Ideias simples falam mais alto na moda e na publicidade

26/07/2010

por | MODA

Simplicidade foi uma das palavras mais usadas para adjetivar as coleções internacionais do inverno 2010 e algumas (muitas) do nosso verão 2011. Roupas e coleções cujas mensagens eram tão claras e precisas, que tornavam desnecessário qualquer tipo de informação extra _visual ou textual.

Ninguém precisava de release para saber do que se tratava a última coleção da Chloé. Tão pouco ir ao backstage da Céline para entender o que Phoebe Philo queria dizer desfile utilitário-chique. A precisão do corte na alfaiataria easy de Maxime Perelmuter na British Colony, ou então a expressividade das cores e riqueza de detalhes na construção dos vestidos de Alexandre Herchcovitch falavam por si só, tornando a mensagem de ambas coleções (e desfile) auto-explicativa.

“O bom desfile é o que não precisa de release: a roupa é boa ou não”, escreveu Erika Palomino numa pensata sua aqui no portal FFW.

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Só que a moda não fala _nem vive_ sozinha. E toda essa simplicidade(de design, mensagem e idéias) é recorrente também em outras searas criativas. Uma das mensagens mais importantes do último festival de publicidade de Cannes foi justamente o foco na criatividade através de (grandes) idéias simples.

Em um seminário durante o evento o diretor de criação da Goodby, Silverstein & Partners, Erik Vervroegen argumentou que para publicidade continuar relevante é necessário que seus profissionais resgatem um de seus elementos essenciais: uma boa e simples idéia.

Hoje, com as novas possibilidades de comunicação a mensagem acaba se confundindo com o meio. “Tecnologia não é uma idéia”, afirma Vervroegen. “Fazer algo no Twitter não é uma idéia. Fazemos porque é tecnológico, mas acabamos esquecendo de nos perguntar se as pessoas se importam com isso”.

Segundo o diretor e produtor de cinema Spike Jonze publicidade deveria ser primeiro sobre ter idéias e, depois, em descobrir qual o melhor meio para difundi-las. “As novas tecnologias não mudam nosso objeto principal: a idéia, a histórias, a conexão com o público.”

“O desafio é tirar do caminho tudo que for desnecessário para que, assim, só sobre o que realmente importa”, disse Tom O’Keefe, diretor de criação da Draftfcb North America.

O que queremos?

05/02/2010

por | MODA

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Estou um pouco confuso… Não sei bem o que esperar dessa temporada de desfiles internacionais que está para começar no próximo dia 11 com a New York Fashion Week.

Quais são os reais desejos de moda que vão movimentar o mercado? O que fará sentido em nossas vidas nessa segunda década de século 21? O que vai se destacar mais nas passarelas do planeta fashion: criatividade explosiva ou extrema adequação às reais necessidades dos consumidores de moda?

Alguém aí sabe a resposta para alguma dessas perguntas? Porque, sinceramente, eu ainda não consegui chegar a nenhuma conclusão precisa. Já aqui, durante o Fashion Rio e SPFW, vimos uma divisão até que bem definida entre as marcas que se aventuraram por delírios fashion com imagens cheias de força, e uma atenção maior ao lado comercial.

Por mais instigante e inspirador que seja assistir a apresentações inventivas, cheias de criatividade, será que ainda há espaço para uma moda conceitual ou extravagante em nossas vidas – pelo menos nos dias de hoje? E se não há, então não seriam essas coleções de imagens marcantes ideais para quebrar o padrão?

2011/10/808_phoebe_philoNão sei bem porque, mas cada vez mais, e desde a última temporada de verão 2010, foram justamente as roupas e coleções de visuais mais simples, quase minimalistas que me chamaram mais atenção. Roupas fáceis de usar, prontas para vida real, dotadas de imensa versatilidade e praticidade adaptáveis ao dia-a-dia do consumidor comum e em diversas situações. Não aquele mar de cocktail dresses e roupas para noite que dominaram a última temporada como se vivêssemos numa festa sem fim.

Roupas que você bate o olho e vê que ali foram empregados reais valores de design, tecidos de qualidade, bom acabamento e que apesar de aparentemente simples, trazem cortes, proporções e modelagens atuais, que parece, perfeitamente corretos para os dias de hoje.

Ok, elas não são lá bem o que se entende por inventivas e pode até ser meio contraditório, já que a priori não trazem a novidade que a moda tanto busca. Mas e se essa simplicidade funcional for a novidade? E se essa ausência de extravagância, essa moda discreta e silenciosa for o novo da vez?

Lembro que adorei a coleção de verão 2010 de Viktor & Rolf. Junto com a do Alexander McQueen foi um dos poucos respiros fashion da temporada. Imagem poderosa, trabalho técnico apurado e conceito super bem amarrado. Mas como isso se relaciona com as nossas vidas? Alguém viu algum daqueles vestidos incríveis fora das passarelas e editoriais de revistas (não estou contando os tapetes vermelhos, tá?). Alguém se imagina em alguma daquelas peças fora de festas e ocasiões sofisticadas e que permitam (ou exigiam) um dress code mais ousado?

Enquanto isso, coleções como a da Chloé, da Celine e boa parte das de pre-fall 2010, como Gucci, Balenciaga e Prada, se mostram muito mais próximas da realidade do consumidor. E aí que fica minha pergunta: Sou super a favor de toda aquela explosão criativa dos desfiles mais conceituais, mas será tudo aquilo em vão? Para onde vai toda aquela técnica, todo aquele pensamento traduzido em imagens de moda? Sim, eles inspiram, mas cada vez mais me parecem mais distantes do que realmente queremos no nosso guarda-roupa e dia-a-dia.

Durante o fim de semana acabei discutindo esse mesmo assunto com a Fernanda Resende, da Oficina de Estilo e achei válido colocar aqui algumas conclusões que chegamos:
A Fernanda disse que “ee a gente se satisfaz com o “mais comum”, se deixa pra lá o “extravagante” (mesmo que só como referência!), fic amais difícil evoluir – tanto na forma de vestir, nas referências pessoais, quanto no exercício de ‘olhar fashion’, sabe? então eu ainda espero ver algumas viagens, uns vitkor&rolfs da vida, mesmo tando interessada de verdade nas roupas mais fáceis.”
E eu acabei concordando. Sem essa loucura a evolução fica de fato mais difícil e lenta. Eu só acredito que hoje em dia a viagem por si só não dá mais conta de inspirar ou servir como referência. Acredito que mesmo na mais maluca das viagens é preciso ter ainda algum traço ou elemento que relacione toda aquela imagem rica em informação de moda com a nossa realidade. É aí que está a diferença. Muito mais do que naquele equilíbrio entre o comercial e conceitual que a gente sabe ser tão importante para um bom produto de moda.
Antes um look absurdo já se bastava. Uma imagem poderosa dava conta de causar impacto pela sua pura extravagância e exuberância. Hoje não é tão simples assim. Talvez a gente tenha ficado cansado de loucuras fashion sem motivo ou vazias de sentido. Ou nosso olhar simplesmente evoluiu, buscando sempre alguma explicação ou conexão que valide ou torne de alguma maneira (até mesmo inspiracional) tudo aquilo um sonho possível.

+ Atualização: Durante o fim de semana acabei discutindo esse mesmo assunto com a Fernanda Resende, da Oficina de Estilo e achei válido colocar aqui algumas conclusões que chegamos:

A Fernanda disse que “se a gente se satisfaz com o “mais comum”, se deixa pra lá o “extravagante” (mesmo que só como referência!), fic amais difícil evoluir – tanto na forma de vestir, nas referências pessoais, quanto no exercício de ‘olhar fashion’, sabe? então eu ainda espero ver algumas viagens, uns vitkor&rolfs da vida, mesmo tando interessada de verdade nas roupas mais fáceis.”

E eu acabei concordando. Sem essa loucura a evolução fica de fato mais difícil e lenta. Eu só acredito que hoje em dia a viagem por si só não dá mais conta de inspirar ou servir como referência. Acredito que mesmo na mais maluca das viagens é preciso ter ainda algum traço ou elemento que relacione toda aquela imagem rica em informação de moda com a nossa realidade. É aí que está a diferença. Muito mais do que naquele equilíbrio entre o comercial e conceitual que a gente sabe ser tão importante para um bom produto de moda.

Antes um look absurdo já se bastava. Uma imagem poderosa dava conta de causar impacto pela sua pura extravagância e exuberância. Hoje não é tão simples assim. Talvez a gente tenha ficado cansado de loucuras fashion sem motivo ou vazias de sentido. Ou nosso olhar simplesmente evoluiu, buscando sempre alguma explicação ou conexão que valide ou torne de alguma maneira (até mesmo inspiracional) tudo aquilo um sonho possível.