ME TAGEIA, ME EDITA

Recebido o convite da minha querida Camila, uma coluna mensal aqui… texto livre, quantos toques eu quiser (um perigo isso…).

A primeira ideia foi escrever um texto sobre o Ney Matogrosso, mas deixarei esse mais pra frente. O que vou falar nessa estreia é sobre nossos tags.

Para quem não me conhece, sou Felipe, fotógrafo, formado em Direito, apaixonado por objetos, cenografias e pela vida. Ao longo dos anos trabalhando e exercendo múltiplas funções, caiu uma ficha: mas o que eu sou?

Comecei a ler tudo o que já tinham escrito sobre a minha pessoa e as coisas que faço. Advogado desiludido que largou a toga e se jogou na fotografia, cenógrafo que cria imagens, artista que pinta flores no asfalto, fotógrafo social, de moda, de arte (embora eu continue achando que fotógrafo fotografa tudo), retratista, designer de objetos, colunista do “Journal_SPFW”,  blogueiro, palestrante de urbanismo, set designer, artista multimídia, criativo (mas criativo é profissão?), multiartista (amo essa porque a pessoa teve preguiça de tentar entender), e agora instagramer (um vicio público).

Eu até abri uma pasta no Facebook que chama WHO AM I? Com tudo isso, porque acho graça exatamente dessa necessidade de tagear todo mundo. O que você faz? E isso te torna quem você é.

- O fotógrafo que abriu seus arquivos no blog Feio na Foto, num tempo em que flashes pipocavam em nossa cara e o photoshop fazia milagres.

- Borda frases à mão em tecidos franceses (e em fronhas fofas ) num tempo em que tudo é impresso.

- O advogado que foi para a Índia cansado de tentar fazer justiça.

Esta semana aqui no estúdio estava me preparando para fotografar a capa de uma revista no mesmo dia que entregava o cenário do novo programa da MTV, Sem Vergonha, e desenvolvia uma embalagem para uma nova luminária que será lançada neste mês.

Isso me fez descobrir. Exerço tudo com dedicação e paixão.

O que as pessoas têm que entender é apenas uma coisa:

Trabalho com pensamento.

E isso se reflete nas minhas fotos, nos objetos que desenvolvo, nos cenários que crio, nas palestras, nas fronhas que bordo, nas frases que colo, na varanda que me debruço.

Quem acompanha meu trabalho sabe que é absolutamente possível fazer tudo isso. E fazer bem. A minha primeira mostra individual, em São Paulo, deixou claro isso para mim. Não era uma exposição de fotografia. Nem de arte. Existia um enorme pensamento ali.

E existe um fator muito importante.

O desejo de falar. E de ser ouvido.

É o que estou tentando fazer. Dialogar com você.

E que agora eu tenho mais um tag. Colunista do FFW.

Entendeu?

Não?

Ótimo.

Porque eu não estou aqui para explicar.

Porque no fundo eu não acho nada disso.

Sou apenas mais um brasileiro, criado no Tatuapé e que adora macacos e uma boa lasanha.

 

Felipe Morozini é tudo isso que você leu acima, além de antigo colaborador do FFW e da revista “Mag!”.