Quiz do futebol!

02/04/2014

por | COMPORTAMENTO

Por Elis Martini, em colaboração para o FFW

São experts em moda, mas quando o assunto é a paixão nacional, eles deixam muito a desejar. Aproveitamos o ano de Copa no Brasil para testar os conhecimentos de alguns dos maiores fashionistas do país sobre futebol e a seleção brasileira. Ainda tem muita gente que acredita que o goleiro da seleção é o Rogério Ceni! Os vencedores do quiz foram Sylvain Justum e Erika Palomino, que acertaram todas as perguntas. Confira as respostas:

 

Erika Palomino, publisher da “L’Officiel”

Quem é o goleiro da seleção?

Júlio César!

E onde será o primeiro e o último jogo da Copa?

O primeiro é no Itaquerão e a final é no Maracanã!

 

Gloria Kalil, consultora de moda e dona do site Chic

Qual o nome do técnico da seleção?

Felipão!

E do goleiro?

Não é o Rogério?

 

Lilian Pacce, editora de moda e dona do site lilianpacce.com.br

Qual o nome do goleiro da seleção?

Bruno?

Qual o estádio da abertura da Copa?

Itaquerão.

O que é pênalti?

Por que você não me pergunta qual o último cabelo do Neymar?

 

Marcelle Bittar, modelo

Quem é o goleiro da seleção?

É o Rogério ainda? Não sei, sou da época do Rogério!

Qual foi a última vez que o Brasil foi campeão?

Foi em 2008?

 

Lula Rodrigues, jornalista e consultor de moda

Quem é o treinador da seleção?

Não tenho ideia!

Como funciona o impedimento?

Já me obriguei a entender e foi muito cansativo, não aprendi de jeito nenhum!

 

Lara Gerin, stylist e DJ

Onde acontece o pênalti?

Na área do gol.

E onde será o primeiro jogo da Copa?

Eu sei! Amazonas! Manaus!

 

Cris Guerra, publicitária e escritora

Quem é o técnico da seleção?

Felipão, sei porque ele faz propaganda!

E em quais anos o Brasil foi campeão?

58, 62, 70, 94 e 2002. Sei por causa dos brindes do Mc Donald’s!

 

Chris Francini, consultora de moda

Qual o nome do técnico da seleção?

Felipão!

Onde acontecerá o primeiro jogo?

Não tenho ideia, mas vou em um jogo das quartas de final.

 

Manu Carvalho, stylist

Qual o nome do goleiro da seleção?

Júlio César!

E quando acontece um pênalti?

É quando um jogador faz uma infração grave, tipo dar porrada?

Onde acontece o primeiro jogo da Copa?

Rio de Janeiro.

 

Sylvain Justum, editor da “Harper’s Bazaar”

Quem é o capitão da seleção brasileira?

Thiago Silva

Qual jogo abre a Copa do Mundo?

Brasil x Croácia.

Quantas seleções participam?

32.

O que é pênalti?

É uma falta dentro da grande área cobrada com bola parada a 11 metros do gol.

 

Jorge Wakabara, editor do site lilianpacce.com.br

Quem é o capitão da seleção?

Não sei…

O que é pênalti?

Eu sei, mas não sei explicar.

Chanel e a cultura do consumo

05/03/2014

por | COMPORTAMENTO

O  público assiste enquanto as modelos vão às compras no supermercado da Chanel ©Reprodução

Os desfiles da Chanel são conhecidos por seus grandes cenários e locações. Sempre magníficos, impressionantes e muito bem executados, eles chamam tanta atenção quanto a roupa e os acessórios, que são os motivos finais.

Nesta temporada de Inverno 2014/15, a marca conseguiu se superar e transformou o Grand Palais em um “grand” supermercado, devidamente montado com corredores e prateleiras lotadas de tudo o que precisamos e queremos no nosso dia a dia: frutas, verduras e legumes frescos, café, os melhores queijos, pães, capachos, vassouras, utensílios para a cozinha e produtos de limpeza. Havia Choco Chanel e Jambon Cambon, boas tiradas com a Coco e a rue de Cambon. Ah, um pequeno, mas importante, detalhe: tudo em embalagens customizadas com os icônicos Cs cruzados. Como brinca uma amiga minha, “sem poqueza”.

+ Veja a coleção completa aqui.

A apresentação termina e uma voz no microfone anuncia que o shopping vai fechar. “Sinta-se livre para pegar uma fruta ou legume de cortesia no seu caminho de saída.” Frutas e legumes? Infelizmente a cortesia da Chanel não foi suficiente para os convidados do desfile.

E o que acontece? As pessoas ficam malucas e voam para as prateleiras. Você já deve ter visto centenas de vezes no seu feed. “Como animais vorazes, membros da primeira fila subiram nos displays, enfiando os souvenirs em suas bolsas e mastigando cenouras com casca. Editoras foram vistas escondendo cebolas em suas clutches”, diz a reportagem da Dazed Digital. Cebola, minha gente. Uma repórter do “The Telegraph” pegou um acessório, mas logo desistiu e se contentou com uma mexerica. Os saqueadores só não imaginavam que, na saída, uma equipe de seguranças confiscava os produtos roubados.

+ Assista aos vídeos:

Karl Lagerfeld é um gênio de marketing e deve estar rindo do frenesi que seu supermercado causou. Mais ainda, bastante satisfeito com os zilhões de virais que isso gerou em perfis de redes sociais do mundo inteiro.

Só o fato de criar um supermercado inteiro para uma apresentação de 15 minutos já mostra onde estamos: um mundo surreal, mágico, perfeito, um Elysium. Esse é o mundo Chanel, construído por uma equipe que vai muito além de Lagerfeld, e que trabalha sob o comando da impecabilidade.

É também o universo do luxo, das experiências únicas. Se pararmos para pensar, luxo é um ponto de vista. Luxo para mim é tempo para ficar com meus filhos sem culpa ou ansiedade. Para a minha avó, nos seus mais de 85 anos, é saúde. Para muitos é uma televisão. Um prato de comida, uma viagem, um sapato com sola vermelha, um iPhone, um casaco para o frio, um teto para dormir, uma companhia.

O que faz frequentadores de um evento de luxo subirem um por cima do outro para roubar uma cebola ou um espanador?

Peraí, nós vemos cenas de pessoas saqueando mercados ou brigando por água e comida e, na maioria das vezes, são outros os motivos que desencadeiam essas ações.

Aqui, o motivo foi a ganância. A falta de educação, de bom senso, que fez pessoas hiper privilegiadas agirem como mortos de fome. O desejo de ter sua casa embrulhada em logomarca. E aí você pega um queijo da Chanel e faz o quê? Pendura na parede? Ou come e guarda a embalagem…

O que aconteceu após o desfile da Chanel é um espelho atual da cultura do consumo. Previsível, e ainda assim inacreditável.

Lena Dunham para a “Vogue”

17/01/2014

por | COMPORTAMENTO

Gif que mostra Lena Dunham antes e depois do Photoshop ©Reprodução

Nesta semana, quando postamos a capa da “Vogue” com Lena Dunham, os comentários diziam: “amo Lena e sua beleza inteligente” e “gosto do fato de fugir do carão super diva que geralmente a ‘Vogue’ adota”.

Mal sabia Lena a polêmica que enfrentaria quando topou ser a estrela da edição de fevereiro da revista, uma das publicações femininas mais poderosas do mundo.

Ao ver as fotos do ensaio, o site Jezebel publicou uma nota em que oferecia US$ 10 mil para quem entregasse as imagens de Lena sem retoque. Pouco tempo depois tinham em mãos um exemplo pré-Photoshop que logo virou um gif comparando a verdadeira Lena com sua versão “perfeita”. Retoques foram nitidamente feitos no rosto, pescoço e colo.

Esse assunto é uma polêmica anunciada. Já não cansamos de ver erros trágicos de Photoshop (não só na “Vogue”) e transformações que deixam as mulheres com menos expressão do que uma boneca Barbie? Muitas publicações fazem um uso moderado da ferramenta, que hoje, parece indissociável de um editorial ou um retrato. Hoje, isso não está nem certo, nem errado. É simplesmente como funciona.

Já não se sabe que a “Vogue” e praticamente todas as publicações de moda no mundo retocam as mulheres, independente de idade ou forma física? Quem ousa fazer o contrário? A revista “Elle” francesa já mostrou Monica Bellucci fotografada “natural” por Peter Lindbergh. A chamada de capa explicitava o feito como um projeto inovador: “Sans maquillage; sans retouches”. Parece tão impossível colocar uma modelo/atriz/celebridade na capa sem finalização que, quando acontece, tem que avisar.

O ponto no post da Jezebel não é o Photoshop em si, mas o Photoshop em uma menina que não é um ícone de beleza tradicional. Que não é skinny nem sarada. Ou ainda, o fato de uma menina que não é skinny nem sarada estar na capa de uma revista como a “Vogue”. Porque de tratamento ninguém escapa, viu?

Vejam só, a Sandra Bullock, com toda sua chatice, poderia estar nesta capa. Ou a namoradinha da América mil vezes indicada ao Oscar, Jennifer Lawrence. No lugar delas, uma jovem, talentosa, desengonçada e nada óbvia que tem cativado jovens mundo afora (e também ganhado muitos prêmios, ok, Jen?).

Lena Dunham, de camisa Burberry na capa da “Vogue” em foto de Annie Leibovitz ©Reprodução

O ponto é que Lena está de boa com sua aparência e nós também (os milhões de fãs de “Girls”). E é justamente sua “imperfeição” o segredo de seu sucesso. Ela aparece nua no seriado, saudável com seu corpo,  satisfeita com sua imagem de mulher real. Mas então vem uma revista e coloca isso abaixo, transformando Dunham em alguém que não existe. Isso só mostra como a mídia ainda é implacável com a imagem da mulher.

O Jezebel se defende: “Para deixar bem claro: nosso desejo por essas imagens não é para ver como Lena é de verdade; nós podemos vê-la todos os domingos à noite. Nós já sabemos como é o seu corpo. E não há nenhuma vergonha nele. Tampouco criticamos o fato de Dunham posar para a ‘Vogue’, afinal de contas, o entretenimento é um negócio e a ‘Vogue’ oferece um nível de exposição ainda maior que o do HBO. Isso tem a ver com o que ela decide fazer com uma mulher específica, que já declarou publicamente que está bem como está. O quão resistente a ‘Vogue’ é em relação a isso? As imagens inalteradas dirão”.

No final, sabemos que o buraco está bem abaixo; a “Vogue” é apenas uma parte de uma engrenagem gigante que simplesmente traduz nossa época. “É que Narciso acha feio o que não é espelho”, já cantarolava Caetano em “Sampa”.

Dunham, autora da frase que diz “meu corpo nu é uma expressão realista do que significa estar vivo”, apenas tuitou: “Tem coisas que são ridículas demais pra gente prestar atenção. Vamos usar nossa energia de uma forma mais sensata, 2014”.

Um brinde a Lena, com ou sem Photoshop.

Veja abaixo algumas das imagens que estão no ensaio de Lena Dunham para a edição de fevereiro da “Vogue” americana, fotografada por Annie Leibovitz:

Melissa Nation

05/11/2013

por | COMPORTAMENTO

Por Daniela Polis*, em colaboração para o FFW

A sala de desfile da Melissa pouco antes da apresentação da marca no SPFW Inverno 2014 ©Reprodução

Eu acompanho Melissa desde que ela era a “sandália da abelhinha”, e a vi ganhar o Brasil e o mundo por meio da constante evolução dos modelos e do material dos calçados. Por isso, quando soube que a marca iria apresentar a sua coleção de inverno em um desfile, oscilei muito entre a ansiedade e a curiosidade. Até que o desfile aconteceu na última sexta-feira (01.11) e eu pude ver os sapatos de plástico ganharem as passarelas.

Ao entrar na Sala 3, já pudemos ver o efeito visual que foi criado para o desfile – na sala escura brilhavam diversas bolsas Refraction,  no mesmo material usado para fazer dois sapatos em parceria com Vivienne Westwood, que também brilham no escuro, e ao fundo podíamos ver o logo da nova coleção estampado – Melissa Nation.

Orquestra Voadora no desfile da Melissa no SPFW Inverno 2014 ©Murilo Ganesh/Agência Fotosite

A (ótima) Orquestra Voadora começou a tocar e logo depois veio a primeira modelo desfilando por uma passarela toda desconstruída e formada por cubos em diversos níveis, para que todos pudessem ver os sapatos de vários ângulos. Alguns monitores também estavam instalados pelo local, mostrando um close dos modelos, para que pudéssemos ver todos os detalhes enquanto as garotas passeavam pelo caminho de cubos coloridos.

A  Melissa Nation trouxe a inspiração de diversos lugares e culturas não só para o figurino colorido e étnico das modelos, mas também para os sapatos. A mistura de cores e efeitos me agradou muito! Além do tradicional flocado (material aveludado), tivemos também muitos materiais que imitavam a aparência de couro e que criaram um efeito lindo. Inclusive muitos dos modelos, como a Boho e a bota Satyr,  podem ser até confundidos como sendo de outros materiais que não plástico. A Boho, aliás, foi paixão à primeira vista, juntamente com a Tailoring, que vai ser uma ótima pedida para quem trabalha com roupas mais formais.

Alguns dos modelos de Melissa desfilados no SPFW Inverno 2014 ©Agência Fotosite

Foi legal ver também ao vivo os modelos assinados por Karl Lagerfeld, que até então só tinha visto através de imagens de divulgação, e que ao vivo se mostraram ainda mais bonitas. São modelos bem marcantes e em cores que com certeza agradaram, principalmente a Glove Love e a Ultragirl Heel em amarelo  neon. E com certeza o que amei foi ver a parceria com Gareth Pugh voltando em um modelo totalmente novo e cheio de personalidade.

Sem contar que a imagem de moda criada pelos stylists Daniel Ueda e Pedro Sales é forte, vibrante e colorida, tudo a ver com a identidade da Melissa. Os lindos looks étnicos montados para o desfile couberam como uma luva no tema da coleção, Melissa Nation.

No final, todas as modelos entraram pela passarela e pararam, cada uma em um cubo, enquanto a banda tocava e a plateia aplaudia de pé. Foi um desfile memorável, e não só por ser o primeiro, mas também por mostrar ali que Melissa vai além de sapatos de plástico – é sonho, cultura, estilo de vida. E que ali naquela passarela com certeza estava presente um pouco de cada consumidora da marca.

Desfile da Melissa no SPFW Inverno 2014 ©Murilo Ganesh/Agência Fotosite

*Dani Polis é melisseira de primeiro time e foi convidada pelo FFW para visitar o camarim da marca no SPFW e escrever suas impressões sobre o desfile


Tropical Nazi

02/09/2013

por | COMPORTAMENTO

Imagem racionalista feita entre 1925 e 1926 pelo fotógrafo húngaro e professor da escola de Bauhaus, László Moholy-Nagy (1895/1946) ©Reprodução

Quando estudei a fotografia da época do fascismo, a lição que aprendi foi a de que as mesmíssimas forças que conceberam uma louvável produção artística criaram uma grave violência contra a humanidade. O racionalismo na fotografia criou imagens de homens iluminados, homens do futuro. E, ao mesmo tempo, provocou uma ojeriza a qualquer coisa que não fosse “adequada” ao céu estrelado da modernidade, onde os homens são civilizados ao extremo, disciplinados ao extremo, poderosos ao extremo, brancos ao extremo.

E o que foi aquilo? Foi a vontade de ser moderno. O que isso tem a ver com o Brasil de hoje? Tudo. Porque vivemos uma fase em que tudo borbulha e o mundo nos observa. Muitos de nós temos a pretensão de sermos o país do futuro, o que é positivo. Mas essa mesma força de orgulho nacional tem um lado negro, que é conservador e cego. No ano passado me veio em mente esse termo: Tropical Nazi.

Tropical Nazi é o tipo de ser humano que o Brasil está produzindo, paralelamente a coisas maravilhosas. A mesma força que faz um país querer crescer tem impulsionado comportamentos ditatoriais. Como quem não sabe onde é o Afeganistão, mas fica indignado se um estrangeiro pensa que a capital do Brasil é Buenos Aires. Como aquela que topa pegar ônibus na Europa, mas diz que a médica cubana tem “cara de empregada”.

A obra “Abaporu”, pintada por Tarsila do Amaral em 1928, e que é uma das principais referências do movimento antropofágico, que se propunha a deglutir a cultura estrangeira e adaptá-la ao Brasil ©Reprodução

E na moda, infelizmente, o Tropical Nazi acabou de aparecer, acusando estilistas de serem “pouco brasileiros” para receberem dinheiro do governo. Cheira a fascismo. Não estamos aqui para julgar se Alexandre Herchcovitch e Pedro Lourenço deveriam ou não receber a quantia que receberam. O que suscita uma certa aflição é o fascismo batendo à nossa porta. Logo aqui. Pera lá, gente! Quem é mais brasileiro e quem é menos? Vamos voltar ao tempo: de que cores e origens eram as pessoas que construíram, na marra ou com vontade, o que hoje se chama de Brasil? Várias.

O orgulho nacional se infla quando Gisele Bündchen aparece nos noticiários. O sobrenome dela não vem de uma tribo tupi. Ela é menos brasileira? Quem passou a adolescência ouvindo rock inglês e não samba, não é brasileiro? Quem estuda moda a sério sabe considerar, e admirar, o estilo parisiense. Quem leva uma vida criativa a sério sabe que a faísca da inspiração pode aparecer em qualquer lugar. Como vamos arrancar isso de nossos desejos e nos obrigarmos a produzir coisas que acreditamos serem puramente regionais? Se não formos folclóricos não vale? É possível, hoje, seguir um purismo? Ou é a nossa eterna antropofagia, o devorar o que vem de fora, que deixa a gente ser lindo, interessante, maleável, espontâneo?  “Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago”, entre outras frases para serem revistas do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, em 1928.

Vivemos uma inebriante busca de nossa identidade. E não é criando a cota do mais ou menos brasileiro que vamos finalmente nos libertar de uma mágoa pós-colonialista.

Coleção africana que Yves Saint Laurent criou em 1967 ©Reprodução

Como vamos construir uma história verdadeira do nosso estilo se procurarmos o purismo? Nem tornando às tribos indígenas. O isolamento cultural nunca existiu. Pensemos na lendária coleção africana de Yves Saint Laurent. Vestidos com motivos africanos, feitos com miçangas de madeira e em formatos de dente de animais e conchas do mar. Se houve policiamento dos que acharam aquela moda “pouco francesa”, felizmente não foi forte o bastante para interromper o legado desse nome, até hoje um importante ponto de referência. Podemos filosofar mais: quem faz o estilo italiano, por exemplo? Prada, Versace ou Valentino? Todas essas, ainda que não tenham nenhum ponto em comum. Mas certamente o governo da Itália, o povo, a crítica, os consideram igualmente italianos. Por que não podemos então considerar, ou dar a chance, de que sejam genuínos expoentes da moda brasileira Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch e Pedro Lourenço?

Melhor deixar todas as portas das nossas cabeças abertas e apoiar qualquer impulso criativo. Nunca se sabe quem vai ser o próximo YSL. Se um jovem estilista promissor brasileiro achar apaixonante desfilar na Austrália, ou Japão, que vá. E brilhe! E que no futuro ninguém se lembre de que o Tropical Nazi existiu, mas sim de que a nossa moda é a nossa cara, ainda que branca, preta, amarela, cheia de tachinhas, miçangas, ou tudo.

Preconceito

28/08/2013

por | COMPORTAMENTO

Foto do banco de imagens Shutterstock 

Uma mulher negra entra em uma loja de bolsas em Zurique, na Suíça. Após ver alguns modelos, ela aponta para uma específica:

“Por favor, posso ver aquela bolsa?”, pergunta.

“Não, ela é muito cara”, responde a vendedora. “Mas posso te mostrar outros modelos.

“Não, é essa mesma que eu quero ver”.

“Não, você não quer ver essa bolsa, ela é muito cara e você não poderá comprar”.

A bolsa em questão é uma Jennifer laranja, do Tom Ford, feita em pele de crocodilo, no valor de US$ 38 mil. A loja é a multimarcas de luxo Trois Pommes. A cliente, Oprah Winfrey. A vendedora, uma infeliz que agora é acusada de racismo e que detonou uma série de desavenças diplomáticas entre Suíça e Estados Unidos.

A bilionária Oprah não foi reconhecida pela vendedora, que em seu pedido de desculpas, afirma que não faz a menor diferença se a cliente é famosa ou não. “Minha profissão é vender e se eu consigo vender significa que estou fazendo meu trabalho direito”.

A bolsa da discórdia que Oprah Winfrey queria comprar ©Reprodução

Racismo é algo intolerável. Quem decide se vai comprar ou não é o cliente e mesmo se não finalizar a compra, cabe a ele o direito de ver os produtos que quiser. E ver significa também tocar, sentir a textura, o peso, o cheiro. Nós experimentamos roupas, cheiramos perfumes, folheamos revistas e livros. Toda compra ou a intenção de antecede uma experiência com o produto, mesmo que breve.

No caso de Oprah, todos se desculparam e, de racismo, o caso virou apenas um mal entendido. A vendedora disse que inglês não é sua primeira língua e que pode ter se expressado mal. Até o Departamento de Turismo da Suíça precisou interceder para que o país não passasse a ser alvo de revoltas e considerado um lugar preconceituoso. O fato é que foi reportado que o Governo suíço vai proibir que pessoas que pedem asilo político tenham acesso a locais públicos, como parques, livrarias e piscinas municipais.

Yelena Isinbayeva, que deu declarações infelizes e depois voltou atrás ©Reprodução

Outro episódio de preconceito muito recente envolve a campeã mundial russa Yelena Isinbayeva, que deu uma declaração na quinta (15.08) se colocando a favor da lei antigay aprovada em seu país. “Nós só vivemos com homens e mulheres, mulheres com homens. Nós nunca tivemos problemas na Rússia e não queremos ter no futuro. Talvez a gente seja diferente dos europeus e de outras nacionalidades”, ela disse. Após ter sido alvo de críticas, Yelena volta atrás com um texto que já ouvimos antes: “O inglês não é minha primeira língua, e acho que posso ter sido mal-entendida”. E finalizou: “Sou contra qualquer discriminação contra os gays em decorrência da sua sexualidade”.

O arrependimento (ou ao menos fingir que se arrependeu) é a fina linha que separa radicais de não radicais. Jovem, bonita e um ícone em seu país, manter essa afirmação custaria caro a sua carreira. A questão é: Isinbaieva realmente se arrependeu? Você ser a favor ou contra algo é como um ideal. Dificilmente esses valores mudam. E o que aconteceria se ela tivesse mantido sua opinião? Muitos atletas já pensam em boicotar os próximos Jogos de Inverno, que acontecem na Rússia em 2014 (e a Copa do Mundo em 2018).

A verdade é que a Rússia parece um país racista. Eu mesma vi uma cena triste em Moscou em plena Praça Vermelha. Aos finais de semana à noite, é onde a moçada se reúne para beber, paquerar, encontrar os amigos. Moçada 100% branca de olhos azuis. De repente uma turma de quatro jovens negros, vestidos com roupas esportivas, bonés e tênis, entra na praça. Para minha surpresa, os meninos russos, em bandos, partiram para cima imitando gorilas e macacos, no gesto e na voz. O pequeno grupo, vendo que seria impossível uma briga de quatro contra 200, simplesmente calou-se. Abaixaram a cabeça e continuaram andando. Vale registrar que minha passagem pela Rússia também teve bons momentos, como a visita a São Petersburgo, e que obviamente o racismo não é praticado por todos os seus cidadãos.

O logo do grupo Gays Arianos Nacional-Socialistas: para rir ou chorar? ©Reprodução

Tão absurdo e incompreensível é o movimento nazista skinhead gay. Isso mesmo: há o grupo Gays Arianos Nacional-Socialistas e ainda o GASH (Gay Arian Skinheads). Onde isso acontece? Na Rússia também, segundo li em uma matéria no site da Vice. “Estamos tentando limpar o mundo de pessoas desnecessárias que não são dignas desta terra”, diz um dos representantes do Gash. Meu Deus! E em todos os casos descritos aqui, estamos falando de pessoas jovens.

Voltando ao caso de Oprah, a questão do racismo esconde outra loucura: como assim pagar R$ 70 mil por uma bolsa? E a questão aqui não é nem se a pessoa tem ou não dinheiro para isso, e sim a ganância sem fim que a indústria da moda infiltra na sociedade. Mas isso é tema para outra história.

Made in China

23/08/2013

por | COMPORTAMENTO

Medicamentos falsificados sendo descartados na China ©Reprodução

República Popular da China, China ou, simplesmente, o paraíso do que “parece, mas não é”. De acordo com o site da revista “Dazed & Confused”, o país é responsável pela produção de 67% dos bens falsificados em todo o mundo. Boa parte, no entanto, não sai de lá — é criada para atender a população local, em especial aos habitantes das cidades pequenas, distantes de Pequim ou Xangai.

Cão mastiff tibetano “apresentado” como leão africano no zoológico de Luohe, na China ©Reprodução

Na última quinta-feira (15.08), por exemplo, espalhou-se na internet a notícia de que o zoológico da cidade de Luohe, na província de Henan, havia posto um cão da raça mastiff tibetano como se fosse um leão africano. A farsa, até bem engraçada, foi descoberta quando o animal latiu para os visitantes. Talvez, tal comportamento possa ser atribuído à cultura da cópia, Shanzhai (山寨), ou “Xing Ling”, como ela é conhecida no Brasil, que surgiu quando a China se abriu comercial e economicamente, lá pelos idos da década de 1980.

Após citar genéricos dos eletrônicos da Apple ou cópias das roupas da Nike e Adidas, a “Dazed & Confused” compartilhou imagens de estabelecimentos comerciais na China que mais parecem saídos de filmes de comédia escrachada. O restaurante KFC virou OFC – com direito, inclusive, a Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, desenhado na logomarca –, o Starbucks tornou-se Starfucks e o uísque Jack Daniel’s transformou-se em Johns Daphne (estima-se que 80% das bebidas alcoólicas de Xangai sejam falsas).

OFC, cópia do restaurante americano KFC ©Reprodução

Na China, o uísque Jack Daniel’s transformou-se em Johns Daphne ©Reprodução

Estaria “tudo bem” se a China apenas plagiasse nomes ou copiasse bolsas, mas produz até armas, camisinhas e medicamentos falsificados. Todos os anos, cerca de 2,2 trilhões de cigarros são consumidos no país e, desses, 400 bilhões não são regulamentados, ou seja, são confeccionados em fábricas ilegais. Além do número elevadíssimo de nicotina, o pior são os compostos muitas vezes encontrados neles, como fezes humanas e larvas de insetos.

Quase todas as situações acima seriam engraçadas, não fossem trágicas. A “Dazed & Confused” ainda se questiona que, considerando que os cigarros e medicamentos produzidos na China contém ativos quase letais, “imagina o que eles colocam em suas drogas ilegais?”.

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“Awkward Years Project”

02/08/2013

por | COMPORTAMENTO

Autumn, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

As dores do crescimento. Diria que é quase impossível tornar-se adulto sem senti-las, sem experimentar, nem que por alguns poucos anos, a infelicidade de ser a chacota da turma, o pré-adolescente estranho que, cheio de espinhas, usa aparelhos nos dentes e óculos. Se tal realidade estivesse apenas nos filmes da atriz Molly Ringwald ou nas comédias reprisadas com frequência na sessão da tarde da Globo, não teria me tornado a pessoa que sou hoje e, aposto, nem você.

Ao esbarrar com o Tumblr “Awkward Years Project” e com sua respectiva descrição, percebi que apesar de (provavelmente) ter me tornado uma pessoa mais interessante pelas experiências negativas que vivi, o passado ainda incomoda. E não é só a mim. Entre os anos de criança meiga até a idade adulta, em que já possuímos noção de como nos apresentar em sociedade, aquele período de “estranheza” física e psicológica são tão difíceis que, em geral, tendemos a escondê-lo, como se fosse uma mancha negra que nos comprometesse aos olhos dos outros.

Merilee, criadora do Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Revelar tal “mancha” e compará-la com o que se é no presente é a proposta de “Awkward Years Project”. A criadora do Tumblr, Merilee Allred, 35, contou em um post introdutório que a ideia surgiu de uma conversa com uma amiga recente, que a questionava sobre seus “anos estranhos”. Para comprovar que, infelizmente, os viveu, buscou uma fotografia antiga, da época do colégio. Ao perceber que não queria mostrá-la, talvez por insegurança, ela decidiu retratar-se segurando a imagem. Foi uma forma de dizer: “Olha o que eu era, mas não esqueça de como sou agora”.

É possível que digam que o raciocínio acima estimule sentimentos meio que superficiais, mas, no fundo, é uma maneira de mostrar a si mesmo a própria “evolução” e que todo aquele bullying foi superado, fazendo-nos mais fortes. É também um jeito de assegurar a quem está nos “anos estranhos” que eles vão passar e, sobretudo, que eles pavimentarão o seu caminho e definirão o seu futuro.

+ Veja abaixo mais fotografias do Tumblr “Awkward Years Project”:

Martie, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Gina, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Laura, em fotografia publicada no Tumblr “Awkward Years Project” ©Reprodução

Eu, você, a moda e o papa

19/07/2013

por | COMPORTAMENTO

Look da marca Valentino, na temporada de Inverno 2013 ©Reprodução

Às vésperas da chegada do papa Francisco ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, notamos como o novo pontífice tem influenciado a moda. “The New York Times” (com Suzy Menkes), “Vogue” britânica e a “Marie Claire” italiana estão entre os veículos que já apontam a influência do papa nas últimas coleções italianas.

Suzy apontou para jovens designers e também para as atuais vitrines de Roma, já prevendo o espírito do outono. A “Marie Claire” olhou ainda mais pra trás e viu nas coleções de Primavera/Verão 2013 outros bons exemplos. Valentino colocou na passarela, entre outros looks, um vestido vermelho com punhos brancos que parecia “saído do armário de um cardeal”. Dolce & Gabbana, que já vinha no clima de mulheres do interior da Sicília, sempre muito religiosas, continuou apostando em seus pesados crucifixos, dignos de porta de igreja não fosse pelo tamanho. Ferragamo também usou crucifixos. E a Marni, sandálias franciscanas.

Olhando todo o processo que a moda italiana, e não só, vem passando desde que a crise econômica sufocou a dolce vita, podemos dizer que… ok, vemos o papa na passarela, mas não somente.

A escolha do papa e a admiração que a sociedade tem por esse novo não é apenas por causa dele. É causa também do que acontece dentro das pessoas. Isso se sente no ar, não somos nós que ditamos. Permitam uma comparação bem fashion-pobre: é como exibir na vitrine uma roupa que não se encaixa com o espírito da época. Simplesmente não vende. O mesmo serve para o papa. Não causaria esse furor um papa que nada tivesse a ver com o espírito do nosso tempo. A ideia não venderia. Capisci?

Dois looks do Inverno 2013 da Valentino, uma das marcas que mais vem explorando o tema ©Imaxtree

E o que representa um papa, senão alguém a quem não olhamos a aparência? Ninguém julga se o papa é bonito ou feio, se está bem ou mal vestido. Ninguém reparou se é magro, gordo, se tem mãos bonitas, cabelo. Um religioso é geralmente uma pessoa esteticamente livre de olhares analisadores. Quando olhamos o papa, o olhar o atravessa sem ver. Vamos procurar entendê-lo, julgá-lo, apenas de acordo com as atitudes. Materialmente é como se fosse invisível. Você vai procurar no papa o quê? O espírito. E talvez seja isso que as pessoas estejam procurando.

Então se existe o papa no alto do foco de atenções e simpatias, é porque do lado de cá o mundo mudou. Ficou feio, ficou chato, ficou sem jeito não olhar o valor das coisas. Ficou, inclusive, cafona. É cafona demais ostentar hoje em dia. Um outro paralelo com o papa atual, que recusou o tratamento luxuoso que o Vaticano guarda para os papas. Repare nas pessoas que realmente ditam a moda. São discretas. E mesmo as últimas tendências de barroquismo, princesismos e outros ismos cheio de firulas… São ironias. Ninguém em sã consciência, e são poucos que têm dinheiro para isso, sairia com um colar, o tal colar statement, por exemplo, se ele realmente valesse um patrimônio. São maravilhosas bijuterias e nós sabemos. Talvez nos países onde o consumo ficou mais possível agora, como Rússia, China e Brasil, a coisa seja um pouquinho diferente, com gente falando tanto de dinheiro, do quanto custou isso e aquilo, ostentando logos de grifes, se sentindo superior ao usá-los. Mas só um pouquinho diferente, porque a nova rica do terceiro mundo quer parecer a rica antiga, então para isso ela vai imitar exatamente a discrição. A perolinha. O esmalte nude. A riqueza que não aparece.

E aí está mais um momento em que podemos dizer aos que ainda não acreditam, que a verdadeira moda reflete o âmago dos seres urbanos do planeta aqui e agora. Inclusive dos que nem sabem disso ou que juram que não seguem tendência. É esperar pra ver. O designer que escolheu o papa como referência é alguém extremamente observador. É ele próprio uma esponja dos sentimentos do momento. Quem não é esponja dos sentimentos que estão no ar não consegue criar. Nem na moda, nem na arte, nem num novo sabor de sorvete.

A moda é uma das maiores esponjas estéticas contemporâneas porque ela não fica num museu, ela vai parar no seu corpo. E quer vitrine melhor que o corpo da gente circulando por aí? A verdadeira tendência, aquela que funciona e vai do topo para a fast-fashion e para as ruas, saiu do sentimento de algum criativo, conectado a seu tempo, que materializou isso na passarela. E os outros observadores, igualmente conectados, pescaram o recado. E publicaram. E o leitor, se deparando com isso, sente que algo retorna, que o coração também fica tocado. Resultado? Você, naturalmente, aposenta o animal print e fecha um pouquinho mais o decote (se é que já não havia feito antes). E se sente adequado assim. Mas não porque foi culpa da jornalista, do papa, da Valentino ou da Dolce & Gabbana. E sim porque estamos todos nessa onda. Eu, você, a moda, e o papa.

Androginia revival

01/07/2013

por | COMPORTAMENTO

Modelo com batom no desfile masculino de Raf Simons Verão 2014 ©Reprodução

Take your chances looking for
Girls who are boys
Who like boys to be girls
Who do boys like they´re girls
Who do girls like they´re boys

Um dos hinos da juventude andrógina dos anos 1990 (“Girls & Boys”, do Blur) cai como uma luva para traduzir as vontades de algumas marcas que desfilaram suas coleções na temporada masculina Verão 2014, que terminou dia 30 de junho em Paris.

Certamente muitos estilos de homens foram contemplados, do nerd cool de Marc Jacobs ao clássico italiano de Giorgio Armani. Com força aparecem os meninos contemporâneos que incrementam seus looks com cores e volumes e assumem de vez a bermuda de alfaiataria como sinônimo de elegância (Junya Watanabe, Lanvin, Hermès, Dior Homme, John Galliano…).

Porém, um grupo menor de estilistas criou a imagem da estação ao buscar no guarda-roupa feminino elementos para a construção de peças masculinas. Se há muitas décadas é o contrário que ocorre, agora, parece que vestidos, saias, tops e batons levam novos ares, mais ousados, ao universo antes aparentemente limitado dos homens.

Como disse o jovem irlandês JW Anderson, que vem explorando esse caminho há algum tempo, é difícil fazer algo novo a cada coleção. Especialmente na moda masculina, que encontra resistência no próprio homem.

Veja abaixo os looks mais impactantes que brincam de esconde-esconde com a sexualidade masculina, dando força a mais um movimento andrógino.

A coleção de JW Anderson, que atravessa as fronteiras dos gêneros a cada estação, mostra uma série de tops halter neck, que deixam ombros e costas à mostra, usados com calças oversized. O desfile mostra bem a divisão masculino/feminino e também conta com vestidos longos ©Imaxtree

O estilista coreano Juun.J criou jaquetas inspiradas no futebol americano, mas em proporções volumosas e usadas com shorts curtíssimos e justos, quase hot pants, em um contraste claro entre o masculino e o feminino ©Imaxtree

O estilista Thom Browne, da Moncler, se inspirou no críquete para criar uma coleção quase inteira branca, com destaque para sobreposições e camadas de peças. Os looks mais fortes são os que levam túnicas brancas usadas com paletós ou cardigans ©Imaxtree

Hedi Slimane está mais expert em criar polêmicas do que coleções para a Saint Laurent. Em meio a um punhado de referências andróginas, como Bowie (no momento Thin White Duke) e Brett Anderson (vocalista do Suede), a coleção tem a esperada vibe glam rock / rockabilly e foi desfilada por meninos magros além do possível – alguns com batom vermelho que lembraram os hiper andróginos New York Dolls ©Imaxtree

O desfile com inspiração punk da Comme des Garçons também trabalha a sobreposição de peças, com paletós mais compridos e levemente acinturados, usados com saias estilo kilt. O clima é andrógino e glamouroso ©Imaxtree 

A alfaiataria super controlada de Jil Sander mostra um exercício entre cores e linhas que tem na parte nas jaquetas seus melhores momentos. As bermudas amplas, coloridas e levemente plissadas, injeção de feminina na coleção, foram criticadas por muitos dos jornalistas especializados ©Imaxtree 

O que pode ser mais prático para uma mulher do que um vestido camiseta? Raf Simons trouxe essa ideia para os meninos em camisetões alongados e retos em preto ou rosa bebê. Alguns modelos também usavam sombra, rímel e batom ©Imaxtree