#NYFW Verão 2011: por uma moda menos Lady Gaga

17/09/2010

por | MODA

A semana de moda de Nova York, que terminou na última quinta-feira (16/09), não foi tanto de novidades, quanto foi de um certo sentimento de readequação. Estilistas pareciam menos preocupados em reinventar a roda do que em achar aquilo que parece adequado para as atuais vontades das mulheres.

A busca pela novidade pareceu substituída pelo desejo de fazer as pessoas voltarem a se sentir bem com as roupas. Em entrevista ao “NY Times”, Narciso Rodriguez disse que estava pensando em sua amiga Carolyn Bessete, e como ela e outras mulheres apenas jogavam um casaco sobre um longo vestido para sair à noite. Marc Jacobs, após seu desfile 1970s, perguntou a Diane Von Furstenberg: “Lembra quando as mulheres vestiam-se assim? Por que não se vestem mais desse jeito?”.

Nos últimos anos a moda se distanciou demais de seu público-alvo: os indivíduos. Por mais paradoxal que isso possa parecer em tempos de fast-fashion e uma dita democracia de moda, se analisarmos bem o cenários encontraremos imagens dotadas de extrema frieza. Distantes, intocáveis e inatingíveis por reles mortais. Quase como obras de uma ficção-científica pop. Um exército de clones da Lady Gaga.

No business front, marcas são criadas, gerenciadas, ressuscitadas como se tivessem vida própria, independente da realidade. Como se toda essa indústria não dependesse, exclusivamente, de quem a veste.

E como para toda ação existe uma reação, talvez seja essa uma das mais interessantes que vimos em Nova York. Bem mais do que o movimento das saias longas ou meia-perna em resposta as mini das últimas temporadas, da predominância do brancos _e as centenas de tons derivados_ e do statement das cores.

Talvez seja por isso que muitos estilistas preferiram olhar para o passado ao invés de mirar o futuro. Um olhar não de mera inspiração ou referência, mas sim um de busca de conexões. Conexões como aquelas que Marc Jacobs fez ao estilo Yves Saint Laurent dos anos 70, onde “se montar” era algo divertido, possível e não algo vindo de um frigorífico. Ou então como Jack McCollough e Lazaro Hernandez transformaram a eterna jaqueta Chanel em algo cool e contemporâneo na Proenza Schouler.

O minimalismo dos anos 90 _e a simplicidade creditada à Phoebe Philo_ continua como o Norte da bússola fashion. Calvin Klein e seus incríveis vestidos brancos, levemente estruturados, e Narciso Rodriguez com seus longos formais, resgatando a essência do movimento, porém adaptada à atualidade. Esse minimalismo agora vem pautado por ares descontraídos, traz um certo California way of life. Derek Lam talvez seja o melhor exemplo, ao lado de Diane Von Furstenberg, que também percebeu a necessidade de limpar o visual e conectar-se de forma mais direta e objetiva com suas consumidoras.

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Resort, Cruise, Pré-verão – as coleções de meia estação vieram para ficar

23/06/2010

por | MODA

Enquanto vivíamos trancafiados na caixa de concreto que Niemeyer chamou de Bienal (afinal era tempo de SPFW), em Nova York cerca de 75 desfiles enchiam as agendas de editores e compradores. Quase como um terceira temporada de moda, as coleções de resort (ou cruise ou pré-verão) chamaram atenção como jamais conseguiram antes.

Antes destinadas apenas a uma pequena (rica) parcela dos consumidores – aqueles que realmente precisavam de trajes especiais para suas férias em balneários e iates –, hoje o resort já é parte essencial do mercado de moda.

2011/10/2114_proenza-cruise-2011Pré-verão 2011 Proenza Schouler ©Reprodução

Sua imagem simples e design descomplicado podiam antes desagradar alguns eruditos da indústria. Porém, para seu público alvo pouco importa se as pregas chatas, as costuras aparentes e cortes cirúrgicos do pré-verão 2011 da Calvin Klein mantém alguma relação com a moda minimalista e geométrica do inverno 2010 – o que importa para o consumidor final é que são roupas usáveis.

“Resort é sobre roupas reais para nossos amigos. Todos foram longe demais na fantasia e nós perdemos o público. Há algo sobre a realidade que parece fresco agora”, explicaram ao Style.com os estilistas Lazaro Hernandez e Jack McCollough (Proenza Schouler), enquanto falavam de sua coleção resort extremamente urbana, porém repleta de elementos étnicos importados da Índia.

2011/10/2112_lanvin-cruise-2011Vestido dupla face da Lanvin ©Reprodução

Para Alber Elbaz, estilista da Lanvin que mostrou um pré-verão repleto de best sellers simplificados de temporadas passadas – incluindo um incrível vestido dupla-face que ia de uma sofisticado tubinho preto para um com frente coberta por babados cinzas – “uma pré-coleção não é sobre uma imagem ou direção. É sobre a mulher, o desejo, a necessidade”.

As resort collections carregam, então, uma simplicidade essencial para o sucesso de vendas. Donatella Versace, por exemplo, reduziu toda a energia e sensualidade de seu pré-verão sessentinha às cores vibrantes da pop art em vestidos curtos, próximos ao corpo, decorados com pontinhos pretos tipo Roy Lichtenstein.

2011/10/2111_celine-e-givenchy-cruise-2011Da esquerda para direita, looks do pré-verão 2011 da Céline e Givenchy ©Reprodução

Riccardo Tisci, na Givenchy, utilizou essa meia estação para reafirmar alguns clássicos da marca sob seu comando. Blazeres acinturados com ombros marcados, calças com ganchos baixos e todo um rico trabalho com rendas falam da essência romântica-gótica-cristã do estilista – sempre em preto, branco ou um denso vermelho.

Phoebe Philo, na Céline, reforça seu conceito de roupas práticas e sofisticada com reedições de peças-chaves de coleções passadas. A saia de cintura alta evasê, o vestido preto em couro (ou com recortes) e as calças amplas, todas aparecem revisitadas em seu pré-verão que ainda ganhou maxi-bolsas e uma versão em amarelo fluorescente.

Com caráter transitório, as coleções de resort funcionam também como termômetro para o que vai de fato pegar entre os consumidores. Carregam o melhor do verão 2010, e o que promete ser hit do inverno 2010. Ou seja, misturam o tribalismo e florais vibrantes das coleções que já chegaram às lojas com o clima 1970s e um certo utilitarismo chique. E o resultado é mais ou menos o que se viu em muitas coleções.

2011/10/2115_stella-e-balenciaga-cruise-2011Vestido Stella McCartney e terninho Balenciaga ©Reprodução

Philip Lim foi um dos que melhor conjugou tudo isso. De seu inverno 2010, trouxe o clima boho com ótimos terninhos tipo Bianca Jagger que já prometem ser sucesso de vendas quando a coleção chegar às lojas em novembro. Stefano Pilati, por sua vez, misturou o clima setentinha que imprimiu sobre a Yves Saint Laurent no verão 2010 com suas capas protetoras deste inverno. Na Balenciaga, Nicolas Ghesquière retrabalhou sua cartela de cores do verão, junto com seus recorrentes uniformes futurista, ao lado de um leve clima boêmio bem peculiar. Enquanto Stella McCartney misturou suas rendas do verão com a alfaiataria levemente estruturada do último desfile.

São essas coleções que ficam mais tempo na loja – e com preço cheio. Em tese mais simples, elas permitem uma agilidade maior de produção e entrega, podendo atender melhor atendendo aos desejos de consumo quase que instantâneos ou àqueles mais atemporais.