Roupas Offline
Para o inverno 2010 _que começa a chegar às lojas do Hemisfério Norte agora_ a moda quis ficar mais “limpa”. Livre de decorações e excessos. Less is more, como nos anos 1990. A consequência disso é que as formas ficam mais puras, os cortes simplificados, as proporções práticas, as cores neutras e os tecidos, de alta qualidade, com superfícies inovadoras, tornam-se protagonistas.
Mas a moda não se resume as meras vontades comerciais e desejos de consumo. E assim, o extremo foco na superfície das roupas pode ter uma explicação um pouco mais subjetiva.
Quem nunca sentiu aquela vontade súbita de acariciar, apalpar ou simplesmente tocar uma superfície felpuda? Desde crianças somos levados por nosso subconsciente a estender a mão para essas coisas que praticamente pedem para serem tocadas. Um filhote, um ursinho de pelúcia, um cobertor aconchegante, um tricô confortável, uma cashmere peludinha e uma falsa pele…
Agora não é diferente. Quando o estilista responsável pela linha masculina da Lanvin, Lucas Ossendrijver, foi explicar as várias 2011/10/2665_texturas que aplicou em seu verão 2011 disse: “São roupas para serem tocadas”. Fundamento também percebido na coleção feminina da temporada anterior, onde Alber Elbaz quis lembrar da nossa atual carência de toque.
Hoje passamos grande parte de nosso tempo sentados na frente de uma tela de computador. Vivemos de imagens, relações virtuais e contatos online. Cada vez mais privados do contato real com pessoas e outros aspectos do nosso cotidiano.
Assim, os veludos, tweeds, lãs, tricôs, cashmeres, casimiras, peles falsas, plumas, couros, cetins, musselines, sedas e plastificados que ganharam destaque neste inverno surgem justamente para suprir essa necessidade. São roupas para serem sentidas. Estimular o toque, ou pelo menos a sensação dele.
Foto publicada em editorial da revista Dazed & Confused de setembro de 2010

Se a ideia era transformar a marca Valentino em uma grife para jovens herdeiras, Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli parecem finalmente estar encontrando o caminho certo. Desde que assumiram as rédeas criativas da famosa maison Valentino em outubro de 2008, a dupla de estilistas experimentou alguns códigos da marca enquanto traçavam caminhos incertos para a mesma. Inconstância seria um bom adjetivo para as suas primeiras coleções.
Foi-se o tempo em que Jean Paul Gaultier podia ser chamado de enfant terrible. Já faz algumas (muitas) coleções que o estilista tem se dedicado a alguns marcos de sua carreira. O desafio de Gaultier hoje parece ser outro, um ligeiramente mais difícil de ser visto assim de primeira (ainda mais quando visto por fotos).
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Nos desfiles de altacostura em Paris, roupas para o dia parecem estar em extinção. Com as grandes maisons apostando todas suas fichas em apresentações e coleções fantasiosas, roupas dotadas de uma certa realidade parecem cada vez mais escassas.
“Quero fazer a couture ainda mais especial do que é, não apenas outro desfile”, disse o diretor criativo da Givenchy,
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Look da altacostura inverno 2010 da Dior © firstVIEW




