Essa semana fiquei sabendo (através do WGSN) que a Louis Vuitton abriu mais um processo judicial, desta vez contra a montadora Hyundai, por conta de um comercial televisionado durante o Super Bowl 2010 nos EUA.
Recapitulando…
Louis Vuitton, a grife de luxo mais popular do mundo.
Hyundai, uma das cinco montadoras mais poderosas do planeta.
Super Bowl, a final de futebol americano que também é o evento de maior audiência nas emissoras norteamericanas.
Os advogados da Louis Vuitton abriram o processo porque no comercial “Luxury” (feito para promover o novo modelo “Sonata” da Hyundai), a montadora sul coreana retrata cenas do dia a dia pinceladas por elementos deluxe.
Policiais comendo caviar em vez de rosquinhas, lustres de cristal no lugar de postes públicos e um jogo de basquete onde a bola, a vilã da história, vem estampada com monogramas dourados que remetem ao “LV” da maison. Assista:
A primeira coisa que lembrei quando li essa notícia do processo foi desse vídeo da Suzy Menkes, editora de moda do “International Herald Tribune”, falando sobre o papel da internet na nova topografia (ainda em formação geológica) da moda. Aliás, quem quer entender melhor como a coisa caminha, essa leitura aqui é obrigatória.
Um dos trechos mais interessantes é quando ela fala do poder de viralização online em conflito com a construção de imagem das marcas.
Pule para a marca dos 3m58s:
On Fashionblogs from Mary Scherpe on Vimeo.
“Eu acho que, no caso das grandes marcas de moda, tudo gira em torno do controle. Eles fizeram tantas coisas ao longo dos anos, em alguns casos por algumas centenas de anos, para construir uma imagem e tê-la sob total controle – em quais revistas anunciam, onde posicionam os outdoors nas ruas. Daí vem o Twitter e uma pessoa qualquer sai do desfile e publica que odeia a marca, que o desfile foi uma porcaria, um comentário banal e estúpido. E de repente 3 milhões de pessoas reverberam essa opinião. Isso é muito assustador para os gerentes da marca”. – Suzy Menkes
Juntando lé com cré: tou vendo a hora que os inquisidores da Louis Vuitton vão bater à porta de, digamos, Tavi Gevinson, pra reclamar a sua alma por conta de algum post atravessado ou tweet mal interpretado.
Se a Hyundai, pessoa jurídica, cercada de diretrizes e políticas, pisou na bola – e agora está pisando em ovos –, por que os blogueiros, pessoas físicas, desprevenidas e deslumbradas, não pisariam?
Quando uma montadora multimilionária, responsável por gerar/destruir economias locais, não consegue segurar a bronca… Quem consegue?
Taí um ótimo motivo para os blogueiros de moda repensarem suas táticas.