Trendsetters #6

24/01/2012

por | BELEZA, COMPORTAMENTO, LIFESTYLE, MODA

via @felipeabe

Sempre teve vontade de acompanhar de perto a correria de um editor importante durante as semanas de moda oficiais? Quer ver o tênis que o stylist mais legal da temporada escolheu? Está curioso pra enxergar os detalhes de quem circula pelos bastidores?

Ao longo desta semana, seguiremos algumas das personas de peso durante o São Paulo Fashion Week, pelas lentes do fotógrafo Felipe Abe, que mostra o dia-a-dia de alguns fashionistas em imagens poéticas que revelam a pluralidade de gostos e a busca de algo que todos querem encontrar: um estilo próprio. Nesta edição, conheça melhor o estilo de Yvan Rodic (“@facehunter”), Gloria Kalil (Chic), Suzana Barbosa (“Elle”), Erika Palomino (“L’Officiel”) , Lilian Pacce (GNT Fashion), Costanza Pascolato e Maria Prata (“Harper’s Bazaar”)

Veja o que os trendsetters usaram no primeiro, segundoterceiroquarto e quinto dia de SPFW.


©Fotos: Felipe Abe // ©Edição: Pedro Lindenberg

Trendsetters #5

23/01/2012

por | COMPORTAMENTO, LIFESTYLE, MODA

via @felipeabe

Sempre teve vontade de acompanhar de perto a correria de um editor importante durante as semanas de moda oficiais? Quer ver o tênis que o stylist mais legal da temporada escolheu? Está curioso pra enxergar os detalhes de quem circula pelos bastidores?

Ao longo desta semana, seguiremos algumas das personas de peso durante o São Paulo Fashion Week, pelas lentes do fotógrafo Felipe Abe, que mostra o dia-a-dia de alguns fashionistas em imagens poéticas que revelam a pluralidade de gostos e a busca de algo que todos querem encontrar: um estilo próprio. Nesta edição, conheça melhor o estilo de Maria Prata (“Harper’s Bazaar”), Yvan Rodic (“@facehunter”), Erika Palomino (“L’Officiel”), Lilian Pacce (GNT Fashion) e Gloria Kalil (Chic).

Veja o que os trendsetters usaram no primeiro, segundoterceiro e quarto dia de SPFW.

©Fotos: Felipe Abe // ©Edição: Pedro Lindenberg

SPFW Trendsetters #2

20/01/2012

por | COMPORTAMENTO, FOTOGRAFIA, MODA

via @felipeabe

Sempre teve vontade de acompanhar de perto a correria de um editor importante durante as semanas de moda oficiais? Quer ver o tênis que o stylist mais legal da temporada escolheu? Está curioso pra enxergar os detalhes de quem circula pelos bastidores?

Ao longo desta semana, seguiremos algumas das personas de peso durante o São Paulo Fashion Week, pelas lentes do fotógrafo Felipe Abe, que mostra o dia-a-dia de alguns fashionistas em imagens poéticas que revelam a pluralidade de gostos e a busca de algo que todos querem encontrar: um estilo próprio. Nesta edição, conheça melhor o estilo de Maria Prata (“Harper’s Bazaar”), Costanza Pascolato, Gloria Kalil (Chic),  Erika Palomino (“L’Officiel”) e Lilian Pacce (GNT Fashion).

Veja o que os trendsetters usaram no primeiro dia de SPFW.

©Fotos: Felipe Abe // ©Edição: Pedro Lindenberg

Pensata da Palô #33: nem tão fast, mas ao menos forward

17/11/2010

por | MODA

via @ErikaPalomino

A moda nesta semana no Brasil falou de Oskar Metsavaht na Riachuelo. Uma ação lançada há algumas semanas, que foi supostamente “esquentando”, até chegar ao lançamento supostamente esperadíssimo neste 16 de novembro.

Se houve correria até as lojas? A internet registrou interesse de consumidoras, da mídia e dos formadores de opinião, mas nada como Kate Moss na Topshop. Ainda estamos chegando lá. De toda forma, houve algum movimento, o que já é bem saudável. Nem tão fast assim, mas mais rápido.

Os envolvidos saíram, defendendo a marca-mãe Osklen, que não se tratava do tal Osklen por menos, mas de uma criação de Oskar Metsavaht (fashion mogul e fundador da grife) para a marca. As consumidoras corroboraram: é bem Osklen. E é mesmo. O que também é bom.

Não fui às lojas da Riachuelo ontem nem hoje pra conferir. Fui checar pela web mesmo e vi várias vezes o sedutor comercial de TV bem veiculado em horário nobre nos últimos dias. A elegância do filme se destaca do que temos visto recentemente em termos de fast-fashion na mídia, que vem usando ou o formato de merchand e de engessados desfiles em novelas ou uma comunicação mais popularesca. Na Riachuelo, Oskar Metsavaht conseguiu preservar seu caminho estético _talvez por isso incorrendo numa percepção de que o projeto, batizado de coleção “Rio de Janeiro”, tenha imprimido um pouco (ainda que superficialmente) como uma “segunda linha da Osklen”. E não é.

Tenho de admitir que, neste bombardeio noticioso que sofremos diariamente, eu quase achei que a coleção dele era pra Renner. Mas logo fui corrigida por coleguinhas (jornalistas) fashionistas mais atentos. Então agora já sei.

O que eu não sabia também era onde é que afinal tinha uma loja Riachuelo “mais perto de mim”. Fui até o site da marca (depois de ontem ter já, devidamente, me colocado pra segui-la no twitter). Taí duas coisas então para as quais já funcionou a parceria com o estilista. Ponto pra Riachuelo. Independente se vou conseguir efetivamente ir e/ou comprar alguma coisa, despertar meu interesse _ou de qualquer consumidora_ já é bastante coisa. A compra, se não vem nessa coleção, pode vir numa próxima. E se caso quando eu for até a loja tudo desta coleção já estiver se esgotado (já que ela deve ser mais reduzida), quem sabe eu aproveite a viagem e compre uma coisinha qualquer que eu garimpe nas araras. Oxalá, deve suspirar minuto a minuto o marketing da Riachuelo, que afirmou ter disputado a assinatura do estilista com outros gigantes do fast-fashion brasileiro. Faz sentido, já que é verdadeiro case o status da Osklen dentro da moda brasileira [mereceria uma pensata, mas não é esse o gancho aqui.].

Ouso dizer que as marcas que temos à disposição aqui no Brasil estão ainda fazendo a transição de “lojas de departamento populares” para o fast-fashion, talvez aceleradas recentemente pelo próprio fenômeno do FF e pela recorrência do anúncio da entrada de nomes como H&M e Topshop no país. Ah, nada como a competitividade, não?? Da mesma forma como todo mundo teve que se ajeitar rapidinho (sem ter muito se ajeitado, é verdade), quando da entrada da Zara. Silenciosa, mas sempre tsunâmica, a Zara atingiu mais as canelas dos designers participantes das semanas de moda brasileiras do que o então povão que comprava nas cadeias de lojas que em outros tempos ninguém ousava dizer o nome.

Voltando à Renner, não consegui entender no site deles onde ficam as lojas. E no da Riachuelo um problema de navegação me fez tentar umas quatro vezes entrar nos endereços de SP (sempre voltava pros de Belo Horizonte), até eu dar um outro Google com pesquisa mais específica. Mas uma ferramenta de “provador” me prometia experimentar daqui de casa as peças. Fiquei com preguiça. Mas parecia legal.

Garotas na internet reclamavam que as roupas ficavam bem apenas em “gente magra”. Na TV, Luana Teifke, esguia e maravilhosa como sempre, transforma de fato qualquer maiozinho retrô em obra-prima.

E Renata Sozzi numa blusa de decote canoa de listras: uma blusa listrada é uma blusa listrada é uma blusa listrada. Ou não? Não neste mundo de grifes, de moda, do tal “valor agregado”, essa expressão banalizada em reuniões com marketeiros xaropes mas que aqui faz sentido. Chama-se construção de marca quando você usa uma blusinha ou uma pólo comum e fala de boca cheia onde comprou. Mesmo que seja a H&M. Ou a Topshop. Pros fashionistas que não têm grana pra consumir a regata da Maria Bonita mas que ficam felizes por admitir que gastaram apenas algumas doletas numa viagem “lá pra fora” e compraram uma coisinha ou outra.

Garotas eshpertas da moda do Rio descobriram que “não tem Riachuelo na Zona Sul”. Mas parece que planos de novas lojas, de expansão etc. Então a coisa deverá andar mais.

Em interessante texto assinado de próprio punho na revista Vizoo deste mês, reproduzido pelo blog de Lilian Pacce, Oskar Metsavaht reclama que os brasileiros ainda compram muito pela marca. E diz que tem viajado muito e que tem achado tudo muito parecido na moda, e que a moda em si está muito chata (vale ler a matéria toda pra essas declarações não ficarem fora de contexto). Não chego a discordar de todo, não. E nem precisa ir longe como ele pode ir: passeie pelos shoppings de São Paulo e a sensação será a mesmíssima.

Como fazer a nossa parte para sair disso? Bem, a próxima temporada de desfiles começa em menos de dois meses.

Beijos rapidinhos,

Palô.

Pensata da Palô #32: ALL YOU NEED IS LOVE <3

09/11/2010

por | MODA

via @ErikaPalomino

Com exceção de Lanvin + H&M na moda, o noticiário desta semana foi musical. O anúncio de Amy Winehouse no Brasil, festival disso e daquilo, uns que a gente nem ficou sabendo, outros que ficamos e não fomos… E, principalmente, Paul McCartney. O inglês de 68 anos possivelmente está mobilizando as atenções porque vai saber se ele volta ao Brasil nesta encarnação. Não o acompanho tanto assim pra saber se ele efetivamente já veio outras vezes aqui. Nem é esse o caso, mas esse senso de oportunidade (coisa que rolou também com o bailarino russo Mikhail Baryshnikov). Tá tudo certo.

Não fui ver Misha dançar (desta vez) nem fui ao show de Porto Alegre. Mas os relatos passionais de público e crítica a Macca foram comuns: showzaço. Vamos combinar que o repertório dele não é pouca coisa: cantou 22 músicas de seu antigo grupo, os Beatles. E logo agora que o mundo lembrou que seu mais famoso companheiro de banda, Jonh Lennon, faria no mês passado 70 anos.

É tremendo o impacto dos elementos e personagens envolvidos nesses processos, em si e à volta deles. Pense que “Sgt. Pepper’s Lonely Heart Band” foi lançado em 1967, quando a juventude começou a “épater la bourgeoisie”. Era a época do terremoto jovem, o famoso youthquake, termo brilhantemente cunhado pela a sacerdotisa-mor Diana Vreeland (quer pensar um pouco na atualidade e na influência da capa deste disco? tá com tempo?).

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Nesses quarenta e três anos, de certa forma a perda progressiva das utopias, a falência múltipla das ideologias e a velocidade estúpida das tecnologias envelheceram nossos radicais livres. Quem vem chegando depois só não tem pressa porque não entende e nem quer entender os três tópicos citados neste parágrafo. E por puro déficit de atenção.

Quer ver? No dia em que saíram as primeiras imagens da Lanvin para H&M, fomos tão bombardeados por elas que num segundo elas ficaram velhas. Não sobrou nada. Nem pra noticiar. A internet caiu carniceiramente sobre o fato, e daqui, na madrugada, o blog coisasdemarcelle.com desdenhava deliciosamente de todos, postando embalagens da Lanvin. Lindas, por sinal. E quem já teve a oportunidade de comprar alguma coisa da marca certamente guardou a caixa. Eu guardei. Até hoje. Quando Andy Warhol morreu, encontraram em seu apartamento dezenas de sacolas de lojas e de compras fechadas, com as coisas dentro, intactas. A emoção versus o banal, constante na obra do artista que refletiu, também, a natureza consumista da sociedade americana e sinalizava, desde ali, a rapidez que tudo ganharia.

Nostalgia é saudade do passado. Frenéticos, olhamos pra frente, com tempo apenas de ver no Facebook as fotos da última festa. All tomorrow’s parties, já cantarolava naqueles tempos a bafônica turma de Warhol.

Paul McCartney traz com suas canções uma saudade da qual a gente esqueceu. Talvez mais: que a gente nem sabia que tinha. Quando love era diferente de like. Quando emoção não era emoticon. Quando as vidas eram vividas nas ruas, e não em interfaces, plataformas, mídias e telas de todos os tipos.

Agora é assim.

<3 <3 <3 (h)

Palô.

Pensata da Palô #31: O Rosso Dilma e o guarda-roupa da presidente

04/11/2010

por | MODA

via @ErikaPalomino

Neste verão, a história vai se dar sobre cores. E será que o de 2010/2011 vai dar vermelho??

Na moda, vermelho é Valentino. Como se sabe, o estilista italiano fez a façanha de poucos. Trouxe para si uma tonalidade da cor imediatamente associada a ele, chegando a batizá-la, o Rosso Valentino, ou Valentino Red. Na cartela CMYK, ele é 100% magenta, 100% yellow e 10% de black.

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O resultado, quando usado na mulher certa, no lugar certo, é de parar o trânsito.

Aqui em terras brasilis, o vermelho dominou o noticiário nos últimos meses, já que Dilma Rousseff usou bastante a cor durante sua campanha. No matiz oficial de seu partido, o PT, ele vem na versão 100/100. Dilma variou um pouco, numa gradação que poderia ser lida em interpretação livre como 100% magenta, 15% de cyan, 70% de yellow, 3% de black. Leitura nada científica obtida a partir do look de sua entrevista aqui com Paulo Borges para o FFW.

Em campanha, Dilma Rousseff parecia meio engessada. Como se usasse um colete ortopédico, conforme bem observou em um artigo em seu blog (meu querido amigo) Vinicius Torres Freire. Todos os artifícios do marketing visual/eleitoreiro a serviço da composição de uma imagem. Novo cabelo; sobrancelhas desenhadas de modo que ela parecesse mais “simpática” aos olhos do povo; que perdesse aquele ar de dama de ferro; a foto com o neto no colo… muitos sorrisos.

Nos debates, muitas vezes pelo twitter eu acompanhava as pessoas comentando mais o “look vampiro” do Serra e eventualmente “o cabelo da Dilma”, ou alguma coisa sobre como eles estavam imprimindo na TV, do que sobre os conteúdos e propostas, nessa campanha que resvalou para acalorada polarização. O poder da imagem.

Alexandre Herchcovitch foi chamado para “dar um jeito” no guarda-roupa da candidata. Achei estranho, mas… Daí li que não teria dado certo, e que ela não teria gostado de nada do que ele sugeriu. A tarefa, fato: de fácil não tem nada. E a mim agradou sempre mais a elegância discreta e tropical de Marina Silva, com seus acessórios de tendência eco-fashion e os lábios tintos com beterraba.

Voltando à presidente eleita, a análise atual de sua imagem também se mostra igualmente válida: sabiamente, Dilma Rousseff até agora não vestiu vermelho, seu look dos palanques. Tem preferido branco, um azul meio bizarrinho, um bege, um salmão de médica…

Talvez nem sabiamente: talvez ela tenha, isso sim, enjoado. Acontece com toda mulher, né?

Bom, ao menos dá um descanso para nossa vista. Enquanto isso, ela se prepara (e prepara o guarda-roupa) para 2011 e os anos que se seguirão.

Boa sorte pra ela e para o Brasil. Não apenas com seus looks, claro.

Beijos esperançosos;

Palô

Pensata da Palô #30: O plus size, o varejo e a autoestima das mulheres

26/10/2010

por | MODA

via @ErikaPalomino

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A modelo inglesa Sophie Dahl, expoente do “plus size” na moda, no anúncio do perfume Opium by Yves Saint Laurent ©Divulgação

Duas notícias nesta semana trouxeram à tona um dos termos mais bizonhos da moda (na modesta opinião desta colunista): o plus size. A marca de lingerie Plié fazendo campanha com top “plus size”, e a Renner abrindo espaço para numeração “plus size”.

É o que pode se chamar de inclusão às avessas. Imagine-se chegando, devidamente gorda, no caso, numa loja qualquer e perguntando: “Oi, tem roupa plus size?”. Esquisito praticar o eufemismo. Ou seria mais um caso de um típico politicamente correto? Também não dá pra chegar em nenhum lugar perguntando: “Oi, tem roupa para gorda??”

Toda mulher sabe quando está “acima de seu peso ideal”. Não precisa (nem deveria) fazer pra amiga ou para com quem divide a cama a segunda pior pergunta do mundo: “Você acha que eu tô gorda?” (a primeira, a que nunca poderia ser feita é “você gosta de mim?”). E pra arriscar uma estatística louca, nove entre dez mulheres sempre gostariam de perder um pouco de peso, não?

Não inventaram, talvez, expressão melhor _mas nem sempre a moda se preocupa com isso. Já é muito bom, entretanto, que se pense nessa consumidora. Não se trata, aqui, de crítica às marcas acima citadas (e às outras que assim se posicionam). Muito pelo contrário. Mas discutindo um pouco a questão:

Estamos num período de mudanças (positivas e necessárias), em que alguns aspectos estão sendo levantados sobre os tópicos peso, auto-estima, padrões estéticos… Sobre aquela conversa de modelos magras demais, anorexia etc., tenho a dizer que as profissionais que aparecem em passarelas e revistas devem parecer e ser saudáveis. Assim é o ideal. Tenho dúvidas, porém, se colocar uma modelo “gorda” ou “plus size” num desfile entre modelos “magras” funciona para lembrarmos que deveríamos olhar as pessoas com mais tolerância e menos preconceito ou para lembrar os estilistas de adequar suas numerações a padrões mais próximos da realidade. Falaí: raramente dá pra saber que número devemos pedir para uma vendedora, parece que cada marca é um país diferente _meu truque é pedir logo dois tamanhos para experimentar, assim não fico frustrada em ter que voltar murcha para fora do provador dizendo que não a peça não entrou. ; )

Passando um pouco pela estética, há muita, muita cobrança por magreza, e não apenas no mundo da moda. Basta vermos uma celebridade que acaba de dar à luz e imediatamente passamos a acompanhar pelas revistas em quanto tempo ela “recuperou a forma antiga”. E a cantora, ou atriz, ou modelo, tem que sair literalmente correndo pela esteira e pela academia. Ou então: “Nossa, como fulana está bem, emagreceu…” Vai saber o que está por trás, se a pessoa está feliz, infeliz, se está sofrendo de amor, de saúde ou saudades… Preferimos achar que só o magro é bom. E por isso falar de plus size agora é tão importante. As mulheres querem o direito de serem normais. E, dentro do possível, felizes com elas mesmas _na hora de comprar roupa também!

Extensão de grade nas grifes é inclusivo. E que bom passou aquele tempo (os anos 90), em que o prêt-à-porter atendia somente até o 42. Na real, agora que todo mundo tem que vender, independente se o comprador é magro, gordo, careca, japonês, rico ou pobre, certa justiça e alguma democracia chegam, finalmente, à moda.

Beijos fofinhos,

Palô

PS: O tema está longe de ser esgotado. Até porque o verão _e a temporada de desfiles_ vem aí… : P

Pensata da Palô #29: Se você não está ansioso é pq está fora do jogo

19/10/2010

por | MODA

via @ErikaPalomino

A crise da imagem de moda (o still, a página simples ou dupla, o anúncio) passa pela seara do marketing de moda. Também vivendo crise.

As duas crises, os dois mundos se debatendo em desespero, em afogamento, podem ser vistas positivamente. Como na vida da gente, não entendemos que muitas vezes crises e mudanças _forçadas_ podem gerar coisas boas. Até porque são irreversíveis. Mudou, mudou. O jeito é se adaptar aos novos tempos e cantar pra subir.

Místico? Não na moda. Ainda que muitas decisões sejam tomadas de maneira intuitiva, os resultados precisam aparecer. E com a velocidade que tudo tem hoje, melhor correr.

Falando do mercado brasileiro, sempre me assombrou a fragilidade deste segmento. Há poucas agências especializadas em criar publicidade para a moda. As grandes agências, essas não sabem como atender os clientes a que a elas chegam, e as discrepâncias entre verbas e necessidades quase sempre inviabilizam que um chegue ao outro. O resultado fica entre o amadorístico e o doméstico. Estilistas criam e dirigem campanhas; há quem faça até a direção de arte; o stylist fica de fora pra tudo ficar mais barato… Não existe dinheiro para a mídia, a peça publicitária desaparece e, com isso, não atinge o objetivo principal: divulgar a marca, construir uma imagem, seduzir o consumidor e levá-lo até a compra.

Sabemos, não temos tantas revistas especializadas assim, e muitos anunciantes preferem focar nas revistas de celebridades. O sambalelê continua. Tentando contornar essa questão, as revistas customizadas ou proprietárias ainda são boa solução. Mas cara.

Cantou o galo das mídias digitais. Porém, não basta abrir uma conta no twitter e/ou um perfil no Facebook. Até porque este consumidor ali está mais atiçado, e quer mais. E quem hoje está sinceramente apto para se movimentar neste imprevisível mundo novo?? Melhor correr. E muito.

O fenômeno “fashion in motion” trouxe (que bom) à tona uma gama de profissionais: como era mesmo o nome daquele seu amigo que “trabalha com vídeo”? Agora ainda vamos ter que aprender a pensar fora das caixas e gavetas para transformar todo o conteúdo em peças para iPads. Também correndo.

Ficou ansioso? É pra ficar mesmo. Eu estou.

O jeito é sair fazendo. Arriscar. Ousar. Tentar. E ver como seu consumidor responde a cada uma das iniciativas. Aos profissionais de marketing sugiro estudo, pesquisa, leitura, abrir o coração. Ter gente de moda por perto. E lembrar que nem sempre a melhor ideia é a mais cara. Nessa onda toda, fotógrafos nem tão famosos, modelos iniciantes, maquiadores com a agenda mais folgada podem trazer frescor e aliviar os custos. O mais importante é conhecer seus objetivos, com quem você quer falar. O idioma descobre-se depois. Eles são muitos, nessa grande e deliciosamente assustadora Babel de informação que os dias de hoje nos proporcionam.

Beijos ansiosos

Palô

PS: Deem uma olhada no que estão fazendo D’Arouche, Surface To Air, À La Garçonne, Super Cool Market, Farm, Gema TV, Neon. Cada um de seu jeitinho, tentando.

Pensata da Palô #28: Dez coisinhas sobre a temporada de Paris

via @ErikaPalomino

Seguem alguns “penchamentos” que queria dividir aqui com vocês sobre a temporada de verão 2011 de Paris. Do que, por algum motivo, gostei.

1. Balenciaga
Que coisa faz o Nicolas Ghesquière a cada temporada com a gente, não? Sou meio deslumbradinha por ele, confesso (bom, eu e a torcida do Flamengo, como se diz no Rio). Agora ainda mais, porque ele mostrou peças e valores que têm bastante a ver com minhas vontades atuais. Punk, atitude de rua, garotas invocadas, plásticos, texturas, layers inventivos… Gosto do leve toque pauperista Comme des Garçons também (ando gostando de um mendiguismo).

2. YSL
Chique, moderno. Lapidado. A Cathy Horyn disse que Stefano Pilatti não desenvolveu seu estilo; uma marca própria na casa. A coleção é desejável e o desfile vem cheio de energia. Na temporada em que o nome Yves Saint Laurent é mais falado do que merci beaucoup pelos fashionistas (a exposição, você sabe), Pilatti não fez feio, não. E não é cool a imagem dele entrando pra agradecer mostrando os braços tatuados? Sexy. Updated. Sem mofo. E bem YSL.

3. Chanel
Também veio com um mendiguismo no começo, né? Mas chique, claro. E Chanel. Bom, com a grandiosidade armada pela marca, claro que todo mundo amou ver o desfile. Gosto das plumas, do preto e branco, adoro quando entram as cores (apesar de não gostar das estampas). E como KL consegue fazer aquilo jovem, não? E bom mesmo ver Inès de La Fressange de volta à maison. A palavra aqui é desempertigado. Coisa difícil quando se tem uma herança como a de Chanel. Mas bem que Lagerfeld podia não mostrar o masculino.

4. Miu Miu
Tão esquisito que se destaca. E quem está desenhando? Parece um encontro de Marcelo Sommer com Giselle Nasser. As estrelas são bonitas, as cores, os arabescos… Tem moda, tem um senso de “nowness” que me intriga, mas algo me parece fora do lugar.

5. Lanvin
Alber Elbaz, o estilista mais FOFO do mundo, deu uma chacoalhada em seu design. Não é minha coleção favorita dele, mas tem fundamentos fortes. Leveza, movimento, a coisa dos plissados, o controle. E tem roupas que realmente você tem vontade de comprar. Eu tenho, ao menos. Quem tiver oportunidade de viajar e ver as lojas da marca deve conferir o que eles andam fazendo em termos de experiência de marca e de varejo. Tipo um luxury que não intimida. Tanto.

6. Haider Ackermann + Rick Owens
Ainda na tendência drama, taí um estilista que vem crescendo a cada temporada. Desconstrução, moda conceitual, feminilidade, masculinidade… Uso sábio e sóbrio das cores, lindos neutros. E o look de abertura, um remix de perfecto de tirar o fôlego. Bom contraponto, sempre, para outro nome outsider da temporada parisiense, Rick Owens (outsider porque segue suas vontades, mesmo que na contramão das tais tendências). Há quem se queixe que ele faz sempre a mesma coisa, mas eu me interesso muito por ele. A novidade de seu verão está num inédito otimismo, na maior leveza de sua roupa sempre tão intelectualizada. Lindo.

7. Céline
Um dos cases da estação, com seu frescor descomplicado impresso com a feminilidade e a mão de Phoebe Philo (ela está fazendo exatamente o que era para ser feito agora, na marca que parecia não ter mais salvação). Prepare-se para ver essas roupas copiadas sem dó nem piedade por aí. Bingo três vezes.

8. Stella McCartney
Coloque neste combo Stella McCartney, com menos acertos, mas que consegue bons momentos na  onda da simplicidade e do nem-aí. Vai ser reproduzida à vera também. Gosto dos basics, da ideia dos índigos, e principalmente nos terninhos com suaves variações de tons pastel, mas acho a estamparia de limões uma bobagem. As fendas nas coxas podem ficar vulgares, mas sabe que no vestido longo de limão funciona?

9. Cacharel
A comunidade da moda está dando um apoio para o estilista Cédric Charlier, que acerta também nesse caminho do descomplicado, essa tendência meio nada. Com ênfase nos detalhes, o minimalismo romântico, esses bordões da estação. Lindas cores e proporções corretinhas. E olho nele.

10. Isabel Marant
Você sabe, né? É a marca de que as modelos mais gostam, que deixou de ser o best kept secret de Paris e abriu uma loja em Nova York. Por conta desse novo apelo de varejo, ela veio um pouco mais comercial do que de costume, mas me interessa a nonchalance e a atitude (é, a palavra retornou ao vocabulário da moda). Observe como a silhueta vem bem justa ao corpo nos tubinhos, provando a diversidade da moda hoje. E note que sua “inspiração” é a mesma que de Rick Owens: a Califórnia. Waal.

beijos fashionísticos

Palô

Pensata da Palô #27: Menos caretice, per favore

29/09/2010

por | MODA

Por @ErikaPalomino

Dois momentos incríveis nas passarelas nesta semana em Milão (o balanço é que há muito uma temporada italiana não se mostrava tão relevante no circuito global). Prada e Jil Sander polarizaram as atenções dos profissionais e amantes da moda, instigando tanto à reflexão quanto ao desejo _nem sempre essas duas trilhas se imbricam. Em comum, de toda forma, a paixão e a força da cor (da hora neste verão 2011) e o exercício sobre a partitura do minimalismo. Some-se a isso coragem, cara de pau e o feeling dos vencedores: fazer a coisa certa na hora certa.

Miuccia Prada, La Signora, comanda uma equipe que domina como poucas por aí o vocabulário da contemporaneidade e do feminino. O belga Raf Simons, à frente da grife da afastada estilista tedesca, como se sabe, há pouco mais de seis anos nunca tinha desfilado nenhuma saia (feminina).

As liberdades que a moda conquistou recentemente incluem o crossover de mundos e a sobreposição de layers de conteúdos, excertos, cortes em determinados períodos de tempos e de estilos.

Segundo Cathy Horyn no NYT, Raf Simons, discutindo o novo minimalismo com sua equipe, pensou no oposto, o maximalismo, o que o levou à alta-costura, mundo tipo nada-a-ver com a consumidora Jil Sander. O resultado é monumental, grandioso, tendo proporção, forma e materiais absolutamente sob controle, na mais inesperada cartela de cores já conjugada sob a etiqueta Jil Sander desde a coleção havaiana de Milan Vukmirovic. Só que agora deu certo.

Para quebrar a suntuosidade da inacessível couture, a democrática simplicidade da t-shirt. Para avacalhar com a metidez de um vestidão de tafetá, uma parka esportiva em náilon. E por aí vai _as imagens falam melhor do que eu.

Já na Via Fogazzaro, um ambiente mais subversivo. Houve quem achasse que a turma da Prada estivesse tirando uma com a cara do povo da moda. A ironia com que trabalha a marca tangenciou de fato a provocação: vamos ver se essas loucas vão ter a moral de sair por aí com uma blusa colorida de macacos barrocos. Rá rá rá. #muttleyfeelings. Mesmo que não tenha havido internamente esse surreal diálogo, posso dar a resposta daqui: vamos sim. Mesmo que as pessoas “normais” olhem pra cara da gente chacoalhando a cabeça e emitindo entediados tsks.

Como num reforço positivo, La Signora entrou pra agradecer os aplausos usando um brinco de bananas (lá na Vinte e Cinco tem igualzinho). E o que é que a Miuccia tem?

2011/10/4196_pra_ss11_296Estampa de macacos, bananas e outras loucurinhas de Miuccia Prada ©firstVIEW

Em tempos de crise e de depressão, musicais e extravaganzas distraíam civis e pracinhas pelo mundo, tanto no pós-1929 quanto durante as guerras. Puro escapismo. Pense em Josephine Baker e Carmen Miranda (que virou até estampa aqui).

Tem uma sensualidade quente e latina em vestidos-camisola, sapatos de dança de salão e no belo tango antigo da trilha sonora. Tem os absurdos chapéus mexicanos, reforçando o efeito óptico e contrastando com um tailleur modernista. Não dá pra dizer “de onde” vem cada coisa. E a ideia nem é essa. A sensação e a impressão é que importam. E ficam.

Ultragráfica, a coleção lida com listras de cores e tamanhos para todos os gostos, com arabescos e desenhos decorando silhuetas rigorosamente controladas, com ombros arredondados e as mangas largas, espécie de couture redux também. Um absurdo. Ainda nos acessórios (em tese a força da grife) o denominador são as plataformas multicoloridas; as bolsas em cores primárias e os óculos loucurinhas.

Tão bem-humorada que beira o histrionismo, a coleção, segundo Miuccia Prada, partiu da simplicidade do masculino para, rebuscadamente, incitar ao arrojo, à ousadia. Legenda: menos caretice, please. Per favore. O twist master: o desconcertante uso do algodão, o jogo positivo/negativo dos looks pretos da sequência final. Contra o medo, coragem.

beijos barroco-minimalistas,

Palô

PS: Luxo: assisti ao desfile da Prada ao vivo, bebericando um café. Da minha própria cadeira de trabalho, no meu computador. Bj pro site da revista Love, que transmitiu bonitinho o evento.

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