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Ideias simples falam mais alto na moda e na publicidade

Simplicidade foi uma das palavras mais usadas para adjetivar as coleções internacionais do inverno 2010 e algumas (muitas) do nosso verão 2011. Roupas e coleções cujas mensagens eram tão claras e precisas, que tornavam desnecessário qualquer tipo de informação extra _visual ou textual.

Ninguém precisava de release para saber do que se tratava a última coleção da Chloé. Tão pouco ir ao backstage da Céline para entender o que Phoebe Philo queria dizer desfile utilitário-chique. A precisão do corte na alfaiataria easy de Maxime Perelmuter na British Colony, ou então a expressividade das cores e riqueza de detalhes na construção dos vestidos de Alexandre Herchcovitch falavam por si só, tornando a mensagem de ambas coleções (e desfile) auto-explicativa.

“O bom desfile é o que não precisa de release: a roupa é boa ou não”, escreveu Erika Palomino numa pensata sua aqui no portal FFW.

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Só que a moda não fala _nem vive_ sozinha. E toda essa simplicidade(de design, mensagem e idéias) é recorrente também em outras searas criativas. Uma das mensagens mais importantes do último festival de publicidade de Cannes foi justamente o foco na criatividade através de (grandes) idéias simples.

Em um seminário durante o evento o diretor de criação da Goodby, Silverstein & Partners, Erik Vervroegen argumentou que para publicidade continuar relevante é necessário que seus profissionais resgatem um de seus elementos essenciais: uma boa e simples idéia.

Hoje, com as novas possibilidades de comunicação a mensagem acaba se confundindo com o meio. “Tecnologia não é uma idéia”, afirma Vervroegen. “Fazer algo no Twitter não é uma idéia. Fazemos porque é tecnológico, mas acabamos esquecendo de nos perguntar se as pessoas se importam com isso”.

Segundo o diretor e produtor de cinema Spike Jonze publicidade deveria ser primeiro sobre ter idéias e, depois, em descobrir qual o melhor meio para difundi-las. “As novas tecnologias não mudam nosso objeto principal: a idéia, a histórias, a conexão com o público.”

“O desafio é tirar do caminho tudo que for desnecessário para que, assim, só sobre o que realmente importa”, disse Tom O’Keefe, diretor de criação da Draftfcb North America.

Ideias simples falam mais alto na moda e na publicidade

Resort, Cruise, Pré-verão – as coleções de meia estação vieram para ficar

Enquanto vivíamos trancafiados na caixa de concreto que Niemeyer chamou de Bienal (afinal era tempo de SPFW), em Nova York cerca de 75 desfiles enchiam as agendas de editores e compradores. Quase como um terceira temporada de moda, as coleções de resort (ou cruise ou pré-verão) chamaram atenção como jamais conseguiram antes.

Antes destinadas apenas a uma pequena (rica) parcela dos consumidores – aqueles que realmente precisavam de trajes especiais para suas férias em balneários e iates –, hoje o resort já é parte essencial do mercado de moda.

2011/10/2114_proenza-cruise-2011Pré-verão 2011 Proenza Schouler ©Reprodução

Sua imagem simples e design descomplicado podiam antes desagradar alguns eruditos da indústria. Porém, para seu público alvo pouco importa se as pregas chatas, as costuras aparentes e cortes cirúrgicos do pré-verão 2011 da Calvin Klein mantém alguma relação com a moda minimalista e geométrica do inverno 2010 – o que importa para o consumidor final é que são roupas usáveis.

“Resort é sobre roupas reais para nossos amigos. Todos foram longe demais na fantasia e nós perdemos o público. Há algo sobre a realidade que parece fresco agora”, explicaram ao Style.com os estilistas Lazaro Hernandez e Jack McCollough (Proenza Schouler), enquanto falavam de sua coleção resort extremamente urbana, porém repleta de elementos étnicos importados da Índia.

2011/10/2112_lanvin-cruise-2011Vestido dupla face da Lanvin ©Reprodução

Para Alber Elbaz, estilista da Lanvin que mostrou um pré-verão repleto de best sellers simplificados de temporadas passadas – incluindo um incrível vestido dupla-face que ia de uma sofisticado tubinho preto para um com frente coberta por babados cinzas – “uma pré-coleção não é sobre uma imagem ou direção. É sobre a mulher, o desejo, a necessidade”.

As resort collections carregam, então, uma simplicidade essencial para o sucesso de vendas. Donatella Versace, por exemplo, reduziu toda a energia e sensualidade de seu pré-verão sessentinha às cores vibrantes da pop art em vestidos curtos, próximos ao corpo, decorados com pontinhos pretos tipo Roy Lichtenstein.

2011/10/2111_celine-e-givenchy-cruise-2011Da esquerda para direita, looks do pré-verão 2011 da Céline e Givenchy ©Reprodução

Riccardo Tisci, na Givenchy, utilizou essa meia estação para reafirmar alguns clássicos da marca sob seu comando. Blazeres acinturados com ombros marcados, calças com ganchos baixos e todo um rico trabalho com rendas falam da essência romântica-gótica-cristã do estilista – sempre em preto, branco ou um denso vermelho.

Phoebe Philo, na Céline, reforça seu conceito de roupas práticas e sofisticada com reedições de peças-chaves de coleções passadas. A saia de cintura alta evasê, o vestido preto em couro (ou com recortes) e as calças amplas, todas aparecem revisitadas em seu pré-verão que ainda ganhou maxi-bolsas e uma versão em amarelo fluorescente.

Com caráter transitório, as coleções de resort funcionam também como termômetro para o que vai de fato pegar entre os consumidores. Carregam o melhor do verão 2010, e o que promete ser hit do inverno 2010. Ou seja, misturam o tribalismo e florais vibrantes das coleções que já chegaram às lojas com o clima 1970s e um certo utilitarismo chique. E o resultado é mais ou menos o que se viu em muitas coleções.

2011/10/2115_stella-e-balenciaga-cruise-2011Vestido Stella McCartney e terninho Balenciaga ©Reprodução

Philip Lim foi um dos que melhor conjugou tudo isso. De seu inverno 2010, trouxe o clima boho com ótimos terninhos tipo Bianca Jagger que já prometem ser sucesso de vendas quando a coleção chegar às lojas em novembro. Stefano Pilati, por sua vez, misturou o clima setentinha que imprimiu sobre a Yves Saint Laurent no verão 2010 com suas capas protetoras deste inverno. Na Balenciaga, Nicolas Ghesquière retrabalhou sua cartela de cores do verão, junto com seus recorrentes uniformes futurista, ao lado de um leve clima boêmio bem peculiar. Enquanto Stella McCartney misturou suas rendas do verão com a alfaiataria levemente estruturada do último desfile.

São essas coleções que ficam mais tempo na loja – e com preço cheio. Em tese mais simples, elas permitem uma agilidade maior de produção e entrega, podendo atender melhor atendendo aos desejos de consumo quase que instantâneos ou àqueles mais atemporais.

Resort, Cruise, Pré-verão – as coleções de meia estação vieram para ficar

Um inverno para as mulheres

2011/10/1176_celine-inverno-2010Céline inverno 2010 © firtVIEW

Voltando de Paris fiquei pensando um pouco sobre as principais mensagens da temporada. Sobre a onda minimalista que tomou de assalto às coleções internacionais para o próximo inverno. Em como linhas limpas, ausência de decorações e design em seu estado puro conseguiram dar status cool à austeridade. Em como a manipulação tecidos e exploração de formas de maneiras quase modernista transformaram o básico em inusitado.

Mas talvez, para além de um visual que grite “direto aos negócios”, haja algo maior por trás desse novo minimalismo impulsionado pelo sportswear clean do verão 2010 da Céline de Phoebe Philo. Por um lado, como que se aquelas formas simples fossem versões atualizadas do “power dressing” que deu força ao visual feminino lá nos anos 80 quando as mulheres começavam tomar seus postos no mercado trabalho.

Pensando por aí, tudo isso até faz certo sentido. Hoje, conforme indicam uma série de pesquisas publicadas no começo do ano, o sexo feminino já supera o masculino na força de trabalho de diversos países. As mulheres há tempos já são donas de seus próprios narizes e contas bancárias. Não precisam mais do apoio e sequer a aprovação do sexo oposto para qualquer decisão. E se antes, ela precisava subir em vertiginosos saltos, ousar na sensualidade ou então roubar do guarda-roupa masculino elementos de poder, hoje já não é mais bem assim.

2011/10/1174_stella-mccartney-inverno-20Stella McCartney inverno 2010 © fisrtVIEW

Talvez, sentindo a iminência de grandes mudanças sócio-culturais, estilistas estejam de fatos preocupados em como acompanhar tudo isso e encontrar seu papel no meio dessa silenciosa revolução. Para alguns a solução foi olhar para trás, para outro foi limpar a casa para dar novo “start” em seus negócios. Mas poucos, porém, parecem ter conseguido olhara além e percebido que nessa nova fase, seu trabalho não será apenas embelezar o guarda-roupa feminino.

Quando falamos que tecidos e roupas foram trabalhadas de maneira modernista, talvez não seja nem naquele modo de solução de problemas ou rompimento com o passado. Mas, sim, para levantar questões de realidade física ou até mesmo comportamental. Quem de fato foi moderno nesta temporada, foi quem conseguiu olhar para o futuro de maneira real, oferecendo roupas para realidade de fato (por mais que ainda distante ou reduzida) muito mais que para um futuro imaginado.

Exatamente como aconteceu com Yves Saint Laurent e Coco Chanel. Ambos, grandes gênios da moda do século XX, conseguiram entender as reais necessidades das mulheres, quando a grande maioria delas sequer sabiam que de fato desejariam tais elementos.

2011/10/1175_balenciaga-inverno-2010Balenciaga inverno 2010 © firstVIEW

Hoje, quem mais se aproximou de tal qualidade foi Nicolas Ghesquière, na Balenciaga, Raf Simons, na Jil Sander, Riccardo Tisci, na Givenchy, Alber Elbaz, na Lanvin, Marc Jacobs, Miuccia Prada e as meninas de ouro da temporada: Hannah MacGibbon, na Chloé, Stella McCartney e Phoebe Philo, na Céline (por mais que essa última coleção tenha carecido da energia da passada).

Essas últimas, além de oferecerem algumas das melhores coleções de semana de Paris, são exemplos vivos dessa nova mulher. Todas na faixa dos 30, mães, trabalhadoras e com reais necessidades que pedem por um guarda-roupa que não grite apenas: fashion! E muito menos só “business”.

Pensando bem, talvez a mensagem principal do inverno 2010 seja mesmo sobre feminilidade. Sobre feminilidade em suas mais variadas formas. Sexy, trabalhadora, voluptuosa, jovem, adulta, para noite, para o dia, mas sempre possível. Sempre real e sempre com as rédeas de suas vidas. Não foi à tona que os anos 60 e 90 foram as duas décadas mais referenciadas nas coleções internacionais. Ambas, trazem importantes significados para a vida do sexo feminino. Primeiro por toda aquelas questões de liberação sexual e autonomia feminina, depois por uma postura mais business bem equiparada com os homens.

2011/10/1173_louis-vuitton-inverno-2010Louis Vuitton inverno 2010 © firstVIEW

Sem contar que, pela primeira vez em muito tempo (acredito que desde os anos 60), o adjetivo “maduro” parece ter perdido qualquer conotação negativa. Supostamente, depois de anos em busca de juventude eterna, estilistas parecem ter percebido que suas consumidoras não são apenas garotas magrinhas de 20 e poucos anos. Não foi à toa que Miuccia Prada e Marc Jacobs para Louis Vuitton trocaram as modelos skinny de 16 anos, por mulheres mais velhas (ou menos novas) e curvas mais próximas da realidade da mulher comum. Formas voluptuosas, bustos em evidência, quadris acentuados.

Tudo bem, o conceito pode ter se mostrado mais interessante do que a roupa de fato – e principalmente na Vuitton onde as saias godês mega volumosas parecem retros demais para as atuais necessidades das mulheres. Mas, parece que a próxima temporada vem para legitimar (mais uma vez) a autonomia do sexo feminino.

Legitimação, talvez, até mesmo sobre o poder de estilistas e editoras de moda. Afinal, o mar de roupas simples, cores neutras e peças básicas pode ser entendido como uma tela em branco, onde cada mulher pode criar seu próprio estilo ou visual. Uma temporada, então, onde o estilo fala mais alto do que a moda em si.

Um inverno para as mulheres

Cheiro de tinta nova

Gentlewoman

Se a Fantastic Man já é leitura obrigatória para qualquer homem que goste de moda, agora a dupla Gert Jonkers e Jop van Bennekom (eles são as cabeças por trás da Butt também) resolveram criar uma versão feminina da FM, a Gentlewoman, para “mulheres maravilhosas”, diz o release. A primeira edição foi lançada em Paris e tem a estilista da Celine, Phoebe Philo na capa, fotografada por David Sims com edição de moda de Camilla Nickerson (da W). Além da estilista, tem também Daisy Lowe, Alice Rawsthorn e Alice Gray como colaboradoras. Lembrando, que Gentlewoman também foi uma revista publicada no século 18. No final do ano passado, algumas pessoas tiveram acesso a um preview em preto e branco dessa primeira edição (e não desapontou ninguém!). E mais: Penny Martin, que esteve aqui no Brasil para o Filme Fashion, é a editora chefe da revista. A Gentlewoman vem em formato tabloíde, com papel tipo de jornal, bem diferente de qualquer revista feminina.

Cheiro de tinta nova

O que queremos?

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Estou um pouco confuso… Não sei bem o que esperar dessa temporada de desfiles internacionais que está para começar no próximo dia 11 com a New York Fashion Week.

Quais são os reais desejos de moda que vão movimentar o mercado? O que fará sentido em nossas vidas nessa segunda década de século 21? O que vai se destacar mais nas passarelas do planeta fashion: criatividade explosiva ou extrema adequação às reais necessidades dos consumidores de moda?

Alguém aí sabe a resposta para alguma dessas perguntas? Porque, sinceramente, eu ainda não consegui chegar a nenhuma conclusão precisa. Já aqui, durante o Fashion Rio e SPFW, vimos uma divisão até que bem definida entre as marcas que se aventuraram por delírios fashion com imagens cheias de força, e uma atenção maior ao lado comercial.

Por mais instigante e inspirador que seja assistir a apresentações inventivas, cheias de criatividade, será que ainda há espaço para uma moda conceitual ou extravagante em nossas vidas – pelo menos nos dias de hoje? E se não há, então não seriam essas coleções de imagens marcantes ideais para quebrar o padrão?

2011/10/808_phoebe_philoNão sei bem porque, mas cada vez mais, e desde a última temporada de verão 2010, foram justamente as roupas e coleções de visuais mais simples, quase minimalistas que me chamaram mais atenção. Roupas fáceis de usar, prontas para vida real, dotadas de imensa versatilidade e praticidade adaptáveis ao dia-a-dia do consumidor comum e em diversas situações. Não aquele mar de cocktail dresses e roupas para noite que dominaram a última temporada como se vivêssemos numa festa sem fim.

Roupas que você bate o olho e vê que ali foram empregados reais valores de design, tecidos de qualidade, bom acabamento e que apesar de aparentemente simples, trazem cortes, proporções e modelagens atuais, que parece, perfeitamente corretos para os dias de hoje.

Ok, elas não são lá bem o que se entende por inventivas e pode até ser meio contraditório, já que a priori não trazem a novidade que a moda tanto busca. Mas e se essa simplicidade funcional for a novidade? E se essa ausência de extravagância, essa moda discreta e silenciosa for o novo da vez?

Lembro que adorei a coleção de verão 2010 de Viktor & Rolf. Junto com a do Alexander McQueen foi um dos poucos respiros fashion da temporada. Imagem poderosa, trabalho técnico apurado e conceito super bem amarrado. Mas como isso se relaciona com as nossas vidas? Alguém viu algum daqueles vestidos incríveis fora das passarelas e editoriais de revistas (não estou contando os tapetes vermelhos, tá?). Alguém se imagina em alguma daquelas peças fora de festas e ocasiões sofisticadas e que permitam (ou exigiam) um dress code mais ousado?

Enquanto isso, coleções como a da Chloé, da Celine e boa parte das de pre-fall 2010, como Gucci, Balenciaga e Prada, se mostram muito mais próximas da realidade do consumidor. E aí que fica minha pergunta: Sou super a favor de toda aquela explosão criativa dos desfiles mais conceituais, mas será tudo aquilo em vão? Para onde vai toda aquela técnica, todo aquele pensamento traduzido em imagens de moda? Sim, eles inspiram, mas cada vez mais me parecem mais distantes do que realmente queremos no nosso guarda-roupa e dia-a-dia.

Durante o fim de semana acabei discutindo esse mesmo assunto com a Fernanda Resende, da Oficina de Estilo e achei válido colocar aqui algumas conclusões que chegamos:
A Fernanda disse que “ee a gente se satisfaz com o “mais comum”, se deixa pra lá o “extravagante” (mesmo que só como referência!), fic amais difícil evoluir – tanto na forma de vestir, nas referências pessoais, quanto no exercício de ‘olhar fashion’, sabe? então eu ainda espero ver algumas viagens, uns vitkor&rolfs da vida, mesmo tando interessada de verdade nas roupas mais fáceis.”
E eu acabei concordando. Sem essa loucura a evolução fica de fato mais difícil e lenta. Eu só acredito que hoje em dia a viagem por si só não dá mais conta de inspirar ou servir como referência. Acredito que mesmo na mais maluca das viagens é preciso ter ainda algum traço ou elemento que relacione toda aquela imagem rica em informação de moda com a nossa realidade. É aí que está a diferença. Muito mais do que naquele equilíbrio entre o comercial e conceitual que a gente sabe ser tão importante para um bom produto de moda.
Antes um look absurdo já se bastava. Uma imagem poderosa dava conta de causar impacto pela sua pura extravagância e exuberância. Hoje não é tão simples assim. Talvez a gente tenha ficado cansado de loucuras fashion sem motivo ou vazias de sentido. Ou nosso olhar simplesmente evoluiu, buscando sempre alguma explicação ou conexão que valide ou torne de alguma maneira (até mesmo inspiracional) tudo aquilo um sonho possível.

+ Atualização: Durante o fim de semana acabei discutindo esse mesmo assunto com a Fernanda Resende, da Oficina de Estilo e achei válido colocar aqui algumas conclusões que chegamos:

A Fernanda disse que “se a gente se satisfaz com o “mais comum”, se deixa pra lá o “extravagante” (mesmo que só como referência!), fic amais difícil evoluir – tanto na forma de vestir, nas referências pessoais, quanto no exercício de ‘olhar fashion’, sabe? então eu ainda espero ver algumas viagens, uns vitkor&rolfs da vida, mesmo tando interessada de verdade nas roupas mais fáceis.”

E eu acabei concordando. Sem essa loucura a evolução fica de fato mais difícil e lenta. Eu só acredito que hoje em dia a viagem por si só não dá mais conta de inspirar ou servir como referência. Acredito que mesmo na mais maluca das viagens é preciso ter ainda algum traço ou elemento que relacione toda aquela imagem rica em informação de moda com a nossa realidade. É aí que está a diferença. Muito mais do que naquele equilíbrio entre o comercial e conceitual que a gente sabe ser tão importante para um bom produto de moda.

Antes um look absurdo já se bastava. Uma imagem poderosa dava conta de causar impacto pela sua pura extravagância e exuberância. Hoje não é tão simples assim. Talvez a gente tenha ficado cansado de loucuras fashion sem motivo ou vazias de sentido. Ou nosso olhar simplesmente evoluiu, buscando sempre alguma explicação ou conexão que valide ou torne de alguma maneira (até mesmo inspiracional) tudo aquilo um sonho possível.

O que queremos?