Vídeos de moda + balé

17/09/2013

por | ARTE

Janie Taylor e Justin Peck, do New York City Ballet, em vídeo do NOWNESS para a revista“The Block” com a coleção Verão 2011 da Chloé ©Reprodução

Com o recente lançamento do vídeo abaixo, criado por George Harvey para a revista “Garage” e estrelado pelos bailarinos Sergei Polunin e Kristina Shapran, do Royal Ballet Theater, aproveitamos para compilar mais curtas que mostram a fascinação do mundo da moda pelo balé clássico. Além das colaborações entre estilistas e companhias de dança, que sempre noticiamos no FFW, são vários também os exemplos em que grifes e veículos especializados utilizam o balé como meio de expressão. Assista abaixo a alguns dos nossos vídeos preferidos:

+ Sergei Polunin e Kristina Shapran, do Royal Ballet Theater, para a “Garage”:

+ David Hallberg, do American Ballet Theater, para o NOWNESS:

+ A modelo Lida Fox na campanha de lançamento das sapatilhas Saint Laurent:

+ Bailarinos do BalletCollective para o “CR Fashion Book”. Nas cenas finais, os bailarinos vestem criações de grifes como Rick Owens e Givenchy:

Janie Taylor e Justin Peck, do New York City Ballet, em vídeo do NOWNESS para a revista “The Block” com a coleção Verão 2011 da Chloé:

Tropical Nazi

02/09/2013

por | COMPORTAMENTO

Imagem racionalista feita entre 1925 e 1926 pelo fotógrafo húngaro e professor da escola de Bauhaus, László Moholy-Nagy (1895/1946) ©Reprodução

Quando estudei a fotografia da época do fascismo, a lição que aprendi foi a de que as mesmíssimas forças que conceberam uma louvável produção artística criaram uma grave violência contra a humanidade. O racionalismo na fotografia criou imagens de homens iluminados, homens do futuro. E, ao mesmo tempo, provocou uma ojeriza a qualquer coisa que não fosse “adequada” ao céu estrelado da modernidade, onde os homens são civilizados ao extremo, disciplinados ao extremo, poderosos ao extremo, brancos ao extremo.

E o que foi aquilo? Foi a vontade de ser moderno. O que isso tem a ver com o Brasil de hoje? Tudo. Porque vivemos uma fase em que tudo borbulha e o mundo nos observa. Muitos de nós temos a pretensão de sermos o país do futuro, o que é positivo. Mas essa mesma força de orgulho nacional tem um lado negro, que é conservador e cego. No ano passado me veio em mente esse termo: Tropical Nazi.

Tropical Nazi é o tipo de ser humano que o Brasil está produzindo, paralelamente a coisas maravilhosas. A mesma força que faz um país querer crescer tem impulsionado comportamentos ditatoriais. Como quem não sabe onde é o Afeganistão, mas fica indignado se um estrangeiro pensa que a capital do Brasil é Buenos Aires. Como aquela que topa pegar ônibus na Europa, mas diz que a médica cubana tem “cara de empregada”.

A obra “Abaporu”, pintada por Tarsila do Amaral em 1928, e que é uma das principais referências do movimento antropofágico, que se propunha a deglutir a cultura estrangeira e adaptá-la ao Brasil ©Reprodução

E na moda, infelizmente, o Tropical Nazi acabou de aparecer, acusando estilistas de serem “pouco brasileiros” para receberem dinheiro do governo. Cheira a fascismo. Não estamos aqui para julgar se Alexandre Herchcovitch e Pedro Lourenço deveriam ou não receber a quantia que receberam. O que suscita uma certa aflição é o fascismo batendo à nossa porta. Logo aqui. Pera lá, gente! Quem é mais brasileiro e quem é menos? Vamos voltar ao tempo: de que cores e origens eram as pessoas que construíram, na marra ou com vontade, o que hoje se chama de Brasil? Várias.

O orgulho nacional se infla quando Gisele Bündchen aparece nos noticiários. O sobrenome dela não vem de uma tribo tupi. Ela é menos brasileira? Quem passou a adolescência ouvindo rock inglês e não samba, não é brasileiro? Quem estuda moda a sério sabe considerar, e admirar, o estilo parisiense. Quem leva uma vida criativa a sério sabe que a faísca da inspiração pode aparecer em qualquer lugar. Como vamos arrancar isso de nossos desejos e nos obrigarmos a produzir coisas que acreditamos serem puramente regionais? Se não formos folclóricos não vale? É possível, hoje, seguir um purismo? Ou é a nossa eterna antropofagia, o devorar o que vem de fora, que deixa a gente ser lindo, interessante, maleável, espontâneo?  “Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago”, entre outras frases para serem revistas do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, em 1928.

Vivemos uma inebriante busca de nossa identidade. E não é criando a cota do mais ou menos brasileiro que vamos finalmente nos libertar de uma mágoa pós-colonialista.

Coleção africana que Yves Saint Laurent criou em 1967 ©Reprodução

Como vamos construir uma história verdadeira do nosso estilo se procurarmos o purismo? Nem tornando às tribos indígenas. O isolamento cultural nunca existiu. Pensemos na lendária coleção africana de Yves Saint Laurent. Vestidos com motivos africanos, feitos com miçangas de madeira e em formatos de dente de animais e conchas do mar. Se houve policiamento dos que acharam aquela moda “pouco francesa”, felizmente não foi forte o bastante para interromper o legado desse nome, até hoje um importante ponto de referência. Podemos filosofar mais: quem faz o estilo italiano, por exemplo? Prada, Versace ou Valentino? Todas essas, ainda que não tenham nenhum ponto em comum. Mas certamente o governo da Itália, o povo, a crítica, os consideram igualmente italianos. Por que não podemos então considerar, ou dar a chance, de que sejam genuínos expoentes da moda brasileira Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch e Pedro Lourenço?

Melhor deixar todas as portas das nossas cabeças abertas e apoiar qualquer impulso criativo. Nunca se sabe quem vai ser o próximo YSL. Se um jovem estilista promissor brasileiro achar apaixonante desfilar na Austrália, ou Japão, que vá. E brilhe! E que no futuro ninguém se lembre de que o Tropical Nazi existiu, mas sim de que a nossa moda é a nossa cara, ainda que branca, preta, amarela, cheia de tachinhas, miçangas, ou tudo.

Game of Thrones

30/08/2013

por | BELEZA

Sansa Stark: apesar de ser um coração inocente, Sansa Stark está sempre tentando copiar os estilos complexos e fashionistas de King’s Landing. 1. Divida seu cabelo no meio; 2. Separe uma mecha de cerca de cinco centímetros em cada um dos lados; 3. Trance uma das mechas até o fim; 4. Trance a segunda mecha; 5. Trance os finais das duas tranças de forma que elas virem uma coisa só; 6. Enrole os cabelos soltos e aplique spray de cabelo. Pronto! ©Reprodução

Game of Thrones”, seriado baseado nos livros de George R. R. Martin, entra em sua quarta temporada no próximo ano. Ao misturar elementos medievais, inclusive em termos de beleza e figurino, ao realismo fantástico onde existem dragões e lobos gigantes, o programa cativou milhões de aficionados, vide toda a equipe do FFW.

O site “Fashionably Geek” replicou neste mês tutoriais ilustrados dos penteados de cinco personagens femininas importantes de “Game of Thrones”: Daenerys Targaryen; Sansa Stark; Cersei Lannister; Margaery Tyrell e Melisandre. A maioria é bem fácil, para fazê-los basta ter por perto elásticos, grampos e spray fixador, além de um pouco de paciência, claro. Veja abaixo e nos diga qual seu preferido.

Daenerys Targaryen, Khaleesi e Mãe dos Dragões, liberta escravos em sua marcha em direção a Westeros e dá seu próprio toque ao penteado real de duas mechas. 1. Pegue uma mecha larga de cabelo do topo de cada lado da cabeça e faça uma trança holandesa para trás; 2. A trança holandesa é igual a uma trança francesa, exceto que cada mecha do cabelo é trançada por baixo em vez de por cima; 3. Junte as tranças em um rabo de cavalo na parte de trás da cabeça; 4. Pegue outra mecha de cada lado e faça uma trança holandesa para trás; 5. Novamente, junte as tranças e inclua o rabo das tranças superiores; 6. Deixe o resto do cabelo liso e solto. Pronto! ©Reprodução

Cersei Lannister: como rainha conivente de Westeros, Cersei Lannister tem que ter um penteado magnífico para combinar. 1. Separe uma porção de cabelo na parte de trás da cabeça e, a partir da metade de baixo, comece a trançar; 2. Pegue uma pequena mecha do topo de cada lado da cabeça e torça-a para fora; 3. Junte os pedaços torcidos em um rabo de cavalo que fique sobre a trança maior; 4. Pegue uma mecha mais larga de cabelo na altura de cada têmpora e trance-a (em paralelo à trança de cima); 5. Combine o rabo de cavalo e as duas tranças laterais e faça uma única trança; 6. Dê uma amassada no restante de cabelo solto e aplique spray de cabelo para segurar. Pronto! ©Reprodução

Margaery Tyrell é a ambiciosa nova futura rainha, e ela faz seu cabelo de forma elegante, mas mais simples que Cersei: o penteado do povo. 1. Trance o cabelo parcialmente úmido e deixe assim durante a noite; 2. Solte as tranças com cuidado; 3. Pegue uma mecha do topo superior de um lado do cabelo, torça para fora até a parte traseira da cabeça e prenda-a no lugar; 4. Pegue uma mecha lateral mais larga na altura da têmpora e torça para trás, prendendo-a em paralelo à mecha de baixo; 5. Junte as duas seções em um rabo de cavalo ou trança e use spray de cabelo para dar um volume na frente; 6. Repita no outro lado. Pronto! ©Reprodução

Melisandre: o cabelo de Melisandre é tão ardente quanto o seu Senhor da Luz, então ela não precisa de um estilo extravagante para brilhar, mas seu cabelo semi preso ainda é digno de uma Lady. 1. Parta o cabelo no meio; 2. Separe a parte da frente do cabelo, que vai permanecer solta; 3. Atrás, separe mechas de cabelo acima das orelhas, junte-as no meio e faça uma trança única; 4. Torça a trança em um coque e prenda; 5. Para volume extra, separe mais mechas e enrole-as ao redor do coque; 6. Dê uma amassada no cabelo solto para um look ondulado. Pronto! ©Reprodução

P.S.: por falar em clima em “Game of Thrones”, o empresário Sean Parker, co-fundador do Napster, casou recentemente com a cantora e compositora Alexandra Lenas em uma cerimónia que mais parecia saída da Terra Média, que é onde se passa “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”, ambos escritos por J. R. R. Tolkien (veja aqui).

Preconceito

28/08/2013

por | COMPORTAMENTO

Foto do banco de imagens Shutterstock 

Uma mulher negra entra em uma loja de bolsas em Zurique, na Suíça. Após ver alguns modelos, ela aponta para uma específica:

“Por favor, posso ver aquela bolsa?”, pergunta.

“Não, ela é muito cara”, responde a vendedora. “Mas posso te mostrar outros modelos.

“Não, é essa mesma que eu quero ver”.

“Não, você não quer ver essa bolsa, ela é muito cara e você não poderá comprar”.

A bolsa em questão é uma Jennifer laranja, do Tom Ford, feita em pele de crocodilo, no valor de US$ 38 mil. A loja é a multimarcas de luxo Trois Pommes. A cliente, Oprah Winfrey. A vendedora, uma infeliz que agora é acusada de racismo e que detonou uma série de desavenças diplomáticas entre Suíça e Estados Unidos.

A bilionária Oprah não foi reconhecida pela vendedora, que em seu pedido de desculpas, afirma que não faz a menor diferença se a cliente é famosa ou não. “Minha profissão é vender e se eu consigo vender significa que estou fazendo meu trabalho direito”.

A bolsa da discórdia que Oprah Winfrey queria comprar ©Reprodução

Racismo é algo intolerável. Quem decide se vai comprar ou não é o cliente e mesmo se não finalizar a compra, cabe a ele o direito de ver os produtos que quiser. E ver significa também tocar, sentir a textura, o peso, o cheiro. Nós experimentamos roupas, cheiramos perfumes, folheamos revistas e livros. Toda compra ou a intenção de antecede uma experiência com o produto, mesmo que breve.

No caso de Oprah, todos se desculparam e, de racismo, o caso virou apenas um mal entendido. A vendedora disse que inglês não é sua primeira língua e que pode ter se expressado mal. Até o Departamento de Turismo da Suíça precisou interceder para que o país não passasse a ser alvo de revoltas e considerado um lugar preconceituoso. O fato é que foi reportado que o Governo suíço vai proibir que pessoas que pedem asilo político tenham acesso a locais públicos, como parques, livrarias e piscinas municipais.

Yelena Isinbayeva, que deu declarações infelizes e depois voltou atrás ©Reprodução

Outro episódio de preconceito muito recente envolve a campeã mundial russa Yelena Isinbayeva, que deu uma declaração na quinta (15.08) se colocando a favor da lei antigay aprovada em seu país. “Nós só vivemos com homens e mulheres, mulheres com homens. Nós nunca tivemos problemas na Rússia e não queremos ter no futuro. Talvez a gente seja diferente dos europeus e de outras nacionalidades”, ela disse. Após ter sido alvo de críticas, Yelena volta atrás com um texto que já ouvimos antes: “O inglês não é minha primeira língua, e acho que posso ter sido mal-entendida”. E finalizou: “Sou contra qualquer discriminação contra os gays em decorrência da sua sexualidade”.

O arrependimento (ou ao menos fingir que se arrependeu) é a fina linha que separa radicais de não radicais. Jovem, bonita e um ícone em seu país, manter essa afirmação custaria caro a sua carreira. A questão é: Isinbaieva realmente se arrependeu? Você ser a favor ou contra algo é como um ideal. Dificilmente esses valores mudam. E o que aconteceria se ela tivesse mantido sua opinião? Muitos atletas já pensam em boicotar os próximos Jogos de Inverno, que acontecem na Rússia em 2014 (e a Copa do Mundo em 2018).

A verdade é que a Rússia parece um país racista. Eu mesma vi uma cena triste em Moscou em plena Praça Vermelha. Aos finais de semana à noite, é onde a moçada se reúne para beber, paquerar, encontrar os amigos. Moçada 100% branca de olhos azuis. De repente uma turma de quatro jovens negros, vestidos com roupas esportivas, bonés e tênis, entra na praça. Para minha surpresa, os meninos russos, em bandos, partiram para cima imitando gorilas e macacos, no gesto e na voz. O pequeno grupo, vendo que seria impossível uma briga de quatro contra 200, simplesmente calou-se. Abaixaram a cabeça e continuaram andando. Vale registrar que minha passagem pela Rússia também teve bons momentos, como a visita a São Petersburgo, e que obviamente o racismo não é praticado por todos os seus cidadãos.

O logo do grupo Gays Arianos Nacional-Socialistas: para rir ou chorar? ©Reprodução

Tão absurdo e incompreensível é o movimento nazista skinhead gay. Isso mesmo: há o grupo Gays Arianos Nacional-Socialistas e ainda o GASH (Gay Arian Skinheads). Onde isso acontece? Na Rússia também, segundo li em uma matéria no site da Vice. “Estamos tentando limpar o mundo de pessoas desnecessárias que não são dignas desta terra”, diz um dos representantes do Gash. Meu Deus! E em todos os casos descritos aqui, estamos falando de pessoas jovens.

Voltando ao caso de Oprah, a questão do racismo esconde outra loucura: como assim pagar R$ 70 mil por uma bolsa? E a questão aqui não é nem se a pessoa tem ou não dinheiro para isso, e sim a ganância sem fim que a indústria da moda infiltra na sociedade. Mas isso é tema para outra história.

Made in China

23/08/2013

por | COMPORTAMENTO

Medicamentos falsificados sendo descartados na China ©Reprodução

República Popular da China, China ou, simplesmente, o paraíso do que “parece, mas não é”. De acordo com o site da revista “Dazed & Confused”, o país é responsável pela produção de 67% dos bens falsificados em todo o mundo. Boa parte, no entanto, não sai de lá — é criada para atender a população local, em especial aos habitantes das cidades pequenas, distantes de Pequim ou Xangai.

Cão mastiff tibetano “apresentado” como leão africano no zoológico de Luohe, na China ©Reprodução

Na última quinta-feira (15.08), por exemplo, espalhou-se na internet a notícia de que o zoológico da cidade de Luohe, na província de Henan, havia posto um cão da raça mastiff tibetano como se fosse um leão africano. A farsa, até bem engraçada, foi descoberta quando o animal latiu para os visitantes. Talvez, tal comportamento possa ser atribuído à cultura da cópia, Shanzhai (山寨), ou “Xing Ling”, como ela é conhecida no Brasil, que surgiu quando a China se abriu comercial e economicamente, lá pelos idos da década de 1980.

Após citar genéricos dos eletrônicos da Apple ou cópias das roupas da Nike e Adidas, a “Dazed & Confused” compartilhou imagens de estabelecimentos comerciais na China que mais parecem saídos de filmes de comédia escrachada. O restaurante KFC virou OFC – com direito, inclusive, a Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, desenhado na logomarca –, o Starbucks tornou-se Starfucks e o uísque Jack Daniel’s transformou-se em Johns Daphne (estima-se que 80% das bebidas alcoólicas de Xangai sejam falsas).

OFC, cópia do restaurante americano KFC ©Reprodução

Na China, o uísque Jack Daniel’s transformou-se em Johns Daphne ©Reprodução

Estaria “tudo bem” se a China apenas plagiasse nomes ou copiasse bolsas, mas produz até armas, camisinhas e medicamentos falsificados. Todos os anos, cerca de 2,2 trilhões de cigarros são consumidos no país e, desses, 400 bilhões não são regulamentados, ou seja, são confeccionados em fábricas ilegais. Além do número elevadíssimo de nicotina, o pior são os compostos muitas vezes encontrados neles, como fezes humanas e larvas de insetos.

Quase todas as situações acima seriam engraçadas, não fossem trágicas. A “Dazed & Confused” ainda se questiona que, considerando que os cigarros e medicamentos produzidos na China contém ativos quase letais, “imagina o que eles colocam em suas drogas ilegais?”.

Tags:

Literatura ilustrada

20/08/2013

por | ARTE

Capa do livro “Well-Read Women”, de Samantha Hahn ©Reprodução

Através de simples caracteres – aquele amontoado de letras que compõem a grafia –, a literatura nos faz sonhar. Ela nos transporta para realidades muitas vezes distantes e nos oferece novas perspectivas, inclusive sobre nós mesmos. Em sua nova publicação, prevista para ser lançada no dia 27 de agosto, a artista plástica Samantha Hahn, natural de Nova York, prestou um belíssimo tributo à arte das palavras, e a várias “heroínas”.

Em “Well-Read Women: Portraits of Fiction’s Most Beloved Heroines”, livro que demorou mais de dois anos para ser concluído, Hahn ilustrou 50 personagens femininas da literatura universal, tais como Daisy Buchanan, de “O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald, Anna Karenina, concebida pelo russo Liev Tolstói, Emma Woodhouse, de Jane Austen, e Clarissa Dalloway, de Virginia Woolf. Em conversa com o “The Cut”, site da revista “New York”, ela comentou que quis transcender as características físicas dessas mulheres que, mesmo fictícias, buscam a “própria voz”. “Como artista, estou explorando-as do ponto de vista emocional”, adicionou.

Ilustração de Emma Woodhouse, protagonista do livro “Emma”, da escritora inglesa Jane Austen ©Reprodução

A ideia da obra surgiu após a exposição “A Thousand Ships”, que Hahn realizou em 2011 e que dedicou a Helena de Troia, a mulher mais bonita do mundo, segundo a mitologia grega. “Eu estava imaginando quem ela era, esse rosto que lançou mil navios, uma mulher cuja beleza tinha tanto poder”, revelou também ao “The Cut”.

Nas delicadas ilustrações que integram “Well-Read Women: Portraits of Fiction’s Most Beloved Heroines”, pintadas com aquarela, Hahn evoca o que há de mais íntimo nas personagens, mostrando-as como são por dentro: melancólicas, como Esther Greenwood, de “A Redoma de Vidro”, escrito por Sylvia Plath, ou divertidas e cheias de joie de vivre, vide Holly Golightly, protagonista de “Bonequinha de Luxo”, de Truman Capote. Ao lado dos retratos, aparecem citações escritas à mão, que a artista retirou dos livros aos quais as heroínas pertencem.

Ilustração de Isabel Archer,  protagonista de “O Retrato de uma Senhora”, de Henry James ©Reprodução

Holly Golightly, protagonista de “Bonequinha de Luxo”, de Truman Capote ©Reprodução

Ilustração de Esther Greenwood, do livro “A Redoma de Vidro”, escrito por Sylvia Plath ©Reprodução

Ilustração de Edna Pontellier, do livro “The Awakening”, escrito por Kate Chopin ©Reprodução

Ilustração de Lady Kiritsubo, do livro “The Tale of Genji”, escrito por Murasaki Shikibu ©Reprodução

Ilustração de Nora Charles, do livro “The Thin Man”, escrito por Dashiell Hammett ©Reprodução

Ilustração de Daisy Buchanan, de “O Grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald ©Reprodução

Ilustração de Clarissa Dalloway, do livro “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf ©Reprodução

Ilustração de Nancy Drew, da série de livros “Nancy Drew Mysteries”, de Edward Stratemeyer ©Reprodução

10 revistas para ler agora

10/08/2013

por | MODA

Em meados dos anos 2000, uma nova geração de revistas de moda surgiu e, com um olhar próprio para retratar estilo, cultura e lifestyle, criou um novo caminho para as publicações impressas.

Por trás de cada uma, nomes fortes da indústria na concepção e na colaboração, o que resulta em um nível exigente de conteúdo, texto, imagens e, principalmente, curadoria, palavra chave dessa geração. O que vai entrar e de que forma, feito por quem.

Muito sangue novo corre nas veias de cada projeto. Alexia Niedzielski, uma das fundadoras da “System”, tem menos de 30 anos. Dasha Zukhova, a bela socialite russa que fundou a “Garage”, tem 30 e poucos. Mas mais do que pessoas jovens, o que essas publicações vendem são visões jovens, frescas e originais sobre o mundo.

Essas revistas viraram portfólios para diretores de arte e fotógrafos, que após terem seus trabalhos publicados, são chamados para assinarem grandes campanhas de moda, aquecendo o mercado criativo e criando espaço para a formação de novos talentos.

Aqui tem uma lista com a indicação dos nossos 10 títulos preferidos. A maior parte optou por criar um conteúdo especial e atemporal e sai apenas duas vezes por ano, traduzindo o novo papel que a revista tem nas nossas vidas hoje: matérias que duram mais do que um mês, imagens que ficam na nossa cabeça, uma direção de arte leve, que nos deixa respirar e pensar, e uma proposta tão diferente do resto que faz com que elas nunca sejam jogadas no lixo. Viram itens de colecionador e um espelho para os tempos atuais.

Nossa seleção foi feita com base nas revistas estrangeiras (europeias e americanas) que têm volume de publicações independentes. Uma pena que aqui no Brasil esse segmento seja quase inexistente e ainda seja percebido como um mercado “difícil”. Vale lembrar que revistas como “The Face”, “i-D”, “Dazend & Confused” e “Visionaire” surgiram da união de jovens que dividiam um olhar sobre o mundo e tinham o desejo de criar um produto que traduzisse esse olhar. Por aqui, vale mencionar a revista trimestral “ffwMag!”, que segue esse perfil de excelência fotográfica com textos e assuntos originais. Na internet, a umag.com é outro bom exemplo de iniciativas desse segmento. Boa leitura!

“Fantastic Man”

©Reprodução

Lançada em: 2005, na Holanda

Periodicidade: Bianual

Editores: Gert Jonkers e Jop van Bennekom, os mesmos editores da “Butt Magazine”

Quanto custa:  € 12 Europa; € 21  no resto do mundo

Onde comprar: Em bancas e livrarias fora do Brasil ou online www.bruil.info/magazine-fantastic-man-17

Site: www.fantasticman.com

Perfil: Com colaboradores como Jurgen Teller e Bruce Weber, a revista é uma das mais bacanas entre as publicações masculinas. Reúne de forma inteligente personagens instigantes, pautas interessantes que olham para o universo do homem de uma maneira atual e nada óbvia. Os homens retratados podem ser atores/celebridades, como Ewan McGregor, estilistas como Tom Ford ou Helmut Lang e ainda artistas e intelectuais. Design fresco e elegante, entrevistas bem feitas e conteúdo criativo que olha para moda, arte e comportamento pop.

“The Gentlewoman”

©Reprodução

Lançada em: 2010, na Holanda

Periodicidade: Bianual

Editora: Penny Martin, ex-editora-chefe do site showstudio.com

Quanto custa:  € 12 Europa; € 21  no resto do mundo

Onde comprar: É facilmente encontrada em livrarias e revistarias fora do Brasil. Pode ser encomendada por meio deste site especializado em vendas de revistas

Site: www.thegentlewoman.com + tumblr

Perfil: Publicação irmã da “Fantastic Man” focada na mulher contemporânea. Oferece a mesma perspectiva fresca e inteligente sobre moda, que é muito mais focada no estilo individual do que nas tendências da estação. Traduz a maneira como a mulher moderna pensa e se veste e celebra, em suas capas, personalidades inspiradoras e que não necessariamente se pareçam com uma top model. Ótima leitura.

“032.c”

©Reprodução

Lançada em: 2000, em Berlim

Periodicidade: Bianual

Editor: Joerg Koch

Quanto custa: €10

Onde comprar: É distribuída em 29 países e pode ser encontrada em livrarias de arte selecionadas, bancas de jornais especiais ou na loja online

Site: www.032c.com 

Perfil: Uma das revistas mais bacanas da nova geração, atemporal sem deixar de ser atual. Fala sobre cultura contemporânea, moda inclusa, de maneira inteligente, e com design simples. As fotos têm pouca interferência gráfica e, apesar de serem muito bem feitas, o foco está no texto, com entrevistas e artigos longos e mais profundos.

O site também é ótimo e tem como destaque, além de uma espiadela em todas as edições, a seção Societé 032c, em que postam imagens de leitores segurando a revista em situações adversas. É só mandar a sua para office@032c.com

“System”

©Reprodução

Lançada em: Maio de 2013

Periodicidade: Bianual

Fundadores: Jonathan Wingfield, ex-editor da “Numéro”; Alexia Niedzielski e Elizabeth von Guttman, ex-”Industrie”; Thomal Lenthal, diretor de arte e criador do jornal erótico “Paradis”. A super stylist Marie-Amelie Sauvé (editora de moda da revista “W”) também foi importante na primeira edição e quem conseguiu o contato com Nicolas Ghesquiére, porém seu cargo na “W” dificulta sua participação fixa na “System”

Quanto custa: £ 13

Onde comprar: Não encontramos revendedores, mas a primeira edição da revista é disponibilizada em lojas, bancas e livrarias selecionadas apenas fora do Brasil, por enquanto, como a Artwords, em Londres, e na loja da Kenzo, em Paris. Mais infos no Facebook da publicação

Site: www.system-magazine.com 

Perfil: Ela só tem uma edição lançada, mas chegou fazendo barulho e provocando as revistas maiores: foi a primeira a publicar uma entrevista com Nicolas Ghesquière após sua saída da Balenciaga, em que ele conta todos os detalhes do ocorrido. Um feito e tanto. Sem contar que reúne profissionais muito bem preparados no time e com ampla experiência em outras revistas-referência. A ideia é deixar o supérfluo de lado e focar de maneira mais profunda nos acontecimentos que transformam a indústria da moda. O que acontece quando um estilista estrela deixa uma maison ou quando um e-commerce passa a vender mais que sua loja fixa estão entre algumas das pautas, tratadas de forma analítica, mas com conhecimento e gostosa de ler. Sem contar nos convidados que preenchem a revista. Azzedine Alaïa, por exemplo, ganhou uma matéria escrita pelo curador Hans-Ulrich Obrist.

“Garage”

©Reprodução

Lançada em: 2011

Periodicidade: Bianual

Editora: Dasha Zhukova, ex-editora da revista “Pop”

Quanto custa: US$ 18

Onde comprar: No site da própria revista

Site: www.garagemag.com 

Perfil: Revista criada pela socialite russa Dasha Zhukova, filha de um magnata do petróleo (e, dizem, traficante de armas), Dasha fundou em 2007 o Garage Center for Contemporary Culture, em Moscou, com a intenção de abrir espaço a cena artística emergente. Desde então, por lá já passaram mais de 30 exposições. Daí surgiu a ideia de fazer a revista, traçando um diálogo firme e global entre moda e arte, reunindo profissionais criativos de diversas áreas. Aqui, o maior talento de Dasha é a curadoria maravilhosa que faz para selecionar quem será contemplado na revista. Bons textos, lindas imagens. Agrada tanto aos fãs de arte quanto aos de moda.

“Interview”

©Reprodução

Lançada em: 1969, em Nova York, por Andy Warhol

Periodicidade: Mensal

Quanto custa: Aproximadamente US$ 10

Onde comprar: Muito fácil de encontrar (inclusive no Brasil), em bancas, livrarias ou na loja online

Site: www.interviewmagazine.com

Perfil: Apesar de ser já uma vovozinha das outras publicações que estão nessa matéria, a “Interview” é icônica e soube se manter como uma referência de revista arejada e para frente. Após a saída de Warhol, tomou um caminho mais convencional e passou por uma grande transformação em 2008, quando a dupla Fabien Baron (do estúdio top de design Baron & Baron) e Glenn O’Brien juntou-se para relançar a “Interview”, com novo projeto gráfico e conteúdo de ponta, que a recolocaram no mapa das publicações relevantes. Como características, está o tamanho, maior que as outras, e o uso de cores, bem visível já desde a capa. Ela mantém a temperatura quente com ótimas e reveladoras entrevistas com personalidades da moda, da música e do cinema.

“Document”

©Reprodução

Lançada em: Setembro de 2012, em Nova York

Periodicidade: Bianual

Editores: Nick Vogelson e James Valeri

Quanto custa: US$ 20

Onde comprar: MoMA, PS1, e na livraria Bookmarc, em Nova York; em livrarias, museus e galerias nas principais capitais. Ou por aqui.

Site: www.documentjournal.com

Perfil: Com acabamento especial, cria capas impactantes que destacam-se entre as outras publicações. Também conta com colaboradores estrelas, como o estilista Rick Owens e a atriz Chloé Sevigny. Aborda com a mesma naturalidade e expertise moda e literatura, fotografia e arquitetura, música e arte.

“Hercules Universal”

©Reprodução

Lançada em: Setembro de 2006, em Barcelona

Periodicidade: Bianual

Editores: Francesco Sourigues e David Vivirido, que trabalharam antes na “The Face” e “Arena”

Quanto custa: €18

Onde comprar: Em São Paulo, na Siciliano do shopping Cidade Jardim e na banca da avenida Europa, 20; no Rio, na Livraria da Travessa e na Saraiva do Leblon. Também pode encomendar por aqui

Site: www.herculesuniversal.com +  tumblr 

Perfil: Uma das mais conhecidas revistas masculinas sobre moda e lifestyle. Fala com o homem contemporâneo, abordando assuntos que vão de estilo a viagem, pessoas e filmes. Traduz um universo inteiro em vez de apenas focar em um interesse. A revista trabalha o estilo masculino de uma maneira diferente, experimentando com os valores clássicos sob um olhar otimista, de quem gosta de curtir as coisas boas da vida. O conteúdo reflete a própria mudança de vida dos editores que tinham uma vida maluca em Londres e encontraram um estilo de vida mais relax e saboroso ao se mudarem para Barcelona. O nome vem do gosto pelo mito de Hércules, que representa o homem mediterrâneo, cujo lifestyle a revista quer explorar.

“Style.com/Print”

©Reprodução

Lançada em: Setembro 2011, Nova York

Periodicidade: Bianual

Editores: editores do site Style.com, como Tim Blanks

Quanto custa: US$ 6

Onde comprar: Pode encomendar por aqui

Site: www.style.com/magazine 

Perfil: O Style é um dos mais importantes sites de moda. Enquanto as revistas migram para a internet e uma crise da mídia impressa assusta as editoras, o site cria sua versão print, editada pela equipe que também cuida do online e com colaboradores como Alexander Fury, ex-“Love” e atual editor de moda do “The Independent”.

A revista fala sobre as tendências vistas nos desfiles, mas com curadoria firme em que elegem os 10 mais de cada seção (desfiles, acessórios, beleza, etc), além de publicar também uma lista escolhida pelos leitores do site, fazendo um cruzamento natural entre os dois veículos. Fotos e textos muito bem cuidados, com um visual menos conceitual do que as revistas desta página, mas não menos bonitos.

“CR Fashion Book”

©Reprodução

Lançada em: Setembro 2012

Periodicidade: Bianual

Editora: Carine Roitfeld

Quanto custa: US$ 20

Onde comprar: Pode encomendar a sua por aqui

Site: www.crfashionbook.com  

Perfil: Só dizer que é a revista-livro criada por Carine Roitfeld já é uma apresentação que indica o nível do produto. De cara, ela colocou o nome de “fashion book” para se diferenciar (por cima) das outras publicações. Se é um livro, é mais importante. De fato, a publicação tem excelência fotográfica, com ensaios lindos que nascem da moda como imaginação e fantasia. Sendo a revista de uma stylist, o forte aqui são as imagens. O apelo para as mulheres é muito mais forte, ela é uma revista feminina na sua essência, mesmo que também explore o masculino ao seu jeito. Foi criada para ser item de colecionador.

Obs: Todas essas revistas, com exceção da “System”, que está esgotada, podem ser encontradas no Magazine Shack, que entrega no Brasil

Tags:

O street style real de Murilo Yamanaka

09/08/2013

por | FOTOGRAFIA

Por Giovanna Assef, em colaboração para o FFW

O fotógrafo Murilo Yamanaka ©Divulgação

O jovem Murilo Yamanaka encontrou na fotografia sua maneira de expressar beleza e simplicidade. O paulistano de 24 anos reativou seu Tumblr para mostrar seu trabalho com movimento e naturalidade que faz pelas ruas da cidade buscando pessoas com estilos diferentes. Murilo foca seu olhar no street style, mas também aproveita as semanas de moda para fazer imagens de personalidades e modelos e registrar cenas de bastidores. Alguns dos personagens fotografados por ele são realmente especiais e é interessante notar como nos retratos podemos ver um pouco além da fina estampa. “São pessoas que eu abordo na rua e que de alguma forma achei que tinham características fortes e uma identidade visual e estética linda”. Abaixo, conheça mais sobre esse novo fotógrafo:

Como começou sua história com a fotografia?

Comecei a fotografar enquanto trabalhava em um hotel. Aos poucos fui pegando gosto pelo negócio e depois de dois meses brincando, tive vontade de me tornar um profissional. Joguei literalmente tudo para o alto, deixei meu emprego e entrei  de cabeça nesse mundo. Além da minha graduação em Fotografia, muito do que aprendi foi sozinho, comprando livros técnicos sobre o tema.

Qual você considera o DNA de seu trabalho?

Não sei se elas têm apenas um estilo, até porque não gosto muito de rotular as coisas. Mas tratando-se de características, creio que meu principal foco é transpor naturalidade e algo humano nas imagens. Mesmo quando pergunto se posso fotografar uma determinada cena, tento não dirigir aquele momento, a pessoa tem de ficar totalmente à vontade.

Como funciona o seu processo na hora de fotografar?

Não interfiro no momento que produzo as imagens, gosto das coisas acontecendo organicamente. Por exemplo, em fotos de backstage, dificilmente tiro a pessoa da sua vibe. Fico observando alguns minutos sem clicar nada, só para entender o comportamento da pessoa e o que está acontecendo ao seu redor. Só depois desse processo começo a fotografa-la.

Dois belos personagens abordados por Murilo no centro de São Paulo ©Murilo Yamanaka

Qual sua estética preferida, como trabalha a partir disso?

Gosto muito de coisas sem muita enrolação. Clean e minimalista, ou se for com mais informação ou uma superprodução, que seja tudo muito bem equilibrado.

Quando foi que decidiu fotografar street style?

Comecei a fotografar street style no início desse ano e a coisa foi dando certo. Mostrava as fotos para amigos que trabalham no meio da moda e recebia ótimos toques de como melhorar as imagens. Nesse momento, reativei meu Tumblr como uma forma de mostrar meu trabalho. Fico a maior parte do tempo na rua e vejo muita gente bonita com combinações simples e lindas. Lembrando que simples não é fácil!

Moda e street style, em sua opinião, são duas coisas diferentes?

Faço os dois de certa forma, mas atualmente tenho focado o trabalho muito mais em street style. Creio que apesar de serem duas vertentes, o street style também faz parte da moda. A moda é muito mais que um simples editorial. Na minha opinião, ela está nas ruas.

Já estagiou com algum fotógrafo, acha o processo de estágio importante?

Já trabalhei com Edouard Fraipont e com ele aprendi muita coisa. Vivíamos em galerias de arte contemporânea devido às suas reproduções de obras de arte. A experiência foi ótima, ao mesmo tempo em que estava trabalhando, aprendia sobre estética e arte. Outro estágio foi com o Eduardo Barcellos, totalmente diferente do Fraipont. O trabalho desenvolvido com ele era quase sempre externo, aprendi muito sobre como usar luz natural. Além disso, Barcellos sempre foi um cara que me apoiou, mostrava interesse em ver quais fotos eu estava fazendo e me emprestava seu estúdio para experimentos, realmente um grande professor.

Quais são seus equipamentos de trabalho?

Eu uso só uma câmera e na maior parte do tempo uma lente, a 24-70 mm f/2.8 L USM, da Canon. Mas em todas as fotos de rua só uso luz natural, nada de flash, rebatedor nem nada do tipo, até porque sempre estou sozinho.

O que acha mais importante, o olhar ou a técnica?

Com toda certeza o olhar. A técnica de fotografar com a câmera digital facilitou muito o aprendizado de gente da minha geração, que nunca fotografou com filme (a maioria, ao menos). O olhar de certa forma leva mais tempo para ser desenvolvido. Quando você tira uma foto, acho que parte do que você vive ou viveu está presente na imagem. Se você olhar as fotos de Terry Richardson, por exemplo, vai observar que suas imagens condizem com seu estilo de vida.

Que seja infinito enquanto dure

07/08/2013

por | DESIGN

Tatuagens temporárias da Tattly ©Reprodução

Foi amor à primeira vista quando descobri o site da Tattly, empresa norte-americana que fabrica tatuagens temporárias com design – nada dos desenhos toscos das tattoos brinde de chiclete que a gente lembra da infância.

A marca foi lançada em julho de 2011 pela designer Tina Roth Eisenberg (que muita gente deve conhecer do blog swiss-miss.com) quando ela se cansou da pobre oferta de tatuagens temporárias que ela podia comprar para a sua filha. Ela teve então a ideia de criar tattoos assinadas por artistas e designers, e lançou a loja virtual que vendia 15 desenhos; hoje em dia já são mais de 300, criados por profissionais de vários países que ganham uma porcentagem do valor de cada venda.

As minhas tatuagens da Tattly; à direita, um dos diamantes da cartela criada por Kate Bingaman Burt ©Sarah Lee/FFW

As tatuagens são atóxicas, feitas com tinta a base de soja, e são lindas e fáceis de aplicar. Na minha primeira compra, fui com o kit de flechas criado por Wesley Stuckey e o de diamantes, de Kate Bingaman Burt (e veio de brinde um relógio “party” de Julia Rothman) – e já estou escolhendo as próximas. Elas são vendidas em kits de duas cartelas por cinco dólares, mais dois dólares pra entrega internacional.

+ tattly.com

“Awkward Years Project”

02/08/2013

por | COMPORTAMENTO

Autumn, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

As dores do crescimento. Diria que é quase impossível tornar-se adulto sem senti-las, sem experimentar, nem que por alguns poucos anos, a infelicidade de ser a chacota da turma, o pré-adolescente estranho que, cheio de espinhas, usa aparelhos nos dentes e óculos. Se tal realidade estivesse apenas nos filmes da atriz Molly Ringwald ou nas comédias reprisadas com frequência na sessão da tarde da Globo, não teria me tornado a pessoa que sou hoje e, aposto, nem você.

Ao esbarrar com o Tumblr “Awkward Years Project” e com sua respectiva descrição, percebi que apesar de (provavelmente) ter me tornado uma pessoa mais interessante pelas experiências negativas que vivi, o passado ainda incomoda. E não é só a mim. Entre os anos de criança meiga até a idade adulta, em que já possuímos noção de como nos apresentar em sociedade, aquele período de “estranheza” física e psicológica são tão difíceis que, em geral, tendemos a escondê-lo, como se fosse uma mancha negra que nos comprometesse aos olhos dos outros.

Merilee, criadora do Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Revelar tal “mancha” e compará-la com o que se é no presente é a proposta de “Awkward Years Project”. A criadora do Tumblr, Merilee Allred, 35, contou em um post introdutório que a ideia surgiu de uma conversa com uma amiga recente, que a questionava sobre seus “anos estranhos”. Para comprovar que, infelizmente, os viveu, buscou uma fotografia antiga, da época do colégio. Ao perceber que não queria mostrá-la, talvez por insegurança, ela decidiu retratar-se segurando a imagem. Foi uma forma de dizer: “Olha o que eu era, mas não esqueça de como sou agora”.

É possível que digam que o raciocínio acima estimule sentimentos meio que superficiais, mas, no fundo, é uma maneira de mostrar a si mesmo a própria “evolução” e que todo aquele bullying foi superado, fazendo-nos mais fortes. É também um jeito de assegurar a quem está nos “anos estranhos” que eles vão passar e, sobretudo, que eles pavimentarão o seu caminho e definirão o seu futuro.

+ Veja abaixo mais fotografias do Tumblr “Awkward Years Project”:

Martie, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Gina, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Laura, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução