Pensata da Palô #17: roer unha é a última fronteira da moda

14/07/2010

por | MODA

Um beijo pra quem acha que moda é fútil. Nós, fashionistas, agora acompanhamos (também) as tendências para as unhas. Nada dos velhos Renda, Paris, o bege clarinho ou aquele “branquinho básico”. Chegue em qualquer salão de beleza (badalado ou não) e você confirma isso (que possivelmente já sabe). E quem pedir conselhos vai ouvir opiniões desde a vizinha de cadeira até o cabeleireiro _protagonista ou assistente.

Os estilistas vêm se associando a marcas de esmaltes; a cada dia aparece mais um apaixonado blog dedicado ao segmento, e no Twitter as cores e marcas coqueluches pipocam. Por sua vez, manicures com bolsas com tons inesperados transformam-se em celebridades dentro de seus locais de trabalho e passam a ser disputadas pelas clientes com perfil “early adopter”. As followers fazem o que se espera delas: seguem.

As famosas que também seguem esse modismo ou inovam também são por isso valorizadas, ganhando mais atenção nas revistas. Entre as grifes, não é exagero dizer que cada desfile da Chanel é mais esperado pelo que vai mostrar nas mãos do que no que cobre o corpo. As unhas como última (?) fronteira do luxury. Quem não tem dinheiro para comprar um perfume grifado ao menos para um vidrinho de sonho colorido tem, vai!!

Ou não?

Para isso existem as marcas que prometem as mesmas cores das marcas importadas e preços compatíveis por aqui com a nossa realidade em reais.

Há lugares que essa febre é mais alta. Achei em Belém do Pará uma verdadeira Sephora de esmaltes. Não resisti. E trouxe mais de 12 itens, seduzida e encantada por matizes nunca vistos. Usei dois deles.

E já que falei na primeira pessoa, vamos a isso. Fã do filme “Cabaret”, fazem parte da minha vida as unhas verdes de (meu alter-ego) Sally Bowles. E sei de cor a fala da cena em que ela finalmente remove o duvidoso esmalte para um encontro com seu pai: “Positively a nun’s hand”, ela admite, mostrando para a câmera de Bob Fosse seus dedos cor de pele.

Há alguns anos eu encasquetei de pintar as unhas de branco bem opaco. Alguém reclamou: “Isso é coisa de garota de programa”. E eu, como sempre, nem aí para a opinião alheia.

Os esmaltes são mais uma fronteira, isso sim, da expressão pessoal e do desafio a estereótipos. Ao contrário dos anos 90, você pode pintar a unha de preto sem ser clubber. E pode usar verde ou branco sem ser tachada de prostituta. E pode misturar cores numa unha só. Pode pintar só um dedo. Pode pintar o pé de uma cor e a mão de outra. Pode deixar estragar. Pode deixar descascar.

Só roer é que não pode. Meeesmoooo. ; – )

Pensata da Palô #16: Alma verde e amarela (em tons pastel)

05/07/2010

por | MODA

Durante a bizarra semana passada e a Copa do Mundo tomando conta dos assuntos e da vida da gente, alguém (não lembro quem) perguntou no Twitter: É cafona usar verde e amarelo?

Era segunda-feira, ainda havia a esperança (ou pelo menos a animação) de o Brasil avançar para a final. Eu, que já acho que na moda pode tudo, dei meu endosso: não é cafona, não. Nem agora, com a seleção já em casa.

E a pergunta é bem interessante, gancho para esta atrasada pensata da semana _esquentada pelas tristes hard news da sexta, ufa.

Dunga se defende do fracasso, alegando que ao menos com seu escrete o país se conectou e se uniu, torcendo novamente pelo time nacional.

O nacionalismo brasileiro é mesmo coisa curiosa. O craque Tostão escreveu também sobre isso na Folha, parece que só batemos no peito de quatro em quatro anos. Ou quase isso: a mim me parece que somente o esporte nos faz verdadeiramente orgulhosos de onde nascemos e nos faz gritar o nome da pátria amada idolatrada salve salve. E, um pouco, o sucesso dos artistas brasileiros _desde que fora do Brasil, bem entendido. Foi Tostão também que observou: pouco nos lixamos para os feriados nacionais, apenas queremos que eles existam (o Brasil é um feriado, já disse Nelson Rodrigues). E quem quiser observar alguma comparação é só ver as fotos do 4 de julho americano. Se é que a lavagem cerebral do sonho americano possa ser parâmetro para algo.

Fato é que, colonizados que fomos, precisamos de elogios em outros idiomas para gostar de quem somos e valorizar o que por aqui se faz. Uma auto-estima claudicante, adolescente quase. Que se estende à moda, como sabemos. Não fosse a capa da The Economist com o Cristo Redentor decolando, talvez não tivéssemos tantas coleções nesta recente temporada de desfiles com tantas referências ao Brasil. Da Amazônia à arquitetura brasileira, passando por Bahia, São Paulo, Rio (ah, as Olimpíadas…). Ufanismo é tendência. Tanto que no último dia de SPFW tanto eu quanto Paulo Borges envergávamos o verde & amarelo da hora. ;)

Aos poucos, vamos aposentando as bandeiras desfraldadas durante esta curta Copa do Mundo e retomamos o dia-a-dia normal. A pátria de chuteiras volta a arrastar suas chinelas _ansiando já por 2014. Ainda bem que até lá teremos muitos feriados (olha Sete de Setembro aí, gente). E quatro Carnavais.

Pensata da Palô #15: considerações sobre a temida crítica de moda

22/06/2010

por | MODA

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Eu bem poderia _e deveria, até_ fazer um balanço do São Paulo Fashion Week. Mas confesso que depois de três semanas de desfiles (Casa de Criadores, Fashion Rio e SPFW em si), minha cabeça ainda é um pastel de roupas, looks, cores e… as tais tendências.

Então me permiti aqui decantar as 800 coleções vistas (já que ainda temos um tempinho até essas peças chegarem às lojas e o masculino da Europa já está aí na rede) para compartilhar algumas considerações sobre a temida crítica de moda.

A quem ela serve, nos dias de hoje? Para nortear a indústria, principalmente. Já disse, e insisto, que o consumidor final pouco liga se, no pós-desfile, o/a jornalista xis gostou ou não do desfile. E lembrando novamente que um bom desfile não significa uma boa coleção. Quem gosta da marca vai à loja e compra o que lhe agrada.

Nesta temporada de verão 2011, alguma celeuma se deu em relação a algumas resenhas. Parece até que voltamos ao início dos anos 90, quando os estilistas ainda não haviam se acostumado a serem criticados e analisados publicamente, nos jornais (não havia a Internet, lembre-se). Receber um chocho impresso era considerado praticamente ofensa pessoal, e nós (os críticos) passávamos de seis meses a alguns anos até conseguirmos voltar a cumprimentar os estilistas, passada a ira.

Receber críticas não é de fato coisa lá muito agradável. Principalmente por trabalhos suados, sofridos, a custa de muitas horas de labuta, muita energia e algum dinheiro empregado neles. A primeira reação é a da mágoa, da incompreensão, passando depois pela raiva e finalmente pelo desprezo. Poucos são os que, antes da fase raiva, relêem o que foi escrito para um exame de consciência.

O peso de quem escreve importa, claro. Porém, num país de história de moda recente como o Brasil, é preciso dar voz às novas gerações de resenhadores, e deixá-la se exercitar. Ninguém começa acertando sempre, da mesma forma como bons e consolidados estilistas também  são passíveis de erros.

Existem maneiras e maneiras de falar mal de uma coleção ou de um desfile. A responsabilidade e o respeito devem fazer parte da cartilha de quem escreve, como o bom português. Um jornalista sério de moda hoje deve ler muito (jornais, sites e boa literatura), ver exposições de arte; garimpar em locadoras; fuçar no You-tube; ouvir músicas novas; ter referências off-fashion. Se possível, viajar; se possível, freqüentar; se possível, se jogar na vida e em novas experiências. Exercitar a humildade e a tolerância. A autocrítica. Levar seu trabalho a sério todo o tempo sem se levar a sério todo o tempo.

Quanto aos leitores, menos pão e circo, por favor. É bobo respeitar (somente) críticos que detonam sem educação, adjetivando com leviandade ou aqueles que almejam visibilidade (ainda que tardia), os engenheiros sensacionalistas das obras prontas, aqueles que cultuam o chiste e o deboche em mesas de restaurante, salas de imprensa ou mesmo no twitter.

Cabe a todos nós aqui citados, portanto, conduzirmos uma nova etapa da moda brasileira (e não apenas a quem organiza os eventos e detém poderes). Sem patrulhas, fuxicos, ranços de autoritarismo ou hipocrisias de corredor.

Aqui neste espaço, estamos fazendo a nossa parte.

Pensata da Palô #14: (quase) tudo sobre o Fashion Rio

02/06/2010

por | MODA

Algumas coisinhas que eu ainda queria comentar sobre o Fashion Rio verão 2011.

British Colony – Desfile síntese (e o melhor) da estação, elegância tropical e impecável simplicidade. Cartela suave e precisa, aula de combinações. Maxime Perelmuter fez a diferença neste Fashion Rio, mostrando moda comercial de jeito conceitual e provando que é possível ser básico sendo fashion e sem ser boring. Calças surpreendentes, a sensibilidade do bicolor e um emocionante perfume de Georges Henri no ar. O look de bermuda com blazer laranja é um momento inesquecível do desfile, bem como o macacão de máxiestampa tropical. No feminino, o blazer tomara-que-caia em branco é desde já um sonho de verão. Veja tudo aqui.

Lucas Nascimento – Gostoso ver um estilista trazendo suas vontades e verdades à passarela com um olhar tão depurado. Chique, moderno, inesperado. Styling, edição e trilha sonora perfeitos. Veja tudo aqui.

Isabela Capeto – A estilista fez um desfilão, encerrando o evento, apresentando desejadas inovações em seu estilo, sem medo de correr riscos. Moda com DNA de Brasil, num desfile que foi crescendo até chegar ao final, proporcionando belos momentos e emocionando. Veja tudo aqui.

Printing – Sem dúvida entre os melhores desta temporada, com desfile bonito redondo que agradou aos editores. Destaque para os looks em branco, suaves e românticos na medida certa. Veja tudo aqui.

Melk Z-Da – Nome mais experimental do line-up do Fashion Rio, o estilista pernambucano se destaca mais uma vez pelo inesperado de seus materiais _aqui toalhas de mesa e tapetes_, num desfile todo em branco que parte do regional para chegar ao global. Mostra que vale acompanhá-lo por aqui e merece bons patrocinadores e apoiadores. Cada vez melhor. Veja tudo aqui.

Triya – A marca estreia no Fashion Rio mostrando que tem o que dizer. Tribal sauvage com perfume africano, tem bom humor e arrasou na estamparia, que soube misturar cores com criatividade e bom gosto. Nas modelagens, fez de um tudo com a Lycra, com gilets a laser, tricôs e desfiados. Veja tudo aqui.

Salinas – Caliente, otimista, astral, coleção desde já referência, evolução no estilo da marca e aponta para onde o Rio vai andar como capital global do lifestyle de moda. Veja tudo aqui.

Redley – Tem peças legais, mas achei que Juergen está fazendo falta. E achei um desperdício Carol Trentini com os looks que ela usou. E o que era o cabelo feio que fizeram? Deu um pouco a locka nos cabeleireiros nesta temporada carioca. Veja tudo aqui.

TNG – O diretor criativo Mauricio Ianes conseguiu o melhor desfile da história da marca de Tito Bessa Junior, limpando ainda mais os excessos e lapidando as proporções, concentrando-se, entretanto, na verdade comercial da TNG. Poderia ainda se livrar da dependência de globais na passarela, herança de um Fashion Rio que não existe mais. Veja tudo aqui.

Juliana Jabour – Curioso o caso de Ju Jabour nesta temporada. Ela se limpou tanto de seus exageros e extravagâncias que quase não dava para saber que era dela o desfile! Mas no fim foi bom, estava precisando acontecer isso. A coleção mostra uma estilista ainda mais pronta para o mercado, com bons separates e a feminilidade que sua consumidora quer. Veja tudo aqui.

Giulia Borges – Interessante. Os fashionistas gostaram e tem boas ideias na coleção girlie com pegada surfe. Um nome para se acompanhar. Veja tudo aqui.

Andrea Marques – Se solta nas formas e proporções, quase um pouco demais nos megavestidos. Gosto do vestido preto em devorê, das pantalonas e calças mais curtas, e da ideia dos coletes. A estamparia tropical ficou um pouco desgastada, por conta dessa tendência que rolou bem forte durante a semana por aqui. Apoiada pela linda trilha e pela direção eficiente de Alberto Renault (as modelos saíam de uma caixa de luz), o desfile como um todo foi bem bonito. Veja tudo aqui.

Maria Bonita Extra – Alguma coisa parece fora de synch na Maria Bonita Extra de Ana Magalhães. Talvez muita força para ser feminino e fofo; talvez peças que juntas no mesmo look não davam certo; talvez escolha errada da cartela (um azul pouco feliz no vestido-camisola); proporções desencontradas entre si para estarem dentro do mesmo desfile: faltou senso de coleção, como se a marca estivesse atirando para vários lados, o que imprime falta de segurança da equipe de estilo. A marca tem um mix variado, é certo, mas precisa focar mais. Veja tudo aqui.

Walter Rodrigues – Ficou mais leve e mais jovem. Os ventos cariocas estão fazendo bem ao estilista, que trabalhou bem com os tons terrosos e a manufatura pernambucana, e no casting all black, perfeito. Veja tudo aqui.

Blue Man – Não vi e me arrependi muito! Veja tudo aqui.

Pensata da Palô #13: dez coisas ótimas nesta edição da CdC

26/05/2010

por | MODA

Com line up mais enxuto, a Casa de Criadores reforça seu papel no mercado brasileiro como pólo lançador de novos talentos, proporcionando que acompanhemos a evolução deles – tarefa sempre agradável aos olhos dos fashionistas.

Pontos positivos, que podemos ressaltar logo desde o primeiro dia:

01) A atmosfera mais relaxada da sala de desfile.

02) Abrindo a estação, as pessoas ainda estão com vontade de se ver e se cumprimentar.

03) Blogueiros e twitteiros em massa nas primeiras filas.

04) Público essencialmente de moda, interessado no novo, e não gente que vai pra sair na foto das colunas, sites e revistas sociais.

05) A boa vontade dos resenhadores de moda para com eventuais pecadilhos dos estilistas.

06) O projeto LAB, que vem se consolidando a cada edição e vale a ida até o shopping Frei Caneca.

07) Os vídeos de introdução de cada desfile, que podem valer mais que releases rebuscados. Nesta temporada, eles estão engraçadíssimos, em clima de festa regada a Devassa…

08) A sala de desfiles escurinha

09) Começar e ir direto até o final, sem intervalos chatos entre um desfile e outro. No primeiro dia, um atraso de apenas 15 minutos do tempo regulamentar. E o timing dos desfiles melhorou muito também!

10) O clima de brodagem entre os profissionais da moda envolvidos: DJs, maquiadores, stylists, bookers, que sempre dão uma força pra o amigo menos endinheirado e em começo de trajetória.

Independente do balanço final desses 3 dias de evento, destaca-se, mais uma vez, a determinação incansável do diretor André Hidalgo – que com a Casa de Criadores já escreveu seu nome na história da nova moda brasileira.

Pensata da Palô #10: confissões por trás do mundo dos castings…

05/05/2010

por | MODA

Chegando perto da temporada de desfiles no Brasil, estilistas, stylists, bookers e modelos estão à toda no mundo dos castings.

As novas garotas, os cachês A, B, C, os castings especiais, as tops, as neotops, as new faces, as apostas de cada agência, as preferidas de cada produtor…

Eu jamais seria modelo. Primeiro, por conta dos meus atributos naturais ;-)

Mas mesmo com dez centímetros a mais e/ou dez quilos a menos não teria estofo para tanto.

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Não tiro a razão das meninas que querem fazer parte desse universo – ainda que muitas delas, quando começam a acalentar o tal “sonho de ser modelo” nem saibam exatamente o que vão encontrar pela frente.

Tendo feito por três temporadas parte da banca de jurados do “Brazil’s Next Top Model”, programa da Sony dedicado a revelar novas modelos para o mercado, ouvi isso tantas vezes: “Meu sonho é ser modelo”. Quando perguntadas o porquê, elas mal conseguiam responder. Acham que se trata de estar à frente de flashes, vestir roupas bonitas e ser uma estrela. Um misto, talvez, de busca por atenção e vaidade. E conhecer gente diferente, viajar pelo mundo, aprender outros idiomas… De uma chance na vida.

Quando dá certo, pode dar muito certo. Quando dá errado, pode dar muito errado. E as conseqüências podem ser pesadas para administrar.

Neste celeiro multiétnico único que é o Brasil, temos belezas para todos os gostos. E os scouters percorrem todo o território, de Norte a Sul, de favelas a shoppings e fazendas, atrás de biotipos que possam agradar ao mercado nacional e, principalmente, internacional, onde fica o dinheiro grande.

Com o sistema educacional precário que temos, não é de se admirar que as famílias invistam de um lado em suas filhas ajeitadinhas e nos seus filhos com habilidade para serem aí um Neymar. Parece mais fácil do que colocar tempo, salários e energia nos estudos. Mais rápido, talvez.

Para as meninas, entrentanto, a coisa fica, como se sabe, em valores que esbarram menos no talento com os pés do que na sorte grande de representar a beleza que vai estar “na moda” naquele momento.

Porém, haja autoestima. Não ser aceita para um casting não quer dizer que a garota seja “feia”. Mas que simplesmente não serve para aquele trabalho.

Cada vez mais profissional, este mercado já consegue fazer este preceito ser compreendido, mas sabemos de garotas que podem mergulhar no mais profundo abismo depois de muitos nãos, depois de gramar de ônibus de casting para casting, dias e dias, às vezes meses, sem conseguir pegar trabalho nenhum com o book humildemente debaixo do braço.

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E como podemos ser cruéis. No processo de escolher uma menina para um trabalho, na pressa de ter que ver dezenas de modelos, muitas vezes nos esquecemos de que estamos diante de seres humanos como nós. “Muito alta”. “Muito baixa”. “Muito gorda”. “Muito magra”. E por aí vai.

Para um desfile, o que se busca é a homogeneidade. E esses adjetivos estão, em geral, na cabeça de quem está bookando (escolhendo). Não quer dizer exatamente um defeito. Mas para a menina, principalmente para as mais jovens, isso pode ter como eu disse efeitos devastadores e ela realmente sair de lá achando que é “alta demais”, “baixa demais”, “gorda demais” ou “magra demais”.

Escrevo isso porque ontem mesmo eu estava nesta condição, fiz um casting para um desfile em Porto Alegre (daí o motivo do atraso desta pensata, o que serve também para um pedido de desculpas aqui aos meus fieis leitores).

Uma menina linda estava evidentemente acima do peso – e eu não quis falar isso para ela não ficar chateada e eventualmente desenvolver algum distúrbio alimentar. Longe de mim querer ser responsável por isso…! No “Brazil’s Next Top Model” tomávamos o maior cuidado com isso, cobrando delas que se mantivessem saudáveis, mas tentassem entrar nas medidas do mercado.

E será que essas tais medidas vão começar a mudar por aqui? Vimos agora na Prada e na Vuitton mulheres “maiores”, que nem de longe eram do segmento “plus size”, mas que conseguiram destaque neste momento de belezas mais próximas das ruas ou dos estúdios fotográficos do que das passarelas (e ainda seguimos os modelos europeus, bem mais magros).

Temos agora uma temporada de moda praia. E quem será que vai aparecer de biquíni? Aquele “monte de ossos”, como diz meu querido José Simão? Ou a garota gostosa que faz parar a praia quando chega e que até então gerava comentários maldosos dos fashionistas nas fileiras das salas de desfiles?

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Será que os bookers estão mandando as meninas muito magras comerem mais, em tempo de ganhar peso para os desfiles? Será que elas estão acreditando e obedecendo?

Pessoalmente, acho que ninguém vai querer pegar para o casting uma menina que esteja magra demais, por conta da recente patrulha sobre o tema – até necessária, mas algo exagerada, como todas as patrulhas.

O objetivo é a saúde das meninas, física e, principalmente, emocional e psicológica. Saber comer é mais importante do que não comer – o que mais engorda do que emagrece, pois o organismo acumula o que se eventualmente come, achando que estamos em tempos de privação nas cavernas, e não em tempo de temporada de moda (não sou médica nem quero pagar de Dr. Dráuzio Varella, mas tenho lá minhas experiências com alimentação, como bailarina por quinze anos, como jornalista de moda por vinte e um anos, e como mulher há quarenta e dois).

Acho certo restringir meninas de menos de 16 anos de desfilar. Acho errado medir o índice de massa corporal para desfilar. E acho fundamental o tratamento humanizado em castings e trabalhos. Quantas vezes fotografamos a garota o dia inteiro e o fotógrafo lá pelas tantas nos pergunta, cochichando, o nome da modelo?

O grande Juergen Teller eternizou os castings no livro “Go-Sees” (cujas imagens ilustram esta pensata), como se chamam os castings ao vivo – e não por composite. Lindo ver os rostos e a solidão das meninas, as expressões e nuances, a vontade de agradar, o desencanto e a luz de cada garota.

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Quem gosta desse mundo (mesmo sem querer fazer parte dele) pode acompanhar o blog Confessions of a Casting Director (confissões de um diretor de elenco), com garotas e garotos lindos e um pouco desta engrenagem que faz mover a moda.

Como é bom se deixar inspirar por um novo rosto, pela personalidade de uma modelo, pelo jeito que ela se move e pelo seu caminhar…

Nestes tempos loucos de castings, portanto, boa sorte a todos!

Muitos beijos e até breve.

Palô

Pensata da Palô #4: a insustentável leveza do ser

25/03/2010

por | MODA

Há um inimigo mais perigoso do que o produtor de casting de desfiles para a autoestima das mulheres normais (ou seja: aquelas que não trabalham com moda). Nao é o espelho, nem o McDonald’s, mas o Photoshop.

O assunto das modelos magras demais nas passarelas dá pano para muitas mangas, porém nesta pensata de hoje eu gostaria de me concentrar no trabalho de editores de arte, de fotografia e tratadores de imagem de todo o mundo, que contribuem e muito para o baixo astral geral.

Ao ver esta ou aquela celebridade ou modelo numa revista, o primeiro feeling é o da autodepreciação. Nossa, eu nunca vou conseguir ter:

a) esta pele

b) este corpo

c) estas roupas

Estou mentindo?

Que atire a primeira pedra a mulher, e agora incluo as que trabalham com moda, que veem uma imagem de revista e pensam (antes de se sentirem péssimas) que aquela imagem passou por pós-produçao?

2011/10/1257_demi-moore-wA atriz Demi Moore na capa da “W” de dezembro de 2009: rumores falam sobre uma dublê de corpo (e muito Photoshop) nas fotos © Divulgação

Quem é da indústria sabe que temos que “consertar” probleminhas de pele, dentes, cabelo, pernas e por aí vai quando nos chegam fotos que, se publicadas, nao despertariam desejo, cobiça e muito menos luxo e luxúria.

O limite deveria ser o do bom senso, e não o rol de Photoshop disasters de mulheres sem umbigo ou sem axilas que a Internet coleciona. Sem falar em séries de “antes e depois” que pipocam por aí (Madonna e Jesus na “W”?). E pra não ficar apenas no universo feminino, quem se lembra do cabelo de Jude Law retocado naquela publicidade de perfume?

2011/10/1256_madonna-wMadonna em ensaio da “W” de março de 2009: a revista é uma das mais citadas quando o assunto é o uso excessivo do Photoshop © Divulgação

É muito comum também criarmos o que chamamos de Frankenstein, ou seja, colocar a cabeça de uma foto com o corpo da outra, quando não conseguimos uma foto perfeita. Se somos perfeitos num todo? Longe disso.

Mas até onde tratar? Onde não tratar? Posso dar dois exemplos, pessoais, para não ficarmos só na hipocrisia que nunca sai de moda: certa vez, quando promovi cirurgia estética nos dentes de uma atriz, e quando convidei uma modelo para fotografar sem maquiagem. A primeira não conto quem é, mas conto a que topou, no segundo exemplo: Jeísa Chiminazzo.

Este assunto está apenas começando, e ele não se resume às passarelas de desfiles. Que, por conta do caráter midiático e da relevância cultural e social que atingiram, são objeto de análise de todos. Que bom.

Erika Palomino

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Pensata da Palô #2: nada se cria, tudo se copia!

09/03/2010

por | MODA

E já que um dos personagens da semana foi o Chacrinha, por conta do programa que passou na TV Globo e do documentário “Alô Alô Terezinha”, podemos começar citando um dos aforismos mais conhecidos do Velho Guerreiro, a de que “nada se cria, tudo se copia”, interpretando como sempre com liberdade a frase de Lavoisier, de que “na natureza nada se cria, tudo se transforma”.

2011/10/1107_chacrinha-lavoisierNa pintura original de Jacques-Louis David, o cientista Lavoisier figura ao lado de sua esposa. No nosso remix, ele divide a cena com Chacrinha © Divulgação/MetMuseum

Pra gente, aqui da moda, este viés vem valendo há tempos. Até porque, o próprio surgimento do conceito da moda se deu a partir da cópia. Lá no aparecimento da vida nas cidades, os burgueses copiavam as modas e modismos dos nobres, que por sua vez para deles se diferenciarem inventavam novas modas e modismos, e por aí vai.

Não precisa saber muito de história de moda para saber que, de lá para cá, a velocidade dessas mudanças se acelerou deveras, e a velocidade das cópias também.

Quando comecei a escrever sobre moda, em 1988, e sobretudo em meados dos anos 1990, quando o Brasil começou a querer mostrar sua cara como lançador de moda, estive no front dos que lutavam por autoria e criação legítimas. Precisávamos construir a identidade da tal Moda Brasil; precisávamos construir uma auto-estima que passasse pelas mãos de quem desenhava as roupas e pelas mãos de quem fosse pegar a carteira para pagar por elas. Que não se achasse que o que custava em moeda estrangeira fosse melhor. Para isso, precisaríamos aniquilar a mentalidade colonizada que nos foi imposta, de que só o que vem de fora é bom.

2011/10/1113_fever-rayKarin Dreijer Andersson, do Fever Ray, e seu famoso make de esqueleto © Divulgação

Nos dias de hoje, personagens da elite e não apenas da elite da moda se sentem confortáveis e orgulhosos o suficiente para dizer até com a boca cheia o nome de uma marca brasileira quando perguntados de quem é sua roupa – ai, que casaco lindo; que linda sua blusa, etc.

Em 2010, confesso que me incomoda menos quando vejo “citações”, influências, “inspirações” de marcas internacionais em coleções nacionais. O jornalista Godfrey Deeny super concorda! Quem não tem Balenciaga caça com gato; quem não pode pagar Lanvin troque por lebre. E pense pelo lado bom: podemos pagar com nossos reais e ainda parcelar no cartão ou no cheque em zilhões de vezes.

2011/10/1105_filhas-de-gaia-inverno-2010As armaduras com florais da grife Filhas de Gaia para o Inverno 2010 © Agência Fotosite

Também acompanho o mundo das artes, em que o copy-left, as apropriações, as referências vem sendo chacoalhadas sob o conceito do remix. Quem fez primeiro, quem fez o quê… Tudo isso me importa menos.

2011/10/1108_mona-lisa-vik-munizAs Mona Lisas do brasileiro Vik Muniz: geleia de morango, manteiga de amendoim e quinhentos anos as separam da original de da Vinci © Divulgação/MASP

Como na natureza, o supermercado de estilos dos 90 deu lugar ao liquidificador de tendências: inverno, verão, Prada, Marni, Marc Jacobs. UI! Como diria Regina Guerreiro.

A questão é: assumir. Se assumir também. E não se assumir como o último grito da moda, a próxima cocada preta. Assumir também influências. E a angústia delas. Para os mais cabeçudos, recomendo o leitura de “A Angústia da Influência”, do critico literário Harold Bloom.

É digno assumir suas influências e suas referências. Afinal, estamos em plena era do remix. E do Google e do Youtube. E para remixar outra frase famosa: uma saia é uma saia é uma saia. Tudo já foi feito. Ou não?

2011/10/1106_banksy-rouba-picassoO mote de Pablo Picasso – “os maus artistas imitam, os grandes roubam” – na pedra filosofal “furtada” pelo britânico Banksy © Reprodução

+ Pensata da Palô #1: blogs, Twitter, Suzy Menkes, Slimane e Prada

Pensata da Palô #1: blogs, Twitter, Suzy Menkes, Slimane e Prada

02/03/2010

por | MODA

Blogueiros e twitteiros vêm sendo o assunto desta temporada de desfiles internacionais – tanto o quanto o foram na estação brasileira, sendo que, na internacional, naturalmente, a extensão das discussões é de fato global.

Top-blogueiros nas primeiras filas; Tavi na comissão do CFDA; a onda de gente twittando de backstages e salas de desfiles. Nesse novo Big Bang noticioso, alguns tweets e posts importam mais, outros menos. Mas o Follow e o Unfollow estão aí justamente pra separar o joio do trigo dos nossos Tweetdecks e, portanto, da nossa atenção. Na internet, lemos apenas aquilo que nos interessa, já que não pagamos por este conteúdo. Não é como uma assinatura de jornal, em que o leitor se sente patrão do jornalista porque paga mensalmente para receber em sua porta aquela pilha de papel.

Se muito desse conteúdo parece fútil a muitos olhos, é (também) com frivolidade que se faz a moda. E detalhes por fora bobos ajudam a compor o espírito de cada momento. E é dele que corre atrás quem com isso trabalha ou quem isso acompanha. A modelo que abriu o desfile, a editora que estava na sala de desfiles, quem cumprimentou ou não quem, quem estava na fila B, o sitting, como estava vestida tal stylist, o novo cabelo de fulana, onde era a festa, quem foi, o restaurante do momento e por aí vai.

Nessa grande nuvem que se formou sobre os desfiles, um elemento já desponta como positivo: trouxe de volta um mínimo de interesse e atenção para este ambiente. Depois que a crise (não de grana, mas de relevância) instalou-se sobre a moda, foi justamente a tecnologia que trouxe Fashion de novo aos Trending Topics online e offline.

Nesta temporada, fashionistas pão-com-ovo de todo o mundo estão se arvorando em opiniões sobre a Prada. O que é bom. Me lembro no início dos anos 1990, quando comecei a cobrir desfiles. Se você não estivesse lá dentro da sala de desfiles, babau. Era torcer pra sair uma fotinha no Herald Tribune e esperar a “Collezzioni” meses depois para ver o resto. Isso se você pudesse desembolsar uma bica pela revista. E se ela chegasse numa banca a seu alcance. Os editores (e estilistas) que frequentavam as temporadas internacionais naquelas épocas colecionam histórias mirabolantes do que fazíamos para entrar nos desfiles, com causos que dariam certamente o mais saboroso livro sobre a moda brasileira. O Brasil não era importante e um convite para ver uma grife famosa era como o ticket dourado de um chocolate Wonka.

Suzy Menkes recentemente fez um artigo sobre esse novo momento. Meio mágoa. Talvez corporativista, como muitas vezes tendem a ser os jornalistas. É bobagem lutar contra blogs e tweets, quase como ir contra o Cinema Falado. Tanto que depois até mesmo esse verdadeiro baluarte da crítica de moda mudou de ideia!!!

Veja o vídeo onde Suzy Menkes reconhece a importância dos blogueiros de moda

On Fashionblogs from Mary Scherpe on Vimeo.

Atualmente não precisamos mais estar dentro da sala de desfiles para entender, analisar e mesmo para criticar uma coleção. A ansiedade e a rapidez de tudo não carece disso. Se é melhor estar lá dentro? Sempre que possível. Porém, nos dias de hoje, do budget à disponibilidade de tempo e de deslocamento de cada um… Olhaí a Anna Wintour, que ficou em Milão somente três dias, despertando a ira da indústria italiana e do restante da mídia. Nesta temporada, de desfiles em tempo real transmitidos pelos próprios sites das grifes (ah, se fosse assim quando comecei…), dos sites e blogs e twitteiros literalmente transportando você para lá, pessoalmente fico com a segunda hipótese.

Fecho também com uma das grandes antenas da moda deste início de século, Hedi Slimane, numa entrevista (concedida por email) no blog do Style.com que vale dar um Delicious.

Ele diz que todo esse momento nos obriga a pensar de um jeito mais fresco, e ressalta também a oportunidade de marcas se lançarem e conseguirem atenção pela web, entre outras posições de bom senso sobre estas questões.

Voltando à Prada. Ao colocar modelos mais fornidas em sua passarela, pela primeira vez a atenção saiu das roupas e foi para o casting. E somente agora nosso olhar passa a clicar o slideshow para ver os vestidos, mantôs e capris da coleção. Volto a dizer: Miuccia dá o que não sabíamos que queríamos. E se não queríamos simplesmente passamos a querer.

+ Veja a coleção completa da Prada Inverno 2010

Gostar ou não gostar da Prada nem é a questão. A marca sempre dá um jeito de tornar tudo maior, mais político, emblemático. E, por ironia, taí um desfile em que faz toda a diferença estar dentro da sala de desfiles para compreender na totalidade, em todas as suas nuances, o pensamento único de La Signora e sua maravilhosa equipe, comandada com brilhantismo e generosidade por Fabio Zambernardi.

A moda é uma mídia, e como tal, a comunicação importa, sim.

Para encerrar essa pensata inaugural aqui no FFW: depois de 15 anos cobrindo o prêt-à-porter internacional e de batalhar anos e anos para entrar no desfile da Prada, no que sempre contei com as luxuosas ajudas de meu irmão Giovanni Bianco, Antonella e do próprio Fabio, um belo dia meu convite chegou – e pela primeira vez na fila A. Depois disso, não voltei mais aos desfiles de Milão. Será porque já tinha chegado onde queria? ; -)

Erika Palomino

Ecostyle é tudo!

24/02/2010

por | ECOSTYLE

Ecostyle: um movimento dos bons, que ganhou força e conquistou as ruas em corpos e mentes que bebem na fonte de culturas diversas. Já fazem parte dele pessoas incríveis, com suas ações preciosas e criações desejáveis.

A arquitetura de interiores dos espaços que Marcelo Rosembaum cria, e as ambientações de Daniela Thomas são absurdos. Eles dialogam com excelência entre a nobreza da estética de vanguarda e o uso de materiais comuns, às vezes descartados como lixo. E por falar em arquitetura, supervale comentar sobre o retrofit, que, entre outras coisas, possibilita revitalizar imóveis antigos, preservando integralmente suas estruturas e o meio ambiente.

Os designers Irmãos Campana são desprovidos de qualquer tipo de preconceito; eles exaltam o trabalho manual e servem-se de matérias primas aparentemente banais, para criar peças luxuosas, reconhecidas [e adoradas] pelo mundo afora.


Beatriz Milhazes, então, é só orgulho. Virou celebridade internacional, depois de ter sua obra vendida em leilão internacional por mais de um milhão de dólares. O mais fascinante, é que suas colagens têm como base papéis de balas e de bombons…

“O que é bom para o lixo, é bom para a poesia”. Essa é uma afirmação do Manoel de Barros, considerado o maior poeta brasileiro vivo.

Hermeto Pascoal com seus fabulosos instrumentos de sucata, certamente serve como referência máxima ao métier musical na criação de projetos socioambientais, que geram emprego e renda imediatos em comunidades carentes, e funcionam muitíssimo bem.

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Outros dois profissionais impecáveis, Ronaldo Fraga e Erika Palomino, também são adeptos da ecostyle. Ele deixa bem claro isso em suas coleções e com seu cartão de visita. O convite do evento MelissaEu! [chiquetérrimo], do qual Erika foi diretora de criação, também era de papel reciclado.


Responsabilidade socioambiental é a palavra de ordem entre grandes empresas como a Natura – que produziu um evento exemplar ano passado, o Natura About Us.

Louis Vuitton é uma grife total cool, que tem feito várias ações na linha reciclagem de idéias. Lançou coleção de bolsas estampadas com grafite, e em seu site coloca a questão ambiental como prioridade.

Até a Vogue americana se rendeu integralmente em sua edição de novembro/09; nela, o ecostyle bombou, principalmente nos editoriais de moda.

A genial revista Mag!, precursora no Brasil, é a nossa referência máxima de ecoatitude.

Alexandre Herchcovitch arrasou participando do projeto Moda Reciclada, no MorumbiShopping em São Paulo.

Christian Lacroix passou sua vida encantando a todos, também com seus figurinos para teatro e dança, que são verdadeiras obras de arte, sempre trabalhadas manualmente com antigas técnicas, que podem facilmente ser aplicadas em reaproveitamento de tecidos e fios.
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O jeitinho verde de ser reina mesmo entre poderosos… e entre nós aqui do FFW, que, a partir de agora, vamos megapapear sobre a delícia de ter/ser ecostyle, sem nada de regrinhas ecochatas. Passearemos pelo mundo eco, em busca de sabedoria, para adequar postura sustentável a estilo pessoal, e colaborar seja o quanto e como for. Vem?