Resort, Cruise, Pré-verão – as coleções de meia estação vieram para ficar

23/06/2010

por | MODA

Enquanto vivíamos trancafiados na caixa de concreto que Niemeyer chamou de Bienal (afinal era tempo de SPFW), em Nova York cerca de 75 desfiles enchiam as agendas de editores e compradores. Quase como um terceira temporada de moda, as coleções de resort (ou cruise ou pré-verão) chamaram atenção como jamais conseguiram antes.

Antes destinadas apenas a uma pequena (rica) parcela dos consumidores – aqueles que realmente precisavam de trajes especiais para suas férias em balneários e iates –, hoje o resort já é parte essencial do mercado de moda.

2011/10/2114_proenza-cruise-2011Pré-verão 2011 Proenza Schouler ©Reprodução

Sua imagem simples e design descomplicado podiam antes desagradar alguns eruditos da indústria. Porém, para seu público alvo pouco importa se as pregas chatas, as costuras aparentes e cortes cirúrgicos do pré-verão 2011 da Calvin Klein mantém alguma relação com a moda minimalista e geométrica do inverno 2010 – o que importa para o consumidor final é que são roupas usáveis.

“Resort é sobre roupas reais para nossos amigos. Todos foram longe demais na fantasia e nós perdemos o público. Há algo sobre a realidade que parece fresco agora”, explicaram ao Style.com os estilistas Lazaro Hernandez e Jack McCollough (Proenza Schouler), enquanto falavam de sua coleção resort extremamente urbana, porém repleta de elementos étnicos importados da Índia.

2011/10/2112_lanvin-cruise-2011Vestido dupla face da Lanvin ©Reprodução

Para Alber Elbaz, estilista da Lanvin que mostrou um pré-verão repleto de best sellers simplificados de temporadas passadas – incluindo um incrível vestido dupla-face que ia de uma sofisticado tubinho preto para um com frente coberta por babados cinzas – “uma pré-coleção não é sobre uma imagem ou direção. É sobre a mulher, o desejo, a necessidade”.

As resort collections carregam, então, uma simplicidade essencial para o sucesso de vendas. Donatella Versace, por exemplo, reduziu toda a energia e sensualidade de seu pré-verão sessentinha às cores vibrantes da pop art em vestidos curtos, próximos ao corpo, decorados com pontinhos pretos tipo Roy Lichtenstein.

2011/10/2111_celine-e-givenchy-cruise-2011Da esquerda para direita, looks do pré-verão 2011 da Céline e Givenchy ©Reprodução

Riccardo Tisci, na Givenchy, utilizou essa meia estação para reafirmar alguns clássicos da marca sob seu comando. Blazeres acinturados com ombros marcados, calças com ganchos baixos e todo um rico trabalho com rendas falam da essência romântica-gótica-cristã do estilista – sempre em preto, branco ou um denso vermelho.

Phoebe Philo, na Céline, reforça seu conceito de roupas práticas e sofisticada com reedições de peças-chaves de coleções passadas. A saia de cintura alta evasê, o vestido preto em couro (ou com recortes) e as calças amplas, todas aparecem revisitadas em seu pré-verão que ainda ganhou maxi-bolsas e uma versão em amarelo fluorescente.

Com caráter transitório, as coleções de resort funcionam também como termômetro para o que vai de fato pegar entre os consumidores. Carregam o melhor do verão 2010, e o que promete ser hit do inverno 2010. Ou seja, misturam o tribalismo e florais vibrantes das coleções que já chegaram às lojas com o clima 1970s e um certo utilitarismo chique. E o resultado é mais ou menos o que se viu em muitas coleções.

2011/10/2115_stella-e-balenciaga-cruise-2011Vestido Stella McCartney e terninho Balenciaga ©Reprodução

Philip Lim foi um dos que melhor conjugou tudo isso. De seu inverno 2010, trouxe o clima boho com ótimos terninhos tipo Bianca Jagger que já prometem ser sucesso de vendas quando a coleção chegar às lojas em novembro. Stefano Pilati, por sua vez, misturou o clima setentinha que imprimiu sobre a Yves Saint Laurent no verão 2010 com suas capas protetoras deste inverno. Na Balenciaga, Nicolas Ghesquière retrabalhou sua cartela de cores do verão, junto com seus recorrentes uniformes futurista, ao lado de um leve clima boêmio bem peculiar. Enquanto Stella McCartney misturou suas rendas do verão com a alfaiataria levemente estruturada do último desfile.

São essas coleções que ficam mais tempo na loja – e com preço cheio. Em tese mais simples, elas permitem uma agilidade maior de produção e entrega, podendo atender melhor atendendo aos desejos de consumo quase que instantâneos ou àqueles mais atemporais.

Um inverno para as mulheres

15/03/2010

por | MODA

2011/10/1176_celine-inverno-2010Céline inverno 2010 © firtVIEW

Voltando de Paris fiquei pensando um pouco sobre as principais mensagens da temporada. Sobre a onda minimalista que tomou de assalto às coleções internacionais para o próximo inverno. Em como linhas limpas, ausência de decorações e design em seu estado puro conseguiram dar status cool à austeridade. Em como a manipulação tecidos e exploração de formas de maneiras quase modernista transformaram o básico em inusitado.

Mas talvez, para além de um visual que grite “direto aos negócios”, haja algo maior por trás desse novo minimalismo impulsionado pelo sportswear clean do verão 2010 da Céline de Phoebe Philo. Por um lado, como que se aquelas formas simples fossem versões atualizadas do “power dressing” que deu força ao visual feminino lá nos anos 80 quando as mulheres começavam tomar seus postos no mercado trabalho.

Pensando por aí, tudo isso até faz certo sentido. Hoje, conforme indicam uma série de pesquisas publicadas no começo do ano, o sexo feminino já supera o masculino na força de trabalho de diversos países. As mulheres há tempos já são donas de seus próprios narizes e contas bancárias. Não precisam mais do apoio e sequer a aprovação do sexo oposto para qualquer decisão. E se antes, ela precisava subir em vertiginosos saltos, ousar na sensualidade ou então roubar do guarda-roupa masculino elementos de poder, hoje já não é mais bem assim.

2011/10/1174_stella-mccartney-inverno-20Stella McCartney inverno 2010 © fisrtVIEW

Talvez, sentindo a iminência de grandes mudanças sócio-culturais, estilistas estejam de fatos preocupados em como acompanhar tudo isso e encontrar seu papel no meio dessa silenciosa revolução. Para alguns a solução foi olhar para trás, para outro foi limpar a casa para dar novo “start” em seus negócios. Mas poucos, porém, parecem ter conseguido olhara além e percebido que nessa nova fase, seu trabalho não será apenas embelezar o guarda-roupa feminino.

Quando falamos que tecidos e roupas foram trabalhadas de maneira modernista, talvez não seja nem naquele modo de solução de problemas ou rompimento com o passado. Mas, sim, para levantar questões de realidade física ou até mesmo comportamental. Quem de fato foi moderno nesta temporada, foi quem conseguiu olhar para o futuro de maneira real, oferecendo roupas para realidade de fato (por mais que ainda distante ou reduzida) muito mais que para um futuro imaginado.

Exatamente como aconteceu com Yves Saint Laurent e Coco Chanel. Ambos, grandes gênios da moda do século XX, conseguiram entender as reais necessidades das mulheres, quando a grande maioria delas sequer sabiam que de fato desejariam tais elementos.

2011/10/1175_balenciaga-inverno-2010Balenciaga inverno 2010 © firstVIEW

Hoje, quem mais se aproximou de tal qualidade foi Nicolas Ghesquière, na Balenciaga, Raf Simons, na Jil Sander, Riccardo Tisci, na Givenchy, Alber Elbaz, na Lanvin, Marc Jacobs, Miuccia Prada e as meninas de ouro da temporada: Hannah MacGibbon, na Chloé, Stella McCartney e Phoebe Philo, na Céline (por mais que essa última coleção tenha carecido da energia da passada).

Essas últimas, além de oferecerem algumas das melhores coleções de semana de Paris, são exemplos vivos dessa nova mulher. Todas na faixa dos 30, mães, trabalhadoras e com reais necessidades que pedem por um guarda-roupa que não grite apenas: fashion! E muito menos só “business”.

Pensando bem, talvez a mensagem principal do inverno 2010 seja mesmo sobre feminilidade. Sobre feminilidade em suas mais variadas formas. Sexy, trabalhadora, voluptuosa, jovem, adulta, para noite, para o dia, mas sempre possível. Sempre real e sempre com as rédeas de suas vidas. Não foi à tona que os anos 60 e 90 foram as duas décadas mais referenciadas nas coleções internacionais. Ambas, trazem importantes significados para a vida do sexo feminino. Primeiro por toda aquelas questões de liberação sexual e autonomia feminina, depois por uma postura mais business bem equiparada com os homens.

2011/10/1173_louis-vuitton-inverno-2010Louis Vuitton inverno 2010 © firstVIEW

Sem contar que, pela primeira vez em muito tempo (acredito que desde os anos 60), o adjetivo “maduro” parece ter perdido qualquer conotação negativa. Supostamente, depois de anos em busca de juventude eterna, estilistas parecem ter percebido que suas consumidoras não são apenas garotas magrinhas de 20 e poucos anos. Não foi à toa que Miuccia Prada e Marc Jacobs para Louis Vuitton trocaram as modelos skinny de 16 anos, por mulheres mais velhas (ou menos novas) e curvas mais próximas da realidade da mulher comum. Formas voluptuosas, bustos em evidência, quadris acentuados.

Tudo bem, o conceito pode ter se mostrado mais interessante do que a roupa de fato – e principalmente na Vuitton onde as saias godês mega volumosas parecem retros demais para as atuais necessidades das mulheres. Mas, parece que a próxima temporada vem para legitimar (mais uma vez) a autonomia do sexo feminino.

Legitimação, talvez, até mesmo sobre o poder de estilistas e editoras de moda. Afinal, o mar de roupas simples, cores neutras e peças básicas pode ser entendido como uma tela em branco, onde cada mulher pode criar seu próprio estilo ou visual. Uma temporada, então, onde o estilo fala mais alto do que a moda em si.

Complete a frase

05/03/2010

por | MODA

2011/10/1054_IMG_1653Emmanuelle Alt da Vogue Paris chegando ao desfile da Dior © Augusto Mariotti

Já repararam como japoneses e orientais tem uma fascinação absurda por câmeras fotográficas. Seja lá qual for a ocasião que eles se encontram, estão sempre munidos de suas máquinas digitais, clicando alucinadamente tudo que passa pela frente de suas lentes. De repente foi por isso mesmo que as principais publicações de moda do mundo contratou fotógrafos orientais para cobrir a entrada dos principais desfiles da semana de moda.

Com uma agilidade que deixaria qualquer paparizzi de Los Angeles morrendo de inveja, esses profissionais são termômetro para os principais nomes e looks da temporada. Afinal, foi graças a eles (e os blogs de street style) que editores e stylist antes acostumados a ficar escondidos atrás das câmeras, ganharam fama numa velocidade astronômica.

2011/10/1052_IMG_1634© Augusto Mariotti

2011/10/1055_IMG_1656© Augusto Mariotti

Desde que os blogs de estilo de rua viraram coqueluche mundial, os olhares nas semanas de moda ao redor do globo se expandiram para muito além das passarelas. Para não ficar atrasadas, as revistas correram atrás dedicando seções e páginas inteiras a cobertura do que as pessoas (geralmente figuras conhecidas no mundo da moda e celebridades) estão vestindo nos principais eventos de moda.

Aqui em Paris, um dos hot tickets para clicar alguém conhecido, além de looks super produzidos é os Jardins de Tuileries, espécie de tapete vermelho com piso de areia para o desfile da Dior. É lá que um verdadeiro exército de fotógrafos se reúne correndo freneticamente atrás de qualquer rosto conhecido ou vestido que chame mais atenção.

2011/10/1053_IMG_1636© Augusto Mariotti

E o mais legal de tudo, é que muitos desse fotógrafos já vão para lá com uma cartilha definida do que fotografar. Com bloquinhos em mãos, já tem ali demarcado o espaço para, além do nome e profissão do fotografado, nome e detalhes sobre cada peça do look. Alguns contam até com uma bonqeuinha desenhada, para simular com a caneta o que há de mais interessante no look.

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Too Fast Fashion?

21/02/2010

por | MODA

Num dos raros momentos de tempo livre durante a cobertura da semana de moda de Nova York, resolvi fazer uma visita a H&M mais próxima – quase em frente as tendas do Bryant Park, na esquina da rua 42 com a 5ª avenida. Afinal, é quase impossível ir para lá e não sentir um mínimo de tentação de entrar nessas lojas que parecem dominar toda esquina da cidade.

Porém, como que uma punição fashion por ter me rendido as ofertas do fast fashion bem frente a sede de um dos eventos que compões a New Yoir Fashion Week, fui tomado por um misto de choque e depressão logo que entrei na loja.

US-ECONOMY-H & M

Uma sensação de maltrato e descaso completo com as roupas. Pilhas delas amontoadas nas prateleiras, tudo amassado, peças caindo dos cabides, coisas fora de ordem… Como que se aquilo fosse um supermercado fashion recém saqueado por pessoas desesperadas pela última tendência do momento.

E sim, tudo que há de mais atual na moda agora estava lá, de modo simples, as vezes quase certinho demais. As principais tendências das passarelas do verão 2010 tudo mastigadinho para o consumidor e a preços bem acessíveis (não chega a ser barato, mas também não é caro). Até mesmo elementos que estão sendo desfilado, como as referências militares, aquele leve clima bohêmio meio 70’s, já era possível ser encontrado.

Só que o modo como tudo aquilo é apresentado é bem diferente daquelas imagens que chegam para gente aqui nas campanhas e vídeos promocionais. Quando paramos para olhar melhor as roupas com mais calma, percebemos que qualidade, modelagem e acabamento, ficam muito aquém não só do que se tem por aceitável, como também por correto.

A própria coleção especial de tricôs da Sonia Rykiel. Nas imagens das vitrines, vestidos curtinhos listrados, com leve pegada parisiense parecem perfeitos para o verão que parece longe. Mas quando visto na arara, trazem uma certa pobreza (e não no sentido monetário) no visual. Modelagem descuidada, material de qualidade duvidosa, fazem de toda aquela ação quase uma propaganda enganosa.

A última vez que tinha entrado numa H&M foi em 2007 e o clima era completamente diferente. Tudo mais civilizado, roupas e loja mais apresentada e até uma certa adequação maior ao que (eu, pelo menos) entendo por aceitável no que diz respeito aos requisitos básicos para compra de qualquer peça de roupa. Aliás, tenho dois jeans de lá que são alguns dos que mais uso até hoje e continuam em perfeito estado.

Mas agora o cenário é um pouco diferente. Não sei se por uma maior demanda, a marca se viu forçada a produzir mais e menos tempo – deixando de lado alguns cuidados básicos. Mas que a qualidade caiu muito isso não tem como questionar.

Só de tocar a peça já era possível prever o estrago que a primeira lavagem iria causar. Provando um blazer, um dos botões caiu só do movimento na peça. Numa japona de lã, três maxi botões já se penduravam prestes a entrar em queda livre.

2011/10/912_TopshopNY

Tentei dar mais algumas chances para a rede de fast fashion em outros pontos da cidade, mas o resultado era sempre o mesmo. Nem mesmo a Topshop, rede britânica que chegou aos EUA há pouco mais de um ano, se salva. Apesar de melhor apresentada e roupas mais interessantemente trabalhadas, com tecidos de qualidade um pouco melhor, acabamento e modelagem deixam muito a desejar, pesando bastante no custo benefício da compra.

A pergunta que ficou na minha cabeça depois de tudo isso, é que se com consumidores ficando cada vez mais conscientes (e talvez até exigentes) quanto a qualidade, bom acabamento e materiais empregados, não estaria chegando o momento das redes de fast fashion reverem seus conceitos.

Não sou daqueles que acredita no fim desse mercado. Muito pelo contrário, vejo sua clientela crescendo cada vez mais. Só que não seria agora, depois de toda essa instabilidade pela qual a moda passou, um bom momento para pisar no freio (de produção em larguíssima escala e ultra-veloz) para atender melhor tais requisitos básicos para uma boa roupa. Ou será, então, que os consumidores dessas lojas não ligam de fato para isso?

O que queremos?

05/02/2010

por | MODA

2011/10/806_blog_ffw

Estou um pouco confuso… Não sei bem o que esperar dessa temporada de desfiles internacionais que está para começar no próximo dia 11 com a New York Fashion Week.

Quais são os reais desejos de moda que vão movimentar o mercado? O que fará sentido em nossas vidas nessa segunda década de século 21? O que vai se destacar mais nas passarelas do planeta fashion: criatividade explosiva ou extrema adequação às reais necessidades dos consumidores de moda?

Alguém aí sabe a resposta para alguma dessas perguntas? Porque, sinceramente, eu ainda não consegui chegar a nenhuma conclusão precisa. Já aqui, durante o Fashion Rio e SPFW, vimos uma divisão até que bem definida entre as marcas que se aventuraram por delírios fashion com imagens cheias de força, e uma atenção maior ao lado comercial.

Por mais instigante e inspirador que seja assistir a apresentações inventivas, cheias de criatividade, será que ainda há espaço para uma moda conceitual ou extravagante em nossas vidas – pelo menos nos dias de hoje? E se não há, então não seriam essas coleções de imagens marcantes ideais para quebrar o padrão?

2011/10/808_phoebe_philoNão sei bem porque, mas cada vez mais, e desde a última temporada de verão 2010, foram justamente as roupas e coleções de visuais mais simples, quase minimalistas que me chamaram mais atenção. Roupas fáceis de usar, prontas para vida real, dotadas de imensa versatilidade e praticidade adaptáveis ao dia-a-dia do consumidor comum e em diversas situações. Não aquele mar de cocktail dresses e roupas para noite que dominaram a última temporada como se vivêssemos numa festa sem fim.

Roupas que você bate o olho e vê que ali foram empregados reais valores de design, tecidos de qualidade, bom acabamento e que apesar de aparentemente simples, trazem cortes, proporções e modelagens atuais, que parece, perfeitamente corretos para os dias de hoje.

Ok, elas não são lá bem o que se entende por inventivas e pode até ser meio contraditório, já que a priori não trazem a novidade que a moda tanto busca. Mas e se essa simplicidade funcional for a novidade? E se essa ausência de extravagância, essa moda discreta e silenciosa for o novo da vez?

Lembro que adorei a coleção de verão 2010 de Viktor & Rolf. Junto com a do Alexander McQueen foi um dos poucos respiros fashion da temporada. Imagem poderosa, trabalho técnico apurado e conceito super bem amarrado. Mas como isso se relaciona com as nossas vidas? Alguém viu algum daqueles vestidos incríveis fora das passarelas e editoriais de revistas (não estou contando os tapetes vermelhos, tá?). Alguém se imagina em alguma daquelas peças fora de festas e ocasiões sofisticadas e que permitam (ou exigiam) um dress code mais ousado?

Enquanto isso, coleções como a da Chloé, da Celine e boa parte das de pre-fall 2010, como Gucci, Balenciaga e Prada, se mostram muito mais próximas da realidade do consumidor. E aí que fica minha pergunta: Sou super a favor de toda aquela explosão criativa dos desfiles mais conceituais, mas será tudo aquilo em vão? Para onde vai toda aquela técnica, todo aquele pensamento traduzido em imagens de moda? Sim, eles inspiram, mas cada vez mais me parecem mais distantes do que realmente queremos no nosso guarda-roupa e dia-a-dia.

Durante o fim de semana acabei discutindo esse mesmo assunto com a Fernanda Resende, da Oficina de Estilo e achei válido colocar aqui algumas conclusões que chegamos:
A Fernanda disse que “ee a gente se satisfaz com o “mais comum”, se deixa pra lá o “extravagante” (mesmo que só como referência!), fic amais difícil evoluir – tanto na forma de vestir, nas referências pessoais, quanto no exercício de ‘olhar fashion’, sabe? então eu ainda espero ver algumas viagens, uns vitkor&rolfs da vida, mesmo tando interessada de verdade nas roupas mais fáceis.”
E eu acabei concordando. Sem essa loucura a evolução fica de fato mais difícil e lenta. Eu só acredito que hoje em dia a viagem por si só não dá mais conta de inspirar ou servir como referência. Acredito que mesmo na mais maluca das viagens é preciso ter ainda algum traço ou elemento que relacione toda aquela imagem rica em informação de moda com a nossa realidade. É aí que está a diferença. Muito mais do que naquele equilíbrio entre o comercial e conceitual que a gente sabe ser tão importante para um bom produto de moda.
Antes um look absurdo já se bastava. Uma imagem poderosa dava conta de causar impacto pela sua pura extravagância e exuberância. Hoje não é tão simples assim. Talvez a gente tenha ficado cansado de loucuras fashion sem motivo ou vazias de sentido. Ou nosso olhar simplesmente evoluiu, buscando sempre alguma explicação ou conexão que valide ou torne de alguma maneira (até mesmo inspiracional) tudo aquilo um sonho possível.

+ Atualização: Durante o fim de semana acabei discutindo esse mesmo assunto com a Fernanda Resende, da Oficina de Estilo e achei válido colocar aqui algumas conclusões que chegamos:

A Fernanda disse que “se a gente se satisfaz com o “mais comum”, se deixa pra lá o “extravagante” (mesmo que só como referência!), fic amais difícil evoluir – tanto na forma de vestir, nas referências pessoais, quanto no exercício de ‘olhar fashion’, sabe? então eu ainda espero ver algumas viagens, uns vitkor&rolfs da vida, mesmo tando interessada de verdade nas roupas mais fáceis.”

E eu acabei concordando. Sem essa loucura a evolução fica de fato mais difícil e lenta. Eu só acredito que hoje em dia a viagem por si só não dá mais conta de inspirar ou servir como referência. Acredito que mesmo na mais maluca das viagens é preciso ter ainda algum traço ou elemento que relacione toda aquela imagem rica em informação de moda com a nossa realidade. É aí que está a diferença. Muito mais do que naquele equilíbrio entre o comercial e conceitual que a gente sabe ser tão importante para um bom produto de moda.

Antes um look absurdo já se bastava. Uma imagem poderosa dava conta de causar impacto pela sua pura extravagância e exuberância. Hoje não é tão simples assim. Talvez a gente tenha ficado cansado de loucuras fashion sem motivo ou vazias de sentido. Ou nosso olhar simplesmente evoluiu, buscando sempre alguma explicação ou conexão que valide ou torne de alguma maneira (até mesmo inspiracional) tudo aquilo um sonho possível.

2009: ano de Gaga

24/12/2009

por | CULTURA POP

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Não tem jeito, seja de música, moda ou comportamento o nome dela está em praticamente toda lista ou retrospectiva de 2009. Até mesmo aqui no FFW, publicamos uma matéria sobre seu novo disco “The Fame Monster”, atestando que Lady Gaga tomou literalmente para si esse último ano que teima em não terminar.

Aqui não quero entrar no mérito sobre a qualidade e relevância de sua música, muito menos se ela é a nova Madonna – mesmo porque acredito que ela tenha muito mais semelhança e proximidade com David Bowie do que com a rainha do pop. O que gostaria de falar nesse rápido post de véspera de natal e fim de ano é sobre um dos aspectos de Gaga que mais me fascina. E não, não são seus looks absurdos, muito menos o último vestido que ela apareceu usando, ou o sapato incrível do Alexander McQueen que ela desafia no vídeoclipe de “Bad Romance”.

Mas sim, o modo como ela consegue estar sempre mudando, sempre renovando sua estética e vocabulário imagética, principalmente através das roupas. Não é só a moda em sim, não é só a peça de roupa que ela está usando. É uma atitude que extrapola esses limites de extravagância em tapetes vermelhos e em cima do palco. É muito mais como um protesto ou forma da expressão cultural. Como se ela fosse a representação perfeita da nossa cultura obcecada por essa mídia ultra-veloz e instantânea.

Sua troca de roupa incessante durante o último MTV VMA (foram quantos looks mesmo? Nove?) é um dos melhores exemplos disso. De como não é só sobre moda, ou causar impressões como sua roupa. É sobre acompanhar, através das roupas/moda e imagem pessoal, as formas e condições dessa nossa sociedade cada vez mais pautada pelas comunicações instantâneas. Quase como um protesto ou perfomance, só que na era do Twitter, não é mesmo?

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