* boychild *

11/09/2014

por | CULTURA POP

A performer boychild sem maquiagem ©Reprodução

Um buzz cercava o desfile da Hood by Air na semana de moda de Nova York. A grife, que ganhou um prêmio do grupo LVMH, tem sido recebida como uma marca que transborda energia nova. Além das roupas de streetwear que falam direto com o público jovem, outra coisa chamou a atenção durante o desfile: o casting. A passarela da Hood foi invadida foi um número de não-modelos de diversos tipos e estilos, uma característica da marca até então.

E de todas essas figuras, a que recebeu mais aplausos foi a (o) boychild, uma pessoa musculosa e imponente, na verdade uma menina que parece um menino e que já havia desfilado para a HBA em 2013. Sua foto na passarela foi instagramada por fashionistas como Nicola Formichetti e veículos como “V Magazine”, Dazed & Confused” e Style.com, que postou: “todos os telefones fotografando boychild”.

+ Veja aqui a coleção da Hood by Air Verão 2015

Mas o que boychild tem que causa fascínio? Para começar, a coisa do gênero e o mistério em torno de sua figura. Ela nasceu na Califórnia e apareceu há menos de dois anos na cena drag de São Francisco, mas a persona boychild surgiu de um projeto de um dançarino que convidava seus amigos a criarem um personagem para eles. “Eu apenas sabia que queria que fosse uma coisa meio clown, mas também um curandeiro, então comecei a pesquisar muito sobre xamãs e feiticeiras”, contou à revista “i-D”. “O que eu faço é uma versão mais articulada do que sempre fiz a vida toda. Sempre fui performática.”

Quem já viu seus shows relata uma espécie de exorcismo, um culto, no mínimo algo bem selvagem que pode durar até três horas. Quando faz alguma performance, entra em outro estado e torna-se uma imagem forte, crua e sem gênero. Com a mente totalmente aberta e livre de preconceitos, ela alcança seu público de forma catártica. “Quando estou em ação sinto que saio de mim mesma. É a forma que sei me expressar, usando meu corpo como linguagem de um jeito que não sei fazer com palavras.” Um show de boychild, normalmente em casas noturnas, pode ser simplesmente uma dublagem de uma música, mas é impressionante notar como sua respiração forte traz tensão à cena e empolga o público.

Ela também mexe muito com os opostos. Parece pequena e delicada sem montação, mas é só ver a foto da passarela da Hood By Air para logo mudar de opinião. Seu rosto delicado é transformado por uma maquiagem pesada, que encontra outra contradição: uma tatuagem enorme no pescoço com a palavra BLISS. Uma palavra feliz desenhada de forma crua. Por conta disso, sua performance é muitas vezes chamada de sombria, mas boychild diz que seu trabalho tem a ver com o amor. “A luz também não existiria se não houvesse a escuridão. Não quero fazer um trabalho dark, mas com o reflexo da luz e do êxtase sempre vêm a escuridão e a tristeza.”

Shayne Oliver, o estilista por trás da Hood by Air, define a performer desta forma: “Ela representa um novo gênero de beleza. Homem x alien, natureza x tecnologia, a beleza e a sexualidade sem remorso da mulher x a segurança do homem. Tudo isso é boychild”, diz.

Com quase 40 mil seguidores no Instagram, rede em que é mais ativa, boychild é o novo ícone da cultura jovem underground e está totalmente integrado à sua dona, que não vê mais distância entre pessoa e personagem, tanto que não se acha menções ao seu nome verdadeiro ou o que ela é quando não é boychild. “Na verdade ainda estou descobrindo muitas coisas. Ele é parte de mim, é como uma entidade”, disse ao site Bullet. “Os humanos são cyborgs hoje. Temos muito mais avatars do que experiências de vida real. A conexão que nós temos hoje com a tecnologia e a forma como isso me afeta, é aí de onde vem o boychild e eu sou tudo isso”, definiu para a Dazed Digital.

@boychild

boychild no desfile da Hood By Air ©Imaxtree

Uma das performances de boychild ©Reprodução

Lentes coloridas e a tatuagem no pescoço, suas marcas registradas ©Reprodução Instagram

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Emoji Art

26/08/2014

por | CULTURA POP

O rapper e tatuador Isaiah Toothtaker, que está lançando um livro com emojis ©Reprodução

Ele é rapper, tatuador e dono de loja. Agora, o americano do Arizona Isaiah Toothtaker foca na arte digital para lançar seu mais novo projeto, o livro “That’s Not Relevant”, focado na cultura do emoji. A ideia surgiu quando ele estava envolvido em um projeto de criação de emojis para um grande cliente. Muitas imagens que ele havia criado não foram usadas, mas o desejo de mostra-las permaneceu. Ele se aproximou do pessoal da Spork Press, que lança livros bizarros e independentes, que prontamente aceitou publicar o trabalho de Toothtaker (o sobrenome, aliás, também é ótimo).

O livro parte da obsessão com os micro desenhos que nos acostumamos a usar no celular e nas redes sociais, mas com referências da cultura underground e pop. Os emojis se transformaram em uma obsessão da cultura e Isaiah vê o fato sem julgamento, apenas entende como um reflexo dos tempos atuais . “A transformação é algo típico da comunicação, então esse livro é mais sobre a trajetória de usar símbolos e ícones como se fossem uma gíria tecnológica. Gosto muito de comunicação através da iconografia, é muito universal e não precisa de tradução. É por isso que os emojis são tão populares, são muito práticos”, ele disse ao site Dazed Digital. “E apesar das imagens estarem em formato de livro, acho que fica claro o tipo de estética que quero comunicar, um dialeto da tecnologia atual.”

É na tecnologia que Isaiah encontra a sua maneira de se comunicar e vender seus produtos. Usa um Tumblr para mostrar seus mais recentes trabalhos, divulgar eventos e ações, seu trabalho como tatuador, além de ter links para música (tem um álbum digital lançado) e vídeos, e contas ativas no Instagram, Facebook e Twitter, totalizando mais de 20 mil seguidores.

“That’s Not Relevant” sai por US$ 20 no site da Spork Press. Veja abaixo algumas imagens e navegue pelo mundo de Toothtaker para conhecer mais sobre seu trabalho.

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Gaza Girl

13/08/2014

por | COMPORTAMENTO

Farah Baker, palestina de 16 anos que relata o conflito via Twitter ©Reprodução

“Meu nome é Farah Baker e eu posso morrer esta noite”. Foi com um tweet como esse que uma jovem palestina de 16 anos passou a chamar a atenção da comunidade internacional. Farah, que assina como Farah_Gazan no Twitter, tem usado a rede social para documentar a guerra na Faixa de Gaza.

Desde o início dos conflitos, em julho, ela viu seu número de seguidores pular de 800 para quase 200 mil. Tornou-se um fenômeno da mídia social e dá entrevistas para jornais do mundo todo.

Baker virou trending topic e é seguida por milhares de pessoas, que acompanham ao conflito não apenas pela TV, mas também pelos olhos furiosos e sinceros de uma adolescente que dorme sob os estrondos e as luzes de bombas e mísseis, gritaria e sons de sirene. Seus posts chegam a ter até mais de 10 mil compartilhamentos.

Assim como vimos na cobertura do Mídia Ninja durante as manifestações no Brasil, é um conteúdo sem filtros. É a verdade, o fato, o que está acontecendo ali, naquele momento, a realidade sem maquiagem. A adolescente, que vive com seus pais e duas irmãs mais novas, posta relatos nas redes desde 2012 e já passou por três guerras civis.

Da janela do seu quarto, Farah compartilha seu terror pessoal via Twitter: fotos, vídeos e frases que traduzem a ansiedade e o medo de não saber o que pode acontecer, ou melhor, de que qualquer coisa pode acontecer no próximo minuto. Em muitos momentos, ela achou que fosse morrer. “Estou tentando mostrar ao mundo como me sinto e o que está acontecendo onde eu moro”, disse à Reuters. “Tento fazer com que outras pessoas sintam como se estivessem tendo a mesma experiência que eu.” Mostrar ao mundo “como se sente” é algo típico do adolescente, a diferença é que aqui, sua raiva e apreensão são tão reais quanto o ar que respira. Enquanto toma café da manhã, carros são queimados em frente a sua casa e ela tem que dormir com sons de explosões e sirenes. “Não temos abrigo”, diz.

Um dos tweets com foto e texto de Farah, que acompanha o conflito de sua janela ©Reprodução

Mas o que isso tem a ver com um site de moda? Tem a ver porque a moda não pode se alienar. Tem a ver com juventude, conexão e comportamento. Com entender e respeitar, dois verbos que não são muito praticados no mundo online, no confortável anonimato da internet.

Reforça também como você se torna mais corajoso e menos sozinho quando pode dividir o que está acontecendo, compartilhar o medo e o risco. Em uma situação como a dela, reportar em tempo real os acontecimentos pode simplesmente fazer o tempo passar mais rápido do que se estiver deitada, encolhida, esperando a próxima bomba cair. Um escape e um enfrentamento ao mesmo tempo.

Esse é um dos papeis que a internet, em especial as redes sociais, pegou para si, o de companheiro. As redes mudaram a forma como nós recebemos e consumimos notícias, além de ter afetado a maneira como escolhemos passar nosso tempo livre.

As pessoas estão cada vez mais tempo conectadas, teclando, conversando por texto e se vendo meio que distorcidamente por programas como Skype ou Facetime.

Farah vive uma situação limite, sem poder sair de casa ou se comunicar com as pessoas na vida “física”. É no online onde ela encontra suporte, apoio, atenção e esperança e aí está um grande trunfo do digital. Cada um na sua bolha, com suas preocupações, mais ou menos sérias, podemos conhecer os dramas alheios, entender mais o mundo através de seus olhos e nos compadecer de suas experiências.

A vida de Farah é a vida de muita gente, dos dois lados da fronteira, de muitas terras mundo afora. Esperamos que em breve, ela use o Twitter para contar que o céu está livre. E a noite, silenciosa.

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Supermarket Simulacrum

06/08/2014

por | ARTE

Imagem da série “Supermarket Simulacrum”, de Corey Bartle-Sanderson ©Reprodução

Passeando pelo Tumblr nesta semana, nos deparamos com a curiosa imagem de uma romã mimetizada em um fundo de mármore. O crédito indicava um “Supermarket Simulacrum” assinado por Corey Bartle-Sanderson, e fomos buscar mais informações: trata-se de uma série de fotografias de frutas, sempre em pares – na primeira foto, o objeto aparece inteiro, e, na segunda, fatiado, relevando o seu interior. “No coração do meu trabalho está o fascínio com a mundanidade do cotidiano. Os objetos são ignorados, eles se tornam invisíveis nesse borrão de superfamiliaridade e de desatenção diária. Quando olhamos para objetos do dia a dia, não paramos para pensar sobre eles em termos de cor, formato ou forma; apenas aceitamos o que eles são, sem questionamentos. Com Supermarket Simulacrum, quis aprofundar isso ao camuflar os objetos/frutas com o segundo plano”, explica o artista, observando que, ao mesmo tempo, o ato acaba chamando mais atenção para eles, “fazendo-nos pensar sobre os objetos, olhando para a imagem e questionando seu conteúdo.” Veja mais da série abaixo e conheça o site de Corey Bartle-Sanderson.

+ Siga o FFW no Tumblr!

Fazendo a unha no Japão

24/07/2014

por | BELEZA

Esqueça os salões cheios, barulhentos, com um monte de mulher falando sem parar, pilhas de revistas… O salão de manicure Kolmio+LIM, localizado em Osaka, terceira maior cidade do Japão, promete uma experiência bem diferente. O LIM do nome é para “less is more” e as fotos desta página traduzem a frase à risca (kolmio significa triângulo em finlandês). 

O Kolmio é um espaço minimalista e aparentemente tranquilo criado pela designer Yusuke Seki. O projeto teve início na cartela de cores, trabalha com tons da pele e das unhas. Muita luz natural completa o ambiente, que também conta com três espelhos, três cadeiras  e três banquinhos alocados de forma a compor o triângulo do nome. Simplicidade e bom gosto ao melhor modo japonês. #Ficaadica

©Reprodução Takumi Otaphoto 

©Reprodução Takumi Otaphoto

©Reprodução Takumi Otaphoto

©Reprodução Takumi Otaphoto

©Reprodução Takumi Otaphoto 

©Reprodução Takumi Otaphoto

©Reprodução Takumi Otaphoto

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“Cinquenta Tons de Cinza”

24/07/2014

por | CULTURA POP

Foto de Instagram da top Carol Trentini lendo “Cinquenta Tons de Cinza” ©Reprodução

Só se fala dele: “Cinquenta Tons de Cinza”, fenômeno da literatura que, juntamente com suas sequências “Cinquenta Tons Mais Escuros” e “Cinquenta Tons de Liberdade”, vendeu mais de 100 milhões de cópias no mundo todo e cujo alcance ainda vai se expandir ao cinema — um “Cinquenta Tons de Cinza – O Filme” está sob os cuidados da diretora Sam Taylor-Johnson, conhecida por “O Garoto de Liverpool”, com produção de Michael de Luca e Dana Brunetti, que trabalharam no premiado “A Rede Social” (assista abaixo ao recém-divulgado trailer do longa, que tem previsão de estreia para fevereiro de 2015). Mas afinal, qual é a desse livro?

Resumindo muito resumidamente, “Cinquenta Tons” é o “Crepúsculo”, só que com sexo no lugar dos vampiros. Parece simplista demais? Até que não, já que as obras apresentam uma longa lista de semelhanças; seguem apenas algumas, também para não estragar a surpresa de quem quiser ler a trilogia:

- uma heroína jovem, bonita e inteligente, mas insegura, filha única de pais separados, madura, porém inexperiente em relacionamentos, inacreditavelmente desengonçada e com um dom para atrair confusão. E, segundo seus respectivos pares românticos, muito cheirosa: check! check!

- um herói mais velho (guardadas as devidas proporções, já que Edward Cullen, de “Crepúsculo”, nasceu em 1901), impossivelmente belo, dono de um temperamento volátil e de segredos sombrios – mas, no fundo, com um bom coração –, de gosto musical eclético e uma queda por veículos velozes: check! check!

- uma narrativa centrada no relacionamento entre a heroína e o herói, recheada de referências sexuais, mais especificamente sadomasoquistas, com descrições detalhadas de o-que-é-usado-onde-e-como: check! só para o “Cinquenta Tons”

Brincadeiras à parte, as semelhanças citadas acima não são mera coincidência. A britânica Erika Leonard James, mais conhecida pelo seu pseudônimo literário E L James, não faz questão nenhuma de esconder o fato de que seus “Cinquenta Tons” nasceram da história de “Crepúsculo”. Infeliz com seu emprego, a ex-gerente de produção de TV se apaixonou pela saga adolescente (ela afirmou em entrevista à “Veja” que leu os quatro livros em cinco dias) e imediatamente teve a inspiração de começar a escrever. Depois de descobrir o fan fiction – estilo em que fãs imaginam histórias paralelas derivadas de determinadas obras –, ela achou que apimentar a relação entre Edward e Bella “poderia ser um exercício divertido”, e foi daí que surgiu a sua trilogia. Suas primeiras edições foram publicadas em 2011 por uma pequena editora australiana em forma de e-book. Meses depois, já na Vintage Books, as vendas dos três livros a deixavam aproximadamente um milhão de dólares mais rica por semana. Em abril de 2012, ela foi nomeada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista “Time”.

As capas da trilogia “Cinquenta Tons” ©Reprodução

Um artigo do “The New York Times” publicado também em abril tenta explicar o sucesso de “Cinquenta Tons”, afirmando que seu apelo está no fato de que ele não é uma novidade, e sim um “produto antiquado re-imaginado como inovação”. Com a disposição de todo tipo de material erótico e pornográfico a qualquer hora e em qualquer lugar, o melhor jeito de apresentar algo novo seria dar um passo para trás, com uma “reminiscência atualizada de novelas escandalosas do passado, incluindo “Jane Eyre” e (…) “The Sheik”, dos anos 1920. A principal diferença é a de que [a trilogia “Cinquenta Tons”] se passa na Seattle moderna e mistura mensagens de texto sexuais com palmadas”. Outra teoria do jornal é a de que, atualmente, todos os personagens fictícios femininos são fortes, trabalhadores e independentes, e “elas não se entregam a fantasias regressivas sobre milionários ricos e arrojados que anseiam em tornar a vida da heroína mais fácil”. A autora do artigo pondera: “Particularmente agora, quando ter tudo significa fazer tudo sozinha, há um fascínio especial sobre o devaneio de permitir que outra pessoa tome o controle”.

Outra teoria (dessa vez pessoal) é mais simples (e romântica?): se ignorarmos os elementos de fantasia (no sentido sobrenatural, em um caso, e sexual, em outro), fica muito claro que o que rege tanto “Crepúsculo” quanto “Cinquenta Tons” é a história de um amor incondicional. Em tempos de “a fila anda”, em que iniciar um relacionamento requer um enorme esforço, mas terminá-lo precisa de muito, muito pouco, quer abstração mais apelativa do que o romance devotado de Edward/Bella e Christian/Anastasia? Em entrevista publicada na “Veja”, a própria E L James afirmou que o que a seduziu em “Crepúsculo” foi “o fato de ser um romance tão assumido e tão desavergonhado no seu romantismo – feito sem ironia, sem tentar parecer mais do que é”. Na ótima definição de uma romancista ao site eonline.com, em reportagem sobre “Cinquenta Tons”: “É a clássica história de um grande amor – o homem poderoso que descobre essa mulher aparentemente comum, e se apaixona por ela e a faz sentir especial. Isso é crack emocional para mulheres”.

Seja lá qual for a explicação, o fato é que a trilogia é sucesso absoluto, e está gerando uma rede de merchandising que não deve se esgotar tão cedo: já foram anunciados uma linha de roupa, de lingerie e de maquiagem, além de um álbum com 15 faixas de músicas clássicas que são citadas ao longo dos três livros. Isso sem contar o boom de vendas de produtos relacionados à história de Christian e Anastasia, de brinquedinhos de sex shop (a BBC reporta que alguns itens citados em “Cinquenta Tons” tiveram um aumento de procura de 200%) até cordas de lojas de ferragem (quem leu o livro vai entender).

Além, é claro, do filme, já citado no início do texto, que só deve ser lançado em 2015, mas cujo buzz não dá sinal de perder forças. Para o papel de Christian Grey, de “cabelo revolto acobreado, e olhos cinzentos vivos”, o escolhido foi Jamie Dornan (“Once Upon a Time”; “Maria Antonieta”); já Anastasia Steele, a “garota pálida de cabelo castanho e olhos azuis grandes demais para o seu rosto”, será vivida por Dakota Johnson (“Ben and Kate”; “A Fera”), filha dos atores Don Johnson e Melanie Griffith. Entre os coadjuvantes já confimados, destaque para a cantora Rita Ora, que dará vida à irmã de Christian, Mia.

Dakota Johnson e Jamie Dornan como Anastasia Steele e Christian Grey em primeira cena gravada do filme “Cinquenta Tons de Cinza”, que tem previsão de estreia para fevereiro de 2015 ©Reprodução

+ A trilogia “Cinquenta Tons” é publicada no Brasil pela editora Intrínseca

(Post originalmente publicado em agosto de 2012)

Momento Jeff Koons

18/07/2014

por | ARTE

Por Rafaela Grabert Goldlust

O artista Jeff Koons, que tem super retrospectiva no Whitney Museum em Nova York ©Reprodução

A imprensa enquadra Jeff Koons o tempo todo; muitos reclamam dos preços astronômicos cobrados por suas obras; críticos falam que sua arte é uma bobagem fácil, que hoje é reproduzida por um exército de assistentes, mas o artista está eternamente em alta. Bagagem e reconhecimento internacional são poucas palavras para descrever as três décadas e meia de prática de Koons. O mestre americano (e milionário) do neo-pop (como chamam alguns críticos e colecionadores) está invadindo Nova York com três projetos distintos que ajudam a deixar seu nome ainda mais em evidência.

Atualmente ele está com uma grande mostra no Whitney Museum, a “Jeff Koons: A Retrospective”; também está lançando uma colaboração com a gigante H&M; e tem uma de suas esculturas enormes instalada no mítico Rockerfeller Center (NY) como parte do projeto Public Art Fund, que fica em exibição até o dia 12 de setembro. A obra é o Split-Rocker, que consiste em duas metades: uma cabeça de um pônei inspirada no brinquedo de um de seus filhos, e a outra baseada em um dinossauro de brinquedo. Juntas, elas formam o que parece ser uma gangorra infantil (rocker). Tudo no universo de Koons parece superlativo. A obra Puppy, uma de suas mais famosas, chega a ter 13 m de altura e é produzida em uma grande variedade de flores, como begônias e petúnias, totalizando até 60 mil plantas. Em 2012, a obra Tulips bateu o recorde da época em um leilão da Christie’s ao ser vendida por US$ 33,6 milhões. A estimativa era de US$ 25 mi.

+ Leia mais sobre a colaboração de Jeff Koons com a H&M

Mercado à parte, para quem gosta de sua obra e tiver a oportunidade, a visita ao Whitney é obrigatória. A exposição ocupa todos os andares do museu e é a última no espaço antes dele ser relocado para o Meatpacking District, em 2015. São mais de 150 peças do artista, incluindo obras icônicas, como o coelho inflável de aço inoxidável, a estátua de porcelana do Michael Jackson e seu chipanzé de estimação, fotos e esculturas em flagrante do próprio artista com sua primeira esposa, Cicciolina, e o cachorro laranja de aço inoxidável. Os clássicos de Koons, reproduções de objetos banais em cores vívidas e acabamentos espelhados que viraram arte, constituem a maior mostra dele em Nova York, numa narração cronológica que explora desde seus primeiros trabalhos até os mais atuais.

Já a colaboração do artista com a H&M abriu nesta quinta (17.07) na nova loja da marca na 5ª Avenida e conta com uma bolsa de edição especial de couro preto com a estampa do cachorro pelo preço acessível do fast fashion. A loja do museu também vai vender algumas para incrementar a linha de produtos com o tema Jeff Koons que já está à venda.

A retrospectiva fica no Whitney até dia 19 de outubro, quando será levada para o Centro Pompidou, em Paris, dos dias 26 de novembro de 2014 até 25 de abril de 2015, e em seguida para o Guggenheim Bilbao, de 5 de junho a 27 de setembro de 2015.

Veja abaixo imagens de algumas das obras que estão em cartaz na exposição ”Jeff Koons: A Retrospective” e responda: você está do lado dos que gostam ou dos que não gostam?

Whitney Museum
945 Madison Avenue
Telefone:+1 212-570-3600
+ site do museu

A versão gigante e em flor do Split-Rocker, que está na frente do Rockerfeller Center, em NY ©Reprodução

“Baloon Dog” ©Reprodução Whitney Museum

“Inflatable Flower and Bunny” ©Reprodução Whitney Museum

“Metallic Venus” ©Reprodução Whitney Museum

A obra “Tulips” ©Reprodução Whitney Museum

“Rabbit”, feita de aço inoxidável ©Reprodução Whitney Museum

Pintura à óleo “Antiquity 3″ ©Reprodução Whitney Museum

A versão mais compacta do “Split-Rocker” ©Reprodução Whitney Museum

Tela “Ilona on Top” com a ex-mulher Cicciolina ©Reprodução Whitney Museum

“Elephant”, de aço inoxidável espelhado ©Reprodução Whitney Museum

iPhone Photography Awards

15/07/2014

por | FOTOGRAFIA

Foto de Chun-Wai-To, que ganhou um dos prêmios na categoria Lifestyle ©Reprodução IPPAwards

Não precisamos mais nem mencionar o impacto que os smartphones tiveram em novas vidas e em meios de expressão, como a fotografia. Muita gente ainda reclama da falta de qualidade das imagens ou da democratização do ofício do fotógrafo, uma vez que há muitas imagens bacanas sendo feitas por pessoas sem técnica, mas com um bom olhar. Mas as redes sociais têm mudado essa percepção com força e agilidade: as fotos são postadas no ato e seu sucesso ou não é imediato através dos likes. Assim, a fotografia registrada exclusivamente por celular ganha cada vez mais espaço, atenção e fãs. Um dos exemplos dessa força é o fortalecimento do concurso iPhone Photography Awards, que surgiu lá em 2007 e a cada ano recebe mais inscrições.

O concurso segue as regras deste “lifestyle mobile”: é democrático, fácil de participar e barato. Para se registrar, é necessário pagar uma taxa de apenas R$ 6 caso você queira submeter uma foto. O preço sobe de acordo com o número de imagens participantes, até 20 por pessoa (no valor de R$ 100). Valem imagens registradas por iPhone, iPad e Ipod e todo o processo é feito rapidamente pelo site. A única regra é que as imagens não podem passar pelo Photoshop no computador; o uso de aplicativos de celular é ok.

Os participantes vão desde amadores ou pessoas sem uma relação mais profunda com a fotografia até profissionais do ramo. O IPPA anunciou recentemente os vencedores deste ano, que enviaram suas fotos sob temas diversos, como arquitetura, flores, comida, paisagens, pessoas, viagens, etc. Infelizmente, ninguém do Brasil foi contemplado. Algumas fotos vencedoras são boas, mas já vi melhores em perfis de amigos no Instagram. Vamos lá, pessoas! Vamos participar! As inscrições para o concurso de 2015 já estão abertas! Inscreva suas fotos aqui.

Foto de Julio Lucas (EUA), 1º lugar na categoria Fotógrafo do Ano ©Reprodução IPPAwards

Foto de Jose Luiz Barcia Fernandez (Espanha), 2º lugar na categoria Fotógrafo do Ano ©Reprodução IPPAwards

Foto de Adrienne Pitts (Reino Unido), 1º lugar na categoria Viagem ©Reprodução IPPAwards

Foto de Sofija Strindlund (Suécia), 1º lugar na categoria Still Life ©Reprodução IPPAwards

Foto de Michael Onneal (EUA), 1º lugar na categoria Animals ©Reprodução IPPAwards

Foto de Terry Vital (EUA), 1º lugar na categoria “Others” ©Reprodução IPPAwards

Foto de Felicia Pandola (EUA), 1º lugar na categoria Nature ©Reprodução IPPAwards

Para ver mais imagens (e tem muita coisa legal separada por categorias), visite o site oficial

As criações de Roberto Capucci

30/06/2014

por | MODA

Vista da cidade de Florença a partir da Villa Bardini, onde fica o Museu Roberto Capucci ©Marcela Duarte

Durante viagem a Florença para cobertura do evento Firenze4Ever e da Pitti Uomo, tive a oportunidade de conhecer a Villa Bardini, onde fica o museu sobre o italiano Roberto Capucci, um dos estilistas mais importantes do século 20. O local fica um pouco afastado do centro da cidade, no alto de uma colina.

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A vista que se tem da cidade de Florença já vale o passeio, mas a Villa Bardini guarda algo ainda mais interessante. Estão expostas lá criações do estilista, hoje com 83 anos. Ele criou vestidos tão incomuns que eram praticamente esculturas em tecido. Capucci misturava tecidos riquíssimos com materiais considerados menos nobres, como palha e pedras (uma espécie de high-low daquele tempo). Ele colocou seu nome em definitivo na história da moda ao criar peças tão esculturais, tão mirabolantes que não havia nenhuma preocupação que pudessem ser vestidas (muito menos usadas em alguma ocasião). Eram peças criadas apenas para serem vistas.

Criação de Roberto Capucci que está em exposição no museu ©Marcela Duarte

Uma das histórias inusitadas que foram contadas durante a visita ao museu foi a vivida por Capucci com a atriz Sophia Loren, que resolveu convidá-lo para criar um vestido. Para tanto, ele deveria ir até a casa da atriz. Chegando lá, Capucci deu de cara com vários paparazzi (todos avisados pela própria Sophia Loren). Como ele era avesso a fotógrafos e todo tipo de badalação, cortou relações com a atriz e nunca trabalhou com ela — e talvez seja esse um dos motivos de seu nome não ser tão conhecido nos dias de hoje.

Criação de Roberto Capucci que está em exposição no museu ©Marcela Duarte

Capucci começou sua trajetória como estudante de arte na Academia de Belas Artes. Em 1950, abriu seu primeiro ateliê e, em 1951, apresentou sua primeira coleção na vila de Giovanni Battista Giorgini, que é considerado o responsável por revelar grandes talentos da Alta-Costura italiana e o criador do “Made in Italy”. Com apenas 26 anos, Capucci foi considerado o melhor estilista italiano, muito apreciado por Christian Dior. Em 1958, ele criou o “Linea a Scatola” (scatola quer dizer caixa), uma verdadeira revolução na moda da época. A inovação foi premiada com o Boston Fashion Award de melhor criador de moda junto com Pierre Cardin e James Galanos. Depois de um desfile muito bem recebido pela crítica em Paris, o estilista abriu, em 1962, um ateliê no número 4 da rue Cambon, conhecida por abrigar o ateliê de Coco Chanel.

Criações de Roberto Capucci ©Marcela Duarte

Em julho de 1970, ele exibiu seu trabalho em um museu, em Roma, com uma coleção que revolucionou a moda, com modelos usando botas com saltos baixos, sem maquiagem e sem produção de cabelo. Ali começava a grande experimentação com a inclusão de elementos decorativos, rígidos e estruturais. Em 1980, Capucci decidiu mostrar suas coleções fora do calendário oficial e apenas quando ele estivesse pronto, sem deixar que as temporadas ditassem seu ritmo.

Criações de Roberto Capucci ©Marcela Duarte

Até hoje, seu nome está atrelado a criações de linhas rígidas e formas angulares, num estilo arquitetônico envolvendo formas geométricas que resultam em criações fluidas, além de uma mistura hábil de cores vibrantes e intensas. Se você tem viagem marcada para Florença, programe-se para uma visita até o local — você terá de ir de táxi, mas garanto que vale a pena.

Criação de Roberto Capucci que está em exposição no museu ©Marcela Duarte

Museu Roberto Capucci @ Villa Bardini
De terça a domingo, das 10h às 19h (última entrada às 17h)
Fechado às segundas-feiras, 25 de dezembro e 1º de janeiro
Ingresso: € 8 (€ 6 por pessoa em grupo com mais de dez pessoas e € 4 para estudantes). Pessoas com deficiência e acompanhante, jornalistas, professores e crianças em idade escolar, guia turístico e crianças menores de 6 anos têm entrada franca.
Contato: info@fondazionerobertocapucci.com
fondazionerobertocapucci.com

* A repórter Marcela Duarte viajou a Florença a convite de Luisa Via Roma e Texbrasil com apoio da Pitti Uomo.

+ Veja mais imagens das criações de Roberto Capucci:

Hong Kong Garden

16/06/2014

por | ARTE

Uma das placas de neon de Hong Kong na mostra virtual NeonSigns ©Reprodução

Impossível imaginar Hong Kong sem seus neons e seu visual futurista. O museu M+ (futuro espaço de cultura visual da cidade) lançou uma exposição virtual chamada NEONSIGNS.HK, que explora e discute a estética criada por esse coletivo de luzes coloridas. A principal ideia é, além de celebrar, documentar e preservar a estética urbana de Hong Kong.

O escritório de arquitetura Herzog & de Meuron ganhou a concorrência para projetar o M+, que ficará pronto apenas em 2017. Mas isso não é desculpa para que o museu não opere de outras maneiras. Este é o sétimo projeto “mobile” que eles fazem, com a ajuda de tecnologia de primeira, um site bonito, bilíngue, dinâmico e super bem programado (desenvolvido pelo estúdio premiado pill&pillow).

Ao navegar, encontramos um mapa que permite ao usuário adicionar uma foto de seu neon favorito, além de muitas fotos, documentários e informações sobre cada imagem, como o endereço onde está situada. Os curadores do projeto também organizaram atividades, como workshops e passeios de ônibus pelos neons mais icônicos da cidade, como o Bank of China Tower. Um exemplo de ponta que mostra como o online e o offline deixam de andar na paralela para estarem totalmente integrados. A internet é parte de nossas vidas, dentro e fora do computador e do celular.

Veja abaixo mais algumas fotos que estão na mostra. E, se você estiver em Hong Kong, não deixe de postar o seu neon preferido: