Um inverno para as mulheres

15/03/2010

por | MODA

2011/10/1176_celine-inverno-2010Céline inverno 2010 © firtVIEW

Voltando de Paris fiquei pensando um pouco sobre as principais mensagens da temporada. Sobre a onda minimalista que tomou de assalto às coleções internacionais para o próximo inverno. Em como linhas limpas, ausência de decorações e design em seu estado puro conseguiram dar status cool à austeridade. Em como a manipulação tecidos e exploração de formas de maneiras quase modernista transformaram o básico em inusitado.

Mas talvez, para além de um visual que grite “direto aos negócios”, haja algo maior por trás desse novo minimalismo impulsionado pelo sportswear clean do verão 2010 da Céline de Phoebe Philo. Por um lado, como que se aquelas formas simples fossem versões atualizadas do “power dressing” que deu força ao visual feminino lá nos anos 80 quando as mulheres começavam tomar seus postos no mercado trabalho.

Pensando por aí, tudo isso até faz certo sentido. Hoje, conforme indicam uma série de pesquisas publicadas no começo do ano, o sexo feminino já supera o masculino na força de trabalho de diversos países. As mulheres há tempos já são donas de seus próprios narizes e contas bancárias. Não precisam mais do apoio e sequer a aprovação do sexo oposto para qualquer decisão. E se antes, ela precisava subir em vertiginosos saltos, ousar na sensualidade ou então roubar do guarda-roupa masculino elementos de poder, hoje já não é mais bem assim.

2011/10/1174_stella-mccartney-inverno-20Stella McCartney inverno 2010 © fisrtVIEW

Talvez, sentindo a iminência de grandes mudanças sócio-culturais, estilistas estejam de fatos preocupados em como acompanhar tudo isso e encontrar seu papel no meio dessa silenciosa revolução. Para alguns a solução foi olhar para trás, para outro foi limpar a casa para dar novo “start” em seus negócios. Mas poucos, porém, parecem ter conseguido olhara além e percebido que nessa nova fase, seu trabalho não será apenas embelezar o guarda-roupa feminino.

Quando falamos que tecidos e roupas foram trabalhadas de maneira modernista, talvez não seja nem naquele modo de solução de problemas ou rompimento com o passado. Mas, sim, para levantar questões de realidade física ou até mesmo comportamental. Quem de fato foi moderno nesta temporada, foi quem conseguiu olhar para o futuro de maneira real, oferecendo roupas para realidade de fato (por mais que ainda distante ou reduzida) muito mais que para um futuro imaginado.

Exatamente como aconteceu com Yves Saint Laurent e Coco Chanel. Ambos, grandes gênios da moda do século XX, conseguiram entender as reais necessidades das mulheres, quando a grande maioria delas sequer sabiam que de fato desejariam tais elementos.

2011/10/1175_balenciaga-inverno-2010Balenciaga inverno 2010 © firstVIEW

Hoje, quem mais se aproximou de tal qualidade foi Nicolas Ghesquière, na Balenciaga, Raf Simons, na Jil Sander, Riccardo Tisci, na Givenchy, Alber Elbaz, na Lanvin, Marc Jacobs, Miuccia Prada e as meninas de ouro da temporada: Hannah MacGibbon, na Chloé, Stella McCartney e Phoebe Philo, na Céline (por mais que essa última coleção tenha carecido da energia da passada).

Essas últimas, além de oferecerem algumas das melhores coleções de semana de Paris, são exemplos vivos dessa nova mulher. Todas na faixa dos 30, mães, trabalhadoras e com reais necessidades que pedem por um guarda-roupa que não grite apenas: fashion! E muito menos só “business”.

Pensando bem, talvez a mensagem principal do inverno 2010 seja mesmo sobre feminilidade. Sobre feminilidade em suas mais variadas formas. Sexy, trabalhadora, voluptuosa, jovem, adulta, para noite, para o dia, mas sempre possível. Sempre real e sempre com as rédeas de suas vidas. Não foi à tona que os anos 60 e 90 foram as duas décadas mais referenciadas nas coleções internacionais. Ambas, trazem importantes significados para a vida do sexo feminino. Primeiro por toda aquelas questões de liberação sexual e autonomia feminina, depois por uma postura mais business bem equiparada com os homens.

2011/10/1173_louis-vuitton-inverno-2010Louis Vuitton inverno 2010 © firstVIEW

Sem contar que, pela primeira vez em muito tempo (acredito que desde os anos 60), o adjetivo “maduro” parece ter perdido qualquer conotação negativa. Supostamente, depois de anos em busca de juventude eterna, estilistas parecem ter percebido que suas consumidoras não são apenas garotas magrinhas de 20 e poucos anos. Não foi à toa que Miuccia Prada e Marc Jacobs para Louis Vuitton trocaram as modelos skinny de 16 anos, por mulheres mais velhas (ou menos novas) e curvas mais próximas da realidade da mulher comum. Formas voluptuosas, bustos em evidência, quadris acentuados.

Tudo bem, o conceito pode ter se mostrado mais interessante do que a roupa de fato – e principalmente na Vuitton onde as saias godês mega volumosas parecem retros demais para as atuais necessidades das mulheres. Mas, parece que a próxima temporada vem para legitimar (mais uma vez) a autonomia do sexo feminino.

Legitimação, talvez, até mesmo sobre o poder de estilistas e editoras de moda. Afinal, o mar de roupas simples, cores neutras e peças básicas pode ser entendido como uma tela em branco, onde cada mulher pode criar seu próprio estilo ou visual. Uma temporada, então, onde o estilo fala mais alto do que a moda em si.

Fernanda Lima & Cantão: na campanha e nas araras

09/03/2010

por | MODA

Além de estrelar o desfile e a campanha de Inverno 2010 da Cantão, Fernanda Lima ainda vai assinar uma linha especial para a marca para a temporada de Verão 2011. Ainda não há detalhes sobre a parceria, mas pergunta que fica é: será que as peças vão estar no Fashion Rio?

As fotos da campanha, ambientada em um casarão na Floresta da Tijuca, foram feitas por Murillo Meirelles em uma câmera analógica – ou seja, em filme! Negativos são uma super novidade hoje em dia. : )

2011/10/1117_cantao_inv10_062011/10/1118_cantao_inv10_04Fernanda Lima na campanha de Inverno 2010 da Cantão: o styling é de Pedro Sales e a beleza de Alê de Souza ©Murillo Meirelles/Divulgação

Basquiat + Keith Haring na campanha da Blue Man

05/03/2010

por | MODA

A Blue Man, que fotografou a campanha de Inverno 2010 debaixo de um viaduto próximo ao Píer Mauá, durante o Fashion Rio, revelou há pouco a campanha pronta.

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As fotos são de Jacques Dequeker, o styling de Felipe Veloso, o make de Max Weber e poses de Andressa Fontana (Way) e Bruno Cezario, coreógrafo do espetáculo “Boca do Lobo”.

A coleção, assinada pela estilista Marta Reis, foi inspirada em artistas de rua famosos como Basquiat e Keith Haring, e é a primeira após a morte do criador da marca, David Azulay.

2011/10/1059_basquiat-keith-haringObras de Basquiat (“Alto Retrato”) e Keith Haring, que está em maior evidência graças à “Vogue Paris” e à Madonna ©Reprodução

+ www.blueman.com.br

O que queremos?

05/02/2010

por | MODA

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Estou um pouco confuso… Não sei bem o que esperar dessa temporada de desfiles internacionais que está para começar no próximo dia 11 com a New York Fashion Week.

Quais são os reais desejos de moda que vão movimentar o mercado? O que fará sentido em nossas vidas nessa segunda década de século 21? O que vai se destacar mais nas passarelas do planeta fashion: criatividade explosiva ou extrema adequação às reais necessidades dos consumidores de moda?

Alguém aí sabe a resposta para alguma dessas perguntas? Porque, sinceramente, eu ainda não consegui chegar a nenhuma conclusão precisa. Já aqui, durante o Fashion Rio e SPFW, vimos uma divisão até que bem definida entre as marcas que se aventuraram por delírios fashion com imagens cheias de força, e uma atenção maior ao lado comercial.

Por mais instigante e inspirador que seja assistir a apresentações inventivas, cheias de criatividade, será que ainda há espaço para uma moda conceitual ou extravagante em nossas vidas – pelo menos nos dias de hoje? E se não há, então não seriam essas coleções de imagens marcantes ideais para quebrar o padrão?

2011/10/808_phoebe_philoNão sei bem porque, mas cada vez mais, e desde a última temporada de verão 2010, foram justamente as roupas e coleções de visuais mais simples, quase minimalistas que me chamaram mais atenção. Roupas fáceis de usar, prontas para vida real, dotadas de imensa versatilidade e praticidade adaptáveis ao dia-a-dia do consumidor comum e em diversas situações. Não aquele mar de cocktail dresses e roupas para noite que dominaram a última temporada como se vivêssemos numa festa sem fim.

Roupas que você bate o olho e vê que ali foram empregados reais valores de design, tecidos de qualidade, bom acabamento e que apesar de aparentemente simples, trazem cortes, proporções e modelagens atuais, que parece, perfeitamente corretos para os dias de hoje.

Ok, elas não são lá bem o que se entende por inventivas e pode até ser meio contraditório, já que a priori não trazem a novidade que a moda tanto busca. Mas e se essa simplicidade funcional for a novidade? E se essa ausência de extravagância, essa moda discreta e silenciosa for o novo da vez?

Lembro que adorei a coleção de verão 2010 de Viktor & Rolf. Junto com a do Alexander McQueen foi um dos poucos respiros fashion da temporada. Imagem poderosa, trabalho técnico apurado e conceito super bem amarrado. Mas como isso se relaciona com as nossas vidas? Alguém viu algum daqueles vestidos incríveis fora das passarelas e editoriais de revistas (não estou contando os tapetes vermelhos, tá?). Alguém se imagina em alguma daquelas peças fora de festas e ocasiões sofisticadas e que permitam (ou exigiam) um dress code mais ousado?

Enquanto isso, coleções como a da Chloé, da Celine e boa parte das de pre-fall 2010, como Gucci, Balenciaga e Prada, se mostram muito mais próximas da realidade do consumidor. E aí que fica minha pergunta: Sou super a favor de toda aquela explosão criativa dos desfiles mais conceituais, mas será tudo aquilo em vão? Para onde vai toda aquela técnica, todo aquele pensamento traduzido em imagens de moda? Sim, eles inspiram, mas cada vez mais me parecem mais distantes do que realmente queremos no nosso guarda-roupa e dia-a-dia.

Durante o fim de semana acabei discutindo esse mesmo assunto com a Fernanda Resende, da Oficina de Estilo e achei válido colocar aqui algumas conclusões que chegamos:
A Fernanda disse que “ee a gente se satisfaz com o “mais comum”, se deixa pra lá o “extravagante” (mesmo que só como referência!), fic amais difícil evoluir – tanto na forma de vestir, nas referências pessoais, quanto no exercício de ‘olhar fashion’, sabe? então eu ainda espero ver algumas viagens, uns vitkor&rolfs da vida, mesmo tando interessada de verdade nas roupas mais fáceis.”
E eu acabei concordando. Sem essa loucura a evolução fica de fato mais difícil e lenta. Eu só acredito que hoje em dia a viagem por si só não dá mais conta de inspirar ou servir como referência. Acredito que mesmo na mais maluca das viagens é preciso ter ainda algum traço ou elemento que relacione toda aquela imagem rica em informação de moda com a nossa realidade. É aí que está a diferença. Muito mais do que naquele equilíbrio entre o comercial e conceitual que a gente sabe ser tão importante para um bom produto de moda.
Antes um look absurdo já se bastava. Uma imagem poderosa dava conta de causar impacto pela sua pura extravagância e exuberância. Hoje não é tão simples assim. Talvez a gente tenha ficado cansado de loucuras fashion sem motivo ou vazias de sentido. Ou nosso olhar simplesmente evoluiu, buscando sempre alguma explicação ou conexão que valide ou torne de alguma maneira (até mesmo inspiracional) tudo aquilo um sonho possível.

+ Atualização: Durante o fim de semana acabei discutindo esse mesmo assunto com a Fernanda Resende, da Oficina de Estilo e achei válido colocar aqui algumas conclusões que chegamos:

A Fernanda disse que “se a gente se satisfaz com o “mais comum”, se deixa pra lá o “extravagante” (mesmo que só como referência!), fic amais difícil evoluir – tanto na forma de vestir, nas referências pessoais, quanto no exercício de ‘olhar fashion’, sabe? então eu ainda espero ver algumas viagens, uns vitkor&rolfs da vida, mesmo tando interessada de verdade nas roupas mais fáceis.”

E eu acabei concordando. Sem essa loucura a evolução fica de fato mais difícil e lenta. Eu só acredito que hoje em dia a viagem por si só não dá mais conta de inspirar ou servir como referência. Acredito que mesmo na mais maluca das viagens é preciso ter ainda algum traço ou elemento que relacione toda aquela imagem rica em informação de moda com a nossa realidade. É aí que está a diferença. Muito mais do que naquele equilíbrio entre o comercial e conceitual que a gente sabe ser tão importante para um bom produto de moda.

Antes um look absurdo já se bastava. Uma imagem poderosa dava conta de causar impacto pela sua pura extravagância e exuberância. Hoje não é tão simples assim. Talvez a gente tenha ficado cansado de loucuras fashion sem motivo ou vazias de sentido. Ou nosso olhar simplesmente evoluiu, buscando sempre alguma explicação ou conexão que valide ou torne de alguma maneira (até mesmo inspiracional) tudo aquilo um sonho possível.

Fashion Rio preview – os melhores croquis

29/12/2009

por | MODA

Recebemos aqui na redação 2 croquis incríveis de looks que veremos no próximo Fashion Rio.

Um deles é do estilista de Recife Melk Z-Da que transformou seu croqui de inverno em uma linda ilustração. O segundo é um croqui da coleção “Le Freak Cest Chic” da Auslander. A grife colocou o rosto da modelo Daiane Conterato no desenho do possivel look que a modelo deve desfilar em janeiro.

ilustração do estilista Melk Z-Da

ilustração do estilista Melk Z-Da

Daiane Conterato no Croqui da Auslander

Daiane Conterato no Croqui da Auslander

Débora Muller @ Way

22/12/2009

por | CASTING

A temporada de inverno 2010 só começa na primeira semana de janeiro, mas a gente já pode adiantar aqui um dos rostos que vai marcar presença nas passarelas do Fashion Rio e logo em seguida, no SPFW. Débora Muller, da Way, é uma das apostas pra próxima estação. Essas polaroids abaixo foram clicadas em NY, na agência One, que cuida da carreira dela lá fora. Na última temporada internacional, ela fez Rochas, Miu-Miu, Jean Charles de Castelbajac, Celine, Dries Van Noten, Yohji Yamamoto e outros. Ela também tá na próxima campanha do Alexandre Herchcovitch. Olho nela.

debora muller one mgt way model