“Awkward Years Project”

02/08/2013

por | COMPORTAMENTO

Autumn, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

As dores do crescimento. Diria que é quase impossível tornar-se adulto sem senti-las, sem experimentar, nem que por alguns poucos anos, a infelicidade de ser a chacota da turma, o pré-adolescente estranho que, cheio de espinhas, usa aparelhos nos dentes e óculos. Se tal realidade estivesse apenas nos filmes da atriz Molly Ringwald ou nas comédias reprisadas com frequência na sessão da tarde da Globo, não teria me tornado a pessoa que sou hoje e, aposto, nem você.

Ao esbarrar com o Tumblr “Awkward Years Project” e com sua respectiva descrição, percebi que apesar de (provavelmente) ter me tornado uma pessoa mais interessante pelas experiências negativas que vivi, o passado ainda incomoda. E não é só a mim. Entre os anos de criança meiga até a idade adulta, em que já possuímos noção de como nos apresentar em sociedade, aquele período de “estranheza” física e psicológica são tão difíceis que, em geral, tendemos a escondê-lo, como se fosse uma mancha negra que nos comprometesse aos olhos dos outros.

Merilee, criadora do Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Revelar tal “mancha” e compará-la com o que se é no presente é a proposta de “Awkward Years Project”. A criadora do Tumblr, Merilee Allred, 35, contou em um post introdutório que a ideia surgiu de uma conversa com uma amiga recente, que a questionava sobre seus “anos estranhos”. Para comprovar que, infelizmente, os viveu, buscou uma fotografia antiga, da época do colégio. Ao perceber que não queria mostrá-la, talvez por insegurança, ela decidiu retratar-se segurando a imagem. Foi uma forma de dizer: “Olha o que eu era, mas não esqueça de como sou agora”.

É possível que digam que o raciocínio acima estimule sentimentos meio que superficiais, mas, no fundo, é uma maneira de mostrar a si mesmo a própria “evolução” e que todo aquele bullying foi superado, fazendo-nos mais fortes. É também um jeito de assegurar a quem está nos “anos estranhos” que eles vão passar e, sobretudo, que eles pavimentarão o seu caminho e definirão o seu futuro.

+ Veja abaixo mais fotografias do Tumblr “Awkward Years Project”:

Martie, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Gina, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Laura, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Solange no Brasil

26/07/2013

por | MÚSICA

Solange canta em show recente e esgotado no Bowery Ballroom, em Nova York ©Reprodução

Update: a cantora Solange, de quem tínhamos falado no final do ano passado, vem ao Brasil para show com o Popload Gig em novembro, em São Paulo. Relembre o hit da cantora, “Losing You”, no vídeo abaixo.

Um amigo mandou um link pelo Facebook falando que eu tinha que conhecer a Solange Knowles. Não achei que fosse encontrar grande coisa. Ihhh, irmã da Beyoncé… ok, vamos lá.

Coloquei no vídeo a apresentação que ela fez no programa de Jimmy Fallon e em menos de cinco segundos – juro – eu estava encantada com Solange. Com sua roupa verde, seu mega afro e seu jeito de dançar jovem, livre, leve e despretensioso. E então vem a voz. Quando ela canta, é suave, chique, uma música de bom gosto e com um ótimo groove.

Voz bonita, estilo notável. Muito mais cool que sua irmã megablaster star. A música que me tomou foi “Losing You”, single de seu EP “True”, com sete faixas e feito em parceria com seu produtor Dev Hynes. “Losing You” já virou sensação nos EUA e foi eleita uma das 40 melhores de 2012 pela revista “Spin”.

- “Losing You”:

O clipe é igualmente incrível. Inspirada pelos Sapeurs*, Solange foi para a Cidade do Cabo com um grupo de amigos fazer o vídeo com o grupo local de Sapeurs. Sua influência estética se faz perceber nos figurinos de Solange e sua banda. “Sempre fui ligada a cores, mix de estampas e 70′s, então quando conheci os Sapeurs, fiquei com aquilo na cabeça”, disse em uma entrevista ao “The Fader”.

Solange tem um bom senso natural para a moda, além de ser muito bonita (eita, família!). Em janeiro deste ano, a agência de modelos Next (que representa Aline Weber, Alexa Chung e Arizona Muse) fechou um contrato com ela. Pouco tempo depois foi contratada como rosto da marca de make Rimmel London, ao lado de Zooey Deschanel, e em seguida virou blogueira convidada do site da “Vogue” americana, que publicou uma entrevista recente com ela por conta do lançamento de “True”.

Inspiração visual na estética dos Sapeurs ©Reprodução

Essa jovem de 26 anos sabe se defender das inevitáveis comparações com sua irmã – “É bom receber seus conselhos, mas nós certamente temos objetivos diferentes” – e fica louca quando alguém diz que ela está crescendo na trilha de Beyoncé, tanto que assina apenas Solange, sem o sobrenome. Agora, é inevitável mesmo a comparação com Diana Ross nos anos 70, especialmente na imagem, mesmo que as Supremes e outros grupos femininos da Motown estejam entre suas referências musicais.

Solange está mais para o espírito sapeca de Janelle do que o da glamazon da Beyoncé. Sua banda tem um quê de Amy Winehouse, com todos os integrantes negros e super bem vestidos. Sua música e presença, ar fresco. Que venha para ficar.

*Algo como jovens dandies do Congo, que vestem ternos absurdos e coloridos que chegam a custar US$ 1000. São conhecidos por algo como “sociedade de pessoas elegantes” na gíria congolesa “la sape”. Eles fazem batalha de dança e estilo que lembram as cenas do documentário “Paris is Burning”, sobre a cultura ballroom da cena gay em Nova York nos anos 80. Aqui e aqui tem matérias legais sobre eles.

FFW no Liceu de Maquiagem

24/07/2013

por | BELEZA

Vito Mariella, professor e sócio do Liceu de Maquiagem, fala sobre a aplicação correta do delineador ©Ricardo Toscani

Na sexta-feira passada (12.07), o FFW foi experimentar uma aula do Liceu de Maquiagem. Se você nunca ouviu falar, o lugar é uma casinha super convidativa e bem decorada na Consolação, em São Paulo, idealizada pelos sócios e professores Vanessa Rozan e Vito Mariella. Além de cursos profissionalizantes e de auto maquiagem, oferece também serviços de salão como corte, penteados, reflexos, colorações e dias especiais para noivas.

A aula que fizemos chama-se Dolce Diva, uma mistura de “Dolce Vita” (o filme mesmo) com Marilyn Monroe, como o próprio Liceu descreve. Isso porque o foco é ensinar dois ícones estéticos que remetem ao nome do curso: o delineador gatinho e a boca vermelha perfeitos. O olho é o primeiro passo — porque se você errar e tiver que corrigir, pelo menos não precisa estragar a pele. Antes de começar o delineador, aplique uma sombra nude com brilho em toda a pálpebra móvel e lápis bege na linha d’água. E pode começar.

Vito Mariella ensina como ver se o delineador ficou perfeito ©Ricardo Toscani

A melhor dica para um delineador perfeito: prática. Mas os quatro passos que Vito ensinou na aula ajudam. São eles:

1) com um pincel fino, faça um traço “rascunho” desde o final do olho até onde você quer que o delineador termine.

2) da metade do olho para fora, encontre esse traço no final do olho.

3) complete o traço desde o início do olho até meio (onde começou o anterior)

4) continue o traço feito no passo 2 para ele encontrar o final do rascunho que fez no passo 1 e preencha.

O desenho que explica os quatro passos da aplicação do delineador ©FFW

Lembre-se de que quanto mais grosso ficar o delineador, mais aberto fica o olho. Outra dica para ter em mente é que o pincel a 90º faz um traço fininho, enquanto que deitado faz mais grosso. Para ver se o delineador ficou perfeito, incline a cabeça para trás e veja se ficou reto. Se sim, parabéns, se não, lembre-se de que a prática é o segredo do negócio e tente de novo. No final, aplique máscara de cílios.

Faça a pele aplicando creme hidratante com o pincel de base. Aplique a base (“a  ideal para você é aquela que se funde no rosto quando você passa com o pincel”, explica Vito), corrija a zona escura dos olhos aplicando o corretivo com um pincel fofo e aplique o blush – com moderação, nas maçãs do rosto. Coloque pó só na zona T; s o resto do rosto brilhar, tudo bem, dá “cara de saudável”, explicou o maquiador.

Aplicando o batom ©Ricardo Toscani

Pele feita, passamos para o passo que parecia o mais simples: a boca vermelha. Comece escolhendo a cor do batom e do lápis de boca, que devem ser do mesmo tom. Com os lábios esticados, aplique o lápis no contorno, sempre de fora para dentro, encontrando os dois traços no meio e corrigindo o necessário. Se você nunca aplicou lápis de boca, acredite, não é tarefa fácil. O traço pode ficar torto (provavelmente vai) e você pode ter que refazer várias vezes. Preencha se quiser dar uma cor extra. Com um pincel de boca, aplique o batom também de fora para o centro e sempre dentro dos domínios do lápis. “Ah, nossa, ficou ótimo!”, falei no fim da tarefa. “Então se prepara, porque vai ficar ainda melhor. Vai ficar perfeito”, responde Vito. Coloque um pouco de corretivo na mão, pegue um pincel durinho (tipo o de base, mas menor) e contorne toda a boca com o corretivo. Et voilá, a técnica para a boca vermelha perfeita.

Corrigindo a boca, uma tarefa difícil ©Ricardo Toscani

Se não conseguir um resultado perfeito na primeira vez, não desanime. Pratique bastante e, acima de tudo, divirta-se!

As próximas aulas Dolce Diva acontecem nos dias 25.07 e 01.08, das 19h às 21h, no Liceu de Maquiagem – Rua Pedro Taques, 110, em São Paulo. Consulte o site do Liceu para mais informações. 

Eu, você, a moda e o papa

19/07/2013

por | COMPORTAMENTO

Look da marca Valentino, na temporada de Inverno 2013 ©Reprodução

Às vésperas da chegada do papa Francisco ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, notamos como o novo pontífice tem influenciado a moda. “The New York Times” (com Suzy Menkes), “Vogue” britânica e a “Marie Claire” italiana estão entre os veículos que já apontam a influência do papa nas últimas coleções italianas.

Suzy apontou para jovens designers e também para as atuais vitrines de Roma, já prevendo o espírito do outono. A “Marie Claire” olhou ainda mais pra trás e viu nas coleções de Primavera/Verão 2013 outros bons exemplos. Valentino colocou na passarela, entre outros looks, um vestido vermelho com punhos brancos que parecia “saído do armário de um cardeal”. Dolce & Gabbana, que já vinha no clima de mulheres do interior da Sicília, sempre muito religiosas, continuou apostando em seus pesados crucifixos, dignos de porta de igreja não fosse pelo tamanho. Ferragamo também usou crucifixos. E a Marni, sandálias franciscanas.

Olhando todo o processo que a moda italiana, e não só, vem passando desde que a crise econômica sufocou a dolce vita, podemos dizer que… ok, vemos o papa na passarela, mas não somente.

A escolha do papa e a admiração que a sociedade tem por esse novo não é apenas por causa dele. É causa também do que acontece dentro das pessoas. Isso se sente no ar, não somos nós que ditamos. Permitam uma comparação bem fashion-pobre: é como exibir na vitrine uma roupa que não se encaixa com o espírito da época. Simplesmente não vende. O mesmo serve para o papa. Não causaria esse furor um papa que nada tivesse a ver com o espírito do nosso tempo. A ideia não venderia. Capisci?

Dois looks do Inverno 2013 da Valentino, uma das marcas que mais vem explorando o tema ©Imaxtree

E o que representa um papa, senão alguém a quem não olhamos a aparência? Ninguém julga se o papa é bonito ou feio, se está bem ou mal vestido. Ninguém reparou se é magro, gordo, se tem mãos bonitas, cabelo. Um religioso é geralmente uma pessoa esteticamente livre de olhares analisadores. Quando olhamos o papa, o olhar o atravessa sem ver. Vamos procurar entendê-lo, julgá-lo, apenas de acordo com as atitudes. Materialmente é como se fosse invisível. Você vai procurar no papa o quê? O espírito. E talvez seja isso que as pessoas estejam procurando.

Então se existe o papa no alto do foco de atenções e simpatias, é porque do lado de cá o mundo mudou. Ficou feio, ficou chato, ficou sem jeito não olhar o valor das coisas. Ficou, inclusive, cafona. É cafona demais ostentar hoje em dia. Um outro paralelo com o papa atual, que recusou o tratamento luxuoso que o Vaticano guarda para os papas. Repare nas pessoas que realmente ditam a moda. São discretas. E mesmo as últimas tendências de barroquismo, princesismos e outros ismos cheio de firulas… São ironias. Ninguém em sã consciência, e são poucos que têm dinheiro para isso, sairia com um colar, o tal colar statement, por exemplo, se ele realmente valesse um patrimônio. São maravilhosas bijuterias e nós sabemos. Talvez nos países onde o consumo ficou mais possível agora, como Rússia, China e Brasil, a coisa seja um pouquinho diferente, com gente falando tanto de dinheiro, do quanto custou isso e aquilo, ostentando logos de grifes, se sentindo superior ao usá-los. Mas só um pouquinho diferente, porque a nova rica do terceiro mundo quer parecer a rica antiga, então para isso ela vai imitar exatamente a discrição. A perolinha. O esmalte nude. A riqueza que não aparece.

E aí está mais um momento em que podemos dizer aos que ainda não acreditam, que a verdadeira moda reflete o âmago dos seres urbanos do planeta aqui e agora. Inclusive dos que nem sabem disso ou que juram que não seguem tendência. É esperar pra ver. O designer que escolheu o papa como referência é alguém extremamente observador. É ele próprio uma esponja dos sentimentos do momento. Quem não é esponja dos sentimentos que estão no ar não consegue criar. Nem na moda, nem na arte, nem num novo sabor de sorvete.

A moda é uma das maiores esponjas estéticas contemporâneas porque ela não fica num museu, ela vai parar no seu corpo. E quer vitrine melhor que o corpo da gente circulando por aí? A verdadeira tendência, aquela que funciona e vai do topo para a fast-fashion e para as ruas, saiu do sentimento de algum criativo, conectado a seu tempo, que materializou isso na passarela. E os outros observadores, igualmente conectados, pescaram o recado. E publicaram. E o leitor, se deparando com isso, sente que algo retorna, que o coração também fica tocado. Resultado? Você, naturalmente, aposenta o animal print e fecha um pouquinho mais o decote (se é que já não havia feito antes). E se sente adequado assim. Mas não porque foi culpa da jornalista, do papa, da Valentino ou da Dolce & Gabbana. E sim porque estamos todos nessa onda. Eu, você, a moda, e o papa.

Os homens, a moda e os cosméticos

16/07/2013

por | MODA MASCULINA

Por Camila Salek, em colaboração para o FFW

Homem observa vitrine, com sua mão já carregada de sacolas ©Reprodução

Teremos um Dia dos Pais diferente neste ano. Os “papais”, pouco priorizados no plano de investimentos das marcas unissex, começam a ganhar espaços e eventos especiais em lojas para provocar a interação com os produtos.

Pesquisas e estudos realizados nos últimos anos apontavam para uma mudança do comportamento masculino de compra. Hoje, o que vejo é um varejo ávido por atender esta nova demanda. Formatos diferenciados de apresentação e atendimento surgem em várias partes do mundo. Em recente viagem de pesquisa por Tóquio, tive a oportunidade de visitar muitas lojas exclusivamente masculinas com conceitos muito bem definidos de exposição, além de excelente mix de produtos. Uma delas, a Dobbies, chamou a minha atenção pelo ambiente muito bem cenografado e pelo salão masculino instalado no mezanino da loja. Os homens são excelentes consumidores de moda e cosméticos no Japão e a Dobbies transportou este comportamento para um ambiente masculino de loja, criando uma atmosfera muito agradável para o momento de compra. 

Decor e mobiliário garimpado do universo masculino da Doobies, em Tóquio ©Camila Salek

Detalhe do mezanino com salão masculino ©Camila Salek

O comportamento masculino de compra prioriza produtos práticos e de alta qualidade, com informações simples sobre forma de utilização. Traduzindo de maneira simples: número mínimo de produtos com número máximo de benefícios. O segmento de cosméticos já entendeu este recado e está focado em oferecer muito mais que perfume, desodorante e pós-barba. Segundo a Euromonitor, em 2015 o Brasil passará os Estados Unidos e será líder mundial em vendas no segmento de cosméticos masculinos.

Aqui no Brasil, lojas de cosméticos, como a The Beauty Box, têm áreas dedicadas aos homens que são um sucesso. 

Corner masculino da The Beauty Box ©Camila Salek

Projeto de vitrine para o Dia dos Pais da The Beauty Box ©Camila Salek

Lá, ações especiais para o Dia dos Pais terão destaque três semanas antes da data comemorativa. As vitrines brincam com a possibilidade do homem descobrir novas “ferramentas” através dos produtos cosméticos. Espaços internos destacam a curadoria e o uso de produtos de maneira prática e simples, ideal para o público masculino.

No varejo online, o destaque vai para o brasileiro Men’s Market, site especializado em produtos masculinos que faz um ótimo trabalho de curadoria para o segmento. Com entrega em todo Brasil, o site apresenta marcas, como a Dr. Jones, pouco conhecidas dos brasileiros.

Para os homens a noticia é muito boa: variedade, qualidade e curadoria é aposta forte das marcas.

Para os investidores a mensagem é direta: corram, pois o crescimento do segmento masculino no Brasil é uma das grandes apostas para os próximos anos.

Camila Salek, 35, é sócia da Vimer Experience Merchandising, especialista em ações para marcas e empresas atingirem resultados no varejo. Entre seus clientes, estão a loja brasileira da Marc Jacobs, e ainda Iguatemi, Swarovski, Electrolux, Scala, e Eudora, entre outros.

A nova alfaiataria

05/07/2013

por | MODA

Por Rémi Kuzniewski, em colaboração para o FFW

Assim como acontece com o prêt-à-porter feminino, a semana de moda de Paris também mostra força na temporada masculina. E no balanço geral, o que mais marcou os lançamentos são looks casuais, com um toque feminino bem perceptível. Veja abaixo as principais novidades para os homens para o Verão 2014 (e confira aqui o link para os desfiles).

SHORTS E BERMUDAS

Looks da Carven, Dior, Gustavo Lins e Lanvin na semana de moda masculina de Paris Verão 2014 ©Imaxtree

Já no primeiro dia, sobretudo na apresentação bem recebida de Guillaume Henry para a Carven, foi anunciado o retorno dos shorts e bermudas ao vestuário masculino. Mostrar as pernas não será somente durante as férias ou para ir à praia. Os shorts podem acompanhar um blazer, como nos desfiles da Carven ou da Dior, e servem em um look casual, como vimos na coleção da Kenzo, desenhada pela dupla Carol Lim e do Humberto Leon.

O brasileiro Gustavo Lins e Lucas Ossendrijver, estilista da Lanvin, removeram o máximo de tecido para oferecer mini shortzinhos para homens bem confiantes. Difícil de imaginar fora de casa.

FLORES

Looks de Phillip Lim e Dries Van Noten na semana de moda masculina de Paris Verão 2014 ©Imaxtree

A segunda coleção de Julien David foi um sucesso, especialmente entre o público japonês, altamente representado. A proposta tem um forte sabor de férias no Caribe. Com música do KLJ, o desfile foi um tributo à cultura reggae, com uma linha tropical com palmeiras, mas fiel ao seu espírito street wear.  O estilista colocou nos modelos sneakers de lona e camisetas inscrições como “Madness”, “Peace” ou “War”.

Phillip Lim também trouxe esse toque tropical. O estilista de LA imaginou a sua coleção como uma prancha de surfe. Hospedado no Docks en Seine, o novo point da moda parisiense (com o museu Galiera e o Institut Français de la Mode), às margens do rio Sena, Phillip imaginou um clima de Califórnia dos anos 70. No neoprene emprestado do surfe, sandálias “meduse”, sempre muito coloridas, t-shirts estampadas em fundo branco, calças e até mesmo nas jaquetas de couro, os meninos abusam das flores.

O homem Dries Van Noten passou por uma transformação e recebeu uma interferência de suas coleções femininas, com flores rococó inspiradas por desenhos do século 18, e referências do estilo gótico à inspiração Hawaii, enriquecidas com bordados, grandes e amarelos, sobre um fundo marinho.

Alexandre Mattiussi, o criador da AMI (loja bem localizada perto da Merci, em Paris), demonstrou ainda mais a sua criatividade em sua inspirada apresentação “sobre meninos nas lavouras de cafés”. Suas estampas florais tipo Havaí e suas misturas incongruentes foram bem sucedidas (jaqueta quadriculada e jeans).

ESTAMPAS

Looks da Givenchy e Kenzo na semana de moda masculina de Paris Verão 2014 ©Imaxtree

Na Givenchy, de novo, as estampas vieram super fortes (demais?) com desenhos de computadores/sistema de som e rostos étnicos. Mas o exército de guerreiros masais de Riccardo Risci impressionou e deixou sua marca na semana como uma nova maneira de fazer estamparia.

O dinamarquês Henrik Vibskov se destacou com uma coleção de roupas de influência africana que pareceram artesanais.

A Kenzo jogou mais uma vez com as estampas tradicionais da marca japonesa, que se tornam definitivamente peças chave das coleções assinadas por Humberto Leon e Carol Lim. A coleção foi concebida para evocar uma atitude fácil, relaxada, fresca, pontuada por teclas de gráficos. Inteiramente feitas à mão, elas incorporam desenhos das marés, aquáticos, com as ondas e palavras rabiscadas, misturados a color blocs em pretos, brancos e azuis. O tigre é mote; viva a “nova onda” que nos leva para as ondas do Oceano Pacífico, referência inspirada por gravuras japonesas do século 18, e em particular pela famosa xilogravura “Grande Onda no Largo de Kanagawa”, já usada por Kenzo Takada.

CORES

Looks de Issey Miyake e Hermès na semana de moda masculina de Paris Verão 2014 ©Imaxtree

As cores apareceram de maneiras diversas na estação. Hermès mostrou um lindo verde esmeralda; na Carven, foi a vez do laranja e do mostarda; na Issey Miyake, a dupla vermelho e azul apareceu com força. Na coleção tributo ao rock de Hedi Slimane para a Saint Laurent, o mostarda e o vermelho também estavam presentes, essa última em uma das peças mais comentadas, a calça de couro.

Paul Smith, grande aficionado pelas cores, prestou homenagem ao “hedonismo dos anos 1970″. Enquanto a cintura e os ombros são estreitos, lapelas, colarinho e calças ficam mais largos. Como desenho recorrente, Smith escolheu o “cogumelo mágico”, presente em um pull-over ou sobre lenços de seda na cor champagne. Se os primeiros modelos chegam com roupas rosa pálido, muito rapidamente um amarelo “pintinho” aparece em uma jaqueta e blusa. Paul Smith se destaca como de costume por uma cartela de cores vivas, fluo mesmo, como o trench rosa fluorescente usado com bermuda, uma das peças principais do desfile.

Dior Homme e Lanvin mostraram tons escuros.

NOVOS CÓDIGOS

Looks de Raf Simons e Rick Owens na semana de moda masculina de Paris Verão 2014 ©Imaxtree

O talentoso Raf Simons escolheu a periferia de Paris para o desfile da sua marca própria. O Le Bourget, um lugar mais acostumado com as apresentações de aviões do que de roupas, foi o palco para a apresentação. O estilista, amante da arte, invadiu a Galerie Gagosian para mostrar uma coleção que sugere um novo vestuário para o masculino: camisetas-vestidos, vestido/pólo, túnicas longas estampadas e bordadas com motivos pop art são as propostas originais desse designer, que certamente não deixaram indiferente o estilista Rick Owens, que assistiu ao desfile de perto.

O americano Owens, famoso por suas roupas góticas, todas pretas, também apresentou modelos de combi-shorts sob a música do grupo de metal-rock Winny Puhh. No ritmo das guitarras elétricas, os modelos entraram vestidos de couro e com destaques para painéis transparentes. Os zíperes e franjas acentuam o corte reto e longo preferido do estilista.

Mas foi o curto que marcou a opinião geral…

Tanto para as camisas tanto para as calças, o comprimento curto foi um dos destaques mais visíveis nessa temporada: na Carven, que fez uma coleção que “Picasso vestiria hoje se estivesse vivo”, apareceram calças “fogo de chão” ou 7/8, que param no tornozelo, e blazers mais curtos. O estilista da marca, Guillaume Henry, sai como o vencedor dessa semana, criando um novo estilo na moda masculina: parisiense, romântico e delicadamente colorido. “O homem Carven é fresco e espontâneo”, ele disse.

Androginia revival

01/07/2013

por | COMPORTAMENTO

Modelo com batom no desfile masculino de Raf Simons Verão 2014 ©Reprodução

Take your chances looking for
Girls who are boys
Who like boys to be girls
Who do boys like they´re girls
Who do girls like they´re boys

Um dos hinos da juventude andrógina dos anos 1990 (“Girls & Boys”, do Blur) cai como uma luva para traduzir as vontades de algumas marcas que desfilaram suas coleções na temporada masculina Verão 2014, que terminou dia 30 de junho em Paris.

Certamente muitos estilos de homens foram contemplados, do nerd cool de Marc Jacobs ao clássico italiano de Giorgio Armani. Com força aparecem os meninos contemporâneos que incrementam seus looks com cores e volumes e assumem de vez a bermuda de alfaiataria como sinônimo de elegância (Junya Watanabe, Lanvin, Hermès, Dior Homme, John Galliano…).

Porém, um grupo menor de estilistas criou a imagem da estação ao buscar no guarda-roupa feminino elementos para a construção de peças masculinas. Se há muitas décadas é o contrário que ocorre, agora, parece que vestidos, saias, tops e batons levam novos ares, mais ousados, ao universo antes aparentemente limitado dos homens.

Como disse o jovem irlandês JW Anderson, que vem explorando esse caminho há algum tempo, é difícil fazer algo novo a cada coleção. Especialmente na moda masculina, que encontra resistência no próprio homem.

Veja abaixo os looks mais impactantes que brincam de esconde-esconde com a sexualidade masculina, dando força a mais um movimento andrógino.

A coleção de JW Anderson, que atravessa as fronteiras dos gêneros a cada estação, mostra uma série de tops halter neck, que deixam ombros e costas à mostra, usados com calças oversized. O desfile mostra bem a divisão masculino/feminino e também conta com vestidos longos ©Imaxtree

O estilista coreano Juun.J criou jaquetas inspiradas no futebol americano, mas em proporções volumosas e usadas com shorts curtíssimos e justos, quase hot pants, em um contraste claro entre o masculino e o feminino ©Imaxtree

O estilista Thom Browne, da Moncler, se inspirou no críquete para criar uma coleção quase inteira branca, com destaque para sobreposições e camadas de peças. Os looks mais fortes são os que levam túnicas brancas usadas com paletós ou cardigans ©Imaxtree

Hedi Slimane está mais expert em criar polêmicas do que coleções para a Saint Laurent. Em meio a um punhado de referências andróginas, como Bowie (no momento Thin White Duke) e Brett Anderson (vocalista do Suede), a coleção tem a esperada vibe glam rock / rockabilly e foi desfilada por meninos magros além do possível – alguns com batom vermelho que lembraram os hiper andróginos New York Dolls ©Imaxtree

O desfile com inspiração punk da Comme des Garçons também trabalha a sobreposição de peças, com paletós mais compridos e levemente acinturados, usados com saias estilo kilt. O clima é andrógino e glamouroso ©Imaxtree 

A alfaiataria super controlada de Jil Sander mostra um exercício entre cores e linhas que tem na parte nas jaquetas seus melhores momentos. As bermudas amplas, coloridas e levemente plissadas, injeção de feminina na coleção, foram criticadas por muitos dos jornalistas especializados ©Imaxtree 

O que pode ser mais prático para uma mulher do que um vestido camiseta? Raf Simons trouxe essa ideia para os meninos em camisetões alongados e retos em preto ou rosa bebê. Alguns modelos também usavam sombra, rímel e batom ©Imaxtree 

FFW Aposta: Patricia Araujo

27/06/2013

por | FOTOGRAFIA

A fotógrafa Patricia Araujo ©Divulgação

Patricia Araujo, 25, é uma jovem fotógrafa cearense que tem realizado um trabalho artístico maduro, criativo e sensível. Cada foto sua mostra sua doçura, o respeito com que observa o mundo e também seus ideais. Politizada, ela quer usar a arte para comunicar um pensamento ou uma ideia mais do que produzir algo que seja somente belo.

Patricia é uma boa representante dessa nova geração que cresceu na era digital com um espaço infinito para se manifestar e se expressar. Com uma câmera digital ou seu iPhone faz fotos e filmes – autorais e comerciais. O que ela vende é um olhar, um entendimento próprio do mundo, uma inteligência artística. E leveza é uma palavra chave.

Conheci Patrícia ainda adolescente (já com uma camerinha na mão) e depois passamos muitos anos sem nos ver. Agora, que tardiamente conheci o seu trabalho, fiquei muito feliz com o que vi e é com muito prazer que escrevo esse post.

Como foi o início da sua carreira?

Desde adolescente sempre gostei de fazer fotos dos amigos e montar álbuns para levar pro colégio. Mas tudo ficou mais sério na faculdade de jornalismo (entrei em 2005), quando fiz amigos que já fotografavam, e um deles trabalhava num jornal da cidade. Comecei a fotografar profissionalmente com 19 anos como estagiária de foto no jornal “O Povo”. Depois estagiei no jornal “Diário do Nordeste” até que fui contratada como repórter fotográfica. Quando mudei para São Paulo, passei dois meses freelando na “Folha de S.Paulo”, onde fiz muitos retratos, uma delícia. E desde 2009 também colaboro com a editoria de beleza e moda do UOL e cubro o SPFW pra eles fotografando a beleza dos desfiles e o street style.

Com que equipamento você fotografa?

Os trabalhos comerciais eu faço, na maioria das vezes, com câmera digital. Para os meus projetos de arte tenho mais liberdade e uso o que mais cabe no trabalho. Uso bastante minhas analógicas Nikon FM2 e a Olympus Pen. Para vídeos, uso muito iPhone e minha câmera digital.

Quais os seus diferenciais como fotógrafa?

Acho que sou relativamente fácil de trabalhar. Gosto de trabalhar em equipe, pensar e realizar junto. Acredito que o meu trabalho (em moda, principalmente) só tem possibilidade de sucesso se toda a equipe também é boa, dedicada e envolvida. Para jobs de fotojornalismo, acredito que a minha facilidade de conversar com todo tipo de gente ajuda e isso vem muito da minha bagagem de jornal, quando viajei por todo o Ceará conhecendo gente, conversando, me infiltrando e participando de muitas realidades.

Parte da série Saia ©Patricia Araujo

Conta um pouco sobre seus projetos, como o da Saia, por exemplo.

Do lado comercial estou investindo na Brisa Filmes junto com meu marido Rodrigo Dario. É uma parceria que fizemos para desenvolver vídeos unindo nossas forças e talentos para atender a esse mercado que tanto cresce no Brasil.

Do lado artístico estou me dedicando a finalizar a minha dissertação de mestrado, que, ao final, vai contar com uma exposição. Também estou preparando duas publicações para a Feira Tijuana, que acontece dia 27 de julho na Casa do Povo em SP, onde teremos uma mesa com trabalhos vendidos a preços de feira.

Ao mesmo tempo, sempre que dá tempo me inscrevo em Editais de arte, afinal, não é fácil ser artista no Brasil e quando um projeto é apoiado, viabiliza muitas coisas impossíveis de realizar por falta de verba. O projeto Saia, por exemplo, foi assim. Trata-se de um projeto meu e da bailarina Clarice Lima que propõe uma intervenção urbana em que uma mulher fica de ponta cabeça, vestida com uma saia que cobre todo o seu corpo deixando somente as pernas expostas.. O projeto foi aprovado via edital pela Funarte e realizamos a performance e os registros em quatro estados do Brasil (Fortaleza, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro).

Você vende suas fotos autorais? 

Confesso que até hoje vendi bem poucas. A maioria eu dei ou troquei. Adoro trocar trabalhos com outros artistas, acredito ser uma forma mais coerente de movimentar o mercado da arte hoje. Colocar preços e comercializar trabalhos de arte ainda é uma questão pra mim e acredito que, no momento, me sinto mais confortável em vender somente fotografias e a preços acessíveis. Quero que as pessoas tenham o meu trabalho. Quero compartilhar e não guardar em gavetas.

Para onde você deseja seguir? Tem vontade de ir pelo caminho tradicional e ser representada por uma galeria ou quer ficar independente?

Atualmente estou terminando meu mestrado em Artes Visuais na ECA (Escola de Comunicação e Arte, na USP) e tenho como projeto final uma exposição dos trabalhos desenvolvidos e discutidos na tese. Acabei de dar um módulo de Fotografia para o Curso Técnico de Produção em Moda do Senac e tenho muito interesse em continuar a dar cursos, oficinas e workshops. Também participo de um grupo de estudos formado por 11 artistas em que discutimos processos e trabalhos em andamento. Não sei exatamente onde quero chegar, é difícil falar do futuro, mas quero continuar trabalhando e me dedicando aos meus projetos.

Já expus em galerias e não tenho nada contra, pelo contrário. Porém, hoje não tenho interesse em ser representada por nenhuma, pois de certa forma, pertencer a uma galeria é se institucionalizar. Vejo a arte como um posicionamento político, em que é preciso saber o porquê das escolhas e o que se quer comunicar com aquilo. Falo aqui de responsabilidade com o que se entrega para o público. Em um texto de Cildo Meireles, ele diz que um dos objetivos de Marcel Duchamp era libertar a arte do domínio da mão, no sentido de libertar a arte do manejo puramente estético a fim de encará-la muito mais como um fenômeno do pensamento. Atingindo isso estaríamos muito mais próximo da cultura do que da arte. “Porque se a estética fundamenta a arte, é a política que fundamenta a cultura”. Então, levando em conta esse pensamento, hoje quero estar mais próxima da cultura do que da arte. Tenho mais interesse em propor indagações ao público do que apenas um vislumbre de beleza.

Parte da série Saia ©Patricia Araujo

Parte da série Saia ©Patricia Araujo

Parte da série Saia ©Patricia Araujo

Parte da série Saia ©Patricia Araujo

Parte da série Saia ©Patricia Araujo

A foto que abre o seu site ©Patricia Araujo

Da série Passagens ©Patricia Araujo

#transformabrasil

19/06/2013

por | COMPORTAMENTO

Capa da próxima edição da “ffwMag!”, que chega às bancas em breve ©Reprodução

As recentes notícias sobre a aprovação da Cura Gay pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados mostra que realmente muitos políticos ainda não entenderam o que está acontecendo nas ruas do país. Para quem não sabe do que se trata, é um projeto que defende tratamento psicológico para homossexualidade. Hã? Sim, e aprovado por uma comissão de DIREITOS HUMANOS. Entende como não casa uma coisa com a outra?

Nas faixas de manifestantes durante a votação lia-se “não há cura pra quem não está doente”. Mas quando um deputado tentou adiar a votação, teve seu microfone cortado. O projeto aprovado permite que psicólogos proponham tratamento para a homossexualidade, indo contra às próprias normas do Conselho Federal de Psicologia, que proíbem que a homossexualidade seja vista como doença. O projeto ainda precisa passar por mais duas comissões da Câmara e, se aprovado, segue para votação no plenário.

Gente, independente da sua posição sobre o assunto ou orientação sexual, essa escolha não é da conta de ninguém e me deixa sem palavras o fato de que pessoas com esse pensamento pré-histórico e preconceituoso estão à frente de uma comissão chamada DIREITOS HUMANOS.

O Brasil está passando por uma chance única de desenvolvimento, crescimento e de transformação. Estamos recebendo dois grandes eventos esportivos, tem trabalho rolando, dinheiro circulando e o mundo olhando para cá. As manifestações nas ruas mostram um esgotamento geral do povo contra corrupção, contra a falta de um transporte que dê conta, contra a violência, a repressão, a falta de educação e saúde, e também contra pessoas que usam sua cadeira no poder para criar leis que não cabem na sociedade hoje (na minha cabeça nunca coube). Como um país que, ao mesmo tempo que aprova a união civil de casais gays, pode aprovar esse projeto?

Quando vi essa capa da Mag, fotografada por Gustavo Zylbersztajn, nos perfis do Facebook do Paulo Martinez e do Paulo Borges, fiquei muito tocada. Porque ela simboliza valores muito humanos que, na capa, estão expressados através do amor entre dois homens, mas que são valores que todos nós precisamos – e que o Brasil precisa para enfrentar os desafios que estão se mostrando: respeito, solidariedade, espaço, igualdade, expressão e amor.

Nós, como povo, estamos mostrando que temos força e que podemos causar transformações unidos e pacificamente. Nas ruas e nas redes sociais, entre tantas reclamações que temos, também diga não à Cura Gay. #transformabrasil #nossavidanoteuseiomaisamores

Obs: André Fellipe e Agustin Alerborn, vocês estão lindos nessa foto <3

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Guerreiros urbanos

12/06/2013

por | COMPORTAMENTO

Com lenço e com documento: jovem mulher nos protestos contra o aumento da passagem de ônibus, em São Paulo ©Reprodução/FolhaPress/Fabio Braga

Nos últimos dias, jornais, sites, revistas e canais de televisão têm exibido imagens chocantes de manifestações populares no Brasil e na Turquia.

São cenas de guerras urbanas que começaram por motivos legítimos, saíram do controle e viraram embates entre liberdade de expressão e autoritarismo. Em Istambul, os tumultos começaram na sexta (07.06), quando a polícia atacou de surpresa uma manifestação pacífica nos moldes do Occupy na Taksim Square, enquanto um grupo protestava contra a demolição de um pequeno parque que daria lugar a um shopping center.

Na ocasião, uma mulher em um vestido vermelho, considerada extremista pelo governo turco, foi acometida por um policial com gás lacrimogêneo. Enquanto a força do spray fez até o seu cabelo voar para cima, a jovem universitária mantém-se parada, sem gestos de defesa ou ataque. A foto foi uma das mais compartilhadas e comentadas nas redes sociais e virou um dos símbolos do atual protesto. Agora, mais do que se manifestar para proteger um parque, o povo reclama contra a violência policial e o governo autoritário. As manifestações tornaram-se violentas dos dois lados e já deixaram diversas pessoas machucadas.

Foto da Reuters que mostra o exato momento em que a mulher de vermelho recebe spray de gás da polícia em Istambul ©Reprodução/REUTERS/Osman Orsal

Em São Paulo, os protestos começaram após a divulgação da nova tarifa da passagem de ônibus, que subiu de R$ 3 para R$ 3,20, reajuste abaixo da inflação. Sob o mote “Se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar”, milhares de pessoas lideradas pelo Movimento Passe Livre têm de fato parado a cidade com manifestações em pontos vitais da capital, como a Avenida Paulista e o centro da cidade. O aumento da tarifa agora é apenas um dos motivos, já que os jovens protestantes agora rebelam-se contra a repressão policial.

Todos sabemos que violência gera violência, e no meio da confusão, nota-se uma presença forte de mulheres, jovens e articuladas, e ainda as máscaras usadas pelos ativistas, exaustivamente fotografadas e pautas de diversas matérias publicadas em sites e jornais internacionais.

Especialmente na Turquia, os manifestantes foram criativos na construção de suas roupas de guerra. Garrafas de água, papel filme, óculos de mergulho, lenços, máscaras cirúrgicas e até sutiãs estão entre os apetrechos usados como máscaras de proteção, anonimato e impacto.

No Brasil, lenços, camisetas e pedaços de panos são usados para cobrir o rosto.

Amplamente fotografadas, as máscaras, em suas mais variadas formas, são parte da armadura dos guerreiros urbanos. Não fosse a ocasião triste e violenta, seria engraçado.

Máscaras nos protestos de Istambul @Reprodução

Capacetes, lenços e máscaras cirúrgicas nas ruas de Istambul ©Reprodução

De mãos dadas e máscaras em Istambul ©Reprodução/AP Photo

Menina com lenço e plástico no rosto ©Reprodução/AP Photo

Jovem turca e sua máscara-sutiã ©Reprodução

Recém-casado, casal posa para foto próximo à região de conflitos em Istambul, com o noivo devidamente paramentado ©Reprodução/Reuters/Deniz Celik

Foto de Juca Varella mostra jovem com máscara na avenida Paulista durante confrontos com a polícia em São Paulo ©Reprodução FolhaPress/Juca Varella

Rapaz com tecido branco no rosto na avenida Paulista ©Reprodução/FolhaPress/Fabio Braga

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