Suzy Menkes: “Falo o que acho”

10/05/2013

por | MODA

Ilustração de Anja Steffen da editora Suzy Menkes ©Reprodução

Suzy Menkes, uma das mais respeitadas editoras de moda do mundo, participou de um bate-papo com Fern Mallis, consultora de moda e ex-presidente do CFDA. Suzy foi editora do International Herald Tribune, a versão do “The New York Times” fora dos Estados Unidos. No ano passado, ele passou a chamar simplesmente “The Internacional New York Times” e Suzy passou a escrever para o jornal, impresso e online.

Ela também contou a Mallis que criou seu topete para que seu cabelo não caísse no rosto enquanto escrevia. A conversa foi publicada no portal WWD e nós colocamos aqui os melhores momentos da sempre afiada e honesta Suzy:

40 ANOS SEM JABÁ: “Eu não vou onde sou paga para ir e acho que deve ser desse jeito. Pessoas como Valentino, que é um homem tão generoso, tantas vezes me convidam para tantos lugares… Nunca fui ao barco dele, mesmo ele tendo insistido. Bom, claro, eu também não tinha o biquíni certo para isso…”

ÁFRICA: “Fui para a África quatro vezes no ano passado. O nível do trabalho manual é algo mágico. Fui para Nairobi, onde eles têm coletivos fazendo bolsas para Vivienne Westwood e Stella McCartney. Se essas coisas puderem ser regulamentadas de uma maneira decente por pessoas honestas, então a moda pode ser uma maneira maravilhosa de tirar as pessoas da pobreza”.

BANGLADESH: “Há de acontecer uma mudança na mentalidade do consumidor. Temos que falar que há algo moralmente errado em comprar um maiô ou um vestido que custa o mesmo que um cappuccino. Não acho que a resposta seja uma ‘resposta Disney’ –  simplesmente parar com tudo seria uma catástrofe pois essa é a única indústria que eles têm lá”.

NOVOS DESIGNERS AMERICANOS-ASIÁTICOS: “Eles têm esse espírito americano maravilhoso do vai e faz, siga em frente e acredite em você, o que é uma ótima combinação”.

MUDANÇAS NAS CASAS EUROPEIAS: “Tragicamente, nenhum dos grandes chefões da moda vêm me procurar. Tenho certeza que eles procuram Anna (Wintour) e pedem seus conselhos. Eu falo o que acho e isso é provavelmente o que eles não querem ouvir. As marcas de moda construídas como casas são como famílias. Yves Saint Laurent foi totalmente construída assim. As pessoas eram tratadas como família e se sentiam parte de uma família. Não funciona mais dessa forma. É muito mais duro, não necessariamente melhor ou pior”.

JOHN GALLIANO: “É uma tragédia. Nós sabemos que pessoas criativas têm todos os tipos de demônios. Eu jamais diria que amo Hitler de nenhuma maneira e não conheço muitos que o fariam. O que não significa que alguém com um talento brilhante não deva merecer uma segunda chance. Mas como fazer isso é difícil”.

REDES SOCIAIS: “É equivalente a revolução e que privilégio viver nessa era. É uma questão de como usar isso de maneira inteligente. Não estou tuitando no momento e também tenho uma página no Facebook. Durante as temporadas de moda, fico totalmente de fora, porque tudo é muito pesado. Pesado é a palavra errada porque amo fazer isso. Mas tenho uma quantidade enorme de trabalho”.

OS REVIEWS MAIS DIFÍCEIS: “São quando você vê que um estilista que sempre admirou está indo pro lado errado. É muito doloroso porque você sente por eles e ao mesmo tempo sente por você, que não deseja dar essa facada. Eu costumo suavizar uma crítica quando, por exemplo, alguém perdeu um parceiro para a Aids”.

SEGURANÇA NO TRABALHO APÓS O “IHT” TER VIRADO “THE INTERNATIONAL NEW YORK TIMES” EM 2012: “Quem sabe? Bom, certamente eu receberei um pagamento maravilhoso após 25 anos trabalhando lá”.

+ Suzy deu uma grande entrevista ao FFW; leia aqui

+ Suzy Menkes critica o circo da moda criado pelas blogueiras

E veja no que deu nossa troca de papéis!

22/04/2013

por | MODA

Na sexta-feira (19.04), último dia de Fashion Rio Verão 2013/14, fizemos uma experiência dentro do FFW, com cada membro da equipe trocando de papeis durante a execução de uma pauta especial (o desfile da Triya); veja abaixo o resultado da brincadeira, com o relato de todos os participantes e os links para as matérias:

Dupla 1: Camila Yahn e Daniel Ayub

Daniel Ayub e Camila Yahn para o FFW troca de papéis ©FFW

Camila Yahn, editora de conteúdo, vira fotógrafa de fila A: “Achei muito divertida a ideia de fotografar a primeira fila do desfile da Triya. E notei como o olhar feminino é diferente do masculino mesmo em fotos aparentemente tão simples quanto essas. Queria pegar momentos mais do que rostos olhando para a câmera. Como as pessoas me conheciam e se surpreendiam em me ver fotografando lá, elas abriam um sorriso, se sentiam à vontade para alguma brincadeira ou faziam cara de quem não estava entendendo nada. Fora algumas imagens sem foco ou escuras demais, achei o resultado interessante especialmente porque ficou uma galeria de pessoas com um sorriso verdadeiro no rosto”.

+ Veja o resultado do trabalho de Camila Yahn como fotógrafa de fila A

Daniel Ayub, analista de plataformas web, vira editor de moda: “Apesar de já ter assistido a desfiles de outros assentos ou até mesmo em pé ao lado do PIT, a sensação de estar na fila A é a de exclusividade, a sensação de que tudo aquilo foi criado para que você pudesse assistir e aprovar. Para você e os “colegas” editores, jornalistas, famosos e compradores que sentam ao seu lado. Este sentimento dura pouco, já que ao aparecer o primeiro look, você se lembra de que é preciso prestar atenção e pensar no texto que irá escrever. A partir disso, desfilaram mais frases pela minha cabeça do que modelos pela passarela, o que substituiu um pouco o clima de deslumbramento pelo de responsabilidade. Talvez seja outra sensação completamente diferente a de assistir a um desfile da Fila A sem qualquer grau de responsabilidade. No entanto, talvez se enxergue menos quando não se está olhando com tanta atenção”.

+ Veja o resultado do trabalho de Daniel Ayub como editor de moda

Dupla 2: Sarah Lee e Ricardo Toscani

Ricardo Toscani e Sarah Lee para o FFW troca de papéis ©FFW

Sarah Lee, redatora-chefe, vira fotógrafa de backstage: “Antes de tudo, quero dizer que essa foi a pauta mais divertida que já fiz na vida, e agradecer pela paciência de todos os envolvidos, especialmente o Ricardo Toscani, que gentil e corajosamente me emprestou sua Canon 5D com flash 430EX II e difusor parabólico, à qual vou me referir simplesmente como bazuca. Impressões e anotações da minha experiência como fotógrafa: 1) ME-DO de quebrar a bazuca. 2) “Pra que serve este botão?”. 3) O meu modo stealth de backstage não funciona com a bazuca. 4) É sempre uma boa pedir pras modelos sentarem num banquinho em vez de fotografa-las de baixo pra cima. 5) Obrigada André Conti (Agência Fotosite) e seu assistente Artur Curval, que foram super legais e me deixaram usar o espacinho que eles montaram pra clicar as modelos já maquiadas. Mas no fim das contas, fiquei mais nervosa ainda, sentindo que estava atrapalhando o trabalho de todo mundo, o que me leva à conclusão de que, 6) Esta imagem resume a minha experiência como fotógrafa“.

+ Veja o resultado do trabalho de Sarah Lee como fotógrafa de backstage

Ricardo Toscani, fotógrafo, vira repórter de beleza: “Que presente para um fotógrafo, virar repórter de beleza por um dia cobrindo um backstage de moda praia, onde a referência são as mulheres de Helmut Newton. Gravador na mão, bloquinho de papel e caneta. Tudo bem mais leve, sai o peso da câmera, mas dá lugar ao peso de fazer um passo-a-passo de beleza impecável. A palavra mais importante nessa experiência é: objetividade. Não tive, entrei pela primeira vez num backstage com outro olhar; dessa vez não fiz a clássica pergunta ‘tem alguma menina pronta?’. A minha pergunta foi…
– Tu que é da assessoria?
– Sim…
– O Max pode falar sobre a beleza?
– Ele vai começar uma menina agora, espera um pouquinho, vai ser ali naquele canto.
Pitocos e um cordão de isolamento nos separavam…
Espero o momento certo para ligar o gravador e ele nunca chega, acho que a cada momento vou fazer uma pergunta genial, que vai arrancar aplausos de todo backstage e ganhar o olhar de aprovação de Max Weber.
Enfim, meu cérebro formula a pergunta. E do alto do meu gauchismo, caprichando no sotaque, solto a pérola…
– Esse que tu passou é um delineador de boca?
Não foi dessa vez…
A imagem que tinha da sala me ovacionando é trocada rapidamente pela imagem da sala rindo.
Todos. Um por um, sem exceção.
Max olha pra mim, ainda com o sorriso no rosto, e diz…
– Você não está de todo errado… É um lápis de contorno. De agora em diante vou responder só pra você…
De certa forma penalizado com o preconceito que o fotógrafo repórter por um dia sofreu ao tentar formular a pergunta de beleza do século.
Os termos ISO, obturador, diafragma, iluminação e white balance dão lugar para delineador, sombra, iluminador e base, entre outros…
E as marcas, Nikon, Canon, Carl Zeiss, agora viram M.A.C, Nars, Chanel…
Muito legal entender o trabalho do seu colega, uma experiência de vida, colocar-se no lugar do outro. Senti muitas coisas, euforia, medo, alegria e uma responsabilidade imensa de levar a informação correta para o leitor.
Fiquei radiante, me senti como a menina que entra de cara limpa e é transformada pelas mãos mágicas e experientes do profissional…
No final de tudo, você vai me encontrar num corredor e perguntar…
– E aí beleza?
Eu, cheio de contentamento, responderei,
– Beleza!!”.

+ Veja o resultado do trabalho de Ricardo Toscani como repórter de beleza

Dupla três: Andreia Tavares e Felipe Abe

Felipe Abe e Andreia Tavares para o FFW troca de papéis ©FFW

Andreia Tavares, repórter, vira fotógrafa: “Quando olhamos para o trabalho de um fotógrafo, já pronto e editado, parece que a única ferramenta necessária é inspiração. Mas não. Nesta troca de papéis, fiquei com as pautas do Felipe Abe, fotógrafo que sempre faz as temporadas de moda com o FFW . Por um dia, senti na pele as vantagens e as dores de cabeça de fotografar um entrevistado e de fazer o “Estilo + Rio”, pauta de lifestyle carioca do Felipe. As fotos da pauta “Estilo + Rio” foram tanto difíceis quanto engraçadas. Não só porque entendo tanto de fotografia e câmeras fotográficas como entendo de engenharia aeronáutica (o que é nada) como também porque sempre parece que as pessoas estão mais bonitas – ou representam melhor o lifestyle carioca -, do que realmente estão. Depois que entendi um pouco sobre velocidade e abertura (entrada de luz e essas coisas), tudo fluiu muito melhor. De câmera em punho, fotografava toda e qualquer coisa que eu achava que cabia na matéria. 96 fotos depois, “acho que tenho”, disse confiante. Faltava editar. A pior parte. “Como vou escolher 15 a 20 fotos de 96?”, pensei desesperada enquanto o Photoshop abria uma aba nunca antes vista com gráficos coloridinhos do lado direito, que atestam, à medida que “edito” as fotos, a minha inexperiência.

Fotografei também o stylist Felipe Veloso no backstage da Triya para uma matéria do Felipe. Chegando lá, o intrépido repórter, de gravador em punho, foca no entrevistado e esquece o mundo à volta. Fala com a assessora, explica a questão e é direcionado para outra sala, cuja porta abre apenas por breves segundos. Eu, a fotógrafa, fico de fora. Abri a porta, mas logo uma assessora me travou. “Tem que esperar um pouquinho”, explicou. Entrei em um mini-desespero, tentei chamar de novo a assessora – que já não estava ali porque tudo no backstage acontece muito rápido, acreditem -, de câmera no pescoço. Procurei nova ajuda: “O meu repórter está lá dentro falando com o Felipe Veloso e eu preciso fazer a foto para a matéria…”, expliquei. Não sei se foi a minha cara de desespero ou de perdida com a câmera que em poucos, mas longos, minutos a porta se abriu para mim. Ufaaaa. Fiz o clique”.

+ Veja o resultado do trabalho de Andreia Tavares como fotógrafa aqui e aqui

Felipe Abe, fotógrafo, vira repórter: “Ser jornalista por um dia foi uma experiência incrível. Eu estou acostumado com a relação fotógrafo-fotografado e normalmente ela cria certos desconfortos em eventos grandes onde não há tempo para conversas, introduções… Não é todo mundo que se sente bem sendo fotografado de relance! O trabalho jornalístico de pesquisar sobre a vida e obra da pessoa e a coragem de se abrir explicitamente para uma conversa é algo que todo fotógrafo tem de ter para uma conexão verdadeira com o fotografado”.

+ Veja o resultado do trabalho de Felipe Abe como repórter

Querida Clô…

01/04/2013

por | MODA

©Ricardo Toscani

Na quinta de manhã quando recebi o telefonema com as notícias tristes sobre sua morte, fiquei inteira arrepiada, por muitos minutos.

Nossa relação sempre foi profissional, mas da minha parte, posso te dizer que acompanho o seu trabalho há muitos anos e minha admiração e respeito só cresceram. Sempre senti uma conexão pelo tipo de mulher que você representa, por como você pensa e se comporta.

Há algum tempo me contaram que você passava por uma crise muito forte, que a levou para um estado depressivo e a uma primeira tentativa de suicídio. Pensei em te escrever então para te lembrar a mulher maravilhosa e forte que você é, como se uma carta minha, de alguém distante, pudesse fazer qualquer diferença. Em meio à correria – e à falta de concentração que nasce dela – acabei não escrevendo. Na verdade, escrevi e reescrevi diversas vezes em minha mente. Puxa, quem imaginaria? Agora minha carta chega com certo atraso.

Mesmo conhecendo sua tristeza, sempre que te encontrava, era recebida por seu sorriso doce e tranquilo. Ou nas fotos que via em sites, você está sempre com uma feição de harmonia. Como conseguia?  Ser fotografada, sorrir, cumprimentar, sorrir mais um pouco, mais flashes… Fico imaginando o quão duro deve ser fazer esse esforço em um momento tão solitário e delicado.

Lembro de quando você foi ao Pense Moda, fiquei tão orgulhosa! E de novo estava sorrindo. Aquele sorriso doce, quieto, educado. Aliás, que mulher educada e refinada você é. E todas as suas qualidades e contradições eram traduzidas nas roupas mais lindas que uma mulher pode desejar.

Sinto pela sua decisão. Tenho pensado muito nela e imagino que uma combinação infeliz de fatores a conduziu por essa escuridão absoluta. No final, você finalmente encontrou a luz que tanto buscava.

Em choque, muita gente chegou a acreditar que sua passagem representava o fim da moda no Brasil. Não se trata do fim, mas que sua falta será sentida, não tenha dúvida.

Como disse Alcino Leite Neto, em relato emocionante publicado na Folha, eu também não gostaria de estar escrevendo esse texto agora.

Onde quer que você esteja, desejo que esteja em paz e que seu sorriso esteja de novo iluminando seu rosto delicado.

Um beijo com carinho e saudade,

Camila

Hora de comprar!

26/03/2013

por | MODA

Por Flavia Brunetti, em colaboração para o FFW

Perguntamos aos fashionistas: depois de tantos desfiles e informações, como você escolhe as peças do seu guarda-roupa? O que foi visto nas semanas de moda influencia suas escolhas?

Helena Bordon, empresária

“As tendências me influenciam. Mas eu jamais compraria algo que não respeitasse meu estilo ou o meu corpo. Não concordo com as pessoas que compram só por comprar”

Maurício Ianês, stylist

“Não. Só compro o que vou usar por muito tempo e várias vezes. E geralmente o que gosto dura mais que muita tendência”

Deborah Falci, empresária

“Acho que sempre acaba influenciando. Mas eu jamais mudaria meu estilo pelo que vejo nas passarelas. Eu não começaria a usar estampas coloridas agora”

Sérgio Amaral, editor da “L’Officiel” Brasil

“Tendências em si não, mas não há como negar que algumas imagens ficam impressas na cabeça e criam um desejo. Por exemplo, eu vi João Pimenta e eu usaria várias coisas do desfile dessa coleção”

Camila Coutinho, blogueira

“No meu site falo de todas as tendências. Mas na minha vida pessoal brinco que sou uma fashion victim leve, pois sigo a tendência como guia, não como uma ditadura”

Matheus Strapasson, modelo

“Acho que o que mais me influencia quando vejo um desfile ou quando participo dele são as cores. Tenho um estilo básico, mas cores me chamam a atenção”

Michelli Provensi, modelo

“Eu só compro uma peça se olho pra ela e vejo que vou usa-la por mais de dois anos. E melhor ainda se eu já a tiver desfilado, não gosto de experimentar roupas”

Ruy Furtado, diretor de desfiles

“Não acompanho moda, tendência, nada. Eu só uso jeans e pólos. Tenho todas as cores. E camiseta, só branca”

Helô Ricci, promoter

“Tendências me influenciam porque acho que facilitam. Vivemos já tão ocupados que é bom quando alguém mostra pra você as cores e formas da próxima estação. Não acho negativo, acho prático”

Rodrigo Rosner, estilista

“Pra mim o cinza mescla é uma explosão de alegria. Já trabalho pesquisando tanto que no meu guarda-roupa só entra branco, preto, bege, cinza e azul marinho. De preferência tudo Hering. Sou bem básico”

Talytha Pugliesi, modelo

“Depende. Se for uma tendência muito marcante de uma temporada, mas que eu goste, compro nas lojas fast fashion. Coisa cara eu só compro os clássicos, que é muito mais meu estilo”

Fabio Queiroz, promoter

“Quando vou a um desfile, por exemplo, é muito mais para prestigiar o estilista do que buscar algo ali para comprar imediatamente, pois há coleções das quais gosto mais e outras menos”

Sylvain Justum, editor de moda da “Harper’s Bazaar” Brasil

“Não, não me influencia. Talvez o styling de alguns desfiles sim, você vê uma peça de uma maneira que não pensaria usar, um detalhe, acessório. Mas é só”

Kadu Dantas, apresentador

“Sim, as tendências me influenciam se tiverem a ver comigo. Por exemplo, quando a Givenchy trouxe de volta as maxi estampas, gostei, fui lá e comprei o moletom com o cachorro rottweiler estampado. Adoro!”

Vida de repórter: a minha “não-entrevista” com Lindsey Wixson

20/03/2013

por | MODA

A situação do backstage da Ellus durante a entrevista coletiva com Lindsey Wixson ©Sérgio Caddah/Ag. Fotosite

Entrar e sair de backstages, entrevistar modelos, voltar correndo para a sala de imprensa e assistir aos desfiles apenas da tela do computador. Assim é a rotina de uma repórter que trabalha em uma semana de moda, ao menos a minha durante o SPFW. Durante esta edição de Verão 2013/14, fui incumbida de conversar com Lindsey Wixson, que veio ao Brasil a convite da Ellus, mas a tarefa não foi assim tão simples…

Desde que a vinda de Lindsey foi anunciada pela imprensa, pedimos à assessoria responsável para entrevista-la, como é de praxe quando “celebridades” vêm ao país. Talvez por falta de tempo, já que a modelo americana chegou no domingo (17.03) , fotografou a campanha de Verão 2013/14 da Ellus na segunda-feira (18.03) e desfilou para a marca logo no dia seguinte, o encontro foi agendado para acontecer mesmo no backstage. Até aí sem problemas, afinal, quantas ótimas entrevistas já não foram feitas desse modo?

Mas, ao chegar à entrada no backstage da Ellus, já era bem perceptível que seria quase impossível conversar com Lindsey sem a presença de outros jornalistas. Passar mais de cinco minutos com ela então, mais difícil que bater um papo com Candice Swanepoel e Karlie Kloss juntas. Depois de finalmente conseguir entrar na antessala onde a imprensa deveria esperar, passa a modelo escoltada por assessores para ser fotografada no backdrop localizado ao lado das araras de roupas.

A situação do backstage da Ellus durante a entrevista coletiva com Lindsey Wixson ©Sérgio Caddah/Ag. Fotosite

Meio que espremidos, os fotógrafos clicaram Lindsey, mas só aí fomos avisados que ela falaria ali mesmo, em um espaço apertado, com mais de 10 repórteres, que imediatamente voaram para cima. Não consegui ficar na “linha de frente” e, apertadíssima, quase sem ar, não consegui fazer nenhuma pergunta. A única coisa viável a fazer, em meio à desconfortável situação, foi gravar o que os que se encontravam mais perto questionaram (e que você pode ler abaixo).

É a sua primeira vez no Brasil? O que tem achado do país?

O Brasil é muito bonito. Tenho trabalhado todo o tempo, mas estou gostando bastante.

O que você fez em São Paulo até agora? Já provou alguma comida brasileira?

Eu fui jantar no Figueira Rubaiyat. Adoro carnes e pão de queijo, comi pão de queijo no café da manhã, almoço e jantar. Já provei uns chocolates, adoro experimentar coisas quando viajo.

Até quando você fica?

Até amanhã (20.03). Quero ir ver as liquidações, mas acho que não vou ter tempo.

O que você gostaria de conhecer no Brasil?

Gostaria de ir às praias de Salvador, mas nesta estação não tenho tempo, quem sabe na próxima?

Você conhece alguma marca brasileira?

Fora a Ellus, só a Rosa Chá.

Qual a sua relação com a Donatella Versace?

Bem, eu trabalho para a Versace já há alguns anos e a conheço [Donatella] a partir daí. Ela sempre foi muito gentil e aberta.

No Instagram #1

19/03/2013

por | MODA

Nosso insider @betosiqueira está de volta nesta temporada Verão 2013/14 do SPFW. Durante todos os dias de evento, ele mostra em tempo real os fatos, personalidades e desfiles, sempre atrás de uma leitura imagética, poética e pessoal do que acontece pela Bienal.

Confira alguns momentos do primeiro dia:

Intrépida internética: Costanza Pascolato

15/03/2013

por | MODA

Costanza Pascolato: musa conectada ©Gustavo Jacome/site Costanza Pascolato

“Tenho uma sensação de renovação muito grande”. Foi com essa frase que Costanza Pascolato definiu como estava se sentindo por conta de sua nova empreitada, o site www.costanzapascolato.com.br, que foi ao ar essa semana.

Renovação. Não é disso que se trata a moda (também)? Costanza é mesmo uma mulher incrível. Aos 73 anos, tem mais energia e curiosidade pelas coisas que muitos jovenzinhos de 20. Após os 70 ela escreveu mais um livro e lançou seu site, na sua primeira aventura com a internet.

O quanto as pessoas não aguardavam por isso? Por um espaço em que pudéssemos entrar e aproveitar com mais frequência o olhar de Costanza sobre a moda. Abaixo do post em que anunciávamos o novo site no Facebook, um leitor deixou uma mensagem: “Agora vamos ver quem manda aqui!”. Demos risada quando contei para ela: “No que fui me meter? Espero que vocês não se decepcionem!”, respondeu.

“Fiquei morrendo de medo quando pediram para assinar meu nome na parede”, disse em sua primeira experiência com o grafite, em 2012 ©Reprodução

Fora que é uma delícia navegar pela seção About, que conta sua vida com fotos e frases desde que nasceu. Porque claro, além de saber o que Costanza acha da moda, também queremos saber sobre Costanza.

Lembro quando eu trabalhava com Erika Palomino, na época colunista da “Folha de S.Paulo”, que Costanza ligou um dia para perguntar o que era essa cena clubber que Erika então retratava nas páginas do jornal semanalmente. Tiveram um longo papo. E uma vez me ligou cedo de manhã para perguntar sobre uma banda que havia tocado em uma festa na noite anterior. Passamos quase uma hora conversando sobre música. Eu sempre conto essas histórias para os meus alunos porque mostram uma pessoa que não se esconde nem se aquieta e que, mesmo na altura de sua celebridade, não tem vergonha de dizer que não sabe de algo, passar a mão no telefone e perguntar.

Por trás da aparência impecável e de títulos como “papisa” e “mito da moda”, está uma mulher maior que a lenda que ela criou: acessível, de verdade, humana, engraçada e com muitas histórias saborosas para compartilhar. We <3 you, Cos.

Polêmica: Saint Laurent faz desfile grunge e revolta fashionistas

06/03/2013

por | MODA

Inverno 2013 – O FFW está na semana de moda de Paris a convite da Dona Santa Fashion Tour, projeto da multimarcas de Recife Dona Santa. Acompanhe também por meio dos blogs Ju Santos e Dona Santa|Santo Homem.

Looks do desfile grunge da Saint Laurent, em Paris ©Imaxtree

Mais uma vez, Hedi Slimane centralizou a semana de moda de Paris na apresentação da Saint Laurent, que aconteceu na segunda à noite (04.03).

Imediatamente após o desfile, e nos dias que se seguiram, Twitter, Facebook e Instagram não pouparam posts, fotos e comentários do tipo: “Pior que Topshop”, como foi deixado no Instagram de Anna Dello Russo; “Out Slimane”; ou o óbvio “Yves deve estar se revirando no túmulo”.

Para quem conseguiu escapar ileso de tamanha revolta fashion e não está acompanhando o enredo, explico: após uma estreia conturbada para a Saint Laurent, que envolveu brigas com editores e abuso de poder para uma coleção nada brilhante, Slimane apresenta uma coleção inspirada no grunge da Califórnia.

Saint Laurent grunge. Oi? Não foi apenas “a inspiração” que incomodou, mas a aparência “podrinha” de muitas peças que, se têm muito a ver com a estética grunge, nada tem a ver com YSL.

Os principais editores de moda fizeram o possível para serem educados e gentis com Slimane, afinal, ele é um profissional com uma visão que já rendeu muitos bons momentos na passarela, para a Dior Homme, e na fotografia.

Looks do desfile grunge da Saint Laurent, em Paris ©Imaxtree

Quando um estilista assume uma maison, espera-se sim que ele entre com ar fresco ao mesmo tempo que trabalhe com os principais elementos da marca e com a herança, transformando o antigo em novo e desejável.

Yves sempre foi um estilista visionário e moderno, assim como Slimane é considerado hoje. Mas nem mesmo tanta visão foi capaz de fazer uma conexão com o universo YSL. Ao contrário, o desfile foi um convite ao mundo de Slimane, com garotas de cabelos bagunçados, peças com cara de usada (mas que custam uma fortuna), a juventude cheia de frescor da Califórnia (onde ele vive) e uma pimenta rock’n’roll. Claro, tudo ao som de uma bandinha cool tocando, o Thee Oh Sees (Slimane tem uma forte ligação com música, em especial com bandas de rock).

“A coleção que Slimane mostrou não grita, não diz nem cochicha o nome Saint Laurent”, dispara o “WWD”. Minivestidos floridos ou pretos, usados com paletós, jaquetas de flanela ou cardigans com aspecto surrado, arrematado com meia arrastão e botas pesadas. Kurt & Courtney. “Muitos editores não pareciam morrer de amores pela coleção, mas vi peças que podem ser lucrativas comercialmente. Já a conexão de grunge com o senhor Saint Laurent é que não ficou clara”, escreveu Eric Wilson, do “The New York Times”.

Segundo Wilson, ao sair do desfile, ele ouviu frases assim: “Ele está brincando com toda a indústria de moda”; “o desfile que importa mesmo é amanhã às 10h30” (referindo-se a apresentação da Chanel).

Looks do desfile grunge da Saint Laurent, em Paris ©Imaxtree

Não houve o choque do novo, como diz o editor Tim Blanks ao FFW: “O meu ponto é que as peças não tinham o frescor que estamos acostumados a ver com Slimane. Quase nada parecia novo”.

Quem vai pagar milhares de euros por um cardigã velho, mesmo que sob o brasão da Saint Laurent? Segundo o “WWD” apurou, os executivos da maison querem que as coleções atraiam um público mais jovem. Marcas especiais e históricas, como YSL e Balenciaga, estão reformulando seu próprio DNA e esquecendo sua trajetória e os símbolos que as transformaram em referências de moda. Por trás dessas mudanças, estão planilhas e calculadoras, um mercado bilionário e altamente competitivo.

Resta saber se as tais jovens vão embarcar, afinal, Courtney Love não é exatamente uma musa Saint Laurent, certo? Que o grunge fique nos domínios de Marc Jacobs. E que Yves descanse em paz enquanto a moda cai de amores por Céline, Haider Ackermann e Givenchy.

Símbolos de Galliano no desfile de Oscar De La Renta #NYFW

14/02/2013

por | MODA

Primeiro look do desfile de Oscar De La Renta, com consultoria de John Galliano ©Reprodução

O mundo da moda comemorou quando soube que John Galliano “voltaria” ao trabalho a convite de Oscar De La Renta, que o recebeu em seu ateliê a pedido de Anna Wintour, para dar um toques na coleção de Inverno 2014.

Para Galliano, foi uma forma de retornar ao dia-a-dia de um ateliê de moda, voltar a fazer o que sabe fazer melhor de uma forma leve e com menos compromisso do que carregar uma nova marca nas costas. Para De La Renta, um senhor de 80 anos, foi uma maneira de rejuvenescer seu trabalho ou salpicar um pouco de pimenta e uma dose de loucura à sua coleção. É um jogo em que ambos saem ganhando.

Da esq. para a dir.: Oscar De La Renta Inverno 2014; John Galliano Inverno 2011 e John  Galliano Verão 2011 ©ImaxTREE

O desfile, mostrado essa semana em Nova York, traz visivelmente a mão de Galliano. A começar pelos chapéus, uma referência fortíssima do estilista britânico – nas coleções para sua (ex) marca homônima, ou até mesmo em muitas que assinou para a Dior, dificilmente a cabeça das modelos aparecia descoberta.

No desfile de Oscar De La Renta, destaque para a cintura marcada por cinto amarrado ©ImaxTREE

À esq., look de Oscar De La Renta Inverno 2014; à dir., desfile de John Galliano Inverno 2010: duas formas de amarrar o cinto ©ImaxTREE

A cintura marcada é outra característica forte, especialmente a forma como amarrar o cinto. Segundo o “The New York Times” apurou, Galliano passou horas ensinando a equipe de Oscar a dar o nó corretamente.

A maquiagem também remete às belezas dos desfiles de John, com a boca escura e os olhos marcados (especialmente da metade para o fim), combinação vista em muitas de suas apresentações. Os cabelos com efeito molhado, mesma coisa. É Galliano puro, sedutor por excelência, por trás de muitas imagens do desfile de Oscar De La Renta.

Ainda não se sabe se essa colaboração será mantida, nem por quanto tempo. São cerca de 30 anos de diferença entre os dois estilistas e enquanto eles conseguirem se entender, será um período frutífero para ambos.

Galliano causa polêmica novamente ©Reprodução

Na última terça (12.02), mesmo dia do desfile, John foi visto saindo de um prédio em Manhattan vestido com um traje bem parecido ao usado pelos judeus ortodoxos, com um paletó longo, chapéu preto e até mechas de cabelo enrolados, dos dois lados da cabeça. O estilista, que foi acusado de insultos antissemitas em 2011, causou polêmica e despertou raiva entre líderes religiosos da comunidade. Não precisava, né, Galliano?

Liz Rosenberg, sua PR, disse: “Como vocês bem sabem, John sempre usou chapéus grandes e casacos. Ele tem cabelo longo e crespo e eu consigo compreender as pessoas que interpretaram mal o seu look. Mas posso assegurar que não havia intenção alguma em se vestir como um judeu ortodoxo. Ele usava uma calça Yohji Yamamoto, um chapéu de Steven Jones, camisa Brooks Brothers e casaco Dolce & Gabbana. A última coisa que passaria na cabeça de John seria ofender a comunidade judaica”.

Segundo o WWD, Oscar De La Renta falou que “se John quiser voltar, eu ficarei feliz em recebê-lo. Mas falei para ele que, se ele quer ficar nos Estados Unidos, ele não pode ser como Greta Garbo. Em algum momento você terá que encarar e explicar sua posição”.

Vamos aguardar os próximos passos de um mestre em recuperação.

+ Galliano processa Dior em caso milionário

Os 10 + do baile da Vogue

28/01/2013

por | MODA

Na última quinta (24.01), aconteceu no Hotel Unique, em São Paulo, o Baile de Gala e Fantasia da “Vogue” Brasil. O tradicional baile, em sua décima edição, reúne modelos, fotógrafos, socialites, artistas, editoras e top fashionistas em uma noite divertida e de muita montação. O FFW elegeu os 10 melhores looks da festa, que você pode ver abaixo.

Aline Weber

Com make deslumbrante, Aline parou tudo na festa, com look de Martha Medeiros ©Reprodução

Tomek Sadurski e Guto Requena

A dupla arrasou no senso de humor com fantasia black tie-ballet ©Reprodução

Daniela Falcão

Anfitriã da noite, a diretora de redação da “Vogue” optou por um look tropicalista, com vestido da MOS, a nova marca de Milene Sirotsky. Na cabeça, acessório de Caio Vinicius ©Ricardo Toscani

Dudu Bertholini

Dudu sempre arrasa nas produções, mas esse look ouro total (roupa, make e brincos) foi um dos pontos altos da festa ©Reprodução

Helena Bordon

Com um chamativo vermelho da estilista Patricia Bonaldi, Heleninha era a diabinha que todos os meninos queriam ter e todas as meninas gostariam de ser ©Reprodução

Mauro Braga

Mauro é coisa nossa! Produtor da revista “Mag!”, ele se diferenciou por escolher a cor branca, misturando o tradicional ao moderno, com calça skinny e sapato de bico fino ©Reprodução

Felipe Morozini

Impagável, a versão feminina de Felipe não poderia ficar de fora ©Reprodução

Talytha Pugliesi

Com um longo branco Versace, Talytha era uma das mais bonitas, com destaque para o decote profundo nas costas ©Ricardo Toscani

Dráusio Gragnani e Lorenzo Merlino

Men in uniform: mais uma dupla animada, que investiu na criatividade, no senso de humor e até no fetiche – para quem gosta de homens em uniforme : ) ©Ricardo Toscani

Luíza Brunet

Eterna rainha e sempre linda, Luíza defende aqui a parcela das celebridades por sua elegância no longo branco Marcelo Quadros ©Ricardo Toscani