/1137_Picture-25Look total Thierry Mugler vintage

2011/10/1138_Picture-30Chapéu e body Thierry Mugler vintage

2011/10/1139_Picture-34Vestido e chapéu de Atsuko Kudo; óculos Jeremy Scott

2011/10/1140_Picture-40Chapéu de telefone Fred Butler

2011/10/1141_Picture-43Vestido Rachel Barrett; adorno de cabeça em forma de telefone por Danilo

2011/10/1142_Picture-51Lady Gaga usa Haus of Gaga e Christian Louboutin; Beyoncé veste Oscar Olima

2011/10/1143_Picture-53Jaqueta e sapatos Jean Charles de Castelbajac; shorts Franc Fernandez e Oscar Olima

2011/10/1144_Picture-54Body de animal print Haus of Gaga

2011/10/1145_Picture-55Vestidos e chapéus de Emilie Pirlot

+ nicolaformichetti.blogspot.com