Aromas, por Felipe Morozini

18/05/2012

por | CULTURA POP

Por Felipe Morozini *

Desde pequeno percebi minhas habilidades com o olfato. Sempre senti cheiros e aromas antes que todos ao meu redor. Do cheiro da chuva, quando a chuva ainda não tinha chegado, ao cheiro dos bolos da avó. Eu sentia antes.

Damas da noite me cortejavam na rua da minha mãe. Uma angélica não era apenas uma angélica. Tudo era muito mais intenso para mim. O cheiro do carro novo do pai. Do sofá da casa da tia. Da rua de terra onde empinava pipa… da escada mofada do colégio de padres.

Sempre que ia para o acampamento, eu tinha que levar o lenço da minha mãe. E dormia com ele no nariz.

Aí você vira mocinho e quer sair cheiroso. Peço um perfume para a mãe. Azzaro. Era o que tinha na época. A principio estranhei. Depois me acostumei, porque era o que tinha.

Me apaixono por uma menina que usava Fahrenheit. Sim, o masculino. Devo confessar que nunca gostei de Anais-Anais ou Lou-Lou.

Até hoje dou sempre uma paradinha no Freeshop para borrifar um pouco desse perfume no pulso e lembrar de quando eu tinha 16 anos.

Quando visitei a Índia entendi que realmente os cheiros tomavam conta dos meus pensamentos. E eu sempre permiti isso.

O cheiro da canela, misturado com as fezes das vacas, incensos, cardamomos, rosas, corpos sendo cremados ( o cheiro da carne queimada), leite de côco, sândalo. Tudo junto, misturado, ao mesmo tempo.

Não posso fazer um leite com canela que volta tudo a mente. E eu gosto disso.

Quando fui morar sozinho, desde o primeiro dia, eu sempre enchi a casa com velas perfumadas, incensos, palos santos. Nas festas e encontros, sempre em algum momento, aparecia eu com perfumes e cremes e águas com cheiros. E convidava a todos a sentir as mesmas sensações.

Na abertura da minha exposição, sonhei que ela tivesse um cheiro. De grama molhada. Conheci uma empresa francesa que desenvolvia. E assim foi. Prédios e varandas envoltos em cheiro de grama.

Mas por que eu estou falando tudo isso aqui?

Porque em recente viagem, me deparo com uma loja chamada I HATE PERFUME.

Entro, em choque, e nas prateleiras um sonho materializado.

Em frascos, todo o tipo de cheiro.

O cheiro da primavera de 62, de uma biblioteca com livros antigos, de muro com musgo, de uma caravana russa, de nuvem, de um pássaro no paraíso, de couro com cigarro, de grama. Tudo o que eu sempre sonhei.

Garanti todas as minhas memórias. Agora em frascos na cabeceira da minha cama.

Te encontro nos meus sonhos.

 

Felipe Morozini é fotógrafo, cenógrafo, entre outros talentos…

+ Leia as outras colunas de Morozini: Dizem que Sou Louco e Me Tageia, Me Edita

 

O homem serpente

15/05/2012

por | CULTURA POP

-              Eu quero uma calça de couro.

-              Por que, cara?

-              Como Marlon Brando, em “The Fugitive Kind”.

-              Ah, entendi, como a jaqueta de pele de cobra do Marlon Brando?

-              Exatamente, cara. Eu não posso pagar por uma jaqueta de cobra, mas posso pagar por uma calça de couro.

-              Ok.

-              Onde posso conseguir uma?

-              Deus, sei lá, em uma loja de cowboy? Eu não sei onde você compra calças de couro, Jim, mas deixa eu dar uma olhada.

Havia uma loja de couro em Beverly Hills, de um antigo alfaiate alemão. Ray entrou na loja.

-              Você faz calças de couro?

-              Claro, é o que eu faço aqui.

-              Deixa eu ver o couro.

-              Isso é couro para luvas.

Ray sentiu o couro. Era o material mais macio que ele já havia tocado. E em pouco tempo, volta à loja com Jim.

-              Olha esse couro, cara, olha isso.

-              É perfeito, cara. É isso mesmo, macio, exatamente o que eu quero.

Ray perguntou se o alfaiate poderia fazer uma calça com aquele  couro.

-              Mas isso é só para luvas! Não é para calças, porque vocês acha que se chama de couro de luvas?

Jim insistiu e o alfaiate concordou.

-              Então você me faz uma calça?

-              Olha, eu posso, mas nunca fiz antes desse jeito. Deixa eu tirar suas medidas.

Mas logo o alfaiate teria outra surpresa.

-              Que tipo de corte você quer? Quer ela larga ou…

-              Não, não, não. Corte como uma calça jeans. Corte como um par de Levi’s.

-              O que?? Você quer esse couro finíssimo cortado como uma Levi’s? Qual o problema com você?

-              É isso o que eu quero.

-              Então tá, eu faço. Volte em duas semanas.

Essa é a história por trás das calças de couro de Jim Morrison, que deram a ele o apelido de Black Mamba e The Lizzard Man e marcaram o início de sua “carreira” como símbolo sexual. Foi contada por Ray Manzarek, tecladista do Doors, em uma entrevista a um programa de rádio.

We are the robots

09/05/2012

por | CULTURA POP

Apresentação do Kraftwerk no MoMA, em abril ©Reprodução

Quando eu morava em Londres, em 1996, tive a chance de ver o primeiro show do Kraftwerk após 10 anos sem tocar ao vivo. Só se falava disse e a expectativa era enorme. Eu já conhecia grande parte de suas músicas, que tocavam (e tocam ainda) nas diferentes pistas onde eu dançava na época.

O show aconteceu num festival que não me lembro mais o nome e eu levei dois amigos comigo, a Maria, brasileira, e o Marc, inglês. Eles não se conheciam. A única coisa que queria era companhia para enfrentar a maratona e ver esse momento que, para mim, era imperdível. O show não decepcionou. Eles tocaram todos os hits, sempre acompanhados de imagens gigantes no telão, matematicamente combinadas com o ritmo de cada música.

Fiquei impressionada como eles pareciam os mesmos nas fotos que via dos anos 70 e também como eles pareciam bonecos/robôs, tamanho minimalismo e sincronicidade nos movimentos. Tão inesquecível quanto o show foi a reação do público.

Recentemente o grupo fez outra apresentação memorável, desta vez no MoMA, em Nova York. A procura por ingressos chegou a derrubar o serviço de vendas de ingresso do museu.

Abriram com “The Robots” e continuaram com “Trans-Europe Express”, “The Model”, “Man-Machine”, “Numbers/Computerworld”, “Tour de France”, todos  clássicos dos clássicos. As imagens, agora em 3D, junto à música, proporcionaram uma experiência audiovisual completa (veja vídeo abaixo). E é isso o que eles irão fazer aqui, nesta sexta, no Sónar, em São Paulo.

Enfim, um texto breve só para instigar quem ainda não comprou seu ingresso ou acha que essa banda de vovôs nada pioneiros não está com nada. Porque se eu ainda for contar que me perdi dos meus amigos durante o show e que eles estavam com todo o meu dinheiro, meu casaco, cartão do metrô e minhas chaves e que eu demorei quase dois dias pra conseguir chegar em casa, aí é outra história…

Krafwerk @ Sónar SP
Parque do Anhembi, localizado na Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana
Dia 11.05, às 23h, no palco Sonar Club
+ http://www.sonarsaopaulo.com.br 

 

Leigh Bowery

23/04/2012

por | CULTURA POP

Da última vez que fui ao New Museum, em Nova York, fiquei bem frustrada com as exposições. Ou com a falta delas. Era minha segunda visita ao museu e, também pela segunda vez, dois andares estavam em montagem de exposição. Aproveitei para passar na lojinha, que tem uma boa seleção de livros e melhor ainda de DVDs. Já achei pérolas lá, entre elas, o documentário “The Legend of Leigh Bowery”, de Charles Atlas.


Excêntrico, doente, extraordinário, louco, sem limites, extravagante e obra de arte ambulante são alguns dos termos usados para descrever essa curiosa figura, que ascendeu no cenário underground londrino nos anos 80.

Capa do DVD

Leigh nasceu em uma pequena cidade australiana chamada Sunshine. Foi um lindo bebê e um adolescente também bem bonitão. Aos 15 parou de vez de frequentar a igreja com os pais e passou a se dedicar às aulas de música. E poucos anos mais tarde, foi para Londres, cidade que o recebeu de braços abertos e deu o espaço que precisava para se tornar um dos grandes ícones pop de todos os tempos, que inspirou – e inspira – outros ícones, como Boy George, John Galliano, Alexander McQueen, Lady Gaga e Gareth Pugh.

Gareth Pugh, fã confesso de Bowery, se inspira no performer na sua coleção de Primavera Verão 2007 ©Reprodução

Outro admirador, Alexander McQueen tem Leigh como referência para sua coleção de Inverno 2009 ©Reprodução

Desfile de Primavera/Verão 2002/2003 de John Galliano tem Leigh Bowery como uma das inspirações ©Reprodução

Ele também não passou despercebido aos olhos do pintor Lucian Freud ©Reprodução

Para quem gosta do Bowery ou tem um mínimo de curiosidade sobre essa personalidade tão misteriosa e explosiva, o DVD é um ótimo programa, pois acompanha a construção do mito, desde quando era bebê até se tornar um performer influente, com depoimentos de seu pai e irmã, de Boy George, curadores de arte, e muitas outras pessoas que conviveram com ele.


E o mais absurdo, em se tratando de Leigh, são os looks que ele criava, um mais inacreditável, quase impossível, do que o outro. Basta ver as fotos abaixo ou então ir atrás do filme, para ver e entender a cena como um todo. “Em vez de usar minha criatividade pintando em telas, fazendo quadros, eu resolvi colocar todas as minhas ideias em mim mesmo”, ele diz, em uma de suas frases mais emblemáticas. Leigh Bowery é criatividade sem limites.

Dizem que sou louco…

04/04/2012

por | CULTURA POP

Por Felipe Morozini

A editora de uma revista me liga numa manhã cinza, como tantas outras em São Paulo, e me convida para fazer um retrato de Ney Matogrosso. Aceito na hora sem perguntar data nem cachê. Ney fez parte de minha vida. Explico.

Minha mãe, como tantas outras mães, amava esse homem com H maiúsculo. Passávamos horas ouvindo os LPs, cantando, e eu, sempre dançando.

Assistíamos aos programas com performances para lá de ousadas para a época e lembro-me do sorriso de alegria e diversão de minha mãe. Um homem semi-nu na TV, cheio de penas, plumas e pinturas psicodélicas no rosto.

Depois, no colegial, escrevi uma peça para a Semana de Talentos do colégio. Falava das relações entre as pessoas, meio um musical… e chegava um momento em que eu colocava fogo numa estrutura atrás do palco e começava a tocar “Rosas de Hiroshima”, cantada por Ney, e entravam meus amigos vestidos metade de preto, metade de branco,  despetalando rosas na platéia… e terminava com “Wish You Were Here”, do Pink Floyd.

Quando acenderam as luzes todas as freiras estavam chorando, emocionadas. E lembro da voz do Ney e das crianças telepáticas, das mulheres alteradas e de todos os meus amigos.

Mas vamos aos fatos.

Chego ao hotel onde ele estava hospedado, nervoso e ansioso, porque sou ansioso mesmo.

Seguimos para o bar do hotel para a entrevista antes das fotos. Sento bem perto em silêncio. E fico atento a todas as perguntas, mas principalmente a todas as respostas.

E foram duas horas de assuntos dos mais diversos, de política a sexo, de drogas a idade. Todos deixaram Ney falar. Porque mesmo pequeno e esguio, ele ocupa espaço e fala.

Nas praias de Ipanema se roçando com Cazuza, quando Cazuza ainda nem era Cazuza. Na ditadura na rua Augusta quando foi interceptado pela polícia. Na Bahia tomando ácido com os baianos e assumindo os pecados porque os ventos do norte ainda não moviam moinhos. Jurou mentiras e seguiu sozinho nos seus caminhos tortos só por causa do seu sangue latino.

Hora das fotos: silêncio de novo.

Através da lente eu fixava meu foco em seus olhos e os meus olhos não acreditavam na distância entre nós. Tudo muito rápido. 45 fotos. 18 minutos. Já tinha a foto que eu precisava.

Mas faltava uma.

Eu e ele.

Para eu enviar para minha orgulhosa mãe, uma verdadeira mulher de Atenas, a foto de seu filho com esse cabra macho. Porque se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.

Felipe Morozini é fotógrafo, cenógrafo, entre outros talentos…

Leia sua primeira coluna para o FFW 

ME TAGEIA, ME EDITA

14/03/2012

por | ARTE, CULTURA POP, FOTOGRAFIA

por Felipe Morozini

Recebido o convite da minha querida Camila, uma coluna mensal aqui… texto livre, quantos toques eu quiser (um perigo isso…).

A primeira ideia foi escrever um texto sobre o Ney Matogrosso, mas deixarei esse mais pra frente. O que vou falar nessa estreia é sobre nossos tags.

Para quem não me conhece, sou Felipe, fotógrafo, formado em Direito, apaixonado por objetos, cenografias e pela vida. Ao longo dos anos trabalhando e exercendo múltiplas funções, caiu uma ficha: mas o que eu sou?

Comecei a ler tudo o que já tinham escrito sobre a minha pessoa e as coisas que faço. Advogado desiludido que largou a toga e se jogou na fotografia, cenógrafo que cria imagens, artista que pinta flores no asfalto, fotógrafo social, de moda, de arte (embora eu continue achando que fotógrafo fotografa tudo), retratista, designer de objetos, colunista do “Journal_SPFW”,  blogueiro, palestrante de urbanismo, set designer, artista multimídia, criativo (mas criativo é profissão?), multiartista (amo essa porque a pessoa teve preguiça de tentar entender), e agora instagramer (um vicio público).

Eu até abri uma pasta no Facebook que chama WHO AM I? Com tudo isso, porque acho graça exatamente dessa necessidade de tagear todo mundo. O que você faz? E isso te torna quem você é.

- O fotógrafo que abriu seus arquivos no blog Feio na Foto, num tempo em que flashes pipocavam em nossa cara e o photoshop fazia milagres.

- Borda frases à mão em tecidos franceses (e em fronhas fofas ) num tempo em que tudo é impresso.

- O advogado que foi para a Índia cansado de tentar fazer justiça.

Esta semana aqui no estúdio estava me preparando para fotografar a capa de uma revista no mesmo dia que entregava o cenário do novo programa da MTV, Sem Vergonha, e desenvolvia uma embalagem para uma nova luminária que será lançada neste mês.

Isso me fez descobrir. Exerço tudo com dedicação e paixão.

O que as pessoas têm que entender é apenas uma coisa:

Trabalho com pensamento.

E isso se reflete nas minhas fotos, nos objetos que desenvolvo, nos cenários que crio, nas palestras, nas fronhas que bordo, nas frases que colo, na varanda que me debruço.

Quem acompanha meu trabalho sabe que é absolutamente possível fazer tudo isso. E fazer bem. A minha primeira mostra individual, em São Paulo, deixou claro isso para mim. Não era uma exposição de fotografia. Nem de arte. Existia um enorme pensamento ali.

E existe um fator muito importante.

O desejo de falar. E de ser ouvido.

É o que estou tentando fazer. Dialogar com você.

E que agora eu tenho mais um tag. Colunista do FFW.

Entendeu?

Não?

Ótimo.

Porque eu não estou aqui para explicar.

Porque no fundo eu não acho nada disso.

Sou apenas mais um brasileiro, criado no Tatuapé e que adora macacos e uma boa lasanha.

 

Felipe Morozini é tudo isso que você leu acima, além de antigo colaborador do FFW e da revista “Mag!”.

Madri em sete dias

Cava Baja, Madri ©Camila Yahn

Passei sete dias em Madri para acompanhar os desfiles da temporada espanhola de Inverno 2012. Como o hotel ficava perto dos pavilhões do evento, e afastado do centro, não dava muito tempo para passear e conhecer a cidade. Mas, como era minha primeira vez em Madri, a gente arruma tempo para descobrir as coisas gostosas que a cidade tem para oferecer. Como os desfiles iam das 10h até as 21h, o jeito mesmo foi conhecer a cidade sob a luz da noite – e frio de 0°!  A cada dia um restaurante diferente, com exceção de duas noites que optei para ficar descansando no hotel. Estava muito frio e sinais de gripes começavam a aparecer. Apesar das notícias sobre a terrível crise pela qual passa a Espanha, quem está apenas visitando encontra uma cidade linda, organizada e bastante movimentada.  Abaixo, alguns passeios gostosos que fiz nos dias livres.

AS “OBRIGAÇÕES”

 Chegando no Reina Sofia ©Camila Yahn

Começando pelas obviedades, os museus Reina Sofia e Prado. Fui ao Sofia e lá fiquei por horas. O prédio é muito legal, com diversas exposições, uma biblioteca maravilhosa e restaurante com wifi. Além de me emocionar com a “Guernica”, obra pintada por Picasso em 1937 e que se transformou em um protesto contra o autoritarismo, também gostei muito da “De la Revuelta a la Posmodernidad”, uma coleção que mostra obras de 1962 a 1982, de cunho político ou que traduz alguma mudança cultural ou social muito forte. Está lá a obra de Helio Oiticica, “Tropicália” (1967), uma instalação com quatro passarinhos vivendo em uma mega gaiola. Apesar de a obra ter todos os certificados possíveis, dá uma dozinha ver os pequenos papagaios presos ali. Fiquei uns dez minutos sozinha observando os passarinhos. É um culto à beleza x a dor do aprisionamento.

“Tropicália”, de Helio Oiticica, no Reina Sofia ©Reprodução

Também fui ao Prado; meu marido e um amigo falaram tanto que eu tinha que ver “os Velázquez”. E foi nas obras desse artista espanhol, nascido em 1599, onde de fato passei mais tempo. Diego Velázquez foi o principal retratista da corte real e pintou não só os nobres, mas também os serviçais e plebeus com nitidez impressionante, tanto que virou um modelo para os artistas realistas.  Muito depois de sua morte, foi chamado por Manet de “o pintor dos pintores” e homenageado por Francis Bacon,  que recriou suas obras mais importantes.

Retrato do Papa Innocent X, de 1650 ©Reprodução

Bom, eu tinha que ir ao Real Madrid. Fui andando, do hotel. E fiz o tour completo. E é uma indústria esse clube, com estrutura de museu mesmo, contando toda a história do clube através de prêmios, fotos, vídeos e, claro, imagens das estrelas que já passaram por lá, de preferência, marcando um gol. Zidane, Ronaldo, Roberto Carlos, Kaká, só para mencionar alguns dos jogadores cujas chuteiras e camisetas estão expostas no Real. Uma loja da Adidas tem, além de todos os tipos de uniforme para os torcedores e fãs (carésimos), roupas, acessórios e muitos tênis exclusivos para quem está lá.

Vista panorâmica do estádio do Real Madrid ©Camila Yahn

A chuteira customizada de Kaká ©Camila Yahn

  COMIDAS

As quatro torres. O hotel é a segunda, da direita para a esquerda, e o prédio projetado por Norman Foster é o terceiro ©Reprodução

Assim que cheguei, deixei as coisas no Eurostars Madrid, o hotel em que me hospedei e um dos novos endereços da cidade. Construído no Paseo de la Castellana, uma das avenidas mais largas da cidade, ele é acompanhado de mais três torres arranha-céu, uma delas projetadas pelo top arquiteto Norman Foster. Juntos, os quatro prédios viraram referência de modernidade na cidade e são conhecidos simplesmente como “as torres”, além de criar uma nova região de negócios na cidade.

Fui almoçar num restaurante bem tradicional que um amigo do meu marido indicou, Casa Lucio. Fica na parte velha de Madri, na Cava Baja, uma área muito charmosa, cheia de restaurantes e, claro, as lojinhas para pegar turistas. Inaugurado em 1974, é um lugar acolhedor e acostumado a receber políticos e artistas espanhóis. Como estava cansada do vôo (não tinha dormido nada, pra variar), pedi um suco para acompanhar o prato e ouvi do garçom: “Não tem suco. Se veio à taverna, é para beber vinho”. Fazer o que então, né?

Hora do café na Casa Lucio ©Camila Yahn

Outro lugar que conheci, desta vez acompanhada da minha colega Vanessa Barone, foi o El Botin, uma indicação dos meus amigos Hilton Brothers. Está no Guinness como o restaurante mais antigo do mundo em atividade. Aberto em 1725, ele ainda mantém aspectos que nos fazem mesmo acreditar em sua longa existência. Há uma brincadeira entre os espanhóis que diz que no Botin, “celebram-se as bodas de ouro, as de prata, as de diamante e até as de fósseis”. Lá foi também, em épocas variadas, inspiração para diversos escritores, que gostavam do clima intimista do lugar, como Lopes Veja, Scott Fitzgerald, Graham Greene e Ernest Hemingway, chegando até a citar o lugar em alguns de seus livros. O leitão assado é o prato da casa. Humm, água na boca só de lembrar!

El Botin, a caverninha preferida de Hemingway ©Reprodução

Um lugar que amei é o Mercado de San Miguel, também ali na parte velha, perto dos dois restaurantes acima. É um mercado com diversos quiosques e adegas e você vai passando de um a outro, comendo um pouquinho aqui e um pouquinho ali, sempre circulando com taça de vinho na mão. Tem bastante estrangeiro, mas também é um lugar querido dos espanhóis. Lembra um pouco o Eataly, do chef Mario Batali, em Nova York, só que vem menor. De lá trouxe vários tipos de sal para moer: negro, do Himalaia, com especiarias, etc.

Passeio (e comilança) pelo Mercado de San Miguel ©Camila Yahn

COMPRITCHAS

Todo mundo que conhece Madri sabe que lá a maior rede de lojas de departamento é a El Cortes Ingles, com muitos pisos de cosméticos, acessórios e roupas para homens, mulheres e crianças. Mas é passeando pelas ruas, especialmente no lindo bairro de Salamanca, que a gente encontra lojas interessantes que vão além das Pradas e Vuittons. Lojas de lingerie de primeira, outra só de sapatilhas bailarina, por exemplo, e ainda um sex shop de luxo quase em frente à Miu Miu.

Uma noite, passeando pelo centro, vejo uma loja só de alpargatas. De todas as cores e tamanhos, mas o que mais me encantou foi uma micro alpargatas que logo me fez pensar no meu filho. A Casa Hernanz é uma loja tradicional perto da Plaza Mayor, especializada nesses sapatos artesanais. Passava lá na hora do almoço e dava de cara com a porta fechada por causa da siesta. Mas no meu último dia consegui ir de manhã e levei pra família toda, cinco euros cada. Cheguei aqui, nenhuma serviu…

Algumas alpargatas da Casa Hernanz ©Camila Yahn

Madri é uma cidade deliciosa para comprar coisas de crianças. Muitas lojinhas de roupas, além das Zara e H&M Kids, com roupas diferentes e preços bons. A que me chamou mais atenção é a Baby Deli, de uma empresária brasileira que mora na cidade e tem planos de abrir sua loja por aqui. De brinquedos de feltro, papelão e madeira certificada a produtos de higiene orgânicos e alimentos para bebê também orgânicos, o espaço é um paraíso infantil. E tem até um espaço para aulas particulares para crianças estrangeiras morando no país. No dia da minha visita, uma chinesa ensinava um grupo de crianças chinesas e falar espanhol. Ainda indico Mi Pequeno Lucas, Imaginarium, Tuc Tuc e Gocco.

Baby Deli: brincadeiras ecologicamente corretas ©Camila Yahn

FLAMENCO

E para fechar, na minha última noite, uma segunda-feira, fui ver um espetáculo de flamenco em um lugar indicado pela Graziela Peres. Fui sozinha mesmo e ainda bem, porque foi uma das coisas mais emocionantes que já vi em um palco. Nada daqueles vestidões que são até hoje associados a essa dança. Os figurinos são mais contidos e modernos e as cores também são mais sóbrias. Agora, as mulheres botam para quebrar. São três dançarinas, três músicos e um bailarino. Todos ficam no palco juntos, um dando força para a apresentação do outro. É muito lindo. A postura, a energia, a força, os gestos, a precisão. O lugar, El Tablao de Las Carboneras, é pequenino e ainda assim não estava cheio. Mas aquelas mulheres dançaram como se houvesse milhares de pessoas sentadas ali.

SERVIÇO:

Casa Lucio

C/ Cava Baja, 35

El Botin

Calle de los Cuchilleros, 17

Eurostars Madrid Tower

259 Paseo de la Castellana

Mercado de San Miguel

Plaza San Miguel, S/N

Reina Sofia

C/ Santa Isabel, 52

Museo del Prado

C/ Ruiz de Alarcón, 23

Real Madrid

Paseo de la Castellana, porta 7

Casa Hernanz (Alpargateria)

Calle de Toledo, 18

El Tablao de Las Carboneras

Plaza del Conde de Miranda, 1

#TrendingTopics: corra, fashionista, corra!

24/01/2012

por | CULTURA POP, FOTOGRAFIA, MODA

Via @felipeabe @betosiqueira

O SPFW está de volta em temporada Inverno 2012 e o #TrendingTopics retorna com tudo. Felipe Abe continua com seu trabalho de traduzir em imagens a movimentação na Bienal. Junto com seu partner in crime Beto Siqueira, ele corre atrás de imagens pautadas diariamente por um tema abstrato: moda, comportamento, sensações e curiosidades aparecem por aqui.

Rampas, corredores, backstages, lounges, etc. Aqui na Bienal o que mais se faz é andar. Andar não, correr! Todos com pressa, circulam rápido por todas as partes, seja com sapatos confortáveis ou grandes saltos, ou ainda nas criações inusitadas que vimos nas salas de desfile. Nosso tema hoje são os sapatos que invadiram a SPFW:

©Foto: Felipe Abe // ©Edição: Pedro Lindenberg

TrendingTopics: prints we love!

23/01/2012

por | CULTURA POP, FOTOGRAFIA, MODA

Via @felipeabe @betosiqueira

O SPFW está de volta em temporada Inverno 2012 e o #TrendingTopics retorna com tudo. Felipe Abe continua com seu trabalho de traduzir em imagens a movimentação na Bienal. Junto com seu partner in crime Beto Siqueira, ele corre atrás de imagens pautadas diariamente por um tema abstrato: moda, comportamento, sensações e curiosidades aparecem por aqui.

Apesar de estarmos na temporada Inverno 2012 da SPFW, tudo acontece em pleno verão paulistano. Quem circula pela Bienal aposta em cores e estampas. Além de t-shirts, saias e calças, os prints estão presentes em inúmeros momentos do nosso dia; eles podem passar despercebidos por olhos desatentos, mas não pelas nossas lentes:

©Foto: Felipe Abe // ©Edição: Pedro Lindenberg

#TrendingTopics: Make up for life

20/01/2012

por | BELEZA, CULTURA POP, FOTOGRAFIA

Via @felipeabe @betosiqueira

O SPFW está de volta em temporada Inverno 2012 e o #TrendingTopics volta com tudo. Felipe Abe continua com seu trabalho de traduzir em imagens a movimentação na Bienal. Junto com seu partner in crime Beto Siqueira, ele corre atrás de imagens pautadas diariamente por um tema abstrato: moda, comportamento, sensações e curiosidades aparecem por aqui.

O que mais se vê por aqui, além de modelos, são modelos maquiadas! Elas correm de um desfile para outro, trocam de make 10 vezes ao dia. Entre o público passante do evento, o lounge do O Boticário, que oferece maquiagem, está entre os mais disputados. Inspirados nas paletas de cores dos artistas da beleza, surgem nossas fotos do segundo dia de SPFW:

©Foto: Felipe Abe // ©Edição: Pedro Lindenberg