via @ErikaPalomino
O glamour a bordo ficou impresso no imaginário do século 20, mas não fez a virada para o século 21. Na foto, as Supremes (Mary Wilson, Florence Ballard e Diana Ross) desembarcando em Londres nos anos 1960 ©Reprodução
Houve um tempo em que pegar um avião era um exercício de glamour. Ah, aquelas fotos hollywoodianas, das celebridades apontando na ponta da escada e acenando para a turba e para os fotógrafos, imagens devidamente gravadas no imaginário do século 20.
Hoje, até quem viaja de primeiríssima classe e mesmo as megacelebridades baixaram a bola (minha querida amiga Gloria Kalil é a mestra em sugerir como viajar com estilo, mas não é essa a pauta aqui).
Para a imensa maioria de mortais, que não desfrutam de check-ins diferenciados, salas VIPs e ônibus private esperando à saída do avião, e mesmo para quem desfruta, o dress-down tomou conta. E ser frequent flyer só é bom mesmo para quem está de fora.
Em tempos de calor no Hemisfério Norte (objeto desta minha observação aqui), o povo anda como se estivesse num calçadão indo atrás da próxima água de coco: bermudas, shortinhos, chinelos, tênis.
Em algum verão, Marc Jacobs criticou a beach-ificação das ruas de Nova York, e proclamava que a moda precisa de um pouco mais de esforço. A frase é boa, de fato. Mas vai convencer quem tem que fazer mil conexões, passar por check-in, imigração, sala de embarque, raio X, eventualmente tirar o sapato e colocar naqueles horríveis caixotes de plástico… E carregar bagagem de mão (ou as tranqueiras que não couberam na mala; quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra)… Não tem como manter a finesse. E quando o sapato machuca e o pobre ser humano tem que se arrastar pelos enormes aeroportos de hoje? Da próxima vez vou de chinelo, ele jura para si ali mesmo.
Realmente não dá pra comparar. Pessoalmente até prefiro gente normal do que os fashionistas em trânsito durante as temporadas de moda. Vestidos como se fossem direto pra primeira fila, com aquelas caras de quem já não está gostando, de quem não sabe se divertir. Pegar um voo Milão-Paris durante os desfiles pode fazer você se sentir um verme cafona. Já São Paulo-Rio, felizmente, é mais relaxado (apesar de todo mundo oficialmente reparar no que os outros estão vestindo e na qualidade/style das bagagens).
Adoro especificamente um personagem, o da pessoa que oficialmente se esforça para fazer um modelão para viajar. Geralmente ela usa tudo o que de mais grifado tem em seu guarda-roupa. É bolsa Vuitton, óculos Prada, relógio D&G, you name it! Ela só fica mais humilde mesmo quando encontra seu assento na classe econômica. Até então, é só carão. Mas acho divertido.
A vida é assim: um dia na executiva, outro ganhando upgrade, a vida real no modo econômico. Viajar _e observar_ ensina muito.
Pra quem gosta de “dicas” (já falei aqui que odeio a palavra??), seguem as minhas:
01) deixe o carão em casa.
02) leve uma pashmina (eu era contra até ter uma). De preferência uma que te abrace e te proteja.
03) carregue o menor peso possível na mão.
04) vá com sapatilha ou tênis. Chinelo só em casos de ótimas pedicures (porque ninguém merece).
05) não encha a cara no avião. Se preferir, encha a cara depois de fazer o check-in, mas desde que não perca o voo. No avião, tome água mesmo, pra não chegar ainda mais inchado no destino.
06) Se for para os Estados Unidos, confira se sua meia não está furada.
07) Roupas soltas e confortáveis, nada de querer mostrar que emagreceu com aquela nova skinny.
08) Fones, i-pods e protetor de olhos para escapar de seus pouco inspiradores personagens à volta.
09) coisas pra ler que não pesem em sua bolsa.
10) optimismo e pensamentos positivos (com aviões e aeroportos, tudo sempre pode piorar, então é melhor achar que não vai!).
Last but not least, olhe bem, mas muito bem seu bilhete assim que ele for emitido e confira todos os horários, conexões, horários de embarque (não confundir com os da chegada).
Agora, se voce quiser aprender a fazer uma mala perfeita, entra no Chic, amor. Eu juro que não sei!!!