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Pensata da Palô #23: o gate nosso de cada dia

via @ErikaPalomino

diana-ross-and-the-supremes-luxo-airplaneO glamour a bordo ficou impresso no imaginário do século 20, mas não fez a virada para o século 21. Na foto, as Supremes (Mary Wilson, Florence Ballard e Diana Ross) desembarcando em Londres nos anos 1960 ©Reprodução

Houve um tempo em que pegar um avião era um exercício de glamour. Ah, aquelas fotos hollywoodianas, das celebridades apontando na ponta da escada e acenando para a turba e para os fotógrafos, imagens devidamente gravadas no imaginário do século 20.

Hoje, até quem viaja de primeiríssima classe e mesmo as megacelebridades baixaram a bola (minha querida amiga Gloria Kalil é a mestra em sugerir como viajar com estilo, mas não é essa a pauta aqui).

Para a imensa maioria de mortais, que não desfrutam de check-ins diferenciados, salas VIPs e ônibus private esperando à saída do avião, e mesmo para quem desfruta, o dress-down tomou conta. E ser frequent flyer só é bom mesmo para quem está de fora.

Em tempos de calor no Hemisfério Norte (objeto desta  minha observação aqui), o povo anda como se estivesse num calçadão indo atrás da próxima água de coco: bermudas, shortinhos, chinelos, tênis.

Em algum verão, Marc Jacobs criticou a beach-ificação das ruas de Nova York, e proclamava que a moda precisa de um pouco mais de esforço. A frase é boa, de fato. Mas vai convencer quem tem que fazer mil conexões, passar por check-in, imigração, sala de embarque, raio X, eventualmente tirar o sapato e colocar naqueles horríveis caixotes de plástico… E carregar bagagem de mão (ou as tranqueiras que não couberam na mala; quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra)… Não tem como manter a finesse. E quando o sapato machuca e o pobre ser humano tem que se arrastar pelos enormes aeroportos de hoje? Da próxima vez vou de chinelo, ele jura para si ali mesmo.

Realmente não dá pra comparar. Pessoalmente até prefiro gente normal do que os fashionistas em trânsito durante as temporadas de moda. Vestidos como se fossem direto pra primeira fila, com aquelas caras de quem já não está gostando, de quem não sabe se divertir. Pegar um voo Milão-Paris durante os desfiles pode fazer você se sentir um verme cafona. Já São Paulo-Rio, felizmente, é mais relaxado (apesar de todo mundo oficialmente reparar no que os outros estão vestindo e na qualidade/style das bagagens).

Adoro especificamente um personagem, o da pessoa que oficialmente se esforça para fazer um modelão para viajar. Geralmente ela usa tudo o que de mais grifado tem em seu guarda-roupa. É bolsa Vuitton, óculos Prada, relógio D&G, you name it! Ela só fica mais humilde mesmo quando encontra seu assento na classe econômica. Até então, é só carão. Mas acho divertido.

A vida é assim: um dia na executiva, outro ganhando upgrade, a vida real no modo econômico. Viajar _e observar_ ensina muito.

Pra quem gosta de “dicas” (já falei aqui que odeio a palavra??), seguem as minhas:

01) deixe o carão em casa.
02) leve uma pashmina (eu era contra até ter uma). De preferência uma que te abrace e te proteja.
03) carregue o menor peso possível na mão.
04) vá com sapatilha ou tênis. Chinelo só em casos de ótimas pedicures (porque ninguém merece).
05) não encha a cara no avião. Se preferir, encha a cara depois de fazer o check-in, mas desde que não perca o voo. No avião, tome água mesmo, pra não chegar ainda mais inchado no destino.
06) Se for para os Estados Unidos, confira se sua meia não está furada.
07) Roupas soltas e confortáveis, nada de querer mostrar que emagreceu com aquela nova skinny.
08) Fones, i-pods e protetor de olhos para escapar de seus pouco inspiradores personagens à volta.
09) coisas pra ler que não pesem em sua bolsa.
10) optimismo e pensamentos positivos (com aviões e aeroportos, tudo sempre pode piorar, então é melhor achar que não vai!).

Last but not least, olhe bem, mas muito bem seu bilhete assim que ele for emitido e confira todos os horários, conexões, horários de embarque (não confundir com os da chegada).

Agora, se voce quiser aprender a fazer uma mala perfeita, entra no Chic, amor. Eu juro que não sei!!!

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Shirley Mallmann na POP

Lembra quando falei que a Shirley Mallmann (Way) fazia parte de um dos editoriais da nova edição da POP? Então, eis que a imagem dela na revista foi divulgada hoje. Ela está linda como sempre e vestindo peças bem básicas de marcas como Topshop, Diesel Black Gold e Fendi.  A supertop gaúcha foi fotografada por Jamie Morgan, com styling de Tamara Rothstein. Esse editorial só com modelos loiras ocupada mais de 30 páginas da revista.

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Brogues e Oxfords

Semana passada quando publicamos o FFW Vitrine sobre os sapatos masculinos, muita gente perguntou no twitter a diferença entre os dois modelos que fotogramos: brogues e Oxfords. Pois bem, vamos às explicações. Na verdade, ambos tem a mesma origem _a Irlanda. Sendo que um é variação do outro.

melissa alexandre 2Brogues de Alexandre Herchcovitch para Melissa

Tudo começou com os brogues, calçado resistentes, originalmente usados por camponeses quase como uniforme de trabalho. Ao longo do tempo, o sapato sofreu algumas modificações, sofisticando-se e recebendo outros nomes.

Com a revolução industrial e o crescimento da vida urbana, os brogues foram aos poucos deixando suas características utilitárias de lado e ganhando contornos mais elegantes. Caso do Wing-tip Oxford, modelo que possui revestimento duplo de couro com perfurações e pespontos de efeito decorativo na ponto e no calcanhar. O cap-toe Oxford (ou Derby) é outro exemplo. Este possui uma camada de couro em sua ponta, podendo ou não trazer pespontos e perfurações.

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Existe também o Plain-toe Oxford (ou simplesmente Oxford), fabricado em uma só peça de couro. Aliás, este é considerado pelos irlandeses e ingleses o verdadeiro Oxford.

Atualmente, as distinções entre ambos se afrouxaram, com o mix de diferentes estilos.

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O Santo da AP401

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O FFW tem a sua Santa que reza em italiano, já falamos da religião na moda aqui, e esse fim de semana fiquei sabendo da nova campanha da AP401, lá de Maceió, criada e fotografada pelo Estúdio Alba (leia-se Herbert Loureiro e cia). Tudo misturado, muitos acessórios, um toque brasileiro e imagens muito bonitas e poéticas. A campanha é um retrato bem fiel das vontades mostradas nos desfiles de verão 2011, de olhar pro Brasil, misturar referências regionais e etc.

A sessão de fotos da campanha aconteceu na cidade de Penedo, em Alagoas, com os modelos Valmir Lins e Victória Kipper. Aproveitei o contato do Lucas Barros no Facebook, para tirar minhas dúvidas e conhecer mais sobre o processo de trabalho dele, que por sinal, é bem interessante.

FFW: Você podia me falar um pouco sobre as cores dessa coleção? Percebi que os tons são terrosos.
LB: A cartela de cores é toda em cima de tons terrosos sim, e pedi que na edição tivessem esse cuidado também. Queria as peças com sentimento de saudade, de lembrança, de memória afetiva. Imagino que estes tons transmitem isso.

FFW: E como funciona o processo de criação dessa textura/estamparia que você aplica as peças?
LB: Meu trabalho é desenvolvido em cima de uma estamparia experimental que desenvolvo diariamente aqui no meu ap-atelier: revelo as estampas (feitas por mim e pela colaboração do Herbert às vezes) e daí começo um processo todo manual de lavagens e tingimentos. Todo o processo é feito por mim, e dependendo da peça, passo um, dois, ou até três dias pintando.  Nesta coleção mesmo eu precisei de tecidos mais ásperos, que foram detonados pra ganharem textura de piso, de parede. Algumas camisetas ganharam texturas de paredes velhas com aspecto de um mofo bem agradável. As peças são pintadas depois de costuradas: primeiro elas passam por um processo de tingimento, que irá servir de fundo pra estampa. Depois, dependendo da peça, faço lavagens, uso serigrafia, e mais lavagens. O resultado é uma peça exclusiva toda confeccionada manualmente.

FFW: E os acessórios? 
LB: Os acessórios desta coleção sao meus. Crio juntamente com as roupas. Na minha coleção mais recente – Baile! que lancei há uma semana – eu convidei um amigo para assinar os acessórios comigo.

Para quem ficou curioso pra conhecer mais sobre o trabalho de Lucas e da AP401, vale a pena conferir o texto que explica em detalhes essa coleção lá no site da marca.

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NOVEMBRE

Lembra quando falamos aqui da Sang Bleu? Então, os mesmos criadores dela + a designer Florence Tetier e o fotógrafo Florian Joye estão por trás da novissima NOVEMBRE, revista de moda da Suiça lançada oficialmente (por que na verdade ela já tinha sido lançada em junho) no último final de semana em NY, com direito a instalações de arte e festa. Eu simpatizei com a revista depois de ver que uma das capas é uma imagem tropical, sem modelo, sem pose, sem carão. Essa imagem vale mais do que mil palavras (e chamadas), afinal, é a edição de verão deles. Além da moda, a publicação também tem foco nas artes e tem como objetivo fomentar e ser uma fonte de inspiração dentro do mercado de moda suiço. E o conteúdo da primeira parece bem bom: tem a estilista Catherine Baba, Emilio Pucci, Koudlam, Kris Van Assche, Elie Saab, Diane Pernet e outros. Ah, ela é toda traduzida em alemão, inglês e francês.

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Istambul: Capital Cultural da Europa, a maior cidade da Turquia está pegando fogo

por Eduardo Logullo*

istanbulImagem da exposição “Sea Of Fate”, em cartaz no Sanat Limanı como parte dos eventos da Capital Cultural da Europa em 2010: Istambul ©Divulgação

A maior cidade da Turquia está pegando fogo. De calor, de ideias, de novidades. Esta é a conclusão que a equipe FFW e MAG! tira depois do Istanbul Fashion Week (IFW), evento que pretende colocar a moda turca no circuito oficial.

Isso ocorre em um momento em que a Turquia é cortejada para se integrar à Comunidade Europeia, por motivos óbvios: economia forte (a lira turca se mantém estável há anos), mercado interno com quase 70 milhões de consumidores, iniciativas importantes para tolerância/contenção religiosa e recuperação do acervo histórico do país. O setor têxtil turco ocupa o terceiro posto no ranking mundial.

A primeira prova das alterações em curso está no fato de Istambul sediar em 2010 a Capital Cultural da Europa, posição disputada por dezenas de cidades-candidatas e que confere imenso prestígio a essa metrópole populosa (13 milhões de habitantes) com 3,5 mil anos de interligações entre as civilizações européias e asiáticas. Atualmente, a cidade já recebe 8 milhões de visitantes por ano.

Os planos de preparar Istambul para essa data começaram em 2007. O objetivo seria administrar com antecipação as atividades que transcorrem desde janeiro de 2010, todas apoiadas por instituições estatais e setores privados. Foram desenvolvidos três mil programas em 14 áreas: Projetos Urbanos; Artes Tradicionais; Herança Cultural e Museus; Artes Visuais; Música Turca Clássica; Cultura Urbana; Educação; Literatura; Cinema/Documentário/Animação; Teatro e Artes Performáticas; Turismo e Promoção; Mar e Esportes; e Relações Internacionais.

E a festa poderá continuar por muito tempo. Os setores “europeizantes” da Turquia querem dissolver o dilema de viver entre o peso histórico que detêm no contexto mundial e as mudanças exigidas pelas novas sociedades. Isso se reflete também na moda. Entre as discussões no IFW, destacava-se a importância de se exportar um estilo “turco” ou a opção de produzir roupas “sem fronteiras”. Ser turco ou ser internacional, eis a questão.

Paulo Borges, em sua palestra promovida na semana passada em Istambul pela revista “Elle” turca, foi claro (e premonitório), ao dizer que, em negócios de vulto, nada se faz de forma acelerada. Ele deixou a platéia atônita ao ressaltar que o São Paulo Fashion Week — o evento que Istambul toma como modelo de crescimento — foi criado com planejamento de 30 anos. E não de cinco anos, como a Turquia espera ver os resultados dos investimentos substanciais aplicados na moda.

+ istanbul2010.org

*Eduardo Logullo é editor-chefe da revista MAG!

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Corinne Day R.I.P

Ontem, aos 45 anos, a fotógrafa responsável por revelar ao mundo a beleza de Kate Moss, naquela edição histórica da The Face, com o então terceiro verão do amor, perdeu a luta contra um câncer cerebral. Ela já sofria da doença a mais de 10 anos. Desde 2009, 300 ampliações de uma foto de Kate fotografada por Corinne foram colocadas a venda para financiar o tratamento de 100 mil libras. Em 2009, a doença levou a fotógrafa a entrar em um estado terminal, depois de paradas cardíacas e complicações.

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Ao longo da carreira, Corinne teve ao seu lado como companheiros de trabalho a stylist Melanie Ward (que a Erika já citou em uma de suas pensatas e eu nesse post sobre o Panos Yiapanis) e o hair stylist Neil Jarret. Além disso, clicou várias capas e editoriais da Vogue Itália e britânica. Foi uma das fundadoras do estilo heroin chic que tomou conta da moda nos anos 90 e que hoje serve como referência de imagem para a nova geração de fotógrafos e stylists.

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Acima, Meghan Collison fotografada por Corinne Day para Vogue Japão e chinesa, em 2008. Abaixo, a modelo Carol Sippel, para a Vogue Itália, em 2006.

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“Photography is getting as close as you can to real life, showing us things we don’t normally see. These are people’s most intimate moments, and sometimes intimacy is sad.” 

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O haute papier Bea Szenfeld

Estilista polonesa que vive na Suécia. Achei as imagens das peças dela ótimas, além de muito simples. A inspiração para essa coleção chamada de “Sur la Plage” são as mergulhadoras coreanas dos anos 30 e as histórias místicas de marinheiros, os livros de Júlio Verne.  Todas as peças são feitas a mão e tudo é de papel. Bea já teve seus trabalhos expostos durante a Paris Fashion Week, com uma exposição chamada Whatever Forever. No site dela, dá pra notar que a usabilidade das peças não é o foco do trabalho: “Are these garments wearable? No. Washable? No. Strangely exquisite? Yes.”

Para ver mais imagens, é só clicar aqui.

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Pérolas aos porcos na Vogue russa

A última edição da Vogue Russia sob o comando de Aliona Doletskaya, que a dirigiu por 12 anos, chegou às bancas com Natalia Vodianova (e styling de Patti Wilson) na capa e um editorial de jóias ironicamente estrelado por… porquinhos!

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A saída de Doletskaya, segundo o presidente da Condé Nast International, Jonathan Newhouse, foi idéia dela. “Aceito a decisão dela de deixar a revista com grande tristeza”, disse em um memorando. Quem assumiu o posto foi Victoria Davydova, antes responsável pela Tatler Russia.

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Pop é pop

Desde a primeira edição da Pop sob o comando de Dasha Zhukova, o mundo da moda já percebia que o direcionamento da revista iria ser bem diferente do antes assumido por Katie Grand. Pois bem, duas edições depois e chega a terceira edição desta nova fase, com uma capa kitsch, recriando um fanzine japonês, estrelando uma artista em decadência – no caso Britney Spears –  pouco famosa hoje em dia por seu trabalho como cantora, dirigida por um dos artistas mais legais, o Takashi Murakami. A última edição da revista teve como diretor convidado Richard Prince e a primeira (sob o comando de Dasha) Damien Hirst. Com essa edição, já dá pra meio que entender o posicionamento da revista, que é de chamar artistas consagrados e customizar as capas, com isso as edições acabam se tornando obras… populares, de fácil acesso. Cada artista com suas particularidades e estilos. 

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Comparando com as outras publicações de moda, essa vai contra todas as revistas de moda lançadas em setembro (não tem a tendência da temporada na capa, nem atrizes de Hollywood), é  fora do formato convencional e sem a sensualidade e diversidade das 8 capas da Love. Tem muita gente elogiando a decisão, caindo de amores pela capa e um tanto odiando. Faz parte. Além de Britney, o conteúdo da edição inclui uma entrevista com Barbara Kruger, mais Hillary Clinton, um editorial de modelos loiras com um casting gigante (incluindo a brasileira Shirley Mallmann) fotografado por Jamie Morgan e outros 7 editoriais, estrelando novo fotógrafos e modelos como Jacquelyn Jablonski, Eniko Mihalik, Alana Zimmer, Ann Kenny e um meninos em roupas de meninas. 

Abaixo, algumas imagens do editorial com a Jacquelyn Jablonski, em fotos de Sean & Seng e styling de Isabelle Countoure.

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